(Parte 1 de 11)

Página 1

Matérias > Português > Literatura > Trovadorismo > Trovadorismo- Termos Usados na Produção Poética Medieval

Trovadorismo - Termos Usados na Produção Poética Medieval alba - disputa amorosa, ao amanhecer. É uma variedade da cantiga de amigo. amigo (a) - namorado (a), amante. arte maior - versos de onze sílabas. ata finda - conduzir através de todos os versos a idéia dominante da cantiga. cancioneiro - conjunto de cantigas.

cansó - tipo de composição que pouco vingou na época medieval. Torna-se importante a partir do século XVI; é formada por cinco a sete estrofes, de oito ou nove versos, em exaltação à beleza da bem-amada.

cantiga - mote de quatro ou cinco versos e uma glosa com oito a dez versos.

cantiga de amigo - o poeta disfarça-se em mulher que se queixa. Fala a mulher, usando muito a palavra amigo (namorado).

cantiga de amor - fala o homem. São comuns as expressões "mia senhor", "mia pastor" = minha senhora.

cantiga de escárnio - poesia humorística, com "palavras que ajão dous sentimentos". Usa da ironia e da ambigüidade para criticar.

cantiga de maldizer - poesia satírica com emprego das palavras grosseiras: "descubertante". Aproxima-se do serventês de Provença.

cantiga de mestria - (ou maestria) composição poética de sete versos em cada estrofe, sem refrão (chamada também de composição do "mestre", isto é, mais difícil).

cantiga de refrão - composição poética de quatro versos em cada estrofe, com repetição de um deles (refrão) no final.

cobras - (ou coblas) estrofes. dobre - repetição de uma palavra em vários lugares de cada estrofe. esparsa - uma estrofe só, com oito a dez versos.

gaia ciência - designação dada à "arte de poetar", o conjunto de regras e princípios que regiam a técnica de composição.

Matérias > Português > Literatura > Trovadorismo > Trovadorismo- Termos Usados na Produção Poética Medieval file:///C|/html_10emtudo/Literatura/html_literatura_total.htm (1 of 253) [05/10/2001 2:37:06] fiinda - remate do trabalho.

Página 2

Matérias > Português > Literatura > Trovadorismo > Trovadorismo- Termos Usados na Produção Poética Medieval glosa - composição poética: cada estrofe termina com um dos versos apresentados no mote. Também se diz volta ver mote.

jogral - músico, artista andarilho, que recitava as composições dos trovadores (do provençal: joglar = brincar).

leixa-pren - "deixa e toma": durante a composição, um verso é abandonado e depois retomado, repetido.Também pode ser a repetição observação sem valor no início de cada estrofe, do verso final da estrofe anterior.

menestrel - a princípio, era o mesmo que jogral; depois, músico e poeta que acompanhava um príncipe. monórrimas - versos com rimas sempre iguais, em todos os versos da estrofe. mordobre - repetição da palavra 'afins' em vários lugares de cada estrofe.

mote - tema, assunto (geralmente um dístico ou quadra), apresentado ao poeta para ele desenvolver (glosar). A glosa é a composição e o final de cada estrofe é justamente um dos versos do mote.

oc - língua d'oc, falada no sul da França, em Provença. palavras - número de versos de uma cobra (estrofe). palavra perdida - versos sem rima (versos brancos). pastorela - variedade de cantiga de amor; são de pastora, ou do poeta como pastora. plang - (ou planh) lamentação (geralmente pela morte de pessoa querida).

poética fragmentária - trabalho que se encontra no cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa, relaciona a técnica formal (gaia ciência) com as líricas galaico-portuguesas.

redondilha - 1. maior: verso de sete sílabas; 2. menor: verso de cinco sílabas. refrão - repetição de um verso em cada estrofe. ou de vários versos. rimance - (às vezes romance) narrativas em versos de sete sílabas e uma só rima cruzada. segrel - trovador profissional que vivia de suas apresentações.

Matérias > Português > Literatura > Trovadorismo > Trovadorismo- Termos Usados na Produção Poética Medieval file:///C|/html_10emtudo/Literatura/html_literatura_total.htm (2 of 253) [05/10/2001 2:37:06]

Página 1 Matérias > Português > Literatura > Trovadorismo > Trovadorismo - Conceito

Trovadorismo - Conceito 1ª Fase da Literatura Portuguesa (Anteclássica ou Medieval)

O período anteclássico ou medieval abrange os séculos XII, XIII, XIV e XV, envolvendo dois momentos literários: Trovadorismo (1189-1418) e Humanismo (1418-1527) (este último é considerado um momento de transição). Para o estudo dessa época costumam os historiadores tomar os gêneros em verso e em prosa separadamente. Na poesia, por exemplo, encontram-se duas fontes de lirismo bem demarcadas: a de inspiração provençal e a de inspiração espanhola (peninsular).

O lirismo provençal é proveniente de Provença (sul da França). Tendo atingido notável progresso material e intelectual na época, sua influência cultural irradiou-se, chegando até Portugal, cujas raízes históricas o prendem, quando do seu surgimento como nação, à França. Corresponde ao que se chama Trovadorismo.

Localização Histórica

O povo português pertence à raça latina e é da família indogermânica. Sua terra é a orla ocidental da Península Hispânica, palco de invasões sucessivas pelos séculos afora.

Abstração feita às tribos primitivas que aí habitavam, o primeiro povo de que temos notícia são os iberos, também fixados na Gália. Um outro povo, da família indo-européia ou ariana aparece mais tarde: os celtas. Da fusão desses dois povos, nasce a raça híbrida, a celtibera. Fenícios e gregos, dois mil anos antes de Cristo, fundam colônias no litoral lusitano e, durante sete a oito séculos, os gregos dominam a região. Os romanos aparecem na Península Ibérica no século I a. C., só terminando a conquista pelos fins do século I. Com a decadência do Império Romano, os bárbaros conquistam a Península, e os suevos fixam-se na Galícia e na Lusitânia; só mais tarde aparecem os visigodos. O território ibérico, no século VIII, passou às mãos dos árabes, que, terríveis na conquista e pregação do maometanismo, haviam atravessado o Gibraltar, comandados por Tárique.

Página 2 Matérias > Português > Literatura > Trovadorismo > Trovadorismo - Conceito

Matérias > Português > Literatura > Trovadorismo > Trovadorismo- Termos Usados na Produção Poética Medieval file:///C|/html_10emtudo/Literatura/html_literatura_total.htm (3 of 253) [05/10/2001 2:37:06]

Foi durante a dominação árabe que os cristãos organizaram as cruzadas. Seguiu para a Lusitânia, com a finalidade de livrá-la das mãos dos mouros, o Conde Dom Henrique, tronco dos reis portugueses; partira de França com cavaleiros, pondo suas armas a serviço de Afonso VI, rei de Leão e de Castela. Tantos serviços prestou à religião e à coroa, que recebeu do rei sua filha D. Teresa, como esposa, e a província ou país de Portugal para administrar.

Afonso Henriques é o primogênito desse consórcio. Morto Afonso VI, os mouros tomaram Lisboa, enquanto o Conde D. Henrique conquistou a cidade de Cintra. Enquanto há revoluções em Espanha, por ocasião da morte do rei de Castela, Portugal vai-se fortificando. Mouros são vencidos e o Conde D. Henrique, sábio administrador e grande guerreiro, recebe o nome de "O Bom".

Morto o Conde, D. Teresa pretendeu casar-se com D. Fernando Perez, mas seu filho, Afonso-Henriques, se opôs. Luta, então, contra a mãe, derrota-a e mais ao exército de D. Afonso VII, de Leão e Castela.

Obtida a vitória, está assegurado o trono de Portugal, que fica independente em 1143, quando, na Conferência de Samora, Espanha reconhece Afonso-Henriques como rei.

Afonso-Henriques é, pois, o fundador da Monarquia Portuguesa. Morreu com setenta e quatro anos, reinou quarenta e seis. Subiu ao trono seu filho D. Sancho I.

Página 3 Matérias > Português > Literatura > Trovadorismo > Trovadorismo - Conceito

A Poesia Trovadoresca, escrita em galaico-português, apresenta duas espécies: -a lírico-amorosa, expressa em dois moldes, a cantiga de amor e a cantiga de amigo;

-a satírica, expressa na cantiga de escárnio e na cantiga de maldizer.

O poema recebia o nome de "cantiga" (ou ainda de "canção" e "cantos") por associar-se à música: era cantado acompanhado de instrumento musical.

Havia o trovador (nobre que fazia trovas por imperativo da moda), o segrel, o menestrel (profissional) e o jogral (espécie de bobo da corte, que apenas executava ou interpretava as composições alheias).

Cantigas de Amor

Contêm a confissão amorosa do Poeta (trovador) a uma dama de condição social geralmente superior à dele ("domina") ou casada; portanto, inacessível.

O eu-lírico é masculino.

Originaram-se da Provença, região do sul da França, e têm como modelo a "cansó", veiculando a convenção do amor cortês - o homem coloca-se como vassalo da mulher; esconde o nome dela por detrás das expressões "mia dona", "mia senhor", e suplica por seus "favores"(retribuição do amor do "coitado").

Matérias > Português > Literatura > Trovadorismo > Trovadorismo- Termos Usados na Produção Poética Medieval file:///C|/html_10emtudo/Literatura/html_literatura_total.htm (4 of 253) [05/10/2001 2:37:06]

Disfarça-se o erotismo do apelo amoroso (coita amorosa) através da idealização da mulher (platonismo).

A primeira cantiga documentada remonta ao ano de 1189 (ou 1198), foi escrita pelo trovador Paio Soares de Taveirós e dedicada a D. Maria Pais Ribeiro, dama da corte do rei D. Sancho I. Não se conhece a pauta musical, mas o texto é o seguinte:

(Parte 1 de 11)

Comentários