Dicas-Para-Evitar-as-Armadilhas-de-Uma-Apresentacao

Dicas-Para-Evitar-as-Armadilhas-de-Uma-Apresentacao

Até as pessoas experientes e bem preparadas para falar em público geralmente têm dúvidas sobre a maneira mais apropriada de se apresentar para que possam ter sucesso na comunicação. A maioria tem receio de se portar de forma inadequada ou de cometer algum deslize que se transforme numa armadilha e comprometa o resultado da sua apresentação. Por isso, o meu objetivo é mostrar a você as atitudes que deverá evitar para garantir que suas apresentações sejam sempre vitoriosas.

Não fale sem conhecer o assunto

Se lhe fizerem um convite para falar sobre um assunto que não domine, ou sobre o qual tenha conhecimento apenas limitado e sem dispor de tempo para se preparar de forma conveniente, não hesite em recusá-lo. Não tenha ilusão de que durante a apresentação os deuses da inspiração virão em seu socorro e farão com que a mensagem surja como por encanto para ajudá-lo a se sair bem diante do público. Tenha certeza de que irá ocorrer exatamente o contrário, pois sem conhecer o assunto você se sentirá desprotegido, fragilizado, ficará preocupado, com receio de se perder na seqüência do raciocínio, ou de não se lembrar dos dados que pesquisou apenas superficialmente e, como conseqüência, prejudicar sua imagem diante dos ouvintes. Essa insegurança o deixará ainda mais nervoso e o impedirá de se apresentar com eficiência. Eu sei que em algumas circunstâncias é quase impossível declinar convites para falar e nem sempre conseguiremos abordar apenas temas que dominamos com profundidade. Mas essas situações são raras e se elas ocorrerem tenha o cuidado de associar o assunto às informações que conheça bem e procure falar no tempo mais reduzido possível, pois quanto mais demorada for a exposição de temas com os quais não esteja bem familiarizado maior será o risco de cometer erros.

Não fale sem saber quem são os ouvintes

Você poderá preparar uma apresentação excepcional, obedecendo a todas as recomendações técnicas da ordenação didática da fala, mas se o assunto e a maneira de apresentá-lo não atenderem às expectativas, aos interesses e às características dos ouvintes, provavelmente, irá fracassar. Por mais que você conheça com profundidade um assunto não obteria êxito se o apresentasse com detalhes técnicos diante de uma platéia de leigos. Essas pessoas, por não estarem familiarizadas com a matéria, teriam dificuldade para acompanhar a exposição e em pouco tempo perderiam o interesse e deixariam de se concentrar na exposição. Também seria inadequado falar de maneira superficial se a platéia fosse constituída de ouvintes especializados naquele tema, pois sentiriam que as informações elementares apresentadas não trariam nenhum tipo de benefício e se desinteressariam. Alguns palestrantes, por estarem acostumados a falar para grupos de executivos, com idade mais avançada e em ambientes formais, atrapalham-se diante de platéias de jovens que normalmente se envolvem com apresentações mais soltas e arejadas. Por isso, não faça apresentações sempre da mesma maneira para públicos diferentes. Não exija raciocínios elevados, reflexões e deduções complexas se a platéia for despreparada intelectualmente, nem explique com detalhes desnecessários se os ouvintes tiverem boa formação intelectual. Fique atento ao tipo de platéia que irá ouvi-lo e adapte sua mensagem aos ouvintes que terá pela frente. Embora essas informações sobre o tipo de público que irá assisti-lo possam ser conseguidas com antecedência, em algumas situações isso não será possível e caberá a você durante a apresentação observar atentamente o comportamento das pessoas e fazer as adaptações que julgar importantes para que a mensagem chegue bem aos ouvintes.

Não fale com recursos audiovisuais inadequados

Os recursos audiovisuais são quase sempre muito valiosos para o sucesso de uma apresentação, mas se você não os escolher ou não os usar de maneira apropriada poderão se transformar num obstáculo para os seus objetivos. Não se valha de recursos visuais que não utilizam projeção quando a platéia for numerosa. Por exemplo, seria de pouca ajuda um flip chart, um quadro de giz, ou um quadro magnético, que, de maneira geral, possuem dimensões reduzidas e, por isso, são recomendados para grupos de aproximadamente 50 pessoas, diante de uma platéia de centenas de ouvintes. Da mesma maneira, você poderia prejudicar uma apresentação para um pequeno grupo se por causa de alguns visuais, que poderiam ser mostrados com recursos bastante simples, montasse uma parafernália com equipamentos sofisticados e ficasse praticamente o tempo todo com as luzes apagadas para poder projetá-los. Ou, no lugar de apontar com a "anteninha" ou uma régua informações quase irrelevantes num flip chart se valesse de um laser pointer. Cuidado também com o excesso. É muito fácil se entusiasmar com os recursos disponíveis no computador para a produção de visuais e exagerar na quantidade de letras, de cores e principalmente de telas. Prepare os visuais para apoiar sua apresentação destacando as informações mais importantes, permitindo que os ouvintes acompanhem com facilidade o raciocínio e possam se lembrar das informações por tempo mais prolongado. Depois de montar toda a apresentação selecione as telas que julgar imprescindíveis e, se for bem criterioso, irá constatar que 50 ou 60 por cento delas seriam suficientes. Se você recorrer a um número excessivo de telas, terá condições de planejar com mais detalhes toda a seqüência da exposição, mas poderá perder a chance de interagir com a platéia e, pior, deixar de aproveitar as circunstâncias que surgem no próprio ambiente onde está se apresentando. É importante também que você tenha total domínio do recurso que irá utilizar. Por isso, ensaie bastante até que sinta que ele faz parte natural da sua apresentação.

Não deixe o som ser seu inimigo

Infelizmente, são poucos os ambientes dotados de aparelhagem de som de boa qualidade. De maneira geral, esses equipamentos são improvisados, antiquados ou mal utilizados. E o pior é que a pessoa responsável pelo evento quase sempre dirá a você para não se preocupar com o som porque está tudo providenciado. Não acredite. O fato de ele ter providenciado a aparelhagem de som e um operador não significa que tudo esteja da maneira como você deseja ou precisa. Por isso, além de perguntar se o som está instalado, se for possível, faça um teste para verificar se o aparelho está funcionando de forma adequada, com o volume, retorno e os níveis de grave e agudo de acordo com as características da sua voz, para que ela seja bem aproveitada. Se você não receber bem o retorno da sua voz, tenderá a usar volume excessivo que, em apresentações mais longas, especialmente em ambientes mais amplos, poderá deixá-lo rouco ou cansado, com dificuldade até para respirar. Os microfones de lapela permitem boa mobilidade diante da platéia, mas são poucos os modelos que captam a voz com eficiência. Se usar esse tipo de microfone, que é um dos mais comuns, procure deixá-lo no local mais próximo que puder da boca, e, se mesmo assim sentir que o som não é de boa qualidade, prefira substituí-lo por outro modelo tradicional, que geralmente apresenta melhores resultados. Uma opção ainda melhor é o head-set, que como o de lapela possibilita a movimentação diante do público e por ficar bem próximo da boca transmite o som com melhor qualidade. Se, depois de todos os testes e acertos, os problemas de som persistirem e o ambiente não for muito amplo, até cem pessoas, por exemplo, abandone o microfone e fale sem ele, pois o resultado poderá ser mais positivo. Se você costuma fazer apresentações com freqüência em ambientes diferentes, talvez fosse recomendável ter o seu próprio microfone tipo headset. Nem sempre será possível adaptá-lo às aparelhagens que irá encontrar, mas com alguns plugs, extensões e cabos extras você montará um kit para suas apresentações que lhe dará tranqüilidade e proporcionará um resultado mais eficiente.

Não se esconda no ambiente

Um erro comum de alguns palestrantes é manter o ambiente escurecido para que possam fazer as projeções dos seus visuais e para eles mesmos se esconderem nas sombras. Conscientize-se de que ao se apresentar em público você deverá se comportar como a grande estrela. Com humildade, sem arrogância, sem prepotência, mas de forma projetada para que os ouvintes possam vê-lo bem, admirá-lo e se envolver com sua comunicação. Assim que chegar ao local aonde irá se apresentar analise todas as possibilidades de movimentação que terá diante da platéia, quais são os pontos onde poderá ficar sem prejudicar a visão do público e quais são os setores do palco ou da sala que apresentam melhor iluminação, e durante a sua apresentação, sempre que puder, posicione-se nesses locais.

Não se perca no início

Você poderá conquistar ou perder os ouvintes no início da apresentação. Os primeiros momentos são os mais difíceis e delicados, pois você ainda estará procurando se posicionar melhor no ambiente, tentando ouvir bem o som da própria voz e com a adrenalina fervendo no organismo. Geralmente esse é o instante de maior nervosismo e insegurança de toda a apresentação. Por isso, a não ser que tenha muita experiência e esteja acostumado a se apresentar em público não se arrisque com iniciativas como pedir que os ouvintes batam palmas, levantem os braços, gritem palavras de ordem, plantem bananeiras e outras macaquices que poderão não dar resultado e deixá-lo ainda mais perturbado e, quem sabe, desestabilizá-lo até o encerramento. Prefira introduções mais simples e menos arriscadas, como agradecer a presença às pessoas, elogiar com sinceridade os ouvintes, aproveitar algum fato nascido no próprio local onde você se apresenta, contar uma pequena história que tenha estreita ligação com o tema, comentar sobre os benefícios que o assunto terá para o público. São recursos simples, fáceis de serem aplicados e com boas chances de sucesso. Deixe os recursos arriscados para quando tiver mais experiência...e olhe lá!

Não se perca na conclusão

A conclusão é uma etapa muito importante da apresentação, pois é o momento em que você fará com que os ouvintes reflitam ou ajam de acordo com a mensagem. Entretanto, é muito comum observar palestrantes que por negligência prejudicam a qualidade das suas apresentações com encerramentos vazios e inconsistentes. Ao planejar sua exposição tome cuidado com o final, pois, se ele não estiver de acordo com a mensagem e com as características dos ouvintes, poderá prejudicar o trabalho que teve desde o princípio. Assim como na introdução, também na conclusão você deverá preparar com detalhes exatamente o que irá dizer. Entretanto, ao chegar ao local da apresentação é importante que fique bem atento, pois se perceber que alguma informação do ambiente poderia ser utilizada com vantagem faça a substituição. Mas, atenção - jamais deixe de se preparar à espera de que possa encontrar alguma informação relevante no ambiente. Não vale a pena correr o risco.

Não deixe a roupa atrapalhar

Se você aparecer para falar vestido de maneira informal num evento onde todas as pessoas estejam trajadas formalmente, dependendo da circunstância em que o fato ocorra, poderá se sentir tão deslocado que talvez não consiga ter um bom desempenho. Da mesma maneira, o resultado poderá ser igualmente negativo se você estiver usando um traje formal e tiver de se apresentar para um grupo que se veste com informalidade. Na sua atividade profissional também deverá observar bem o tipo de roupa que irá usar, principalmente quando precisar fazer alguma palestra ou participar de reuniões importantes. Nesse caso, além de verificar a formalidade da circunstância, considere também a maneira como se trajam os profissionais que exercem a mesma atividade que a sua. Somente, então, a partir dessas considerações é que você deverá adaptar o seu próprio estilo.

Não se deixe levar pela emoção

Falar com emoção é importante, pois essa demonstração de envolvimento com o assunto poderá conquistar os ouvintes e fazer com que eles também se interessem pela mensagem e pela sua causa. Dificilmente as pessoas considerariam sua apresentação importante se você não se comportasse com disposição, energia e vontade de tratar do assunto sobre o qual se dispôs a falar. Entretanto, a sua emoção deverá sempre considerar o sentimento dos ouvintes. Se você se mostrar entusiasmado por suas idéias, mas não preparar a platéia de maneira conveniente, irá se emocionar sozinho, sem que as pessoas o acompanhem. Já que estamos tratando de emoção e refletindo como esse sentimento por um lado pode ser útil para o bom resultado da apresentação, quando utilizado de forma correta, e como pode ser prejudicial, se não participar de maneira adequada da comunicação, saiba que, por maiores que sejam as dificuldades que estiver enfrentando ao falar diante de um grupo e por mais ofendido que se sinta pelas palavras de alguém, jamais deverá se perder pela emoção. Use sempre a inteligência e a razão para que possa ter o controle da situação e a solidariedade das outras pessoas. Ao ser atacado reaja com firmeza, personalidade, fale com convicção, mas jamais se deixe levar pela emoção. Faça desse sentimento um importante aliado e não um adversário.

Não deixe o artificialismo prejudicar sua eficiência

Você está dominando o assunto, tem uma boa noção das características dos ouvintes que irá enfrentar, preparou de forma conveniente os recursos audiovisuais, planejou bem as diversas etapas da apresentação, dando atenção especial ao início e à conclusão, conscientizou-se de que deverá usar a emoção na medida certa e escolheu a roupa mais apropriada para a ocasião. Agora preste muita atenção nesta que talvez seja a mais importante de todas as recomendações para que você não construa uma armadilha para atrapalhar o bom resultado da sua apresentação - não se apresente de maneira artificial. De nada adiantará você tomar todas as precauções para se sair bem diante do público se falar de maneira artificial. O artificialismo poderá ser considerado o mais poderoso adversário do sucesso que você pretende alcançar com sua apresentação. Seria preferível até que você desconsiderasse todas as sugestões que foram dadas até aqui, mas se apresentasse de maneira natural, sempre usando sua espontaneidade, do que se as seguisse criteriosamente, mas agisse com artificialismo. Por isso, observe sua forma de se expressar no dia-a-dia, quando está mais à vontade, e procure ter o mesmo comportamento ao se apresentar em público. Esteja certo de que assim sua mensagem conquistará maior credibilidade e você se sentirá mais confiante para falar em público.

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