Projeto Geometrico de Rodovias

Projeto Geometrico de Rodovias

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Medidas de Ângulos

Os ângulos formados por vértices consecutivos da poligonal devem ser medidos com precisão topográfica, podendo ser medido por Azimute/Rumo ou Deflexão. Vale lembrar que Azimute é o ângulo formado pela direção do norte verdadeiro ou magnético até outra direção qualquer no sentido horário; Rumo é o ângulo medido a partir da direção norte ou sul até a direção qualquer, identificado o correspondente quadrante, e ainda, Deflexão é o ângulo formado pelo prolongamento de um segmento da poligonal com o alinhamento seguinte, identificado o sentido a direita ou esquerda de medida.

b) LEVANTAMENTO ALTIMÉTRICO LONGITUDINAL: tem por finalidade determinar a altitude de todas as estacas da linha base marcada no terreno e outros pontos de interesse ao projeto como nível das margens e fundo de rios, nível de máxima enchente, nível do ponto de cruzamento de estradas, etc.

Para tanto, são necessárias a definição e identificação de um ponto de altura conhecida ou estabelecida para ser tomado como referência aos demais pontos a serem trabalhados. Estes pontos são chamados de Referência de Nível (RN), base dos nivelamentos e de grande importância para posicionamento de todos os futuros serviços rodoviários, sendo normalmente estabelecidos fora da linha poligonal. Ao longo de um projeto são fixados diversos RNs, normalmente distanciados de 500 a 1000m, dependendo das

características do terreno, sendo designados por RN0 , RN1 ,, Rnn.. Os RNs

são amarrados a poligonal através de ângulos e distâncias visando a fácil localização e, em casos extremos, a sua recuperação, lembrando que como devem ser pontos permanentes, buscamos implantá-los em locais bem escolhidos, de difícil destruição.

As altitudes dos pontos da poligonal são obtidas com base nos RNs, através de operações topográficas de Nivelamento e Contra-nivelamento com as tolerâncias normais para esses serviços.

c) LEVANTAMENTO ALTIMÉTRICO TRANSVERSAL: ou levantamento das seções transversais, tem por objetivo a determinação das alturas dos pontos de interesse localizados lateralmente a linha poligonal, numa faixa de largura variável (80 a 100m de cada lado) em função do tipo e conformação do terreno, possibilitando, no desenvolvimento do projeto, a determinação de pontos de passagem das curvas de nível de cota cheia.

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Como forma de se conhecer os diversos pontos de maneira organizada, levanta-se seções normais a poligonal em cada estaca, nivelando pontos de tais seções e determinando suas distâncias até o eixo da poligonal. Este é um trabalho basicamente topográfico, onde são adotados a metodologia e equipamentos apropriados.

d) DESENHOS: Com base nos levantamentos executados e expressos pelas cadernetas de campo devidamente conferidas, passa-se a composição da representação gráfica cujo objetivo é desenhar a planta detalhada da área levantada com a representação do relevo do solo através das curvas de nível, sendo base para o projeto da estrada pretendida.

As escalas normais de desenho a partir desta fase são:

Horizontal - 1:2.0 Vertical - 1:200 Seção Transversal - 1:100

O desenho é feito em papel canson ou vegetal, subdividido em pranchas de 0,60 x 0,90m, em disposição conveniente de forma que se unindo as pranchas previamente marcadas, com os devidos cuidados, têm-se a chamada Tripa ou Papagaio, a qual permite uma vista global do projeto.

Para confecção do desenho propriamente dito, estuda-se a disposição mais adequada para marcação do ponto 0=P e com a direção inicial correspondente, traça-se o primeiro segmento da poligonal a partir do qual define-se os demais alinhamentos que comporão a poligonal, segundo as correspondentes direções, a direita e a esquerda, dada pelas deflexões medidas em campo.

Importância deve ser dada a representação destes ângulos, uma vez que, em função da baixíssima precisão, não se deve construir o ângulo com o auxílio de transferidor; para execução de forma mais precisa é empregado o PROCESSO DAS COORDENADAS DOS VÉRTICES para a representação das DEFLEXÕES.

De grande precisão, o PROCESSO DAS COORDENADAS DOS

VÉRTICES consiste no cálculo das coordenadas dos vértices através da organização de uma planilha visando maior facilidade e confiabilidade de trabalho. A partir do rumo inicial da poligonal, seus alinhamentos e deflexões e, ainda, considerando um sistema de coordenadas cartesianas onde o eixo Y coincide com a direção Norte, pode-se projetar tais alinhamentos nos eixos ortogonais somando-se tais projeções as coordenadas do ponto anterior para obter-se as coordenadas do ponto seguinte.

Assim, como exemplo, tenhamos um ponto de coordenadas conhecidas, rumo inicial, extensão de um primeiro segmento, deflexão e extensão de um segundo segmento da poligonal (Figura 1.1).

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Figura 1.1: Processo das coordenadas dos vértices

Sejam XA e YA = coordenadas conhecidas do ponto A ρAB = rumo do lado AB ΦBC = deflexão entre lado AB e BC DAB = distância entre A e B DBC = distância entre B e C

O rumo ρBC é calculado porρBC = ρAB - ΦBC

As projeções são calculadas através das seguintes expressões genéricas, considerando-se seus sinais algébricos:

x = D * senρ y = D * cosρ

Assim teremos as projeções:

xBC = DBC * senρ BCyBC = DBC * cosρ BC

xAB = DAB * senρ AB yAB = DAB * cosρ AB As coordenadas dos pontos B e C serão

XB = XA + xABYB = YA + yAB
XC = XB + xBCYC = YB + yBC

yAB xAB A xBC yBC C ρBC

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Quando conhecidas as coordenadas dos pontos, a distancia DAB é estabelecida através da expressão:

Marcando-se estas coordenadas graficamente e unindo-as, teremos os alinhamentos e conseqüentemente os ângulos representados de forma bastante precisa.

Ainda nesta fase de desenho, devem ser representados o perfil longitudinal e as seções transversais donde, por interpolação são determinados os pontos de cota cheia que serão devidamente plotados em planta e que orientarão a confecção das curvas de nível.

Para conclusão do desenho nesta fase, alguns detalhes de acabamento devem ser adotados para melhor apresentação do resultado. Este acabamento consiste em:

a) marcar as posições das estacas inteiras e intermediárias e numerar aquelas múltiplas de 10 e indicar com o número constante 5 todas aquelas restantes múltiplas de 5, diferenciando cada situação através da variação do tamanho dos traços indicativos; b) representar os detalhes planimétricos indicados nas cadernetas de campo, tais como divisas legais, cercas, construções, estradas, rios, etc.

c) traçar as seções transversais ao alinhamento; d) representar adequadamente as curvas de nível, identificando as cotas de referência.

Planimetria: - deverão ser cadastrados os alinhamentos prediais, divisas, entradas, de garagens, diâmetro das árvores, diâmetro dos postes de iluminação, meio fio, bueiros, galerias, valas, fundos de vale, caixas de inspeção (Energia Elétrica, Água e Esgoto, Telefonia, etc...), as ruas constantes do LOTE ao longo dos seus respectivos trechos em 30 metros à esquerda e a direita das vias transversais O cadastro deverá estar referenciado a uma poligonal fechada, tendo como orientação o Norte Magnético.

Altimetria: - deverá conter levantamento do perfil longitudinal do eixo das ruas em todos os seus respectivos trechos, bem como numa extensão de 30 metros à esquerda e à direita dos eixos das vias transversais, incluindo também pontos de nivelamento das entradas de garagens, caixas de inspeção e extremidades de galerias.

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A referência de nível será feita através de marco oficial e deverão ser implantadas novas RNs próximas ao início e fim do levantamento, em lugar protegido.

Nos casos em que houver fundos de vale que cruzem a via e se for necessária a execução de galeria celular, o levantamento deverá ser feito 10 metros à jusante e à montante ao longo do eixo do fundo de vale.

Deverão ser fornecidas cópias de todas as anotações de campo, tanto planimétricas quanto altimétricas, cópias dos cálculos planimétricos (coordenadas da poligonal e dos pontos cadastrados) e altimétricos (implantação da RN e nivelamento do eixo).

Escalas: Planimétrica: 1:500

1:100 (vertical)

Altimétrica: 1:500 (horizontal)

1.2.3 PROJETO DA EXPLORAÇÃO

Com o resultado da exploração tem-se um conhecimento detalhado de toda área por onde se pretende definir o melhor projeto para a futura estrada.

Além das condições do terreno, o projetista precisa ser orientado sob as pretensas condições da estrada, bem como estimativas de custo para comparações; essas condições são expressas pelas características técnicas fixadas para estrada através das Instruções de Serviço emitidas pelo contratante do projeto.

As Características Técnicas constituem um bloco de parâmetros estabelecidos e harmoniosamente combinados, que nortearão todo o projeto e estão definidos em função da CLASSE DA RODOVIA OU VIA URBANA..

Esses parâmetros têm por base a conformação do terreno (plano, ondulado, montanhoso), tráfego, velocidade diretriz e características geométricas.

Alguns dos principais elementos intrínsecos à CLASSE DA VIA são:

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• raio mínimo das curvas de concordância vertical; • taxa de declividade máxima;

• extensão máxima de rampa com declividade máxima;

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