ECO - Sustentavel

ECO - Sustentavel

Daniel Coura Corediro

Marcelo Batista Terra Vilela Marko Pollo da Silva Gonçalves

Formiga 2011

O presente trabalho discute a importância dos aspectos de sustentabilidade e impacto ambiental dos edifícios apresentando e faz uma análise do desenvolvimento dos chamados Edifícios Eco-Sustentáveis ou “Green Buildings” no mercado imobiliário comercial voltado a locação para ocupantes corporativos.

Introdução

Um novo paradigma, será capaz de "salvar" a Terra. Ao mesmo tempo, este novo paradigma não pode de forma alguma "enfrentar" ou "bater de frente" com o sistema econômicosocial urbano no qual estamos inseridos. Precisa utilizar aquilo que o sistema tem de bom e eliminar o que ele tem de pior e ainda utilizar o que mais evoluiu na tecnologia ecológica alternativa.

Assim como nosso sistema consumista fez evoluir muito a tecnologia, a administração empresarial, os índices de controle, a produtividade, etc, fez também evoluir, na mesma proporção, as ciências ambientais, tais como, Agroecologia, Ecologia, Agroenergia, etc. A vida urbana também fez evoluir muito a forma de se viver em condomínios, tanto verticais como horizontais, presentes em todas as cidades médias e grandes.

A Academia de Ciências da

Califórnia (California Academy of Sciences) é uma instituição científica e cultural de renome internacional, sediada em São Francisco. A Academia inaugurou em setembro de 2008 as suas novas instalações no Golden Gate Park, uma estrutura de 36 0 metros quadrados, que reúne um aquário, um planetário (Steinhart Morrisone), um museu de história natural (Natural History Museum Kimball), os mais profundos tanques de coral do mundo e recriações de florestas tropicais, tudo sob um gigantesco telhado verde.

O prédio é o maior edifício público eco sustentável do mundo, que se mescla com a paisagem do Parque Golden Gate. Visto de cima, o telhado é uma área ondulada onde são cultivadas 1,7 milhão de plantas nativas, integrando com o parque.

O museu é como uma Arca de Noé dos tempos modernos, contendo mais de 40 mil animais e 20 milhões de amostras de pesquisas em 1 áreas de estudo.

O prédio, quase todo feito de vidro, é de tirar o fôlego. Seu projeto requereu uma inovação excepcional, porque o edifício e aquários estão localizados em uma zona sísmica e precisam resistir a terremotos.

O arquiteto ganhador do prêmio Pritzker Renzo Piano, trabalhou em conjunto com a empresa local Stantec Architecture, para criar um projeto que cresce a partir da missão da instituição, história e definição. Este projeto unifica matriz original da Academia, que possui doze edifícios que foram construídos ao longo de oitenta anos, em um marco único moderno, que coloca uma ênfase visual e intelectual sobre o mundo natural.

O “telhado vivo” cumpre a função de manter fresco o interior do edifício, são utilizados 13 milhões de litros de água por ano para regar as plantas, mas7,5 milhões de litros de água são coletados ereutilizados para outros fins no museu. A temperatura interna é fresca, mesmo com o calor do exterior, em poucas zonas do edifício existe ar condicionado.

O telhado de vidro tem comportas e cortinas controladas por computador, que se abrem e fecham para controlar a temperatura adequada dentro do recinto e facilitar a passagem da brisa do Pacífico. A reciclagem foi prioritária no desenho do edifício, o museu está rodeado por uma vedação envidraçada em que foram integradas 60000 células fotovoltaicas, que geram 15 por cento da energia elétrica consumida, além de água quente.

Dentre as atrações do prédio estão os gigantescos aquários, que abrigam tubarões, tartarugas, arraias e outras criaturas do do mar. A água salgada é bombeada diretamente do Oceano Pacífico, a uma distância de 4 km, sendo depois purificada e reciclada. Um elevador permite que os visitantes passeiem através e por baixo dos tanques.

Painéis de aquecimento de água nas fachadas

O uso de energia solar térmica já é bem aceito no mercado brasileiro para aquecimento de água de piscinas e outras aplicações em residências. A tecnologia do sistema é simples e basicamente utiliza tubulações de cobre, instaladas sobre uma lâmina também do mesmo material, sendo este conjunto encaixilhado e protegido por painel de vidro. Com bons resultados técnicos, mas sem atrativos estéticos, esses painéis passaram a ocupar partes escondidas das coberturas. Agora, a novidade são os painéis solares para aquecimento de água em edificações, de alta eficiência e aparência estética mais atrativa, que já podem ser vistos em fachadas, sacadas, terraços ou coberturas envidraçadas de edifícios europeus.

Segundo a empresa alemã

Schüco, fabricante dos painéis, os coletores podem ser montados sobre lajes planas de cobertura, em telhados inclinados ou soluções periféricas de captação da luz solar, como painéis de fechamento de varandas e terraços, que também funcionam como protetores contra o excesso de incidência de luz solar no interior das edificações. A nova tecnologia de transferência de calor se compõe de absorvedores planos, feitos em chapa de alumínio grossa, com superfície revestida com isolante térmico, que otimiza e aumenta a eficiência da transmissão de calor para a tubulação. Os produtos desenvolvidos pela Schüco têm um novo processo de produção de alta pressão, que permite junções consistentes e duradouras entre a tubulação (serpentina) e o absorvedor, por meio de chapas de transferência de calor, por onde passam os tubos. Além dessas características, os coletores de energia solar térmica podem ter suas funções e o desempenho controlados por meio de um indicador de temperatura e por um regulador que faz o cálculo de rendimento.

Os perfis e a parede posterior da placa solar são fabricados em alumínio; a superfície de vidro tem espessura de quatro milímetros, sem emendas, com absorção seletiva e área de 2,69 metros quadrados. O sistema hidráulico também foi otimizado para permitir que os coletores alcancem potência térmica nominal de 2 quilowatts. O acumulador possui isolamento térmico interno e na tampa de 120 milímetros, composto de resina melamínica. O isolamento do captador é feito com lã mineral de 40 milímetros. Com tubulação tipo serpentina e alta proteção contra corrosão, o coletor é fabricado de acordo com os parâmetros da norma europeia EN 12975II. A Schüco também oferece kits solares para aquecimento, que já vêm com instalações modulares, compostos de coletores, boiler, estação solar, bomba e regulador. As vantagens dos kits residem na aquisição de componentes compatíveis entre si, oferecidos com bomba solar eficiente, o que contribui para o baixo consumo de energia elétrica.

A energia solar térmica pode ser empregada tanto em construções novas como em projetos de reforma. O sistema funciona conforme os raios solares incidem nos coletores solares instalados no telhado ou outro local. Eles esquentam o fluido portador de calor que circula dentro da tubulação dos coletores e que é transportado para o acumulador solar, onde o calor esquenta a água que será utilizada em chuveiros e torneiras, ou na calefação, no caso de países de clima frio. A integração em uma instalação existente com geração central de água quente pode ser feita em qualquer tipo de edificação sem nenhum problema.

Na Europa, particularmente na Alemanha, com os programas de subvenção do governo que contemplam o uso da energia solar térmica e da fotovoltaica (que gera energia elétrica por meio dos raios solares), o mercado de energia solar vem crescendo. Com uma instalação solar térmica, é possível atender até 70% das necessidades de aquecimento de água em uma residência. Se for utilizada também para dar apoio, pode cobrir até 30% do total de energia necessária para aquecer os ambientes. Isso significa um grande passo em direção à redução da dependência do petróleo e do gás natural, que agravam as emissões de CO2 no planeta.

Casas Ecoeficientes

Um grupo de pesquisadores do Instituto de Eletrotécnica e Energia (IEE), da Universidade de São Paulo (USP), construiu, em

1998, no campus da Cidade Universitária, uma casa cuja fonte de energia é um painel solar de seis metros quadrados, que gera 75 quilowatts-hora por mês, o suficiente para uma pequena família. Antes do racionamento de energia elétrica no Brasil, ocorrido entre 2001 e 2002, o IEE já economizava 15%, produzindo sua própria eletricidade por meio de células fotovoltaicas espalhadas em uma das fachadas do edifício.

Em Florianópolis, a Casa

Eficiente inaugurada em 2006 utiliza fontes alternativas de energia e está em sintonia com as características climáticas regionais. Edificada no pátio da Eletrosul, com 206,5 metros quadrados de área útil, a casa funciona como centro de pesquisa, onde são monitoradas as diferentes tecnologias utilizadas em sua construção. Trata-se de uma parceria entre a Eletrosul/Eletrobrás e o Laboratório de Eficiência Energética em Edificações (Labeee), da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC).

Um dos destaques dessa casa é a utilização de energia alternativa para a alimentação de lâmpadas, eletrodomésticos e equipamentos elétricos em geral. Um sistema fotovoltaico, com painel instalado na cobertura central, é responsável pela geração de energia elétrica, a partir da luz solar. Existem ainda, nas coberturas laterais, coletores solares responsáveis pelo aquecimento da água de chuveiros e torneiras. A água aquecida também é utilizada, durante o inverno, para aquecer os quartos, passando por uma tubulação de cobre instalada no rodapé desses ambientes. Para facilitar a manutenção, as instalações hidráulicas e elétricas são em grande parte aparentes. Desde sua instalação, o sistema fotovoltaico da Casa Eficiente gerou mais de 5 mil quilowatts-hora, com média mensal de 190 quilowattshora. Esse valor seria suficiente para atender totalmente a demanda de uma família morando na casa, com hábitos conscientes de consumo. Ao se analisar os dados de variação da temperatura do ar, foi possível comprovar a manutenção do conforto térmico no interior da Casa Eficiente, mesmo em dias desconfortáveis no exterior (muito frios ou muito quentes). Assim, dentro da casa está sempre mais confortável termicamente do que fora dela. Esse efeito é consequência das suas características construtivas, como o uso de isolamento térmico com vidros duplos, paredes duplas com mantas de lã de rocha, coberturas com mantas de lã de rocha e polietileno aluminizado e com vegetação (teto-jardim).

Na Casa Eficiente foram incorporados materiais de construção de baixo impacto ambiental, como concreto reciclado, madeira de reflorestamento, tijolo de produção local e outros. Para evitar a radiação solar direta, existem proteções solares nas aberturas, como persianas externas e beirais de bambu e madeira. E, para impedir o desperdício de água potável, as águas de chuva são armazenadas e utilizadas para limpeza de pisos, lavagem de roupas e descarga sanitária. Os efluentes da Casa Eficiente são tratados em sistemas de leitos cultivados e parte deles é usada na irrigação do jardim.

Outro exemplo é a Casa

Ecoeficiente, com sede no Centro de Inovação e Tecnologia Industrial do Senai, no município de Campina Grande, PB, onde funciona o

Laboratório de Energias Renováveis, uma iniciativa do Senai em parceria com a Federação das Indústrias do Estado da Paraíba (Fiep). Com área útil de 350 metros quadrados, a casa oferece programas de formação profissional, serviços tecnológicos e a difusão de tecnologias nas áreas das energias solar térmica, solar fotovoltaica e eólica. Foi projetada com ventilação e iluminação naturais, tijolos e paredes monolíticas de solocimento, painéis térmicos (compostos por placas de isopor e resíduos sólidos), telhas de fibras vegetais e piso feito com madeira de demolição e resíduos industriais. A energia elétrica vem de um sistema híbrido, composto por painéis fotovoltaicos, com potência de mil watts, e uma turbina eólica, com a mesma potência. O sistema híbrido fornece energia para toda a casa, que dispõe de estação de tratamento de águas servidas para reúso, cata-vento para captação de água do poço, sistema solar para aquecimento de água e um dessalinizador. A sala de visita se transformou em auditório para palestras e exposições; os quartos são laboratórios para cursos e desenvolvimento de experimentos e pesquisas; a cozinha e a área de serviço funcionam como laboratório de eficiência energética, equipado com eletrodomésticos usuais ligados à energia solar e eólica, e o banheiro serve como demonstrativo do aquecedor solar e de reúso de águas.

Discussões sobre a preservação da qualidade do meio ambiente e compromissos com a sociedade e gerações futuras têm cada vez mais ganhado espaço na mídia e em ambientes empresariais. As discussões, antes teóricas e de caráter exclusivamente ideológicas, passaram a ter enfoque econômico como parte integrante de avaliação de desempenho.

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