(Parte 1 de 3)

A distribuição geográfica da abelha Uruçu

(Melipona scutellaris, Latreille 1811) (Apidae, Meliponinae)

1. Ornamentação da entrada das colmeias com estrias de barro e resina.

2. Ornamentação menos comum da entrada das colmeias, com raias de barro elevadas, formando uma coroa.

3. Aspecto geral de uma abelha uruçu. Como ela não ferroa, é possível segura-la com os dedos.

Uruçu é uma palavra que vem do tupi "eiru'su", que nessa língua indígena significa "abelha grande".

O nome "Uruçu" está relacionado com diversas abelhas do mesmo gênero, encontradas não só no Nordeste, mas também na região amazônica. A tendência, porém, é a de reservar o termo "uruçu" para a abelha da zona da mata do litoral baiano e nordestino, que se destaca pelo tamanho avantajado (semelhante à Apis), pela produção de mel expressiva entre os meliponíneos e pela facilidade do manejo.

Estudos realizados em Pernambuco (Almeida 1974) mostraram o relacionamento da uruçu com a mata úmida, que apresenta as condições ideais para as abelhas construírem seus ninhos, além de encontrarem, em árvores de grande porte, espécies com floradas muito abundantes que são seus principais recursos tróficos e locais de nidificação.

Na região de Taquaritinga (PE), no Morro das Vertentes a 1100m de altura as abelhas uruçus são nativas e criadas racionalmente.

O Dr. Paulo Nogueira Neto (1970) comenta: "Há referências (Moure & Kerr 1950) de ocorrência da uruçu em localidades bem no interior da Bahia e Pernambuco. Lamartine (1962) fez um estudo sobre a distribição dessa espécie, mostrando que ela habita a região úmida do Nordeste. O Dr. Antonio Franco Filho, de Sergipe (inf. pessoal) afirmou que essa abelha não vive na caatinga. Ao que sei, na Natureza, a referida espécie reside somente em ocos de árvores."

Bibliografia

Almeida, MG 1974 Aspectos bionômicos, ecológicos e genéticos da abelha Melipona scutellaris scutellaris Latreille (1811). Dissertaçao Fac. Medicina de Ribeirão Preto, SP 128p

Lamartine H. 1962. A área da abelha uruçu do Nordeste. Chácaras e Quintais 106 (6): 801. Kerr WE et al 1996. A abelha Uruçu. Fundação Acangau. 145p.

Moure JS e Kerr WE. 1950. Sugestões para a modificação da sistemática do gênero Melipona. Dusenia 1 (2): 105-29.

Nogueira Neto P. 1970 A Criação de abelhas indígenas sem ferrão. Tecnapis. 365p.

O ninho da abelha Uruçu

(Melipona scutellaris, Latreille 1811) (Apidae, Meliponinae)

As colônias dessas abelhas são formadas por uma rainha cuja função é botar ovos, centenas de operárias que realizam todas as tarefas do ninho, e em certas épocas do ano por machos cuja função é a de fecundar as novas rainhas (rainhas virgens).

Indivíduos que fazem parte de uma colméia de Uruçu

Vista frontal da cabeça Vista lateral da terceira perna

Os ninhos têm entrada típica, sempre com abertura no centro de raias de barro convergentes, sendo que também podemos encontrar ninhos cujas raias de barro são elevadas e formam uma coroa, freqüentemente voltada para baixo. Essa entrada, que dá passagem para as abelhas, é guardada por uma única operária.

No interior da colméia, encontramos várias camadas (lamelas) de cerume que formam o invólucro (ver imagem abaixo), material maleável resultante da mistura de cera produzida pelas abelhas misturado com a resina que elas coletam nas plantas. O cerume é o material básico utilizado em todas as estruturas que existem dentro do ninho.

As abelhas sem ferrão mantêm a cria e o alimento em estruturas diferentes. Os ovos são colocados em células de cria (foto 4) que contêm todo o alimento larval necessário para o desenvolvimento da larva.

Várias células de cria justapostas formam o favo, que pode ser horizontal ou mais raramente, helicoidal. Quando a abelha nasce, a célula de cria é desmanchada e o cerume reaproveitado em outras construções no ninho.

Os alimentos coletados nas flores, o pólen e néctar, constituem as fontes de proteínas e de açúcares e serão armazenados no interior da colmeia em potes diferentes chamados de potes de alimento (foto 8) e também, darão origem ao alimento larval que será depositado nas células do favo e alimentará a cria.

Segundo Nogueira Neto (1970) "os potes de alimento têm cerca de 4 ou 4,5cm de altura. A próprolis é relativamente pouco pegajosa e é usada misturada com barro (geoprópolis) no batume e na calefação dos ninhos." O cerume é formado da misturada de própolis com cera.

4. Abelhas uruçu no favo de cria 5. Abelha operária de uruçu recolhendo cerume na corbícula.

6. Abelha rainha de uruçu com abdômen bastante desenvolvido (foto de A. Moura)

7. Favos de cria tipo horizontal com células em construção circundadas por poucas lamelas de invólucro e alguns potes de alimento.

8. Favos de cria e potes de pólen ao redor.

9. Favo mais velho com o cerume das células de cria já retirado restando somente as pupas nos seus casulos.

Tipos de colmeias usadas para criação de Uruçu

(Melipona scutellaris, Latreille 1811) (Apidae, Meliponinae)

1. Caixa de criação de uruçu (modelo CAPEL) com dois compartimentos: o dos favos e alguns potes, que fica na parte anterior da caixa, e outro posterior, com somente os potes de alimento. Os trabiques de madeira nesse segundo compartimento são para apoiar a construção dos potes. Observe a construção do batume vedando a borda das tampas.

2. Vista do interior do ninho de uruçu com enormes potes de alimento

3. Enquanto as abelhas eclodem na região central do terceiro favo de cria, outros dois favos já foram construídos. Cada um desses favos pode apresentar 16cm de diâmetro. Segundo Barros (1994) a temperatura nessa região varia pouco, de 29,6 a 31,7 graus Celsius.

4. Um pequeno tablado de madeira evita que os favos fiquem na parte mais baixa e úmida da caixa racional.

5. Caixa vertical com dois compartimentos e com os favos de cria na parte superior

Bibliografia

Barros, JRS 1994. Genética da Capacidade de Produção de Mel com Abelhas Melípona scutellaris com Meliponicultura Migratória e sua Adaptabilidade no Sudeste do Brasil. Dissertação. Faculdade Ciências Agrárias e Veterinárias-UNESP Jaboticabal 149p

Kerr WE et al. 1996. A abelha Uruçu. Fundação Acangau. 145p

Nogueira Neto P; Imperatriz-Fonseca VL; Kleinert-Giovannini A; Viana BF & Campos MS. 1986. Biologia e manejo das abelhas sem ferrão. Tecnapis. 54p.

Campos LAO & Peruquetti RC. 1999. Biologia e criação de abelhas sem ferrão. InformeTtécnico, Universidade Federal de Viçosa 82: 1-36.

Nome vulgar Nome científico Família botânica Ingá Inga sp Leguminosae

Pau darco roxo Tabebuia avellanedae Bignoniaceae

Pau pombo Tapirira guianensis Anacardiaceae Mungaba Bombax gracilipes Bombacaceae Camaçari Caraipa densifolia Guttiferae Embiriba Eschweilera luschnathii Lecythidaceae Jatobá Hymenaea martiana Leguminosae Cajá Spondias lutea Anacardiaceae Pau dalho Galezia gorazema Phytolaceaceae Sucupira mirim Bowdichia virgilloides Leguminosae Prijui Micropholis sp Sapotaceae Louro Ocotea sp Lauraceae Pau darco Tabebuia roseoalba Bignoniaceae

Principais árvores onde a uruçu nidifica na mata pernambucana (segundo Almeida 1974). Bibliografia

Almeida, MG 1974 Aspectos bionômicos, ecológicos e genéticos da abelha Melipona scutellaris scutellaris Latreille (1811). Dissertaçao Fac. Medicina de Ribeirão Preto, SP 128p

Nogueira Neto P. 1970 A Criação de abelhas indígenas sem ferrão. Tecnapis.

Preferências florais da abelha Uruçu (Melipona scutellaris, Latreille 1811)

(Parte 1 de 3)

Comentários