Manual de Hematologia

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(Parte 6 de 9)

No processo de coagulação do sangue tomam parte várias substâncias denominadas fatores da coagulação. Muitos deles são pró-enzimas sintetizadas pelo fígado e que se transformam em enzimas durante o processo de coagulação.

Coagulação é a conversão do sangue no estado líquido em um coágulo firme. É a fase da hemostasia envolvida na formação de fibrina, sendo caracterizada por uma série sucessiva de reações bioquímicas e fenômenos físicos, terminando fisiologicamente com a formação do coágulo.

A hemostasia é regulada por três tipos de mecanismos: 1. Os extravasculares incluem a constituição e a elasticidade dos tecidos na periferia dos vasos.

2. Os vasculares relacionam-se à elasticidade e tônus da parede vascular. 3. Os intravasculares são principalmente aqueles associados à substâncias envolvidas no processo de coagulação do sangue.

Uma série de respostas ocorre em conseqüência da lesão do vaso sanguíneo.

Inicialmente a vasoconstrição reflexa diminui o sangramento e as plaquetas se aglutinam, aderindo à superfície do ferimento a elas expostas. Em seguida, a deposição de fibrina forma o coágulo que se retrai e se organiza na região rota. Posteriormente ocorre a lise da fibrina com recanalização do vaso.

No processo da coagulação do sangue tomam partes várias substâncias denominadas fatores da coagulação. Muitos deles são pró-enzimas sintetizadas pelo fígado e que se transformam em enzimas durante o processo de coagulação.

Causas das Hemorragias e investigação laboratorial

As hemorragias podem resultar da solução de continuidade ou defeitos do sistema vascular, deficiência qualitativa ou quantitativa de plaquetas, defeitos químicos ou quantitativos dos fatores da coagulação e anticoagulantes circulantes. Usualmente a combinação dos vários mecanismos leva ao sangramento anormal nas doenças adquiridas, enquanto nas congênitas o defeito é geralmente único.

Como exemplo de condições favoráveis às hemorragias, encontram-se :

menstruação, úlceras do trato gastrointestinal, cirurgias, traumatismos, números reduzidos de plaquetas circulantes e ausência congênita ou adquirida de fatores da coagulação.

O significado clínico das hemorragias depende de três fatores:

geralmente não apresentam significado clínico. Volumes maiores perdidos rapidamente podem levar ao choque hipovolêmico.

2. Local da hemorragia – Reveste-se de importâncias aquelas, mesmo pequenas, localizadas no pericárdio, supra-renais e cérebro, podendo levar a morte súbita.

crônicas correspondendo a pequenos volumes de sangue perdidos intermitentemente, levam a anemias por deficiência do ferro, quando o sangue

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Wanessa Lordêlo P. Vivas elimina-se externamente. Se no interstício ou cavidades do organismo, o ferro é reabsorvido não ocorrendo a anemia ferropriva.

O estudo laboratorial da hemostasia é baseado em provas cujo objetivo consiste em evidenciar a presença ou ausência de fatores da coagulação ou causas adversas, relacionadas a mecanismos vasculares, extravasculares e intravasculares da coagulação.

Fibrinogênio Protrombina Tromboplastina

Íons Cálcio Fator Lábil ou proacelerina

Fator estável ou proconvertina Fator antihemofílico (FAH) Fator componente tromboplástico do plasma

Fator Stuart Antecedente tromboplástico do plasma

Fator Hageman Fator estabilizador da fibrina

O tempo de sangramento corresponde à duração de uma pequena hemorragia quando uma incisão de dimensões padronizadas é praticada na pele artificialmente. O teste fornece dados relativos a função e números de plaquetas, bem como da resposta da parede capilar à lesão. Tempo de sangramento aumentado sugere a complementação do estudo pela contagem das plaquetas.

picada evitando áreas congestas e inflamadas. 2. Com a lanceta, fazer uma incisão de três milímetros de profundidade, permitindo que o sangue escoe livremente.

3. Fazer funcionar o termômetro no momento da picada. 4. Usando papel de filtro secar de 30 em 30 segundos a gota de sangue que se forma sem, no entanto, tocar a lesão, utilizando cada vez uma porção limpa do papel. 5. Quando o sangue para de manchar o papel, parar o cronômetro; é o valor do TS.

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7.2.Tempo de Coagulação (Método de Lee - White)

O tempo de coagulação corresponde o tempo gasto para o sangue coagular, quando registrado no organismo.Fornece dados relativos ao sistema de coagulação do sangue .É um teste sujeito a numerosas variáveis e que atualmente deve ser substituído pelo tempo de tromboplastina parcial.

1. Colher o sangue por punção venosa, atingindo diretamente a veia. Os fatores teciduais alteram o processo de coagulação e até invalidam a prova. 2. Marcar o tempo no cronômetro logo que o sangue aparecer na seringa. 3. Tomar dois tubos e colocar 1,0ml de sangue em cada um deles.

inclinando o tubo numa angulação de 90o ;se não houver coagulado, verificar a cada minuto até a sua formação. 6. Marcar o tempo da formação do coágulo como tempo de coagulação do sangue total.

Valor Normal: de 5 a 1 minutos.

A percentagem de retração do coágulo é representada pelo volume do soro obtido, após coagulação e retração do coágulo, de uma quantidade determinada de sangue. O coágulo inicial contém todos os elementos do sangue. Após sua retração o soro é expulso da malha de fibrina, que se retrai pela ação das plaquetas. Fornece dados relativos à atividade plaquetária. Uma retração pequena corresponde a um número de plaquetas abaixo de 100.0 por ml de sangue.Nas deficiências funcionais das plaquetas, a prova pode estar alterada em presença de número normal ou aumento de plaquetas.

TÉCNICA:

1. Colher um pouco mais de 5ml de sangue por punção venosa. 2. Encher o tubo de centrífuga até a marca 5ml.

3. Colocar o fio de cobre, fixo pela rolha, com extremidade encurvada mergulhada no sangue até a metade da coluna líquida.

coagulação. 5. Colocar então o tubo em banho-maria a 370C durante uma hora.

6. Retirar cuidadosamente o coágulo aderido ao fio de cobre através da rolha. Deixar escorrer o líquido existente no coágulo por um a dois minutos.

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Cálculos:

O volume de soro expresso como porcentagem de 5ml de sangue total representa a porcentagem de retração do coágulo. Se em 5ml de sangue total são obtidos 2ml de soro, em 100ml de sangue são obtidos x ml de soro.

2 x 100 X = retração do coágulo = = 40%.

Atualmente os laboratórios adaptaram uma nova técnica para a leitura da retração do coágulo; através do aproveitamento do tubo utilizado no tempo da coagulação é feita também a retração do coágulo. É marcada uma hora após a realização do TC com o tubo no banho a 37oC depois, utilizando uma pipeta volumétrica de 1 ml, todo o soro do tubo é aspirado.O volume aspirado do volume total é considerado o valor da retração do coágulo.

Ex: se for aspirado 0,4 ml de soro, então a retração do coágulo tem como resultado 40%. Porém esta técnica não foi encontrada em literaturas.

O sangue é normalmente retido no leito capilar devido à resistência oferecida pela parede destes finos vasos. A permeabilidade capilar alterada permite a passagem das células do sangue para os tecidos. Isso é evidenciado pelo aparecimento de petéquias na pele. O número e tamanho das petéquias dependem da estrutura do endotélio capilar e número de plaquetas por microlitro de sangue.

1. Verificar a presença de petéquias no braço do paciente. Caso existam, contorna-las com lápis dermográfico. 2. Adaptar o manguito do aparelho de pressão ao braço do paciente.

3. Determinar a pressão diastólica e mantê-lo insuflado nessa pressão durante 5 minutos.

4. Desinsuflar rapidamente o manguito. Verificar o aparecimento e contar o número de petéquias formadas durante o teste.

O resultado é fornecido conforme o número e tamanho das petéquias.Com afinidade de estabelecer uma uniformização para a leitura da prova, os seguintes resultados são convencionados:

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