Controle de efluentes líquidos e emissões gasosas unidade03

Controle de efluentes líquidos e emissões gasosas unidade03

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Neste módulo vocŒ vai estudar

4A importância do tratamento dos efluentes líquidos e emissıes gasosas para o meio ambiente, com implicaçıes na saœde pœblica

4A legislaçªo pertinente ao tema

4Os princípios de prevençªo na geraçªo de efluentes líquidos e emissıes gasosas

MÓDULO 3

158SAÚDE AMBIENTAL E GESTˆO DE RES˝DUOS DE SERVI˙OS DE SAÚDE 158SAÚDE AMBIENTAL E GESTˆO DE RES˝DUOS DE SERVI˙OS DE SAÚDE

o cotidiano de um estabelecimento de saœde sªo consumidos em mØdia 230 litros de Ægua por leito/dia. Esta Ægua, após sua utilizaçªo, contØm diversas substâncias e torna-se um efluente líquido com potencial poluente, podendo gerar problemas ambientais e de saœde pœblica caso nªo seja devidamente tratado (PRÜSS et al., 1999).

Quanto ao destino dos efluentes líquidos, existem duas opçıes: o tratamento em uma estaçªo no próprio estabelecimento, ou a canalizaçªo desses efluentes (com ou sem tratamento preliminar) para serem tratados externamente, em instalaçıes especializadas. Ambas as opçıes envolvem vÆrias etapas, com diferentes graus de complexidade. Vale lembrar que o assunto tratado neste capítulo, ainda que resumidamente, Ø de suma importância para os estabelecimentos de saœde que se preocupam em assegurar boas relaçıes com as comunidades nas quais estªo inseridos, como tambØm para fins de licenciamento ambiental.

Caracterizaçªo Qualitativa do Esgoto SanitÆrio

O Que Ø Esgoto DomØstico

A composiçªo do esgoto sanitÆrio domØstico depende dos hÆbitos culturais de quem utiliza a Ægua. A transformaçªo da Ægua em esgoto nada mais Ø do que a incorporaçªo de novos componentes quando de sua passagem pelas instalaçıes sanitÆrias. É essencial, portanto, observarmos a origem do esgoto, a fim de entendermos qual Ø a sua composiçªo e o que representa seu lançamento no ambiente. Dessa forma, fica mais fÆcil entender o significado do tratamento dos efluentes.

Instalaçıes sanitÆrias: lavatórios, pias, boxes, vasos sanitÆrios, etc.

160SAÚDE AMBIENTAL E GESTˆO DE RES˝DUOS DE SERVI˙OS DE SAÚDE

O Que HÆ no Esgoto SanitÆrio

Os pontos de captaçªo do esgoto (aparelhos sanitÆrios, como ralos, caixas sifonadas, pias, lavatórios, mictórios, vasos sanitÆrios) conduzem a Ægua recolhida atravØs de tubulaçıes (rede predial de esgoto).

O esgoto sanitÆrio Ø composto, basicamente, pela Ægua e pelos resíduos que ele transporta: fezes, urina, sabıes, detergentes, gorduras, partículas de alimentos e outros componentes utilizados nas atividades cotidianas. Os efluentes líquidos de estabelecimentos de saœde tŒm características muito próximas das do esgoto sanitÆrio urbano, podendo ser considerado como tal (Figura 18). Assim, o conhecimento das características dos esgotos, principalmente do impacto que podem causar ao meio ambiente, vai, certamente, resultar na diminuiçªo da quantidade de esgoto gerado. E pode nos levar a adquirir hÆbitos mais convenientes, como, por exemplo, dispô-lo de uma forma aceitÆvel do ponto de vista ecológico e de saœde pœblica.

Figura 18 Características dos esgotos sanitÆrios (LORA, 2000)

Os principais componentes do esgoto, para fins de tratamento, podem se apresentar sob diferentes aspectos, tais como (VON SPERLING, 1996):

a) materiais gordurosos (óleos e graxas): esses materiais por serem mais leves que a Ægua ficam na superfície do esgoto. Assim, o uso de caixas de gordura diminui bastante a presença destes componentes no esgoto. Cabe salientar que a caixa de gordura Ø um componente obrigatório em qualquer instalaçªo predial. É importante observar que, quando as caixas de gordura sªo limpas, o material retirado deve ser tratado e disposto de forma adequada; b) sólidos: em funçªo do tamanho das partículas, os sólidos presentes no esgoto podem ser divididos da seguinte maneira:

c) microorganismos: existe uma grande variedade de microorganismos presentes nos esgotos, pois este Ø um meio rico em nutrientes. Embora certos microorganismos sejam causadores de doenças, sªo importantes no tratamento de esgoto porque realizam a degradaçªo da matØria orgânica.

Essas trŒs categorias de componentes sªo os condicionantes que determinarªo o que chamamos de tratamento do esgoto , o qual veremos em detalhes mais adiante.

Minerais Suspensªo

Dissolvidos DecantÆveisNªo-DecantÆveis

Orgânicos

Orgânicos Minerais

Minerais Orgânicos

162SAÚDE AMBIENTAL E GESTˆO DE RES˝DUOS DE SERVI˙OS DE SAÚDE

Qual o Impacto de se Lançar Esgoto no Meio Ambiente

Os esgotos cedo ou tarde chegarªo a um corpo receptor superficial ou subterrânea. Em funçªo da sua composiçªo, o esgoto promove alteraçıes nesses ecossistemas. De maneira geral, os materiais de origem orgânica sªo responsÆveis por uma parcela considerÆvel dos prejuízos ao meio ambiente causados pelos esgotos. Entretanto, os mananciais possuem uma capacidade de autodepuraçªo, isto Ø, a capacidade que os microorganismos tŒm de degradar a matØria orgânica. Se a quantidade de matØria orgânica for muito elevada, a autodepuraçªo nªo a eliminarÆ por completo, o que pode levar a um dano ambiental considerÆvel.

O processo de degradaçªo da matØria orgânica pode ocorrer de duas formas (HAMMER; HAMMER, 1996):

Nesse processo, os microorganismos presentes no esgo- to utilizam o oxigŒnio dissolvido (O2 ) presente nas fon- tes d’Ægua para poder degradar a matØria orgânica. Com isso, o teor de O2 dissolvido na Ægua diminui, afetando a vida de todos os organismos que dependem do oxigŒ- nio. O resultado pode ser, por exemplo, a morte dos peixes no corpo d’Ægua.

Quando nªo hÆ O2 dissolvido no meio onde o esgoto Ø lançado, outros tipos de microorganismos irªo degradar a matØria orgânica retirando o oxigŒnio de compostos oxigenados (exemplo SO4 2-). Esse processo pode dar origem a compostos com odor desagradÆvel (exemplo combustível. Esse fenômeno natural de degradaçªo anaeróbia Ø utilizado para o tratamento dos esgotos nas fossas (tanques) sØpticas.

Corpo receptor superficial: rio, lago, lagoa, mar, etc.

Os processos naturais de degradaçªo (mineralizaçªo) da matØria orgânica usados para tratar os esgotos sanitÆrios recebem a designaçªo de tratamento secundÆrio dos esgotos. Normalmente, Municípios que tratam seus esgotos utilizam esses processos naturais de tratamento, havendo vÆrios tipos de instalaçıes tecnológicas disponíveis.

Consideraçıes Iniciais sobre o Tratamento dos Esgotos

Tratar esgoto significa adequar os efluentes líquidos ao corpo receptor. Assim, Ø importante verificar a açªo dos efluentes das estaçıes de tratamento liberados no meio ambiente.

Dessa forma, os efluentes líquidos provenientes de estabelecimentos de saœde devem atender às exigŒncias do órgªo ambiental competente, antes do seu lançamento na rede de esgoto pœblica. Nos locais onde nªo exista rede pœblica de esgoto, ou existe rede mas nªo existe o tratamento do efluente coletado, Ø necessÆrio que o estabelecimento possua estaçªo de tratamento de seus efluentes de acordo com as exigŒncia do órgªo de controle ambiental.

As cacterísticas mais importantes do esgoto sanitÆrio sªo: a carga orgânica, responsÆvel pelo consumo de oxigŒnio dos corpos receptores (rios, por exemplo); a quantidade de sólidos presentes (suspensos ou dissolvidos); e a presença de microorganismos patogŒnicos. Assim, o tratamento de efluentes líquidos refere-se a (DAVIS; CORNWELL, 1998):

4diminuiçªo da demanda bioquímica de oxigŒnio (DBO), que corresponde à quantidade de oxigŒnio necessÆria para a mineralizaçªo (estabilizaçªo) da matØria orgânica pelos microorganismos;

4sedimentaçªo e posterior remoçªo dos sólidos presentes no efluente;

4retirada, por flotaçªo, de materiais flutuantes;

Microorganismos patogŒnicos: microorganismos que podem causar doenças.

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4encaminhamento dos materiais sólidos retirados para aterros sanitÆrios; e

4lançamento do efluente tratado no corpo receptor.

Assim, os níveis de tratamento podem ser apresentados como sendo: a) primÆrio (processos físicos); b) secundÆrio (processos biológicos); e c) terciÆrio (específicos).

Quanto aos objetivos a atingir, no caso dos efluentes líquidos de unidades de saœde, sªo fundamentais:

a) reduçªo da carga orgânica Demanda Bioquímica de OxigŒnio (DBO); b) reduçªo de sólidos; e c) reduçªo de microorganismos patogŒnicos.

Para a verificaçªo dos resultados obtidos no tratamento, os indicadores utilizados sªo: Demanda Bioquímica de OxigŒnio DBO (mg/l); NMP/100 ml; mg/l de sólidos sedimentados.

A instalaçªo de equipamentos ou sistemas para tratamento de efluentes líquidos pelo estabelecimento de saœde ou pelo Município, Estado ou Distrito Federal deve ser objeto de licenciamento ambiental. Os equipamentos ou sistemas para tratamento de efluentes líquidos existentes sªo passíveis de fiscalizaçªo e de controle pelos órgªos de vigilância sanitÆria, de meio ambiente do Estado, Município e do Distrito Federal e pela companhia de saneamento do Município ou do Distrito Federal.

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