Seguran-a nas atividades mergulho

Seguran-a nas atividades mergulho

(Parte 1 de 3)

CURSO: GESTÃO CONTRA SINISTRO
Francisco Ronald Silva de Freitas
BOMBEIROS MILITAR DO ESTADO DO CEARÁ

Fortaleza - Ce 2004

CURSO: GESTÃO CONTRA SINISTRO
ATIVIDADES DE MERGULHO DO CORPO DE
Pacheco

Monografia apresentada à Disciplina de MTP I ao Curso de pós-graduação em Gestão Contra Sinistro, da Universidade Estadual do Ceará como requisito para a aprovação nesta disciplina, orientada pelo TC Heraldo Maia

Dedico a todos os mergulhadores do Corpo de Bombeiros que se aventuram por estes caminhos submersos, colocando-se a disposição da comunidade a executar missões insalubres e cheias de dificuldades em ambientes não convencionais.

EPÍGRAFE

Um mergulhador da marinha não é um homem de combate, é um especialista em resgate, se tiver perdido em baixo d’água ele encontra, se tiver afundado ele traz a superfície, se estiver no caminho ele tira, se tiver sorte ele morrerá jovem a 61 metros da superfície, pois isto é o mais próximo que chegará de ser um herói.

Homens de Honra - Filme

RESUMO

O Gerenciamento de Segurança nas Atividades de Mergulho do Corpo de

Bombeiros como forma de minimizar os acidentes de mergulho. Busca de informações gerenciais de segurança no trabalho e nas empresas. Indicam-se as condições de trabalho para os mergulhadores do Corpo de Bombeiro, seus sentimentos para com o serviço, os acidentes e dificuldades. Faz uma abordagem histórica do processo de desenvolvimento desta atividade de mergulho no mundo, no Brasil, no Ceará e na Corporação. Descreve-se como funciona o gerenciamento da segurança durante as missões. Estabelece um modelo padrão para implantação de um gerenciamento das atividades de mergulho no Corpo de Bombeiros.

1. INTRODUÇÃ

Resumo 08

1.1. Apresentação
1.2. Contextualização
1.3. Problema de Pesquisa
1.4. Objetivos
1.4.1. Objetivo geral
1.4.2. Objetivos específicos
1.5. Justificativa
2. REFERENCIAL TEÓRICO - UM MERGULHO NA SEGURANÇA13
2.1. Gerenciamento de Segurança do Trabalho
2.2. Mergulhando na Segurança
2.2.1. Ponto de partida
2.2.2. Regras para um mergulho seguro.......................................................
2.2.3. Equipes de mergulhos.........................................................................
2.2.4. Exames médicos.................................................................................
2.3. UM MERGULHO NA HISTÓRIA
2.3.1. Surgimento do mergulho no Mundo
2.3.2. Mergulhadores no Brasil
2.3.3. Ceará e seus mergulhadores
2.3.4. Corpo de Bombeiros e trabalhos submersos
2.4. MERGULHADOR BOMBEIRO30
2.4.1. Formação
2.4.2. Tipo de serviço executado
2.5. APRESENTAÇÃO E ANÁLISE DOS DADOS
3. CONCLUSÃO
4. REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS

8 1.INTRODUÇÃO

1.1 Apresentação do Trabalho
pesquisa em questão

Este trabalho foi realizado através de pesquisa de campo e fundamentações teóricas. Buscou-se como laboratório de pesquisa o Núcleo de Busca e Salvamento por se apresentar como local mais apropriado para a

Dividiu-se o trabalho em quatro etapas. A primeira o pesquisador buscou fundamentação teórica a respeito de gerenciamento de segurança no trabalho, procurando elucidar e entender como funciona nas empresas. A segunda etapa buscou-se informações históricas sobre atividade de mergulho no mundo, no Brasil e Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará com intuito de buscar conhecimentos suficientes para entender o processo de formação de mergulhador nesta Corporação. A terceira fase foi dedicada a pesquisa do processo de formação do mergulhador do Ceará e como funciona a segurança para estes trabalhos submersos. Ultima fase procurou-se verificar entre os mergulhadores seu perfil, tipo de serviço que excuta, suas dificuldades e sentimentos em relação a esta especialização em sua profissão.

9 1.2 Contextualização

De acordo com relatos dos assírios, registrados no museu Britânico, um grupo de guerreiros, em torno de 900 a.C. mergulhavam em atividades militares e de salvamento com bexigas de animais, onde guardavam o ar para respirarem. (Bracony,1986, p. 09 )

porta de entrada

No Brasil, os historiadores relatam que os indígenas já praticavam a pesca utilizando técnicas de mergulho. Após arpoar com seus arcos e flechas, os peixes eram perseguidos dentro da água para serem pescados. No entanto, os equipamentos de mergulho foram trazidos para o Brasil por volta de 1947, tendo o Rio de Janeiro como

segurança

Ao longo dos anos, a necessidade humana de auto-superação fez com que o homem desenvolvesse novas técnicas e equipamentos para mergulho, permitindo-o ficar submerso em águas profundas por períodos de tempos mais extensos com

exploração, trabalho e pesquisa

Atualmente considerado um esporte, uma atividade explorada por vários tipos de pessoas (homens e mulheres) e praticada em todo o mundo, sinônimo de aventura,

O Ceará possui vários adeptos desse esporte, escolas de mergulho e parques de preservação no mar, onde se desenvolvem atividades freqüentes.

O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará (CBMEC) possui o Núcleo de

Busca e Salvamento, onde são lotados mergulhadores profissionais, formados especialmente para situações críticas de ações de resgate, desde uma simples retirada de objetos submersos em canais fluviais a resgates de cadáveres em cavernas.

positivas e pressões psicológicas e de stress

A formação dos mergulhadores do Núcleo do Corpo de Bombeiros e o meio civil se distinguem em função do maior grau de dificuldade existente nas ações de busca e resgate, onde esses profissionais são expostos a situações limites de respostas

Os treinamentos teóricos e práticos são elaborados em cima de situações de emergências1 , onde os mergulhadores da corporação são expostos a situações de

aplicar a melhor solução possível

emergenciais, para que no momento da ocorrência, o salvamento ou a busca, saibam

O Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará possui uma Unidade Militar, o

Núcleo de Busca e Salvamento que tem o maior poder operacional na área de mergulho na corporação, em virtude de possuir numero maior de mergulhador e equipamentos. Possui o núcleo uma subseção de atividades aquáticas na qual os mergulhadores fazem parte. Esta é responsável pela execução das atividades de mergulho na capital e de acordo com a necessidade poderá reforçar as demais guarnições de outras unidades da capital ou interior. Estes bombeiros mergulhadores são responsáveis por diversas missões subaquáticas, as quais são muitas vezes repletas de riscos a saúde do bombeiro. Esta questão do perigo se materializa em situações de emergências, no momento da execução dos serviços, quando o mergulhador, por estar em ambiente cujos fatores condicionantes 2 são os piores

situações muito criteriosas

possíveis para um mergulho seguro, é neste momento que se diferencia nossos mergulhadores, pela calma, paciência, habilidade para passar pelas adversidades e sobreviver. Este mergulhador se preparou para a missão mais difício no curso de Mergulho Autônomo da corporação. Situações perigosas são freqüentes, para isso seleciona -se não os melhores, mas os mais capacitados para este tipo de serviço em

1 EMERGÊNCIA, neste caso, significa qualquer condição anormal capaz de afetar a saúde do mergulhador ou a segurança da operação de mergulho.

2 FATORES CONDICIONANTES, para o mergulho são todos os fatores que influenciam na execução do mergulho tais como: Profundidade, temperatura, visibilidade, correntezas, etc..

bueiros, poço, caverna, comportas, galerias, áreas portuária, etc

Em períodos de baixa estação as ocorrências são bem simples e em numero reduzido, raras são as ocorrências que necessitam de número maior de mergulhadores de serviço. Em contra partida, períodos de férias e feriados prolongados há uma escala especial, onde se reforça em numero de mergulhadores, em razão dos índices de ocorrências aumentarem sensivelmente. Excepcionalmente são as vezes onde se convoca todos os mergulhadores para se reunirem, isso ocorre em virtude de treinamentos, cursos ou uma grande tragédia onde seja necessário número maior de mergulhadores para executar o serviço ( Ex: ônibus fundeado em açude com várias vitimas ou a procura de avião desaparecido no mar, fatos estes verídicos). Estes mergulhadores são preparados para mergulhar em águas de rio, açude, lagoas, mar,

1.3. Problema de Pesquisa

de Bombeiros Militar do Estado do Ceará?

Diante do exposto questiona-se: como funciona o gerenciamento da segurança nas operações de busca e salvamento realizadas pelos mergulhadores da Corporação

1.4 Objetivos

1.4.1 Objetivo geral

Identificar o funcionamento das operações de busca e resgate realizadas pelos mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar do Estado do Ceará.

12 1.4.2 Objetivos específicos

Identificar as condições de trabalho a que são submetidos os bombeiros mergulhadores;

Descrever os sentimentos e percepções dos mergulhadores quanto à segurança do trabalho;

mergulho

Descrever como funciona o gerenciamento da segurança durante as missões de

1.5 Justificativa

A gestão de segurança nas atividades de mergulho do Corpo de Bombeiros

Militar do Estado do Ceará surgiu como nosso tema de pesquisa a partir do momento em o pesquisador conheceu os dois lados que dividem o mundo do mergulho:

o primeiro é habitado pela grande maioria das pessoas que vêem a atividade como forma de lazer, simplesmente; pessoas mergulhando para fazer novos amigos, estar em contato com a natureza, viver novas experiências e conhecer lugares diferentes;

mergulhos em águas turvas, em buracos de ruaHomens que descem
condicionantes são adversos

o segundo, ao mesmo tempo, perigoso e fascinante; os mergulhadores do Corpo de Bombeiros Militar do Ceará - CBMCE trabalham sob tensão e em condições que, muitas vezes, põem em perigo a vida dos militares envolvidos na operação. Estes homens se submetem também em no mar à procura de corpos e bens desaparecidos, onde os fatores

O interesse do pesquisador veio a partir do momento em que realizou o Curso de Mergulho Autônomo do CBMCE, no ano de 2003, momento em que passou a participar

preponderante para o cumprimento eficaz das manobras de mergulho

e a conhecer um pouco mais do trabalho desenvolvido pelos bombeiros. Teve contato com equipamentos, mergulhadores e com as condições de trabalho a que são submetidos. Ao freqüentar o Núcleo de Busca e Salvamento, passou a conhecer o perfil dos nossos mergulhadores e constatar que, apesar de não haver regras e normas para a realização de um mergulho diferenciado, existe, no entanto, um cuidado por deveras especial com a segurança do bombeiro. O bombeiro mergulhador da Corporação é formado especificamente para essas situações, onde a segurança é fator

Este trabalho proporcionará uma análise dos procedimentos de segurança realizados pelos mergulhadores bombeiros para o cumprimento das missões com mais eficácia e eficiência. Contribuirá para revisão e padronização dos procedimentos gerenciais de conduta e ações de segurança durante as fainas de mergulho da Corporação. Servirá para despertar na Corporação o entusiasmo pela prática constante da segurança, não só para o mergulho, mais para toda área de atuação da Corporação.

14 2. REFERENCIAL TEÕRICO - UM MERGULHO NA SEGURANÇA

2.1 Gerenciamento de segurança do trabalho
novos conceitos de meios de produção

A humanidade adequou –se aos novos meios de produção, foi se transformando a medida que estas necessidades, criada pela indústria emergente, revoluciona e cria

extinção, pois as máquinas grosseiras passaram a uma condição mais sofisticada

O homem adaptou-se a exigências cada vez maiores, pois a produção artesã não supria a demanda exigida. Máquinas foram aos poucos inventadas, ao longo do tempo aprimoradas. A princípio a produtividade seria voltada para os objetivos da empresa e o homem aos poucos se tornava mera peça de uma engrenagem em

conhecimento técnico teórico

As taxas de acidentes cresceram com o avançar tecnológico, assim como a gravidade dos mesmos. A ótica da empresa, visando aumento de produção, era priorizada e o trabalhador cada vez mais sujeito ao desconforto da insegurança do trabalho exercido. Não se visualizava ainda questões como treinamento apropriado para o trabalhador, visando profissionalização do empregado e dando-lhe

O custo de acidente não era visualizado em razão do raciocínio lógico de custo + lucro = Preço Final. Dentro desta forma de pensar o empregador procurava aumentar o lucro sem aumentar o preço final. O trabalhador era quantificado apenas pelo salário que recebia. Tudo isso por não haver legislação que protegesse o trabalhador e ausência de uma forma mais lógica de se administrar.

aproveita melhor a matéria prima e sente-se protegido e trabalha mais

Teorias e medidas governamentais foram criadas e postas em prática. Através destes procedimentos provou-se a eficiência do investimento em segurança, desta forma poderia se tornar atividade lucrativa e resultando com isso uma diminuição de custos. Resultado deste investimento é um trabalhador que não para de produzir,

No entendimento de Jorge Santos Reis, o serviço de segurança no trabalho da

trabalhador

Empresa é realizado por supervisor o qual deve ser Técnico de segurança, engenheiro ou médicos do trabalho. Este profissional deverá conhecer todas as implicações decorrentes da implantação do serviço especializado em segurança e medicina do trabalho. A presença do técnico na empresa, orienta, é uma relação bem definida em razão de ser importante que o responsável saiba seu papel na empresa. Os objetivos e metas devem ser bem claros para que não prejudique sua atuação e a saúde do

funcionários da empresa no processo de implantação de um programa de segurança

A gerencia de segurança é um trabalho inteiramente ligado a todos setores da empresa. Dessa forma todo programa a ser desenvolvido depende fundamentalmente da colaboração dos trabalhadores de qualquer nível. A segurança no trabalho é um conjunto de recursos e técnicas aplicadas, preventiva ou corretivamente, para a proteção do homem dos riscos de acidentes oferecidos num processo de trabalho ou realização de uma tarefa. Assim é necessário o envolvimento de todos os setores e

O gerenciamento de segurança no trabalho, para funcionar, exige que o responsável tenha conhecimento amplo do trabalho que a empresa executa, para isso é necessário um profundo estudo do ambiente visando detectar possíveis riscos ao trabalhador, com isso obter resultados satisfatórios.

2.2 Mergulhando na Segurança

2.2.1 Ponto de partida:

submerso em águas que nos permite flutuar como astronautasIsto tudo é que faz

O mergulho é uma atividade difícil de se descrever, ela tem que ser experimentada. Não é uma fotografia ou filme que vai transmitir a sensação de estar com que mergulhadores do mundo inteiro sintam-se fascinados por este mundo, contudo é cercado de várias normas de segurança as quais ao longo do aperfeiçoamento das técnicas e equipamentos foram se desenvolvendo para tornar cada vez mais seguras estas atividades.

mergulho vistos da ótica de alguns autores e instituições

Para compreendermos melhor a questão da segurança nas fainas de mergulhadores na Corporação Bombeiro Militar do Estado do Ceará, faz-se necessário uma abordagem de conceitos para melhor entendimento da relevância da segurança para o trabalho desenvolvido por estes homens, mergulhadores de resgate, dentro do Corpo de Bombeiros. Utilizaremos, pois, alguns conceitos de segurança para o

realização dos trabalhos em locais de risco”

A segurança para o mergulho é um tema estudado por vários autores e sobre ela, ao longo do tempo, diversas teorias já foram formuladas e continuam num dinamismo de mudanças vertiginosas, no entanto algumas ainda são regras básicas. Uma definição interessante é apresentada no Manual Básico Salvamento, junho de 2000, elaborado pelo Cap Albert e cadetes da Academia de Bombeiros Militar/CBM-Ce. Segundo Albert (org.), - A segurança é realizada quando lançamos mão de procedimentos, de materiais e ou equipamentos que possibilitem a permanência e

Este conceito é formulado a partir do ponto de vista de bombeiros que vivenciam rotineiramente com situações de perigo. Este ponto de vista é fundamental para a

cumprimento das várias situações de resgate e buscas

segurança da equipe de bombeiros, vítimas e equipamentos, fator fundamental ao

À mesma idéia filia-se o Maj. BM Haroldo e Cap. BM Paulo José, Oficiais do

Corpo de Bombeiros Militar do Distrito Federal / CBM-DF, no Manual Técnico Profissional de Salvamento, volume I (Titulo I, Capitulo I Art. 1º - Administração de Segurança).

Art. 1º - A segurança é necessária em todas as atividades da corporação, seja em exercícios ou em operações de resgate e salvamento. Visa reduzir a um mínimo aceitável os riscos existentes, garantindo, em princípio, a vida do combatente e, depois, a realização das operações .

§ 1º O primeiro passo para se trabalhar com segurança é ter confiança em si e no material para poder realizar um trabalho com pouco risco e desenvolver a segurança para terceiros (vítimas e companheiros). Para tal, o Bombeiro deve treinar constantemente e encarar esta situação como se fosse real, atentando para o detalhe de estar sempre em forma, ou seja, livre de qualquer problema psicológico, boa forma física e possuir bons reflexos.

§ 2º No ato de efetuar um salvamento, o Bombeiro não pode esquecer de advertir o seu companheiro quanto a segurança e a de quem estiver a sua volta. A segurança é um fator primordial nos serviços de resgate e salvamento, do contrário, o socorrista coloca a sua própria vida em risco.

(Parte 1 de 3)

Comentários