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NBR 13133/19947

4.1.3.1 As estações totais (total station) - medidores ele-trônicos de ângulos e distâncias - são classificadas se-gundo os desvios-padrão que as caracterizam, de acordo com a Tabela 4.

Tabela 4 - Classificação de estações totais

Precisão angularPrecisão linear

Classes de estações totaisDesvio-padrãoDesvio-padrão 1 - precisão baixa≤ ± 30"± (5mm + 10 ppm x D) 2 - precisão média≤ ± 07"± (5mm + 5 ppm x D) 3 - precisão alta≤ ± 02"± (3mm + 3 ppm x D)

4.1.3.2 Os MED devem ser calibrados, no máximo, a cada dois anos, através de testes realizados em entidades oficiais e/ou universidades, sob base multipilares, de concreto, estáveis, com centragem forçada e com expedição de certificado de calibração.

4.2 Instrumental auxiliar

Para a execução das operações topográficas previstas nas Tabelas 5, 6, 7, 8 e 9, são indicados os seguintes instrumentos auxiliares:

a) balizas; b) prumos esféricos; c) trenas; d) miras; e) prismas; f) termômetro; g) barômetro; h) psicômetro; i) dinamômetro; j) sapatas; k) pára-sol.

Nota:Este instrumental deve sofrer revisões constantes, principalmente após os serviços de longa duração.

4.2.1 Deve-se verificar se a ponteira da baliza está exatamente no seu eixo.

4.2.2 O prumo esférico deve ser verificado em pontalete fixo bem aprumado.

4.2.3 A trena deve ser comparada com outra aferida (padrão) e proceder às necessárias correções das medições por elas executadas.

4.2.4 A mira adequada ao nivelamento de linhas, seções ou transporte de cotas, em trabalhos topográficos, deve ser de madeira, do tipo dobrável, devendo ser aferida no ato de sua aquisição. A mira de encaixe somente deve ser utilizada para a determinação de pontos de detalhe nas irradiações, não sendo recomendada para o transporte de cotas, devido às folgas decorrentes do desgaste proveniente da contínua utilização. A mira de invar é utilizada principalmente no transporte de altitudes ou cotas.

Nota:Invar: liga de aço e níquel que possui o coeficiente de dilatação muito pequeno e constante. Qualidade fundamental nos fios, fitas e miras nas medidas de distância diretas de alta precisão.

4.2.5 A utilização dos prismas nas medições eletrônicas deve ser precedida da verificação da constante destes para a correção das distâncias observadas.

4.2.6 A sapata deve ser utilizada como suporte à mira, sempre que se executa transporte de altitude ou cota, devendo ter peso adequado à sua finalidade.

5 Condições gerais

5.1 O levantamento topográfico, em qualquer de suas finalidades, deve ter, no mínimo, as seguintes fases:

a)planejamento, seleção de métodos e aparelhagem; b) apoio topográfico; c)levantamento de detalhes; d)cálculos e ajustes; e) original topográfico; f)desenho topográfico final; g) relatório técnico.

5.2 O levantamento topográfico, em qualquer de suas finalidades, deve obedecer ao princípio da vizinhança.

5.3 Na hipótese do apoio topográfico planimétrico vincular-se à rede geodésica (SGB), a situação ideal é que, pelo menos, dois pontos de coordenadas conhecidas sejam comuns. As coordenadas planorretangulares destes vértices geodésicos, no sistema de representação cartográfica UTM, permitem a determinação do comprimento e do azimute plano definido por estes vértices seguindose, no plano topográfico, o cálculo do apoio topográfico.

5.3.1 Caso não seja possível o apoio direto, pode-se apresentar uma primeira hipótese, na qual um dos vértices do apoio topográfico planimétrico coincida com um vértice

8NBR 13133/1994 geodésico, de onde podem ser observados outros vértices geodésicos com ou sem a necessidade de sinalização. Nesta situação, pode ser obtido o azimute destas direções, orientando-se desta maneira o apoio topográfico.

5.3.2 Quando houver apenas um ponto geodésico e não houver outro vértice visível, deve-se determinar o norte geográfico com um rigor compatível com o levantamento a que se destina.

5.3.3 Quando na área não houver vértice do SGB, devemse transportar para ela coordenadas dos vértices mais próximos, por métodos geodésicos convencionais ou por rastreamento de satélites.

5.3.4 Uma outra hipótese é a que resulta de não existir nenhum vértice geodésico na zona de levantamento, mas dela serem visíveis alguns destes vértices. Neste caso, é possível serem determinadas as coordenadas geodésicas de um ponto da rede do apoio topográfico por intermédio do método da interseção a ré (Pothenot). Inclusive, para não haver problemas de precisão no cálculo das coordenadas do ponto a levantar, exige-se análise cuidadosa dos ângulos entre as direções determinantes, as quais devem ser pelo menos cinco, de acordo com a geometria dos segmentos capazes.

5.3.5 Pode ainda acontecer, como a pior hipótese, de não ser possível a obtenção das coordenadas geodésicas planorretangulares de um vértice do apoio topográfico, nem a obtenção do azimute plano de um lado deste apoio, por meio da ligação à rede geodésica planimétrica. Convém, então, proceder de modo que a rede topográfica de apoio seja orientada para o norte geográfico (ou verdadeiro), dando a um dos vértices coordenadas arbitrárias e, a partir deste vértice, determinando o azimute geográfico de um lado deste apoio, por meio de observações astronômicas ou com o emprego de giroscópio. Não sendo possível este procedimento orientar pelo menos este lado em relação ao norte magnético, por meio de observações com bússola ou declinatória acoplada a um teodolito, ficando o levantamento topográfico orientado para o norte magnético. É imprescindível que sejam mencionadas no desenho topográfico final do levantamento a data do levantamento, a declinação magnética desta data, bem como a sua variação anual, uma vez que a indicação do norte magnético é variável em função do tempo.

Nota:É importante salientar que só é utilizada esta hipótese quando a finalidade do levantamento permitir.

5.3.6 Finalmente, em determinados levantamentos topográficos, por conveniência do atendimento à sua finalidade, o eixo das ordenadas (Y) do sistema de projeção topográfica pode ficar paralelo ou coincidente com uma determinada direção (eixo de uma via, paredes de edificações, etc.), desde que seja indicada na planta a direção do norte geográfico ou mesmo magnético. Neste caso, com a declinação da data do levantamento e sua variação anual, na forma de um diagrama de orientação, que possibilite, posteriormente, a inserção do levantamento no conjunto de outros levantamentos.

5.4 As referências de nível do apoio topográfico altimétrico, sempre que possível, devem estar vinculadas às referências do nível do apoio geodésico de alta precisão, de precisão ou de fins topográficos. A vinculação deve-se dar por intermédio de nivelamento geométrico duplo (nivelamento e contranivelamento), desde a referência de nível de apoio geodésico até uma das referências de nível do apoio topográfico.

5.5 No caso de levantamento planimétrico com existência de rede de referência cadastral, as áreas levantadas devem ser amarradas a vértices materializados das poligonais determinantes dos seus pontos topográficos, com distância máxima de amarração de 500 m nas áreas urbanas e 5000 m nas áreas rurais.

5.5.1 Inexistindo a rede de referências cadastral com, no mínimo, dois pontos, as áreas levantadas devem ser amarradas aos limites físicos das glebas originais donde foram desmembradas, com no mínino dois pontos, desde que as suas distâncias aos referidos limites não ultrapassem 500 m nas áreas urbanas e 5000 m nas áreas rurais.

5.5.2 No caso da impossibilidade de atendimento ao disposto em 4.5.1, tanto nas áreas urbanas como nas rurais, a amarração deve ser feita a pontos notáveis, tais como em pontilhões, viadutos, edificações estáveis, torres de alta-tensão, plataformas de ferrovias ou elementos estáveis equivalentes, desde que as distâncias aos pontos não ultrapassem 500 m nas áreas urbanas e 5000 m nas áreas rurais.

5.5.3 No caso da impossibilidade de atendimento ao disposto em 4.5.1 e 4.5.2, as amarrações devem ser feitas a pontos notáveis e estáveis obtidos em cartas do sistema cartográfico oficial, na escala 1:2 0, ou maior, para as áreas urbanas, e na escala 1:10 0, ou maior, para as áreas rurais.

5.5.4 Nos casos mencionados em 5.5.1 a 5.5.3, havendo nas áreas urbanizadas alinhamentos de vias ou logradouros consagrados há mais de 10 anos, o referencial de amarração deve ser a quadra de localização do terreno, tomando-se como base o alinhamento da via ou logradouro para o qual o terreno faz frente, com o levantamento completo dos cantos da quadra em relação a este alinhamento, em ambas as extremidades.

5.6 A finalidade do levantamento e a escala de representação determinam a densidade dos pontos de detalhe a serem representados.

5.6.1 A exatidão planimétrica do levantamento topográfico está intimamente relacionada com a sua escala, pois é necessário que o erro de graficismo, que se comete ao efetuar medições sobre a representação gráfica deste levantamento (igual a cerca de 0,2 m x o denominador da escala), esteja de acordo com esta exatidão. Assim, os métodos, processos e instrumentos utilizados não devem conduzir a erros nas operações topográficas, que comprometam a exatidão inerente à escala pretendida. Os pontos notáveis e de interesse maior da finalidade do levantamento podem ter exatidão superior à exigida pela escala adotada. Neste caso, estes pontos devem ser definidos por suas coordenadas calculadas e não pelas obtidas graficamente na planta.

5.7 A representação topográfica do relevo, dependendo da finalidade do levantamento e do relevo, pode ser por curvas de nível complementadas com pontos cotados, por curvas de nível ou somente por pontos cotados.

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5.8 Sempre que possível, os pontos planimétricos do apoio básico topográfico devem ser utilizados também como referências de nível, significando que as suas cotas ou altitudes são determinadas por nivelamento geométrico duplo (nivelamento e contranivelamento).

5.9 Os pontos planimétricos e as referências de nível do apoio básico topográfico devem ser implantados em locais seguros, monumentados por marcos de concreto, de preferência na forma troncopiramidal, enterrados, com o topo ao nível do solo, contendo encravada nestes uma placa de identificação e materialização dos pontos. Onde houver conveniência, estes marcos podem ser substituídos por pinos metálicos.

5.9.1 Os pontos planimétricos do apoio básico e as referências de nível implantados e materializados no terreno devem ter fichas individuais (monografias - ver modelo no Anexo A), contendo itinerários de acesso, croqui com orientação, amarrações, testemunhas ou outras informações que conduzam a uma perfeita localização e identificação.

5.10 Preliminarmente, em áreas superiores a 1 km2 ou faixas com mais de 5 km de comprimento, recomenda-se, antes do início das operações de campo, a elaboração, sobre documentação cartográfica disponível, de um estudo para a localização dos marcos planimétricos e das referências de nível, sendo analisados a conexão com o apoio geodésico, se houver, em termos do grau de exatidão dos vértices geodésicos e referências de nível de conexão, a intervisibilidade dos marcos planimétricos a serem implantados e suas distâncias ao centro da área ou faixa a ser levantada e o desenvolvimento das poligonais e nivelamentos de implantação do apoio básico (ver 6.4).

5.10.1 O traçado dos poligonais, principais e secundárias, para a implantação do apoio topográfico deve ser feito no sentido da distribuição dos pontos de apoio compatível com as distâncias máximas para a determinação dos pontos de detalhe, tornando-se necessário, normalmente, complementar a rede de apoio com poligonais mais curtas, auxiliares, observadas simultaneamente com o levantamento de detalhes.

5.10.2 Quando, no caso mais geral, a rede de poligonais se apoiar na rede geodésica, ela deve ser constituída pelas poligonais principais, que ligam entre si os vértices geodésicos, seguindo, dentro do possível e de acordo com o terreno ou com sua ocupação, uma linha próxima da reta que os une pelas poligonais secundárias, que se estabelecem entre os vértices das poligonais principais ou entre um destes vértices e vértice geodésico.

5.10.3 Se a rede de poligonais não for dependente da rede geodésica, ou outra de ordem superior, as poligonais principais devem ser fechadas em torno de um ponto (situação mais desfavorável) e rigorosamente observadas com controles de azimutes e distâncias, significando que haverá desmenbramento destas com verificações de fechamentos. Nelas se apóiam as poligonais secundárias.

5.10.4 O comprimento dos lados das poligonais deve ser, na medida do possível, constante, evitando-se a existência simultânea de lados muitos longos e muitos curtos, o que não é favorável sob o ponto de vista da exatidão dos resultados.

5.10.5 Na determinação de uma rede básica urbana, ou para projetos viários, recomenda-se que as poligonais tenham o seu desenvolvimento o mais próximo possível da faixa de projeto, levando-se em consideração as tolerâncias para seus erros acidentais de fechamento angular, transversal e longitudinal (ver 6.5).

5.1 Nas operações de campo, cuidados especiais devem ser tomados quanto às centralizações do teodolito e do sinal a ser visado, pois os erros de centralização resultam na maior fonte de erro de medição de ângulos nos vértices das poligonais. Estes erros são tanto maiores quanto mais curtos forem os lados das poligonais. Nos casos de lados curtos, que requeiram maior rigor nas medidas angulares, é recomendado o emprego da centragem forçada conhecida também como método dos três tripés.

5.12 As medições angulares horizontais devem ser efetuadas pelo método das direções em séries de leituras conjugadas.

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