MTB-38 Comandante de posto de Bombeiros

MTB-38 Comandante de posto de Bombeiros

(Parte 1 de 8)

COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS 1

Coletânea de Manuais Técnicos de Bombeiros

COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS 2

1ª Edição 2006

Volume 38

Os direitos autorais da presente obra pertencem ao Corpo de Bombeiros da Polícia Militar do Estado de São Paulo. Permitida a reprodução parcial ou total

COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS 3

Comandante do Corpo de Bombeiros Cel PM Antonio dos Santos Antonio

Subcomandante do Corpo de Bombeiros Cel PM Manoel Antônio da Silva Araújo

Chefe do Departamento de Operações Ten Cel PM Marcos Monteiro de Farias

Comissão coordenadora dos Manuais Técnicos de Bombeiros

Ten Cel Res PM Silvio Bento da Silva Ten Cel PM Marcos Monteiro de Farias

Maj PM Omar Lima Leal

Cap PM José Luiz Ferreira Borges 1º Ten PM Marco Antonio Basso

Comissão de elaboração do Manual

Cap PM Milton Augusto dos Santos

Cap PM José Luís Salomão

Cap PM Carmelino Antonio Zaccari 1ºTen PM Frank Itinoce 1º Ten PM Max Alexandre Schroeder 1º Sgt PM Mauricio Mathias

Comissão de Revisão de Português

1º Ten PM Fauzi Salim Katibe 1° Sgt PM Nelson Nascimento Filho 2º Sgt PM Davi Cândido Borja e Silva

Cb PM Fábio Roberto Bueno Cb PM Carlos Alberto Oliveira Sd PM Vitanei Jesus dos Santos

COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS 4

O manual do COMANDANTE DE POSTO DE BOMBEIROS tem a finalidade de estabelecer um método de administração coerente baseado nos modelos atuais de gestão de serviços, com enfoque nas rotinas operacionais e administrativas em que um Posto de bombeiros funciona.

Ao assumir a “gerência” de um Posto de Bombeiros, o comandante pode não perceber suas inúmeras responsabilidades, pois os itens de controle e de verificação necessários para sua atividade lhe fornecem informações que podem não estar organizadas de modo metódico e confiável, podendo causar variações nas interpretações.

As palavras “supervisão”, “monitoramento” e “controle”, passam a fornecer uma idéia mais elaborada da missão que um comandante de PB deve desempenhar. Muitos de nós sabemos que os métodos de administração ainda utilizados tiveram sua origem em épocas muito diferentes da de hoje.

Os novos conceitos que hodiernamente se fazem presentes em nossas vidas, trouxeram formas de agir totalmente diferentes das de antes. A Constituição Cidadã de 1988 e o fenômeno da globalização, aliados à revolução das informações que foi impulsionada pela Informática, pela Internet e pelo avanço das telecomunicações, além de inúmeras circunstâncias políticas, nos apresentam desafios recentes em como lidar com a administração de um SGB: rotinas descentralizadas para controle de pagamentos de salários (diárias, auxílios), procedimentos e processos jurídicos (PD, CD, CJ, PAD, IPM, Sindicâncias, Averiguações), administração de novos programas de governo (frente de trabalho, SOS-criança, soldados temporários, coleta de lixo reciclável, coleta de leite materno) unidos aos essenciais controles de relatórios de atendimentos de ocorrências, controle de pessoal, controle de material, vistorias técnicas de edificações, procedimentos de análise de condutas (PTAC), simulações, entre muitos outros serviços, marcam as diferenças e as novas responsabilidades que um comandante de PB angariou com o passar dos anos.

Porém, os métodos de controle e supervisão apresentam-se os mesmos, e na impossibilidade de dizer que eles não funcionam, os temos aceitado e os remendamos para serem funcionais. O que se pode notar, no entanto, são modelos de controle redundantes, ineficientes, por vezes trabalhosos e muitas das vezes, por falta de coerência no método de controle, tendem a desviar a atenção dos trabalhos essencialmente operacionais (atendimento de ocorrências) para si.

COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS 5

Este manual espera propor uma nova visão para estabelecer um método coerente e, se possível, padronizado de administração de um Posto de Bombeiros, aproveitando e otimizando procedimentos atuais que carregam em si uma estrutura de paradigmas próprios e peculiares, propondo uma preparação para novos ditames, novas regras e circunstâncias que chamam a nossa responsabilidade e que nos afligem quando somos surpreendidos pelas novas e, por vezes, repetidas situações.

A necessidade de compreender e saber por onde trilhamos nosso caminho foi a principal motivação para a elaboração deste compêndio. Tudo o que está indicado é óbvio, mas pode ser “o caminho das pedras” nos momentos de alguma dificuldade.

COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS 6

INTRODUÇÃO1
ASSUMINDO O12
COMANDO DE UM PB12
PRIMEIRA PARTE – Assumindo o comando de um PB – Aspectos Gerais13
1. O PAPEL DO CMT13
Comandando pelo Exemplo15
1.1. Conhecimento, Destreza e Técnica17
1.2. Responsabilidades gerais19
1.3. Deveres do Cmt de PB20
1.4. Aspectos legais da atividade operacional – MTB 452
1.4.2. A responsabilidade civil do estado23
1.4.3. Preservação do local de crime24
1.4.4. Código de Trânsito Brasileiro (CTB)26
2. PRINCÍPIOS BÁSICOS DE COMANDO28
2.1. Cadeia de Comando28
2.2. Extensão de Controle30
2.3. Divisão do Trabalho32
2.4. Disciplina32
3. A ESTRUTURA ORGANIZACIONAL3
3.1. Estrutura de Escala (degraus)3
3.2. Linha e Staff (equipe)3
3.3. Tipos de Autoridade34
3.4. A Estrutura de um Posto de Bombeiros35
3.5. A Missão37
3.6. Visão de Futuro38
GERENCIAMENTO DE RECURSOS HUMANOS4
SEGUNDA PARTE – Gerenciamento de Recursos Humanos45
1. COMUNICAÇÃO E RELACIONAMENTO INTERPESSOAL45
1.1. Ouvindo e escutando45

ÍNDICE 3.7. PB da Capital, Grande São Paulo, Litoral e Interior -Características e Peculiaridades40 1.2. Com unicações formais ..................................................................................................46

1.2.1. Linha de comando46
1.2.2. Procedimentos operacionais e administrativos padrão47
1.2.3. Ordens e diretrizes47
1.3. Ordens nas ocorrências47
1.3.1. Com unicações face-a-face48
1.4. Relações entre bombeiros e Cmt de PB49
1.4.1. Audição seletiva49
1.4.2. Contexto emocional49
1.4.3. Barreiras físicas50
2. AS PRONTIDÕES DE SERVIÇO COMO EQUIPE ÚNICA51
2.1. Grupos definidos51
2.2. Dinâmica dos grupos53
2.2.1. Interesses comuns53
2.2.2. Im agem do grupo54
2.2.3. Senso de continuidade54
2.2.4. Valores comuns54
2.2.5. Papéis dentro do grupo5
2.2.6. Papéis do oficial5
2.2.7. Regras e condutas5
2.2.8. O grupo como indivíduos56
2.3. Hierarquia das necessidades de Maslow56
2.3.1. Necessidad es básicas56
2.3.2. Aplicando o modelo de necessidades de Maslow58
2.4. Reconhecimentos60
2.5. Diversidade cultural como uma característica das prontidões61
3. MOTIVANDO AS PRONTIDÕES64
3.1. O Comportamento Individual64
3.2. Rotina de atividades do PB como fator de motivação67
4. RESOLUÇÃO DE CONFLITOS NAS PRONTIDÕES70
4.1. O “reclamador” problemático71
4.2. Conflitos71
4.3. Etapas para resolução de conflitos72
4.4. Criando um ambiente de comunicação aberta73

COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS 7 4.4.1. “Feedback” ............................................................................................................74

4.4.2. Conversa terapêutica74
4.4.3. Conversa empática74
4.4.4. Uso de questões75
4.5. Regras de comunicação75
5. LIDERANÇA – A BASE DO GERENCIAMENTO NAS PRONTIDÕES78
5.1. O comando pela liderança78
5.2. Dimensões da liderança78
5.3. Diferenças entre os Liderados e Sistemas de Valores80
5.4. Gênero e liderança82
6. GERENCIAMENTO DA INSTRUÇÃO EM NÍVEL DE PB84
6.1. Educação85
6.1.1. Quatro etapas da instrução85
6.2. Treinam ento87
6.2.1. Aprendendo a dominar8
6.2.2. Treinam ento tradicional90
6.2.3. Treinam ento prescritivo90
6.3. Sim ulados integrados91
TEORIAS E ELEMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO MODERNA94
TERCEIRA PARTE - Teorias e elementos da Administração Moderna95
1. ADMINISTRAÇÃO POR OBJETIVOS (APO)95
2. ADMINISTRAÇÃO PELA QUALIDADE TOTAL (AQT)97
3. ELEMENTOS DO GERENCIAMENTO106
3.1. Ferram entas106
3.1.1. Gráfico de Pareto106
3.1.2. Princípio de Pareto106
3.1.3. Gráfico de Controle de Processo107
3.1.4. Gráfico de Ishikawa108
3.1.5. Gráfico De Barras108
3.1.6. Fluxogram as109
3.2. Técnicas de Administração aplicadas aos Postos de Bombeiros110
3.2.1. Método de Controle de Processo110
3.2.2. “Em powerment”1
3.2.3. “Brainstorming” (Chuva Ou Tempestade De Idéias)1

COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS 8 3.2.4. Sistema De Sugestões..........................................................................................1

3.2.5. “Benchm arking”112
3.2.6. “Just-In-Tim e”112
3.2.7. Método “5 W 1 H”112
UTILIZAÇÃO PRÁTICA DOS ELEMENTOS DA ADMINISTRAÇÃO117
QUARTA PARTE – Utilização prática dos elementos da administração118
1. COMPREENDER O TRABALHO DO CMT DE PB118
2. ORGANIZAR O PB122
2.1. Im plantar o 5S122
2.2. Elim inar Irregularidades122
2.3. Padronizar a rotina de atividades123
2.4. Organizar seu gerenciamento125
2.4.1. Como monitorar o PB125
2.4.2. Como manter a produtividade do PB126
2.4.3. Como melhorar a produtividade do PB126
3. COMO SOLUCIONAR PROBLEMAS128
3.1. Reconhecimento do problema128
3.2. Coletando dados129
3.3. Analisando129
3.4. Desenvolvendo alternativas130
3.5. Selecionando a melhor alternativa130
3.6. Implementando a solução131
3.7. Monitorando os resultados131
4. APLICAÇÃO PRÁTICA DAS FERRAMENTAS GERENCIAIS132
RELACIONAMENTO COM A COMUNIDADE134
QUINTA PARTE – Relacionamento com a comunidade135
1. Relações públicas135
1.1. Atendendo a comunidade136
1.2. Esclarecendo as dúvidas do público138
2. EDUCAÇÃO PÚBLICA EM NÍVEL DE PB – vide MTB-34139
2.1. A participação do PB139
2.2. Visita de escolas ao PB139
2.3. Planejam ento140

COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS 9 3.3. Ambiente de Trabalho – O programa Cinco Esses ( 5S ) como agente de mudanças.114 3. LEVANTAMENTO DE PONTOS DE RISCOS DA ÁREA.........................................141

3.1. Agendamento da visita141
3.2. Relações públicas durante os contatos141
3.3. Como conduzir o Levantamento de Riscos142
3.4. Desenvolvendo planos de prevenção147
O CMT DE PB COMO GERENTE DE RECURSOS FINANCEIROS148
4. A NORMA OPERACIONAL DE BOMBEIROS 09 (NOB 09)151
5. O PEDIDO152
6. A EXECUÇÃO DO ORÇAMENTO154
7. PROCESSO LICITATÓRIO157
8. PRESTAÇÃO DE CONTAS - ADIANTAMENTOS159
MUNICIPAL161
9.1. A Elaboração do Orçamento Anual161
9.2. Elaboração da proposta orçamentária162
SEGURANÇA E SAÚDE165
DOS BOMBEIROS165
SÉTIMA PARTE – Segurança e saúde dos bombeiros166
1. SEGURANÇA166
2. ESTRESSE168
Estressores físicos, ambientais e psicológicos168
Reduzindo estresses físico e ambiental169
Estresse psicológico - sinais e redução170
Abuso de substâncias170
Estresse em virtude de grave ocorrência171
A Saúde dos Bombeiros - sugestão para gerenciar173
3. QUALIDADE DE VIDA175
Generalidades175
Compreendendo a qualidade de vida175
Qualidade de Vida no Trabalho177
Condições de Trabalho no PB178
BIBLIOGRAFIA179

COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS 10 SEXTA PARTE – O CMT DE PB COMO GERENTE DE RECURSOS FINANCEIROS150 9. PB DA GRANDE SÃO PAULO E INTERIOR – RELACIONAMENTO COM AS PREFEITURAS E ACOMPANHAMENTO DA ELABORAÇÃO ORÇAMENTÁRIA ANEXOS ....................................................................................................................................184

COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS 1

Assim como os demais serviços do Corpo de Bombeiros, o papel do Comandante de

Posto de Bombeiros(Cmt de PB ) tem estado em contínua mudança. Isto é natural e inevitável como em tudo no mundo que vivemos. Os Cmt de PB de hoje devem ter mais conhecimentos e serem capazes de se relacionar naturalmente com conceitos como globalização e rede mundial de informação. Eles devem saber sobre planejamento, finanças e administração de tempo, tanto quanto serem versáteis e melhor informados que no passado.

Hoje, mais do que nunca, são “pessoas de negócio”. Apenas uma pequena parte do seu tempo é gasto com emergências. A maior parte do tempo, porém, é utilizada no relacionamento com pessoas.

assumir e permanecer em um Posto de Bombeiros ( PB )

Contudo, muitas coisas ainda permanecem sem mudanças, particularmente quanto ao seu papel. Por exemplo, dedicação nos deveres e coragem em face às adversidades são tão necessárias quanto sempre foram. Portanto , vocação à função se torna condição básica para

importantes quanto aquelas, permaneceram as mesmas

Dessa forma, podemos dizer que parte do seu trabalho mudou, porém outras, tão

O Manual do Cmt de PB disponibiliza um caminho coerente e prático que norteia a administração, baseado nos modelos atuais de gestão de serviços, com enfoque nas rotinas de atividades diárias de funcionamento.

O trabalho é dividido em sete partes que compõem Generalidades, Gerenciamento de Finanças e Recursos Humanos, Gestão e Supervisão, Educação Pública, Saúde e Segurança do Bombeiro.

Este Manual espera propor uma visão que aperfeiçoem procedimentos atuais que carregam em si uma estrutura de paradigmas próprios e peculiares, propondo uma preparação para novos ditames, procedimentos e métodos de gerenciamento em busca da excelência dos serviços prestados à sociedade.

COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS 12

COLETÂNEA DE MANUAIS TÉCNICOS DE BOMBEIROS 13

PRIMEIRA PARTE – Assumindo o comando de um PB – Aspectos Gerais

1. O PAPEL DO CMT

Ao assumir a “gerência” de um PB , o Cmt pode não perceber suas inúmeras responsabilidades, pois os itens de controle e de verificação necessários para sua atividade lhe fornecem informações que podem não estar organizadas de modo metódico e confiável, podendo causar variações nas interpretações.

(Parte 1 de 8)

Comentários