Modulo III - home care-rev-di

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Curso de Enfermagem em Home Care

Atenção: O material deste módulo está disponível apenas como parâmetro de estudos para este Programa de Educação Continuada. É proibida qualquer forma de comercialização do mesmo. Os créditos do conteúdo aqui contido são dados aos seus respectivos autores descritos na Bibliografia Consultada.

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Enfermagem no Home Care

Segundo a RDC n° 1 e a Resolução do COFEN n°270 de 2002 a presença da

Equipe de Enfermagem é obrigatória nas empresas de prestação de cuidados domiciliares, tanto nas empresas públicas como nas privadas. Assim, enfermeiro e técnico de enfermagem formam em conjunto com os demais profissionais – a Equipe Multiprofissional de Atendimento Domiciliar (EMAD).

Considerando este estudo como específico da Enfermagem em Home Care, neste módulo serão descritos os procedimentos de rotina que incluem a realização do cuidado domiciliar pela equipe de enfermagem, enfermeiros e técnicos, não esquecendo da importância de conhecer as funções específicas de cada profissional que compõe a EMAD, para assim desempenhar um cuidado mais eficiente.

A atuação do enfermeiro no Home Care, como descrita na Resolução do

COFEN 267/02 no módulo 2, vai desde ações técnicas a administrativas e de pesquisa. Desta forma o enfermeiro é o responsável pela elaboração de todas as rotinas que englobam a prestação do cuidado técnico, como também os controles e indicadores do Home Care.

Segundo Lacerda (2000) as principais atribuições do enfermeiro em Home Care é ensinar, cuidar ensinando e ensinar a cuidar. Cruz (2001) aponta as seguintes atribuições do enfermeiro em Home Care:

• Avaliar as condições do ambiente do paciente, de seu domicílio, durante todo o atendimento domiciliar, assim como averiguar sobre o cuidador do paciente;

• Planejar o número de visitas que atenderão às necessidades do paciente;

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• Deixar claro a todos os familiares e pacientes sobre as condutas do atendimento domiciliar;

• Capacitar o cuidador nas ações que condizem com suas habilidades, educar o cuidador para o atendimento ao paciente;

• Realizar a cada visita o histórico de enfermagem, revisando os dados para possíveis alterações de condutas;

• Revisar e acrescentar, conforme a necessidade, os diagnósticos de enfermagem a cada visita domiciliar;

• Encaminhar o paciente, quando necessário, a serviços especializados;

• Prescrever o Plano de Cuidados e revisá-lo periodicamente observando as respostas do paciente às intervenções, conforme a reposta do cliente ao tratamento prepará-lo para alta do atendimento domiciliar;

• Prestar a assistência domiciliar que não pode ser realizada pelo cuidador;

• Avaliar os resultados de o cuidado domiciliar junto ao cuidador;

• Manter o paciente e seus familiares informados sobre o diagnóstico, as respostas e a evolução do paciente sobre o tratamento domiciliar;

• Deixar claro sobre o contato (a Unidade de Saúde) ao qual o serviço está vinculado;

• Manter preenchidos e atualizados os registros no prontuário do paciente e demais documentação de reembolso;

• Coordenar call center;

• Orientar o cuidado e o cliente por meio do call center;

• Liderar a equipe de enfermagem e dar suporte à equipe de saúde;

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• Apoio logístico ao cuidador (materiais e recursos humanos).

A enfermagem domiciliar diferencia-se da enfermagem hospitalar uma vez que assume um paciente em seu domicílio, não possuindo todas aquelas rotinas de horários, higiene de aposento e demais normas técnicas de funcionamento das instituições hospitalares, deparando-se, ainda, com preceitos culturais e vivências do paciente, relação entre o paciente e sua família, crenças e percepções distintas.

Segundo Brunner e Suddarth (1998) para a enfermagem ter sucesso com os pacientes domiciliares é importante não expressar juízo de valor e respeitar as crenças, mesmo quando elas diferem muito das da enfermagem. Pode ser difícil para os profissionais da enfermagem quando a vida do paciente envolve atividades que são consideradas por estes profissionais como inaceitáveis, como o hábito de consumir bebidas alcoólicas ou drogas.

Talvez as questões que permeiam os conceitos éticos e culturais constituam um dos maiores desafios da atuação do enfermeiro domiciliar, pois como profissional institucionalizado, tanto em hospitais como em postos de saúde, o enfermeiro consegue, em sua atuação, manter a organização dos serviços e principalmente não permitir atos que infrinjam os preceitos éticos do cuidado ao paciente.

No domicílio, o enfermeiro poderá deparar-se com situações que fogem da organização pessoal e estrutural das instituições, causando certo desconforto, já que está dentro do domicílio do paciente, em seu habitat, tendo o direito de intervir apenas por meio do aconselhamento a pacientes e familiares, conduto possuindo justificativas somente para fatores que estejam relacionados ao ato do cuidar.

Mas, então, frente às situações inadequadas em ambiente familiar, como brigas, uso de drogas, prostituição, falta de higiene, entre outros fatores, como agir enquanto enfermeiro domiciliar?

Uma das soluções mais eficazes é munir-se dos demais profissionais da EMAD, nestes casos específicos a presença do Assistente Social, Psicólogo e Terapeuta

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Ocupacional tornam-se essenciais para o alcance dos resultados esperados pelo atendimento domiciliar.

Sobre a limpeza do domicílio, também se deve considerar que os padrões serão diferentes daqueles adotados no hospital. É importante avaliar que a casa do paciente não segue as mesmas rotinas, nem deverá seguir, contudo são necessários alguns critérios de limpeza que proporcionem os cuidados ao paciente e não o exponham a riscos.

Segundo Brunner e Suddarth (1998) a limpeza da casa do paciente pode não estar de acordo com o padrão do hospital. A enfermeira pode oferecer ensino sobre pontos específicos relativos à manutenção da limpeza, sendo que o paciente e a família são os responsáveis por determinar se seguirão estes padrões ou não, devendo o enfermeiro aceitar a realidade da situação e liberar a assistência.

Obviamente, em conjunto com a EMAD, é importante verificar se o domicílio do paciente não estará expondo o mesmo a riscos maiores nos casos de uma conduta de limpeza ineficaz. Orientar a família e o paciente é o melhor caminho, explicando principalmente as consequências que as más condições de limpeza trarão ao paciente.

O controle das infecções é outro processo desafiador na área da atuação domiciliar, uma vez que diferentemente do hospital, o domicílio e as pessoas que nele moram não seguem e nem conhecem, na maioria das vezes, rotinas de controle de infecção.

Conforme Fernandes e Ribeiro Filho (2000) cerca de 20,6% dos pacientes em atendimento domiciliar possuem infecções ocorrendo na proporção de ¼ durante o atendimento domiciliar e ¾ existindo previamente, assim é imprescindível que a equipe de saúde realize orientação sobre procedimentos contra as infecções.

Orientar família e paciente quanto aos cuidados com a manipulação do leito, tais como troca de roupas, limpeza, respeito às normas de biossegurança e precaução padrão, norteando o manejo dos resíduos, além de explicar sobre os cuidados com a água, caso não haja saneamento básico e quanto ao descarte de secreções, excreções e demais dejetos é fundamental (FERNANDES E RIBEIRO FILHO, 2000).

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Na avaliação para admissão ao cuidado domiciliar o enfermeiro deve observar os procedimentos assépticos que o paciente irá necessitar em seu domicílio e concluir sobre a realização destes procedimentos no domicílio, atentando para as precauções contra infecções, pensando sempre no bem estar do paciente. Quando possível as técnicas assépticas poderão ser realizadas ainda no hospital antes da alta do paciente.

Brunner e Suddarth (1998) ressaltam que em qualquer situação é importante lavar as mãos antes depois de intervir com o paciente, mesmo no domicílio que não dispõe de água corrente. Na necessidade de realizar uma técnica asséptica no domicílio, é essencial planejar esta ação antes de levá-lo para casa. Dessa forma, avaliar as condições para o tratamento e recuperação do paciente é fundamental para garantir o sucesso no desenvolvimento das ações no atendimento domiciliar; o ambiente que se diferencia da caracterização daquela encontrada no hospital, deve ser avaliado sob outros aspectos.

De acordo com Veiga e Crosseti (1998) o meio ambiente terapêutico é o que ajuda o paciente a melhorar, a aprender e recuperar a saúde. É uma atmosfera na qual o indivíduo se vê reforçado na percepção de si mesmo como uma pessoa de estima, possibilitando uma atmosfera em que o paciente é capaz de resolver problemas e tomar decisões.

Algumas percepções sobre o ambiente do paciente dizem respeito à iluminação, acomodação do paciente, como por exemplo, a presença de uma cadeira próxima ao leito, principalmente nos casos de pacientes acamados, para que tenham a possibilidade de serem colocados sentados por alguns instantes, se a patologia permitir.

O barulho excessivo no domicílio e a presença de muitas pessoas atrapalham o descanso do paciente – sobre este aspecto a família recebe orientação principalmente para respeitar o horário de sono do paciente. No momento da visita domiciliar ao paciente deve-se atentar para a presença de muitas pessoas que possam interferir na prestação da assistência, além do paciente devem permanecer a EMAD e os cuidadores.

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