Manual Informativo para Produção de Mudas em Viveiros Florestais

Manual Informativo para Produção de Mudas em Viveiros Florestais

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Manual Informativo para Produção de Mudas em Viveiros Florestais

Elaborado por:

Eng° Alexandre Luis Almeida Vilella Eng° Guilherme Amstalden Valarini

Americana 2009

Prefeitura Municipal de Piracicaba

Prefeitura Municipal de Capivari

1 INTRODUÇÃO1
1.1 Situação Atual1
1.2 As Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí2
1.3 O Consórcio PCJ3
1.3.1 O Programa de Proteção aos Mananciais6
2 IMPLANTAÇÃO E MANUTENÇÃO DE VIVEIROS FLORESTAIS7
2.1 Caracterização7
2.1.1 Condições Básicas7
2.1.1.1 Facilidade de acesso7
2.1.1.2 Orientação8
2.1.1.3 Suprimento de água e energia elétrica8
2.1.1.4 Solo8
2.1.1.5 Facilidade de obtenção da Mão de Obra8
2.1.1.6 Declividade da área9
2.1.1.7 Luz9
2.1.1.8 Topografia9
2.1.1.9 Drenagem10
2.1.1.10 Quebra-vento10
2.1.1.1 Proteção1
2.1.2 Área do Viveiro12
2.1.3 Tipos de Viveiros12
2.2 Administração e Controle13
2.3 Infraestrutura14
2.3.1 Materiais Básicos Utilizados15
2.4 Produção de Mudas16
2.4.1 Canteiros e Sementeiras16
2.4.2 Recipientes18
2.4.2.1 Escolha dos recipientes:18
2.4.3 Substratos20
2.4.3.1 Tipos de substratos usados no País20
2.4.3.2 Organismos benéficos ao substrato21
2.4.4 Micorrizas2
2.4.5 Semeadura23
2.4.5.1 Quebra de dormência de Sementes:23
2.4.5.2 Época de Semeadura26
2.4.5.3 Profundidade de Semeadura em Sementeiras26
2.4.5.4 Cobertura de Canteiros27
2.4.5.5 Abrigo de Canteiros27
2.4.6 Irrigação28
2.4.7 Repicagem28
2.4.8 Doenças29
2.4.9 Qualidade das Mudas30
2.4.10 Legislação Pertinente31
2.5 Lista de Espécies Nativas da Região Indicadas para Produção31
2.6 Produtores de Sementes31
3 BIBLIOGRAFIA34

SUMÁRIO - Anexo I – Lista de Espécies Nativas da Região Indicadas para Produção

1 INTRODUÇÃO

1.1 Situação Atual

A Mata Atlântica, que há 498 anos encheu os olhos dos portugueses tão logo aportaram no Brasil, está agonizando. Da vegetação original, que cobria 1,2 milhões de quilômetros quadrados, restam apenas 7%.

A devastação florestal preocupa brasileiros e ambientalistas do mundo todo, pois interfere na fauna, destrói espécies da flora, contribui para a poluição da água, do ar, das chuvas ácidas, do efeito estufa e a comercialização ilegal de madeiras nobres.

O Desmatamento ciliar contribui para o esgotamento das fontes de água natural prejudicando o abastecimento, deixa o solo sem proteção das raízes das árvores, impedindo a erosão.

Quando a cobertura é florestal, a chuva molha primeiro a folhagem, para depois ir lentamente chegando ao solo, penetrando gradativamente até atingir camadas mais profundas. O solo coberto com floresta garante maior permeabilidade, tornando-se capaz de absorver a água proveniente de chuvas torrenciais de verão. Já em solos desmatados, com baixa densidade de cobertura vegetal, essas chuvas alcançam rapidamente o solo, e este, por ter menor permeabilidade à água, permite que o excesso comece a escorrer pela superfície, gerando erosão e arrastando partículas de solo para o leito dos rios, processo chamado de assoreamento. O desmatamento tem como saldo um abastecimento menor dos lençóis de água, ao mesmo tempo em que acentua as enchentes, pelo escorrimento superficial com acréscimo rápido de grandes volumes de água aos leitos reduzidos pelo assoreamento.

O viveiro de mudas é um dos instrumentos, talvez o de maior importância dentro do processo de recuperação das matas ciliares, pois serve como célula reprodutora das espécies vegetais nativas da Mata Atlântica, disponibilizando uma quantidade significativa de mudas dos vários ecossistemas encontrados na região, com a finalidade de atender a demanda ambiental de uma Bacia.

1.2 As Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí

As bacias dos rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí têm 15.303 km2 que estão em sua maior parte no Estado de São Paulo (92,6%) e o restante (7,4%) no Estado de Minas Gerais. As bacias PCJ são compostas por 76 municípios dos quais 61 têm sede nas áreas de drenagem da região. Desses, 57 estão no Estado de São Paulo e 4 em Minas Gerais. Dos municípios que têm território na região PCJ e sede em outras bacias, 14 estão em São Paulo e 1 em Minas Gerais.

Com aproximadamente 5 milhões de habitantes, a região é considerada uma das mais importantes do Brasil devido ao seu desenvolvimento econômico, que representa cerca de 7% do Produto Interno Bruto (PIB) Nacional.

No entanto, a escassez dos recursos hídricos ameaça toda essa prosperidade. A produção de água durante a estiagem fica em situação crítica para o abastecimento, cuja demanda é de 14,5 m3/s para uso industrial, 9,1 m3/s para consumo rural e 17,3 m3/s para uso urbano. A situação se agrava com a reversão de 31 m³/s de água, pelo Sistema Cantareira, para o abastecimento de aproximadamente 50% da população da Região Metropolitana de São Paulo, cerca de 8,1 milhões de pessoas.

A má qualidade da água também contribui para a escassez na região das bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, que dispõem atualmente de 36% do esgoto doméstico tratado e de 75% das cargas industriais removidas. Os rios recebem uma carga remanescente de cerca de 157 tDBO/dia de esgotos domésticos e 83 tDBO/dia de efluentes industriais.

Figura 1 – Mapa de localização das bacias PCJ - Fonte: CONSÓRCIO PCJ, 2005.

1.3 O Consórcio PCJ

O Consórcio Intermunicipal das bacias Hidrográficas dos Rios Piracicaba,

Capivari e Jundiaí é uma associação civil de direito privado, sem fins lucrativos, fundado em 13 de outubro de 1989, compostos por municípios e empresas, que tem como objetivo a recuperação dos mananciais de sua área de abrangência. A base do trabalho da entidade está na conscientização de todos os setores da sociedade sobre a problemática dos recursos hídricos da região, no planejamento e no fomento as ações de recuperação dos mananciais.

O Consórcio constitui-se numa força política suprapartidária expressiva.

Devido ao pioneirismo de suas ações em gestão dos recursos hídricos, conta com grande respeitabilidade junto a opinião pública e é considerado um modelo de instituição, cuja experiência é divulgada em todo o pais e no exterior. Junto às autoridades estaduais, federais e internacionais age com o objetivo de obter os recursos financeiros para as obras de saneamento necessárias para a recuperação e preservação dos rios.

Com as prefeituras, serviços de saneamento e empresas consorciadas vem trabalhando para aumentar o tratamento de esgoto, reduzir as perdas nos sistemas de distribuição e aumentar o reuso da água. Além disso, o Consórcio vem promovendo a proteção aos mananciais através do reflorestamento ciliar, a educação ambiental, projetos de resíduos sólidos, entre outras ações. As ações da entidade estão baseadas nos seguintes programas:

Apoio aos Consorciados - auxilia os municípios na preparação de projetos e documentos exigidos pelos órgãos gestores e financiadores para obtenção de recursos necessários para a implementação de obras e ações que signifiquem melhoria na qualidade dos rios de nossas bacias hidrográficas, principalmente através de tratamento dos esgotos.

Assessoria de Comunicação Social - promove o contato de agentes externos (órgãos de imprensa, pesquisadores, estudantes) com o trabalho de conscientização, de fomento e de planejamento desenvolvido pelo Consórcio Intermunicipal das Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, visando à recuperação dos recursos hídricos. O acesso às informações sobre esse trabalho de interesse público acontece por meio de uma linguagem simples e organizada.

Combate às Perdas, Racionalização e Saneamento - objetiva o atendimento aos consorciados nessas áreas, objetivando a criação de culturas regionais de combates às perdas de água em sistemas de abastecimento público, projetos de tratamento de esgotos.

Educação Ambiental - desenvolvimento de ações que promovam a sensibilização e a conscientização dos problemas e soluções relacionados ao gerenciamento, à conservação e à proteção dos recursos hídricos e do meio ambiente.

Gerência de Parcerias - busca de sustentabilidade abertura de novas frentes de captação de recursos financeiros junto a empresas interessadas na recuperação dos recursos hídricos, na qualidade de vida e no meio ambiente da região PCJ, através do projeto Colaboradores Ambientais.

Gestão de Bacias - visa participar ativamente da construção e implantação de um sistema descentralizado de gestão dos recursos hídricos na região, com a participação dos Poderes Públicos, dos Usuários da Água e das Comunidades, proporcionando condições para os múltiplos usos dos recursos hídricos, minimizando os conflitos entre seus usuários e contribuindo para o desenvolvimento econômico regional.

Grupo das Empresas - objetiva integrar o segmento das empresas às atividades gerais do Consórcio PCJ e, quando necessário, desenvolver programas especiais, principalmente nos temas: resíduos sólidos, reuso da água e cobrança pelo uso da água. Participam também das discussões que tangem o segmento privado no Sistema de Gestão de Recursos Hídricos.

Proteção aos Mananciais - busca proteger os mananciais de abastecimento público atuais e futuros visando à garantia de água de qualidade para toda a população das bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, através do reflorestamento ciliar, produção de mudas florestais nativas para distribuição aos proprietários rurais procurando envolver a comunidade, utilizando técnicas corretas de plantio, visando à conservação do solo e minimizando a utilização de produtos químicos, aplicando os princípios do Código Florestal e da Lei de Proteção aos Mananciais do Estado de São Paulo.

Resíduos Sólidos - fomenta a conscientização e o planejamento de políticas públicas municipais e regionais de resíduos sólidos, visando o estabelecimento de um sistema integrado e participativo de gerenciamento dos resíduos sólidos nas bacias PCJ.

Sistema de Monitoramento das Águas - organiza a participação dos municípios consorciados no sistema de monitoramento das águas das bacias PCJ, fomentar ações visando à racionalização pelo uso da água e o combate ao desperdício e contribuir com o planejamento regional da região buscando a garantia futura de água em quantidade e qualidade.

Programa de Investimento - experiência de cobrança voluntária pelo uso de recursos hídricos, onde por vontade espontânea, a contribuição de investimento é efetuada por alguns consorciados, os quais repassam ao Consórcio R$ 0,01 por cada mil litros consumidos. A arrecadação e a aplicação dos recursos financeiros do Programa de Investimento sãos feitas por sub-bacias de modo a exercitar um modelo descentralizado de gestão dos recursos hídricos, de acordo com as legislações vigentes.

1.3.1 O Programa de Proteção aos Mananciais

Código Florestal e da Lei de Proteção aos Mananciais do Estado de São Paulo

O Programa de Proteção aos Mananciais foi criado em 1991 com o objetivo de proteger os mananciais de uso público atuais e futuros visando à garantia de água de qualidade para toda a população das bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, através do reflorestamento ciliar, produção de mudas florestais nativas para distribuição aos proprietários rurais procurando envolver a comunidade, utilizando técnicas corretas de plantio, visando à conservação do solo e minimizando a utilização de produtos químicos, aplicando os princípios do

O Programa de Proteção aos Mananciais já desenvolveu projetos em parceria com municípios, promotoria pública, casas de agricultura, DEPRN, Ministério do Meio Ambiente, Fundo Estadual dos Recursos Hídricos (FEHIDRO), entre outros, tendo plantado e doado aproximadamente 2 milhões de mudas florestais nativas nas bacias PCJ. Todos como experiência piloto na linha do fomento, planejamento e conscientização. O valor e amplitude de tal iniciativa é algo para avaliação das futuras gerações.

O PPM também tem fornecido assistência técnica aos municípios e as empresas consorciadas na elaboração de projetos de reflorestamento e na produção de mudas florestais. Entre outras atividades do programa estão: a realização de plantios comunitários, a apresentação de palestras e seminários, a promoção de campanhas de cadastramento de proprietários rurais para a recomposição da matas ciliares, além da participação em congressos e premiações.

Os resultados destas ações permitiram beneficiar milhões de habitantes nas

Bacias dos Rios Piracicaba, Capivari e Jundiaí, uma vez que, a medida em que se procura garantir a disponibilidade hídrica na bacia, todos os usuários são beneficiados.

No entanto, dado que o processo de preservação da qualidade/quantidade da água deve ser contínuo, particularmente quando envolve ações de reflorestamento ciliar, fica clara a necessidade de continuidade expansão das atividades, envolvendo sociedade civil e outras parcerias.

2 IMPLANTAÇÃO E MANUTENÇÃO DE VIVEIROS FLORESTAIS

2.1 Caracterização

2.1.1 Condições Básicas

Entende-se por viveiro florestal um determinado local onde são concentradas todas as atividades de produção de mudas florestais. O primeiro ponto a se considerar na implantação de um viveiro é a sua capacidade produtiva, em termos de quantidade de mudas nas diferentes épocas. Isso irá definir o tamanho e a estrutura do viveiro. Para a escolha do local onde será instalado o viveiro, deve-se levar em consideração os seguintes aspectos:

2.1.1.1 Facilidade de acesso

É necessário que o acesso possibilite o fácil trânsito de caminhões, sendo que todas as estradas deverão ser transitáveis mesmo em época de chuva. Os custos de transporte, principalmente de mudas produzidas em recipientes, são minimizados quando os viveiros situam-se a uma pequena distância da área de plantio. Longos trechos de estrada podem trazer danos à qualidade fisiológica das mudas e ocasionar perda de umidade do substrato.

Deve-se destacar áreas de face sul e dar preferência a áreas com face norte (mais quente, ensolarada e protegida).

2.1.1.3 Suprimento de água e energia elétrica

Durante todo o período, após a semeadura, há necessidade de abundância de água para irrigação. Poderão ser utilizadas águas de rios, lagos e de origem subterrânea, devendo ser evitada a introdução de algas ou sementes de ervas. A água deve estar livre de poluentes químicos e físicos. Deve haver disponibilidade para o acionamento de bomba de irrigação, iluminação e demais equipamentos do viveiro.

Dar preferência a solos leves (arenosos ou areno-argilosos), profundos e bem drenados. Deverá existir contínua vigilância e erradicação das ervas daninhas (ex: tiririca) efetuada imediatamente após o seu aparecimento, quer sejam perenes ou anuais.

2.1.1.5 Facilidade de obtenção da Mão de Obra

É indispensável que alguns funcionários morem nas imediações ou na própria área. A vigilância quanto ao aparecimento de doenças precisa ser permanente. Existem doenças cuja virulência pode ser tão intensa que provocam enormes danos em pouco tempo, principalmente em mudas recém-formadas.

2.1.1.6 Declividade da área

A declividade deve ser de 2%, no máximo, para não correr danos por erosão. É importante salientar que os canteiros devem ser instalados em nível, perpendiculares à movimentação da água. Áreas planas contribuem para o acúmulo de água da chuva, principalmente quando o percentual de argila for maior que o indicado.

Deve-se levar em consideração a necessidade de luz solar, evitando na locação do viveiro uma área inconveniente. O viveiro deve ser instalado em local totalmente ensolarado. Se houver necessidade de sombra, pode-se lançar mão de abrigos, como o sombrite. Em alguns casos, o sombreamento é necessário em certos períodos. As espécies umbrófilas exigem proteção contra a luz solar. Os raios solares concorrem para a rustificação dos tecidos, tornando as mudas mais robustas e resistentes.

Em relação à exposição solar, deve-se colocar o comprimento dos canteiros voltado para a face norte, acompanhando-os ao longo de sua extensão. Contudo, tal medida para locação dos canteiros deve ser tomada, apenas se for possível, pois existem outros critérios prioritários.

2.1.1.8 Topografia

O terreno deverá apresentar-se aplainado, recomendando-se um leve declive, favorecendo o escoamento da água, mas sem que provoque danos por erosão.

Para áreas com elevada declividade, a alternativa mais plausível é a confecção de patamares para a locação de canteiros. Os patamares devem ser levemente inclinados e devem ter dispostas ao longo de sua extremidade manilhas em forma de “U” , a fim de impedir o escoamento de água de chuvas fortes pelo talude, provocando erosão. Além disto, é aconselhável seu revestimento com gramíneas rasteiras.

A camada superficial removida deve ser reservada para aproveitamento na produção de mudas. Este substrato é mais fértil, mas pode apresentar o inconveniente de conter sementes de ervas. Neste caso, a fumigação deste material pode ser recomendável ou uso o de herbicida em aplicação préemergente.

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