Peixes do rio Paranapanema

Peixes do rio Paranapanema

(Parte 1 de 7)

Características As espécies

Paranapanema

Ambientes Métodos de amostragem

O rio Peixes do rio

Reservatórios ediçãO RevisAdA e AMPliAdA

Peixes do rio Paranapanema

Estação de Hidrobiologia e Aqüicultura de Salto Grande 18

Coordenação editorial: Peter Milko Editora executiva: Martha San Juan

Editora de arte e projeto gráfi co: Walkyria Garotti

Editora assistente: Flávia Pegorin Produtora editorial: Elisa Rojas

Diagramação: Gilda Lima e Gabriela Guenther

Ilustrações: Hiroe Sasaki

Produção Gráfi ca: Mauro de Melo Jucá

Bureau: Augusto & Associados Impressão: Cromosete

Todos os direitos reservados. Nenhuma parte dessa publicação pode ser reproduzida ou transmitida através de qualquer meio sem a permissão por escrito da Audichromo Editora Ltda.

Peixes do rio Paranapanema Copyright© das ilustrações: Editora Horizonte, 2003 e 2008

Editora Horizonte

Av. Arruda Botelho, 684, 5º andar CEP 05466-0, São Paulo, SP, Brasil Tel. (1) 3022-59 – Fax (1) 3022-3751

E-mail: horizonte@horizontegeografi co.com.br w.horizontegeografi co.com.br

Todas as informações contidas neste guia foram obtidas até fevereiro de 2008.

Sumário O rio Paranapanema 8

Reservatórios 14

Ambientes 2 Métodos de amostragem 24

As espécies 26 Características 34

Índice remissivo 114 Glossário 118 Bibliografi a 119

Coodenação, supervisão técnica e fotos: Sandro G. C. Britto

Coletas de campo: Rodolfo N. Sirol, Norberto C. Vianna, Mauro Silva Jardim, João Carlos dos Santos e Edmilson Pelisari

Peixes do rio Paranapanema

Copyright© da edição: Duke Energy International Geração Paranapanema, 2003. Todos os direitos reservados.

Duke Energy International Geração Paranapanema

Av. das Nações Unidas, 12901 - 30º andar

CEP 04578-0 - São Paulo - SP Tel. (1) 5501-3400 w.duke-energy.com.br

Estação de Hidrobiologia e Aqüicultura de Salto Grande

O Paranapanema, berço de várias espécies de peixes

Este catálogo destina-se a apresentar as espécies de peixes identificadas para a bacia do rio Paranapanema, pretendendo também servir de guia para as pessoas que, de uma forma ou de outra, apreciam esse grupo animal. O catálogo foi confeccionado a partir de peixes coletados ao longo da bacia, na implementação de estudos visando conhecer a composição, distribuição, biologia e relações dessas espécies. Os exemplares estão depositados na coleção de referência do Muzeu de Zoologia da Universidade Estadual de Londrina. Também foram utilizados os dados de estudos implementados na bacia do Paranapanema pelo Projeto Biota – FAPESP, e de estudos efetuados na bacia do rio Tibagi, pela Universidade Estadual de Londrina, através dos artigos publicados. Os estudos revestem-se de especial interesse, pois o rio Paranapanema apresenta, ao longo de sua extensão,1 aproveitamentos hidrelétricos instalados e está inserido em uma das regiões mais desenvolvidas do país. Apesar disso, se comparado a outros rios que compõem a bacia do rio Paraná, ainda é um dos menos conhecidos quanto à sua fauna de peixes.

Prefácio

T O: Pe

Ter Milk

O catálogo deverá ajudar no reconhecimento das espécies do rio Ninguém contesta a riqueza da ictiofauna brasileira.

Na foz de um único rio de porte médio de qualquer uma das grandes bacias fluviais do Brasil pode ser encontrado um número de espécies de peixes maior que aquele encontrado em toda a Europa. Por isso, o número de publicações que tratam do assunto sistemática e identificação de peixes brasileiros pode ser considerado pequeno.

Juntos, os Estados de São Paulo, Minas Gerais e Paraná somam 40 grandes hidrelétricas que alagam uma área superior a um milhão e duzentos mil hectares. A organização deste complexo gerador de energia foi imperiosa e absolutamente necessária. Mas, ao mesmo tempo, é absolutamente incontestável admitir que o barramento dos rios com fins hidrelétricos descaracterizou províncias faunísticas, ameaçando a conservação e a biodiversidade da ictiofauna das várias regiões brasileiras, em particular do Sul e Sudeste. Desta forma, cada artigo, cada livro, cada lista, cada chave de classificação, cada manual de identificação, cada catálogo de espécies das regiões Sul e Sudeste publicado reveste-se de valor cada vez mais inestimável.

Em relação aos trabalhos recentes de catalogação de peixes das áreas de influências de usinas hidrelétricas, merecem destaque o Guia Ilustrado de Peixes da Bacia do Rio Grande (Vaz, Torquato e Barbosa; CEMIG, 2000); e os capítulos liderados por A.A. Agostinho que tratam da ictiofauna do rio Paraná, especialmente na área de influência da UHE Itaipu, inseridos nos livros A Planície de Inundação do Alto Rio Paraná (Vazzoler, Agostinho e Hahn; NUPELIA, 1997) e Estudos Ecológicos de Comunidades de Peixes Tropicais (McConnel; EDUSP, 1999). A publicação deste Catálogo de Peixes do Paranapanema, organizado pelo biólogo Sandro Britto sob os auspícios da Duke Energy, não poderia ser mais oportuna, não somente pelos motivos já comentados, mas também pelo fato de a bacia do rio Paranapanema constituir-se uma das regiões mais bem preservadas, onde os danos, os impactos antrópicos sobre a ictiofauna ainda não assumem proporções mais sérias. Mais que uma realização, a dedicação e a competência dos organizadores e o apoio da empresa à publicação deste manual são sérios exemplos a serem seguidos. Em nome desta e das futuras gerações, sinceras congratulações e muito obrigado.

Prof. Dr. José Eurico P. Cyrino do Departamento de Produção Animal da Escola Superior de Agricultura “Luiz de Queiroz (ESALQ/USP)

Apresentação

O Rio Paranapanema

O curso d’água que percorre 930 quilômetros entre São Paulo e Paraná guarda riquezas variadas em seu leito

Um dos importantes afluentes da margem esquerda do rio Paraná, o rio Paranapanema nasce na vertente ocidental da Serra da Paranapiacaba, no município de Capão Bonito, Estado de São Paulo, e está inserido na bacia do Alto Paraná. O rio possui uma extensão de aproximadamente 930 quilômetros – dos quais cerca de 330 quilômetros formam a divisa natural entre os Estados de São Paulo e Paraná a partir da foz do rio Itararé na parte superior de seu curso. Ao longo de sua extensão, com orientação geral leste-oeste, o rio Paranapanema possui um desnível aproximado de 600 metros. Por causa disso e de sua localização, o aproveitamento do Paranapanema para geração de energia hidrelétrica iniciou-se em 1936, com a construção da pequena usina Paranapanema, no médio curso do rio.

Esses reservatórios podem ser classificados em dois tipos básicos, segundo suas características e formas de operação, influindo diretamente na qualidade da água e a concomitante distribuição da vida aquática, inclusive a fauna de peixes.

a. Reservatórios de acumulação Em geral, possuem maior profundidade e amplas áreas alagadas, podendo apresentar variações de nível da água (cotas altimétricas) bastante acentuadas. A água do reservatório demora longo período (podem ser alguns meses) até sua renovação completa – ou seja, um grande tempo de residência. Nessa categoria estão as usinas Jurumirim, Chavantes e Capivara.

b. Reservatórios fio d’água Em geral, possuem áreas alagadas e profundidade moderada, além de baixo tempo de residência da água no reservatório (de alguns dias ou poucas semanas até renovação completa). Dessa categoria fazem parte todas as demais hidrelétricas do

Paranapanema.Aproveitamento: o rio conta com onze usinas hidrelétricas atualmente

Percurso acidentado: o desnível do curso faz surgir muitas cachoeiras

Atualmente, o Paranapanema conta com onze usinas em operação, o que transformou seu curso original em uma sucessão de reservatórios justapostos. As usinas são:

1. Jurumirim; 2. Piraju; 3. Paranapanema; 4. Chavantes; 5. Ourinhos; 6. Salto Grande; 7. Canoas I; 8. Canoas I; 9. Capivara; 10. Taquaruçu e 1. Rosana

O rio Paranapanema

O rio Paranapanema

Como se apresenta o perfil do Paranapanema Corte longitudinal sem escala

Jurumirim

Localização: 49013’W e 23010’S Altitude: 568,00m Superfície: 546 km2 Área de drenagem: 17.800 km2 Formação: 1962

Perímetro: 1.286 km Tributários principais: rios Itapetininga, Apiaí e Taquari Potência: 98 MW

Salto Grande

Canoas I

UHE Armando Avellanal Laydner

Localização: 49013’W e 23010’S Altitude: 384,67m Superfície: 12,2 km2 Área de drenagem: 38.765 km2 Formação: 1958

Perímetro: 81 km Tributários principais: rios Pardo e Novo Potência: 74 MW

Localização: 50015’W e 22056’S Altitude: 366,00m Área de drenagem: 39.556 km2 Formação: 1998

Perímetro: 98,8 km Tributários principais: ribeirão Alambari Potência: 72 MW

Chavantes

Localização: 49045’W e 23005’S Altitude: 474,00m Superfície: 400,3 km2 Área de drenagem: 27.500 km2 Formação: 1970

Perímetro: 1.085 km Tributários principais: rios Verde e Itararé Potência: 414 MW

UHE Chavantes

Reservatórios UHE Lucas Nogueira Garcez

UHE Canoas I

Reservatórios Canoas I

Capivara

Localização: 50031’W e 22056’S Altitude: 351,00m Área de drenagem: 40.920 km2 Formação: 1998

Perímetro: 120,3 km Tributários principais: rio Pari, ribeirão Queixada Potência: 81 MW

Localização: 51022’W e 22032’S Altitude: 334,0 m Superfície: 515 km2 Área de drenagem: 84.500 km2 Formação: 1975

Perímetro: 1.550 km Tributários principais: rios Tibagi, Capivara e Cinzas Potência: 619 MW

UHE Canoas I UHE Escola Engenharia Mackenzie

Taquaruçu

Rosana

Localização: 52001’W e 22032’S Altitude: 284,0 m Superfície: 105,5 km2 Área de drenagem: 8.0 km2 Formação: 1992

Perímetro: 301 km Tributários principais: rios Anhumas, Santo Inácio e Capim Potência: 526 MW

Localização: 52054’W e 22033’S Altitude: 258,00m Área de drenagem: 9.0 km2 Formação: 1986

Perímetro: 433 km Tributários principais: rios Pirapó e Pirapozinho Potência: 353 MW

UHE Escola Politécnica UHE Rosana

O programa de Manejo Pesqueiro da Duke Energy tem como principal foco de atuação manter o equilíbrio do ecossistema e preservar a biodiversidade e a riqueza da fauna aquática do rio Paranapanema. Iniciado em 2001, anualmente promove a soltura de 1,5 milhão de peixes na bacia. O programa serve como referência para outras ações do gênero em todo o Brasil.

Como conseqüência muito positiva desse trabalho, são criadas condições para o desenvolvimento das comunidades regionais através da pesca profi ssional e esportiva, conscientizando seus habitantes quanto ao controle da poluição do rio e respeito à piracema.

As espécies de trabalho – piracanjuba, pacu, dourado, curimbatá, piapara e piava-três-pintas – são criadas na Estação de Hidrobiologia e Aqüicultura de Salto Grande, num promissor convênio entre a Duke Energy e as Faculdades Luiz Meneghel (FALM) para pesquisa e desenvolvimento em aqüicultura. Nesse convênio, fi rmado em 2007, a instituição de ensino superior passou a administrar e operar as instalações da Estação de Hidrobiologia e Aqüicultura de Salto Grande por um período mínimo de quatro anos.

Importantes linhas de pesquisa associadas ao programa – que prevêem monitoramento genético, migratório e também a classifi cação das espécies – também são realizadas em parceria com a Universidade Estadual Paulista (UNESP) de Botucatu, Universidade Estadual de Londrina (UEL) e Universidade Estadual de Maringá (UEM).

Estação de Hidrobiologia e Aqüicultura de Salto Grande

Nesse local, são reproduzidos os peixes para o programa de Manejo Pesqueiro da Duke Energy, em parceria com as Faculdades Luiz Meneghel (FALM)

O processo começa com as matrizes que a Duke Energy mantém em cativeiro – são os peixes reprodutores. Essas matrizes têm alta variabilidade genética, de modo a preservar a variedade de cada espécie. Essa variabilidade aumenta a capacidade de resistência da espécie, sendo garantida com uma constante análise dos padrões de DNA dos peixes.

Como funciona a reprodução e soltura de peixes

Para começar, é importante saber quais são as espécies utilizadas no repovoamento:

Essas espécies são selecionadas porque desempenham importantes funções ecológicas no ecossistema do rio Paranapanema, destacando-se: • manutenção das populações naturais;

• inter-relações presa/predador;

• exploração de hábitats e de fontes de alimento.

Além disso, as espécies são muito atraentes para a pesca esportiva, apresentam bom rendimento para a pesca profi ssional e são bastante apreciadas pela culinária tradicional. O repovoamento ajuda também a preservar a cultura da população.

• piracanjuba • pacu

• dourado

• curimbatá

• piapara

• piava-três-pintas

Essas espécies são selecionadas porque desempenham

Vista aérea parcial da Estação de Hidrobiologia e Aqüicultura da Duke Energy na usina Salto Grande. Com 2 mil metros quadrados de área, possui laboratórios para análises da água e reprodução de peixes, tanques de larvicultura e 53 tanques de alevinagem e estocagem de peixes reprodutores.

T OS: divulgaçã

Após a indução por meio de injeções contendo hormônios sexuais nas matrizes, é estimulada a desova e fertilização das espécies.

O processo de desova é natural, em tanques circulares que imitam as condições encontradas pelos peixes na natureza. Nesses tanques, o macho libera o sêmen que entra em contato com as ovas das fêmeas, iniciando o ciclo de reprodução.

Depois de fecundadas, as ovas são transferidas para tanques de incubação, até eclodirem e crescerem por cerca de 10 dias, quando completam o estágio de larva, ainda sem capacidade de nadar.

Após obter a capacidade de nadar livremente, as larvas, agora chamadas de alevinos, passam para os tanques de alevinagem nos quais terão tempo para se desenvolver.

Ao atingir a fase de juvenis (a fase “adolescente”), os peixes estão prontos para soltura no rio. Todo esse período de reprodução e crescimento deve coincidir com o da piracema, de modo que os peixes sejam soltos no rio em iguais condições aos demais habitantes já presentes no habitat natural.

O transporte dos juvenis, da estação para o rio, é uma etapa fundamental para o sucesso do repovoamento. Eles viajam sob efeito de anestésico e são acondicionados em caixas com isolamento térmico e um sistema de quebra-ondas interno que evita choques mecânicos – e diminui o stress. Assim, a Duke Energy transporta os peixes com índice de 100% de sobrevivência!

Antes da soltura, é feita a troca gradual da água dos tanques de transporte, injetando água do rio. Além de eliminar o efeito anestésico, o procedimento coloca os peixes em contato gradativo com a composição da água onde passarão a viver. Quando se encerra esse processo, inicia-se a soltura.

Os pontos de soltura são locais estratégicos. Procuram-se pontos com menores riscos causados pela presença de predadores (inclusive o homem) e com boa disponibilidade de abrigo e de alimentos.

Ambientes

Corpos d’água de pequeno porte, em geral situados nas áreas mais externas e mais altas da bacia. São formadores dos ribeirões e rios que drenam para o corpo principal, o rio Paranapanema.

Riachos

Corpos d’água de médio e grande porte, formados por riachos e ribeirões, contribuindo diretamente para formação do Paranapanema.

Rios

São mecanismos de passagens para peixes durante as migrações reprodutivas, permitindo a transposição através das barragens. No Paranapanema, foram instaladas nas usinas de Canoas I e Canoas I.

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