cartografia e gps

cartografia e gps

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O mapa, de acordo com JOLY (1990), é uma representação geométrica plana, simplificada e convencional, do todo ou de parte da superfície terrestre, numa relação de similaridade conveniente. É uma construção seletiva e representativa que implica no uso de símbolos e sinais apropriados.

Algumas Características dos Mapas (Cartas)

- Permitem a coleta de informações em gabinete; - Apresentam informações não visíveis no terreno, como toponímia, fronteiras, curvas de nível; - Codificam as informações através de símbolos;

- Exigem atualização permanente;

- Representam um modo de armazenamento de informações convenientes ao manuseio de fenômenos espaciais e de suas distribuições e relacionamento;

Plantas

A principal característica da planta é a exigüidade das dimensões da área representada. A outra, é sem dúvida, a ausência de qualquer referência à curvatura da Terra. O termo Planta, pode ser assim definido: “Carta que representa uma área de extensão suficientemente restrita para que a sua curvatura não precise ser levada em consideração, e que, em conseqüência, a escala possa ser considerada constante”.

Já que a representação se restringe a uma área muito limitada, a escala tende a ser muito grande, e em conseqüência, a aumentar o número de detalhes. Mas é a prevalência do aspecto da área diminuta que caracteriza a planta. Do ponto de vista mais cartográfico, é a planta urbana, sobretudo, com sua intenção cadastral que é mais característica. A planta moderna, de origem fotogramétrica, além da riqueza de detalhes, é de suma precisão geométrica.

Uma planta, geralmente apresenta grande riqueza de detalhes, escala grande e rigor geométrico.

Os Mapas Segundo Seus Objetivos

De acordo com o tipo de usuário para qual foram elaborados, os mapas podem ser gerais, especiais e temáticos.

Mapas Gerais

Um mapa geral é aquele que atende a uma gama imensa e indeterminada de usuários. Um exemplo, deste tipo de mapa, é o mapa do IBGE na escala de 1:5.0.0, representando o território brasileiro, limitado por todos os países vizinhos, o Oceano Atlântico, etc., contendo através de linhas limítrofes e cores, todos os estados e territórios além das principais informações físicas e culturais como rios, serras, ilhas, cabos, cidades importantes, algumas vilas, estradas, etc.

Como se vê, é um mapa de orientação ou informações generalizadas, mas absolutamente insuficiente para muitas e determinadas necessidades. As consultas feitas sobre um mapa geral têm que ser igualmente generalizadas. Se quisermos medir com exatidão à distância, por rodovia, entre São Paulo e Rio de Janeiro, corremos o risco de acrescentar ou diminuir vários quilômetros em relação à distância real.

Mapas Especiais

Em oposição aos mapas gerais, são feitos os mapas especiais para grupos de usuários muito distintos entre si, e, na realidade, cada mapa especial, concebido para atender uma determinada faixa técnica ou científica, é, via de regra, muito específico e sumamente técnico, não oferecendo, a outras áreas científicas ou técnicas, nenhuma utilidade, salvo as devidas exceções. Destina-se à representação de fatos, dados ou fenômenos típicos, tendo, deste modo, que se cingir, rigidamente, aos métodos, especificações técnicas e objetivos do assunto ou atividade a que está ligado. Uma carta náutica, por exemplo, precaríssima em relação à representação terrestre ou continental, é, por outro lado, minuciosa quanto à representação de profundidade, de bancos de areia, recifes, faróis, etc. É que este mapa destina-se exclusivamente à segurança da navegação.

Mapas Temáticos

Trata-se de documentos em quaisquer escalas em que, sobre um fundo geográfico básico, são representados os fenômenos geográficos, geológicos, demográficos, econômicos, agrícolas, etc., visando ao estudo, à análise e à pesquisa dos temas, no seu aspecto especial.

A simbologia empregada na representação de tantos e diversificados assuntos é a mais variada que existe no âmbito da comunicação cartográfica, uma vez que na variação de tantos temas a salientar, suas formas de expressão podem ser qualitativas ou quantitativas.

Semiologia Gráfica e Comunicação Cartográfica

Segundo Fernand Joly, a cartografia pode ser considerada uma linguagem visual universal pois, utiliza-se de uma gama de símbolos compreensíveis em qualquer canto da Terra, no entanto como linguagem exclusivamente visual, está sujeita às leis fisiológicas da percepção das imagens. Conhecer as propriedades dessa linguagem para melhor utilizá-la é o objeto da semiologia gráfica.

Aplicada à cartografia, ela permite avaliar as vantagens e os limites das variáveis visuais empregadas na simbologia cartográfica e, portanto, formular as regras de uma utilização racional da linguagem cartográfica.

A semiologia e o estudos dos sistemas não-verbais que têm por finalidade suplementar a comunicação verbal e/ou de modo independente. Desta forma a semiologia pode ser definida como a ciência que estuda os problemas relativos à representação.

O professor J. Bertin, sugeriu uma linha de trabalho vinculada ao que ele denominou de Semiologia Gráfica, cujas raízes dever ser buscadas no estruturalismo de Saussure. Bertin, formulou a linguagem gráfica como um sistema de signos gráficos com significado (conceito) e significante (imagem gráfica).

Seja qual for o método adotado para a aquisição de dados, a construção do mapa deverá prover as informações, sobre a distribuição espacial dos fenômenos, de tal forma que a comunicação através do mapa seja criada, dando facilidades de interpretação.

Atualmente, os usuários dos produtos cartográficos, podem ser considerado como grandes navegadores em um mar de informações, entretanto, não se pode esquecer a função principal do mapa, no seu mais amplo sentido que é e continuará sendo a comunicação, que vem sendo sensivelmente beneficiada com o surgimento dos sistemas multimídia, disponibilizando inúmeras possibilidades de interação e interatividade.

Simbologia Cartográfica

Um mapa, sob o ponto de vista gráfico, nada mais é do que um conjunto de sinais e de cores que traduz as mensagens, para as quais foi executado. Os objetos cartografados, materiais ou conceituais, são transcritos através de grafismo ou símbolos, que são relacionados na legenda do mapa.

De acordo com suas características específicas, os símbolos dividem-se nas seguintes categorias: 1. Sinais convencionais são esquemas centrados em posição real, que permitem identificar um objeto cuja superfície é demasiado pequena na escala, para que possa ser tratada na projeção; 2. Sinais simbólicos são signos evocadores, localizados ou cuja posição é facilmente determinável; 3. Os pictogramas são símbolos figurativos facilmente reconhecíveis; 4. Os ideogramas são pictogramas representativos de um conceito ou de uma idéia; 5. Um símbolo regular é uma estrutura constituída pela repetição regular de um elemento gráfico sobre uma superfície delimitada; e 6. Um símbolo proporcional é um símbolo quantitativo cuja dimensão varia com o valor do fenômeno representado.

Informações de Legenda

A legenda é à parte de um mapa que possui todos os símbolos e cores convencionais e suas respectivas explicações, sendo esta encimada pelo termo "convenção". Nas figuras abaixo podemos visualizar exemplos de legendas utilizada.

Exemplo de Informações Gráficas Contidas na Legenda de um Mapa Exemplo de Informações Gráficas Contidas na Legenda de um Mapa

Exemplo de Informações Gráficas Contidas na Legenda de um Mapa

Diagrama de orientação

A maioria dos mapas de série apresentam informações de direção, referenciadas ao:

1. Norte verdadeiro ou geográfico 2. Norte magnético 3. Norte da quadrícula

Diagrama de Orientação

O ângulo formado pela direção do norte magnético com a do norte verdadeiro, tendo como vértice um ponto qualquer do terreno, é chamado de declinação magnética.

O ângulo formado pela direção do norte da quadrícula com a do norte verdadeiro, tendo como vértice um ponto qualquer do terreno, é chamado convergência meridiana.

Tanto a convergência meridiana como a declinação magnética, variam de ponto para ponto, sobre a superfície terrestre.

Os Mapas Segundo a Escala

Conforme a escala em que são construídas, as cartas podem ser divididas em três categorias: escala grande, média e pequena.

As cadastrais são exemplos de cartas produzidas em escalas grandes (geralmente, 1:1.0, 1:5.0, em alguns casos, 1:10.0). Como exemplo de cartas em escala média podemos destacar as Cartas Topográficas, elaboradas nas escalas que variam de 1:25.0 até 1:250.0. Finalmente, como cartas em pequena escala, exemplificamos as Cartas Geográficas, geralmente elaboradas em escalas de 1:500.0 ou menores.

De forma simplificada, os mapas, segundo a escala podem ser classificados em:

Mapas Mundi – de 1:5.0.0 à(Mapas Mundi ou Atlas)

Plantas cadastrais – Escala variando de 1:200 à 1:10.0 Cartas Topográficas – de 1:10.0 à 1:25.0 (ou até 1:100.0) Cartas Corográficas – de 1:25.0 à 1:100.0 (cartas regionais, estaduais ou de um país) Cartas Geográficas – de 1:100.0 à 1:5.0.0

Escalas

Toda representação, como toda imagem, está em uma certa relação de tamanho (proporção) com o objeto representado. Assim, a representação da superfície terrestre sob a forma de carta deve ser bastante reduzida, dentro de determinada proporção. Esta proporção é chamada de escala.

Escala é, portanto, a relação entre o tamanho dos elementos representados em um mapa e o tamanho correspondente medido sobre a superfície da Terra.

Ou ainda, Escala vem a ser a relação entre a distância de dois pontos quaisquer do mapa com a correspondente distância na superfície da terra.

E = d/D

Onde: E = Escala numérica d = distância medida no mapa D = Distância equivalente no terreno

Exemplo: Representação de um mesmo tema (distância) em diferentes escalas;

1:50.0 1:100.0 1:250.0

Generalização

Generalização significa distinguir entre o essencial e o não essencial, conservandose o útil e abandonando-se o dispensável. qualidade imprescindível na representação cartográfica, pois dela dependerá a simplicidade, clareza e objetividade do mapa, através da seleção correta dos elementos que o irão compor. Isso não significa eliminar detalhes, mas omitir detalhes sem valor.

Evidentemente, a generalização tem relação direta com a escolha adequada da escala. Segundo DEETZ (1949: 130):

O cartógrafo que sabe generalizar corretamente justifica melhor a escolha duma escala menor do que o que, por falta de habilidade, procura. geralmente apresentar demasiados detalhes pelo receio de omitir algum que seja essencial.

Indicação de Escala

A escala é uma informação que deve constar da carta e pode ser representada, geralmente, pela escala numérica e/ou escala gráfica.

Escala Numérica ou Fracionária As escalas numéricas ou fracionárias figuram-se por frações, cujos denominadores representam as dimensões naturais e os numeradores as que lhes correspondem no mapa. É indicada da seguinte forma: 1:50.0 ou 1/50.0. Esta escala indica que uma unidade de medida no ma- a eqüivale a 50.0 unidades da mesma medida sobre o terreno. Assim 1 cm no mapa corresponde a 50.0 cm no terreno, ou seja, 1 cm no mapa representa 500 m do terreno. Um mapa será tanto maior quanto menor for o denominador da escala. Assim, a escala 1:25.0 é maior que 1:50.0.

Escala Gráfica

A escala gráfica é um segmento de reta dividido de modo a permitir a medida de distância na carta. Assim, por exemplo, a escala indica qual à distância, na carta equivalente a 1 km. Este tipo de escala permite visualizar, de modo facilmente apreensível. as dimensões dos objetos figurados na carta. O uso da escala gráfica tem vantagem sobre o de outros tipos. pois será reduzida ou ampliada juntamente com a carta. através. de métodos xerográficos e fotográficos, podendo-se sempre saber a escala do documento com o qual se está trabalhando.

Determinação de Escala

A determinação da escala omitida em uma carta, só pode ser feita quando se conhecer a distância natural entre dois pontos.

Depois de se fixar na carta os dois pontos, deve-se medir a distância gráfica que os separa e dividir a distância conhecida no terreno pela distância gráfica, deve-se ter o cuidado de utilizar a mesma unidade de medida. o quociente representa, representará o denominador da escala. Exemplo: à distância entre duas cidades é de 12 km no terreno. Na carta, a distância entre elas é de 0,06 m. A escala será achada dividindo-se 12 0 m por 0,06 m. Assim a escala da carta será de 1 :200 0.

Como se medir Distâncias

Para se medir distâncias entre dois pontos, numa linha reta, em uma carta com escala gráfica, deve-se utilizar uma tira de papel, na qual são marcados os dois pontos (A e B) e depois transportá-los para a escala.

Para se medir linhas curvas, de modo simples, pode-se usar o sistema de traçados sucessivos de cordas, cuja medição final será a soma das mesmas, considerada como uma soma de linhas retas. Esse método é conveniente para traçados de curvas suaves, como estradas e rios meandrantes. Cabe ressaltar que ambos os métodos apresentam como resultado distância aproximada, não podendo ser considerado um método preciso.

100 0 100 200 metros

No caso de torrentes, de caminhos e estradas em serras íngremes, deve ser utilizado o curvímetro.

Como Medir Áreas

Os métodos práticos para se medir uma área qualquer em uma carta, sempre fornecerão dados aproximados, mas de fácil aplicação.

Método da Contagem

Pode-se medir a área aproximada, em uma carta, empregando-se, primeiramente, o papel milimetrado transparente (vegetal). Colocando-se o papel sobre a carta, desenha-se nele o contorno da área a ser medida. Em seguida, somam-se os quadradinhos inteiros e depois os fragmentos de quadradinhos incluídos dentro da área, sendo os últimos a única possibilidade de erro. O total da soma deve ser multiplicado pela área de um dos quadradinhos do papel milimetrado.

Método de planimetragem

A avaliação de uma área também pode ser feita empregando-se um instrumento chamado planímetro.

Critérios de exatidão de cartas topográficas

Conforme acentua Libualt (1975), não se deve exigir de uma carta mais do que ela possa exprimir, não havendo possibilidade de se obter uma visão global de uma região sem perder, cada vez mais a precisão. Assim as medidas de detalhes devem ser realizadas sobre uma carta de detalhada, isto é de escala bastante grande, que apresente a precisão e o acabamento adequados.

As possibilidades de erro das medidas feitas numa carta topográfica ou aerofotogramétrica dependem de vários fatores: precisão da tradução gráfica; precisão da derivação; precisão da transmissão por meio das folhas impressas.

Padrão de exatidão cartográfica

E S C A L A s

Equid. das curvas de nível

Precisão Altimétrica Precisão Planimétrica

Forma da Terra

No princípio, o homem imaginou a Terra como uma superfície plana.

Posteriormente foi admitida a idéia da Terra como uma esfera. Já no fim do século XVII, com Newton, surgiu a hipótese de que a forma da Terra, por efeito da gravidade e do seu movimento de rotação, seria a de um elipsóide achatado nos pólos.

No final do século XIX e no início do século X, geodesistas chegaram à concepção do geóide para forma da Terra. Entretanto, como o geóide indica apenas que a forma da Terra característica, não tendo uma superfície geometricamente definida, resolveu-se considerar para fins práticos a Terra como elipsóide de revolução, que ‚ um sólido gerado pela rotação de uma elipse em torno do eixo dos pólos.

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