Trabalho Industria Naval e Offshore - Projetos Area Naval Rio de Janeiro UEZO

Trabalho Industria Naval e Offshore - Projetos Area Naval Rio de Janeiro UEZO

(Parte 1 de 3)

Centro Universitário Estadual da Zona Oeste – UEZO Curso Superior de Tecnologia em Construção Naval – CoTCN

Rio de Janeiro 2011

Caio Sarti, Gustavo Alves, Renan de Araújo, Sâmara Pinto

Rio de Janeiro 2011

Trabalho realizado pelos alunos Caio Sarti, Renan de Araújo e Sâmara Pinto, 3º período, e Gustavo Alves, 6º período do curso de Construção Naval, apresentado como requisito parcial para a obtenção da nota da primeira avaliação da disciplina de Introdução à Industria Naval e Offshore lecionada pelo professor Bruno Sampaio.

Grandes investimentos, projetos e parcerias econômicas ajudam no fortalecimento do estado do Rio de janeiro e na consolidação do Estado no setor naval.

1. Introdução3
2. Reaquecimento da Indústria Naval Brasileira5
3. O Rio consolida sua liderança no setor naval6
4. Projeto do Estaleiro da Marinha em Itaguaí7
5. Complexos Navais no Rio8
6. Rio: a capital do petróleo13
7. Conclusão14

1. INTRODUÇÃO

Apoiado em uma economia diversificada e extremamente dinâmica, o Estado do Rio de Janeiro vive nos últimos anos um período de grande dinamismo. Sua economia, a segunda do país em termos de Produto Interno Bruto (PIB), atingiu valor superior a R$ 275 bilhões em 2006 – equivalente ao PIB chileno – representando 1,6% da produção nacional.

O Rio de Janeiro é, ainda, um “Estado de logística”, já que suas características naturais o colocam em uma posição privilegiada comparativamente aos demais estados da federação: centralidade e multimodalidade.

De fato, existem no Rio cinco portos de diferentes perfis que exportam 13,5% do total brasileiro, sendo dois deles – Porto de Itaguaí e Porto do Rio de Janeiro – as principais portas de entrada e de saída das mercadorias produzidas ou destinadas ao próprio Estado do Rio de Janeiro e ao de Minas Gerais, atendendo também aos demais estados. Além disso, o Porto de Itaguaí – localizado na baía de Sepetiba – tem potencial para se tornar um hub port, dada a sua retroárea e o grande calado natural.

As características que destacam o Rio de Janeiro no âmbito nacional fizeram com que, nos anos recentes, diversos investimentos fossem atraídos para o Estado. A dimensão desses investimentos associada ao impacto que trarão à economia local e nacional criaram verdadeiros eixos de desenvolvimento, que guiarão o desenvolvimento fluminense nos próximos anos: eixos norte, sul, leste e Sepetiba.

Primeiro, é o maior produtor de petróleo e gás natural do país, contabilizando 81% e 53% da produção nacional respectivamente. A extração de petróleo em águas profundas tem crescido a uma média anual de 19,6% ao ano, alcançando a marca de 1,7 milhão de barris por dia, o que coloca o Rio de Janeiro entre os maiores produtores de petróleo mundiais, superando, até mesmo, países integrantes da OPEP, como Argélia e Nigéria. Tal produção tem gerado significativa distribuição de royalties ao Estado e aos municípios produtores, o que se configura como uma importante receita extra para ambos os níveis de governo.

É verdade que a queda abrupta dos preços de petróleo diminuiu temporariamente essa vantagem natural do Estado, mas a recente descoberta de vastas reservas situadas abaixo da camada de sal (conhecidas como pré-sal) em uma faixa de 800 km do litoral brasileiro, com concentração em frente à costa fluminense, inevitavelmente exigirá a construção de nova infraestrutura para exploração em outros municípios do Estado.

A qualidade do óleo encontrado e o tamanho das reservas tornam sua exploração viável, segundo estudos da Petrobras e de outras entidades, mesmo com o preço do petróleo em patamar de US$ 35 / barril. Assim, desde já e por pelo menos mais duas décadas, o petróleo será um enorme gerador de desenvolvimento para o Rio de Janeiro.

Segundo, a estrutura industrial do Rio de Janeiro – diversificada, com produção voltada para o mercado interno3 e com alta participação de empresas de bens de consumo não durável – em conjunto com o importante peso do setor de serviços tornam o Estado menos vulnerável à crise internacional, relativamente aos demais.

Terceiro, o Rio possui ainda o turismo como forte vocação econômica. A despeito de suas belezas naturais – que atraem turistas nacionais e internacionais – eventos futuros de grande porte movimentarão a economia do Estado. De fato, após a bem-sucedida realização dos jogos Pan-Americanos, a indústria do turismo conta com duas perspectivas concretas futuras e uma grande possibilidade: os V Jogos Mundiais Militares, em 2011; a Copa do Mundo de 2014; e as Olimpíadas de 2016, para a qual o Rio de Janeiro é cidadecandidata.

Além disso, o Brasil pode se transformar no primeiro país das Américas a entrar no seleto grupo das nações que dispõem de trens-bala: a previsão é que a ferrovia de alta velocidade percorra 403 km, ligando a capital fluminense à Estação da Luz, na capital paulista, em pouco mais de uma hora de viagem – o que a integrará ainda mais à maior metrópole do país.

Quarto, o Estado do Rio de Janeiro conta, atualmente, com uma conjuntura política extremamente favorável, conjugando após um longo período o alinhamento entre as três esferas de governo, Federal, Estadual e Municipal. A consequência concreta desse alinhamento tem se manifestado na construção de um ambiente de negócios pró-mercado, aliado à recuperação da capacidade de investimento do Estado através de um programa de melhoria da qualidade do gasto público. O resultado tem sido a execução de ações articuladas com os interesses e as necessidades da sociedade fluminense, como o Programa de Aceleração do Crescimento, desenvolvido em conjunto pelos três entes federativos e que contempla um significativo volume de investimentos em diversas áreas.

O futuro do Estado do Rio de Janeiro está, portanto, sendo desenhado a partir da conjunção dos eixos de desenvolvimento com as características que o Estado já possui. Muito embora a crise tenha afetado esse movimento – como fez no mundo todo – seus impactos foram surpreendentemente limitados nas intenções de investimento no Estado, como será demonstrado a seguir. A crise não foi capaz de alterar o futuro que se vislumbra para os próximos anos, a partir dos quatro eixos de desenvolvimento do Estado. São esses eixos, os demais investimentos que os acompanham e as oportunidades que serão geradas.

2. REAQUECIMENTO DA INDÚSTRIA NAVAL BRASILEIRA

Investimentos no setor naval geram grandes expectativas para a economia de estados de norte a sul do Brasil. Todo esse alvoroço é resultado da estimativa de que cerca de 54 bilhões de reais serão investidos em portos e terminais nos próximos cinco anos, pela Associação Brasileira de Terminais Portuários (ABTP) e especialistas do setor. O maior construtor de navios da década de 70, que se viu falido nas décadas seguintes, agora é palco de grandes investimentos no setor, impulsionado pela indústria petrolífera, tendo como carro chefe as descobertas do pré-sal. Período que traz grandes perspectivas para os estados que agora investem na expansão das bases de apoio logístico portuário, e municípios que mudaram sua realidade com a atração de grandes empreendimentos.

O Governo Federal estima uma carteira de projetos da iniciativa privada de US$ 18 bilhões para o setor. Outros US$ 4 bilhões devem partir do governo via Programa de Aceleração do Crescimento (PAC). Amazonas, Bahia, Ceará e Alagoas são alguns dos estados que se beneficiarão do programa de expansão da indústria naval. O valor corresponde a nove projetos que receberam prioridade para análise pelo Fundo de Marinha Mercante (FMM) e crescerá após o resultado da licitação para 28 sondas de perfuração da Petrobras.

A Secretaria Especial de Portos assumiu o compromisso de tornar o sistema portuário mais ágil e mais competitivo, buscando recuperar o tempo perdido e investindo por meio do PAC em obras de infraestrutura, com a meta de ficar entre os 20 maiores sistemas portuários do mundo nos próximos dez anos.

A modernização não envolve apenas as obras de ampliação, a introdução de novas tecnologias e a atualização de equipamentos, mas englobam também as questões ambientais, de saúde, a revitalização das áreas portuárias para o melhoramento da relação entre porto e cidade e novas formas de gestão e administração dos serviços portuários que venham resultar em maior produtividade e na redução de custos. Segundo ao Governo Federal, a obra de revitalização de alguns portos do país irá solucionar os principais gargalos, e tornar o sistema portuário brasileiro cada vez mais competitivo frente ao mercado internacional, sem prejuízos ao meio ambiente portuário e urbano e à população dos municípios onde estão localizados os terminais.

A enxurrada de novos projetos preocupa o Banco Nacional de Desenvolvimento

Econômico e Social (BNDES), que iniciou um estudo para avaliar qual a real necessidade do parque naval brasileiro. O objetivo é evitar riscos de empréstimos a estaleiros que terão poucos contratos no longo prazo. "Queremos uma indústria sustentável", diz o gerente do departamento de petróleo e gás do BNDES, Luiz Marcelo Martins. "É preciso um maior planejamento para evitar situação como a das décadas de 1970 e 1980, com a construção de muitos estaleiros sem demanda de longo prazo", afirma Martins.

Os R$ 4 bilhões aprovados pelo FMM referem-se a nove projetos, oito deles de construção de novos canteiros e um de modernização. O maior deles será construído pela Odebrecht na foz do rio Paraguaçu, na Bahia, ao custo de R$ 1,631 bilhão. Já o Estaleiro Ilha S.A. (Eisa), do grupo Synergy, prevê a abertura de um canteiro em Alagoas, orçado em R$ 1,2 bilhão. O fundo passou a operar como uma espécie de BNDES para o setor naval, financiando a construção de embarcações e, agora, a abertura de estaleiros a condições especiais. Os recursos vêm do Adicional de Frete da Marinha Mercante (AFMM), taxa cobrada sobre o frete no transporte marítimo. Diante do crescimento das consultas, o fundo teve de receber um aporte de R$ 15 bilhões do governo em dezembro. O fundo analisa pedidos de financiamento de R$ 14 bilhões, incluindo estaleiros, navios e embarcações.

3. O RIO CONSOLIDA SUA LIDERANÇA NO SETOR NAVAL

No Estado do Rio de Janeiro, a participação do Governo Estadual é mais institucional, de articulação com outras esferas de governo e a iniciativa privada para viabilizar os empreendimentos, conforme explicou o secretário estadual de Desenvolvimento Econômico, Energia, Indústria e Serviços, Júlio Bueno. Segundo ele, a indústria naval offshore no Rio de Janeiro estava sendo retomada e agora, vive a fase da consolidação.

O governo vem adotando medidas importantes para fortalecer a indústria naval e offshore fluminense. O secretário cita como exemplo, o Programa de Sustentabilidade da Indústria Naval, lançado em 2008, visando a oferecer um ambiente de negócios favorável à competitividade internacional e à perenidade ao setor. A primeira medida foi a criação do decreto de isenção do Imposto sobre Circulação de Mercadorias e Serviços (ICMS). Já em 2009, o governador Sérgio Cabral assinou decreto que reduz de 25% para 7% o ICMS para a indústria náutica do estado e permite o diferimento do tributo na aquisição de insumos e de máquinas destinados a integrar o ativo fixo dessas empresas.

Bueno declara metas ambiciosas. Segundo ele, o surgimento de novos players neste mercado ratifica a importância de o estado ganhar escala e qualidade para competir internacionalmente. Este pode ser um dos grandes desafios. "Sabemos que, ainda hoje, o setor é extremamente dependente das encomendas da Petrobras, o que não garante sua perenidade", pontua o secretário.

O Rio possui grandes projetos em andamento, que deverão gerar, nos próximos dois anos, pelo menos 1 mil vagas de empregos. De acordo com o documento Decisão Rio 2010-2012, produzido pela Firjan, o setor naval offshore receberá 18,1% dos R$ 20,3 bilhões previstos para a indústria de transformação do estado no período.

Segundo o secretário, os investimentos previstos na indústria naval, pulverizados por diversas regiões do estado, vão desde Itaguaí, na Região Metropolitana, com a instalação do estaleiro da Marinha e o estaleiro Green Field, em Itaguaí, passando pela Zona Portuária do Rio, com a reativação do Estaleiro Inhaúma (ex-Ishibras); por Niterói, outra base tradicional da indústria naval fluminense; por Maricá, com a eventual viabilização do Complexo de Jaconé; e pelo Norte Fluminense, no Complexo de Barra do Furado e no Complexo do Açu, em São João da Barra.

Acreditamos que alguns fatores asseguram a durabilidade do setor no Rio de Janeiro, como a tradição em grandes empreendimentos navais e offshore; a proximidade do mercado consumidor, dos estados fornecedores de matérias-primas e dos centros de pesquisa e tanque oceânico; e a forte cadeia de pequenos, médios e grandes estaleiros e a mão de obra qualificada.

Até 2020, o Rio pretende entregar 53 sondas, 504 barcos de apoio e especiais, 84 plataformas de produção, 85 jaquetas e TLWP e 30 navios petroleiros (Suezmax).

Entre as oportunidades para setor o governo oferece apoio portuário, cabotagem, navegação fluvial e interior, embarcações militares e offshore. Além de dar total apoio e incentivo às empresas Navipeças, que produzem peças para navios e são fornecedores diretos dos estaleiros.

Os principais incentivos do governo no setor são a isenção do ICMS, principalmente o ICMS do Aço; Fundo de Marinha Mercante (FMM); Produção e aquisição de máquinas e equipamentos novos, de fabricação nacional (Finame); Programa de Renovação da Frota de Apoio Marítimo (Prorefam); Programa de Modernização e Expansão da Frota da Transpetro (Promef) e o Programa Empresa Brasileira de Navegação (EBN).

4. PROJETO DO ESTALEIRO DA MARINHA EM ITAGUAÍ

O investimento mais vultoso previsto para Itaguaí (RJ) será a construção do Estaleiro da Marinha do Brasil, que ficará a cargo de consórcio formado pela Odebrecht e pela francesa DCNS. São cerca de R$ 15 bilhões destinados à implantação do estaleiro e à construção de quatro submarinos convencionais e o casco de um submarino nuclear.

O empreendimento já atrai projetos de outras companhias. É o caso da Nuclep, braço industrial do complexo nuclear do Brasil. A empresa vai construir nas imediações uma fábrica de motores para propulsão naval destinados a navios de grande porte, de R$ 47 milhões. "Eles vão acabar fornecendo muita coisa para o estaleiro da Marinha", afirmou a subsecretária de Desenvolvimento do Rio de Janeiro, Renata Cavalcanti.

Já a CSN anunciou a construção de uma plataforma logística, que compreende pátio de contêineres, armazéns para produtos siderúrgicos, café, açúcar e químicos. O plano prevê investimento de R$ 4,6 bilhões e inclui um terminal portuário. Ao lado da área que será utilizada pela CSN, estão terrenos da Petrobrás e da Gerdau. O governo do Rio de Janeiro tenta orientar as três companhias a construírem juntas um único porto.

A atração de investimentos para a região deve ser potencializada com a construção do Arco Metropolitano, avalia Cristiano Prado, gerente de Infraestrutura e Novos Investimentos da Firjan. A obra dará acesso mais rápido às rodovias que ligam o Rio de Janeiro a Minas (BR-040) e São Paulo (BR-116), além de criar uma alternativa à Ponte Rio-Niterói no caminho para o Espírito Santo via BR-101 Norte, recentemente privatizada. "O acesso aos portos será facilitado e isso está levando indústrias à região", avalia.

O arco foi um dos motivos que levaram o Grupo Hermes, de vendas por catálogo e pela internet, a construir um segundo centro de distribuição no bairro de Campo Grande, na Zona Oeste do Rio, vizinho ao município de Itaguaí. O investimento é de R$ 215 milhões.

"Essa infraestrutura deve aprimorar nossa operação, melhorando o acesso aos principais centros urbanos do Sudeste, que respondem por 60% do nosso mercado", afirma Gustavo Bach, diretor de Marketing da Hermes. "A ideia é gerar 4 mil empregos no longo prazo", prevê.

O fluxo de grandes investimentos, que mexe com toda a região, deve continuar. A

Usiminas pretende instalar um terminal para movimentar minério de ferro em um terreno adquirido da Ingá Mercantil, um dos maiores passivos ambientais do Rio de Janeiro. A recuperação da área já foi iniciada. “Mas, como o local não tem saída para o mar, não será possível construir um píer.”, afirma Prado, da Firjan.

Figura 1 – Projeto do Estaleiro da Marinha do Brasil em Itaguaí - RJ

5. COMPLEXOS NAVAIS NO RIO

Em São João da Barra, o Superporto do Açu, que ocupa uma área de nove mil hectares, e receberá usinas siderúrgicas, pólo metal-mecânico, unidade de armazenamento e tratamento de petróleo, estaleiro, indústrias offshore, plantas de pelotização, cimenteiras e usina termoelétrica e indústrias de tecnologia da informação dois complexos siderúrgicos, duas cimenteiras, um complexo de geração de energia, uma montadora, indústrias de autopeças, um polo metalmecânico, um terminal para armazenamento e tratamento de petróleo, um polo de indústrias e serviços de apoio ao offshore e indústrias de tecnologia da informação, com um investimento conjunto de mais de US$ 40 bilhões nos seus empreendimentos e geração de cerca de 50 mil empregos na região.

O Complexo Industrial do Superporto do Açu é o maior empreendimento portoindústria da América Latina e deverá movimentar, pelo menos, 350 milhões de toneladas por ano, entre exportações e importações, posicionando-se como um dos três maiores complexos portuários do mundo.

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