Logística no canteiro de obra

Logística no canteiro de obra

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Milena Andrade Cavalcante1 Rosana Leal Simões de Freitas2

Resumo

Este estudo de caso de tema, “Logística no Canteiro de Obra”, foi desenvolvido após a percepção empírica da necessidade dos empreendedores, de definirem procedimentos que facilitem a gestão das operações dentro do canteiro de obra. Para concretização desta gestão, deverá existir a elaboração de um projeto de canteiro juntamente com um planejamento das ações a serem executadas visando sua eficiência, assim como o atendimento à norma, NR-18. A metodologia aplicada neste artigo, no que se refere a procedimentos técnicos, consiste basicamente em pesquisas bibliográficas, que por sua vez demonstram a real contribuição deste assunto para construção civil. Os projetos específicos para cada canteiro de obra representam os benefícios característicos do desempenho da atividade logística aplicado na obra. Com esta investigação verificou-se que sem um estudo preliminar da logística no canteiro, torna-se complicada a realização da obra sem ocorrências de problemas e cumprimento do prazo de entrega.

Palavras-chave: Logística. Canteiro de Obra. Gestão de Obras. Planejamento.

1 INTRODUÇÃO

O presente estudo de caso objetivou mostrar os benefícios do estudo logístico em um empreendimento, sua importância e a ênfase que deve ser dada ao projeto do canteiro e seu respectivo layout, bem como as suas necessidades de implantação e comprovação de resultados eficientes no ramo da engenharia. Para tanto o questionamento norteado foi descobrir a importância do estudo logístico em uma obra, tendo seus pressupostos refletidos nos melhoramentos como organização e redução dos deslocamentos desnecessários de material e mão de obra.

Durante muito tempo, a logística esteve associada apenas às atividades militares. As guerras eram bastante longas e nem sempre ocorriam próximo de onde estavam as pessoas.

Por isso, eram necessários grandes deslocamentos, além de exigir que as tropas carregassem tudo o que iriam necessitar. Para deslocar os carros de guerra, os grandes grupos de soldados e os armamentos pesados aos locais de combate, era necessário ter uma organização logística. Está por sua vez, envolvia a preparação dos soldados, o transporte, a armazenagem e a distribuição de alimentos, munição e armas, entre outras atividades que pudessem suprir suas necessidades.

De origem francesa, o termo logística, surgiu da precisão militar em abastecer tropas que se moviam da sua base à uma posição mais avançada. Para os dias atuais, esse conceito

1 Graduando o último semestre em Engenharia Civil pela Universidade Católica do Salvador. E-mail: midraca@hotmail.com. 2 Professora Rosana Leal Simões de Freitas graduada em Engenharia Civil pela UFBA – Universidade Federal da Bahia, especialista em Administração e mestra em Análise Regional, leciona as disciplinas Logística no Canteiro de Obras – MBA Qualidade das Construções (UNIFACS), Administração Aplicada à Produção, Administração de Materiais, Administração de Recursos Humanos, Planejamento e controle de Obras no Curso de Engenharia de Produção Civil da UNEB; e-mail: rosleal.almox@uol.com.br tem um foco voltado à crescente complexidade encontrada nos negócios na gestão de materiais e entregas de produtos em uma cadeia de suprimentos cada vez mais global, onde requer profissionais cada vez mais especializados. (BALLOU, 2006)

Atualmente, a logística é reconhecida como o processo de planejar, implementar e controlar, de forma eficiente e econômica, o fluxo de informações correspondentes a todo o sistema desde a origem ao destino final, objetivando também o atendimento às necessidades dos clientes. (COUNCIL OF LOGISTIC MANAGEMENT, 1998). Abrange uma área da gestão responsável não só pelo planejamento, mas também pela otimização das informações ligadas a execução de todas as atividades dentro de uma empresa, para este caso especifico, dentro do canteiro de obra.

Independente do segmento de atuação da empresa é inegável a importância do processo logístico como elemento associado à produtividade e lucratividade. Na construção civil, está influência muitas vezes não é encarada como fator determinante, entretanto, a sua importância é inegável. Devendo ser inaceitável o elevado nível de prejuízos decorrentes de problemas que se manifestam nas obras. Antes de iniciar a obra propriamente dita, é recomendável fazer um estudo do canteiro de obra, onde deverá ser definida a estratégia logística, determinando a localização de cada elemento, aproveitando o espaço e otimizando os deslocamentos no canteiro. A gestão logística gerencia e supervisiona todas as atividades envolvidas na movimentação de bens como o transporte de materiais, pessoas e recursos para o lugar certo no momento certo, por conta disso, é considerada como a arte de administrar o fluxo de materiais e produtos da fonte até os usuários. (BALLOU, 2003). A eficiência da gestão logística, apresenta-se como umas das necessidades básicas do setor da construção civil brasileira.

Este artigo apresenta as evidências do estudo de caso de um empreendimento no qual o processo logístico está sendo aprimorado, visando a otimização da produção, a redução de perdas de materiais, a eficiência de mão de obra e a movimentação de materiais (na utilização racional de equipamentos). As ações evidenciadas visam a redução nos custos de produção do empreendimento, tornando a empresa mais competitiva no mercado imobiliário. A obra escolhida, para ser realizado o estudo de caso, é o Edf. Life Privilége Itaigara, localizada no bairro do Itaigara, na cidade de Salvador-BA, executada pela Macro Construtora.

2 A LOGÍSTICA

Na construção, a logística trata de um processo multidisciplinar aplicado nas obras que visam garantir a aquisição do armazenamento, o processamento e disponibilização de recursos e materiais nas frentes de trabalho, bem como o dimensionamento das equipes de produção e a gestão dos fluxos físicos. Tal processo ocorre através das atividades de planejamento, organização, direção e controle, tendo como principal suporte o fluxo de informações, antes e durante o processo produtivo. (SILVA; CARDOSO, 1998)

As normas regulamentadoras NR-18 (Condições e Meio Ambiente de Trabalho na Indústria da Construção) e NR-12284 (Áreas de Vivência em Canteiros de Obras), conceituam respectivamente canteiro de obra como a área de trabalho fixa e temporária, onde se desenvolvem operações de apoio e execução de uma obra, e canteiro de obra como um conjunto de áreas destinadas à execução e apoio dos trabalhos da indústria da construção, dividindo-se em áreas de vivência.

A logística no canteiro de obra nada mais é do que a adequação dos conceitos da logística aplicada dentro do canteiro de obra. Para que isso aconteça deve existir um estudo que vai definir a estratégia para implantação do empreendimento, focando também o canteiro, para que se possa planejar antecipadamente as condições mais apropriadas de entrada e saída de materiais e mão de obra, assim como as escolhas dos equipamentos a serem utilizados e seus posicionamentos.

Existe uma divisão da logística que permite ser aplicada às empresas e a identificar com maior clareza as principais atividades associadas à logística em uma obra. Desde modo, fica dividida em logística de suprimentos (externa) e logística de canteiro (interna). A logística de suprimentos trata do fornecimento dos recursos materiais e humanos necessários à produção, destacam as atividades de planejamento e processamento das aquisições, a gestão de fornecedores, o transporte dos recursos até a obra e a manutenção dos recursos de materiais previstos no planejamento. Já a logística de canteiro, trata da gestão dos fluxos físicos e dos fluxos de informações associados à execução de atividades no canteiro, suas atividades estão relacionadas a gestão dos fluxos físicos ligados a execução (planejamento detalhado dos fluxos de execução dos serviços e dos seus mecanismos de controle), a gestão da interface entre os agentes que interagem no processo de produção (informações e interferência entre os serviços) e gestão física da praça de trabalho (implantação do canteiro, movimentação interna, zonas de estocagem, zonas de pré-fabricação e atendimento aos requisitos de segurança). (CARDOSO, 1996)

Segundo Ferreira (1998), a produção da obra esta diretamente ligada ao projeto do canteiro, que é o serviço integrante do processo de construção responsável pela definição do tamanho, forma e localização das áreas de trabalho, fixas e temporárias, das vias de circulação, onde se faz necessário o desenvolvimento das operações de apoio e execução, durante cada fase da obra, de forma integrada e evolutiva, de acordo com o projeto de produção do empreendimento, oferecendo condições de segurança, saúde e motivação aos trabalhadores e permitindo a execução racionalizada dos serviços. O processo de planejamento do canteiro visa obter a melhor utilização do espaço físico disponível, de forma a possibilitar que homens e máquinas trabalhem com maior segurança e eficiência, principalmente através da minimização das movimentações de materiais e mão-de- obra. O planejamento do canteiro deve ser realizado através de um procedimento sistematizado, onde envolve a análise preliminar, que vai coletar os dados das necessidades do canteiro, das informações sobre o terreno e do entorno da obra, principalmente as definições técnicas da obra e os cronogramas a serem cumpridos. (SAURIM; FORMOSO, 2006). Seja qual for o sistema utilizado, deve levar em consideração os custos de aquisição, custos de implantação, custos de manutenção, reaproveitamento, durabilidade, facilidade de montagem e desmontagem, isolamento térmico e impacto visual. (GIONGO, 2008). Vale ressaltar que a importância de cada critério é variável conforme as necessidades da obra.

Toda obra passa por etapas a serem executadas até que elas assumam características e formas específicas daquela atividade, enquanto isso ocorre é possível que o canteiro de obra se torne mutável com o decorrer da obra. Por isso, classifica-se o canteiro de obra como inicial, onde envolve as dificuldades da locação das instalações provisórias e o estabelecimento de áreas para carga e descarga dos materiais; como oferecedor de risco máximo aos operários devido ao layout não comportar as necessidades dos operários, tendo que ser ampliado ou transferido de local; e por último, o encerramento da obra, onde as instalações provisórias deverão ser transferidas para áreas já finalizadas da obra para dar início aos serviços de acabamento. (FELIX, 2000)

Reforçando esse pensamento, Souza (2000) afirma que: “Não há sentido em se falar em qualidade na obra ou produtividade no processo construtivo quando não se tem planejado o local onde os serviços de construção acontecem.”

Entretanto, o planejamento do canteiro, em particular, tem sido um dos aspectos mais negligenciados na indústria da construção, sendo que as decisões são tomadas à proporção que os problemas surgem no decorrer da execução. (HANDA,1988). Em conseqüência, os canteiros de obras muitas vezes deixam a desejar em termos de organização e segurança, tornando-se visível a necessidade dos empreendedores do ramo da construção civil, em comprometerem-se com a melhoria contínua dos processos construtivos e com ações gerenciais que refletem claramente nos canteiros de obras.

O estudo realizado por Vieira (2006), constata que nem todas as empresas investem no canteiro de obra, ou seja, no planejamento antecipado do layout, e por conta disso, observa-se, elevados índices de desperdícios, diversas improvisações e um alto nível de exigência do mercado consumidor paralelo ao crescimento da competitividade. Por conta disso, faz-se necessário, buscar a conscientização e a implantação da gestão logística como fator determinante para alcançar a eficiência produtiva. Sendo assim, as empresas precisam definir uma política bem consolidada sobre a logística, de forma que essa atenda plenamente às necessidades dos empreendedores (clientes) tanto na qualidade como no preço. Por isso as empresas que se preocupam com sua imagem no mercado de trabalho, com o seu diferencial em organização e cumprimento de prazos, investem nas consultorias das empresas especializadas em planejamento.

No caso do planejamento das instalações dos canteiros de obras de edificações, observa-se uma ausência de critérios e bases teóricas para a sua realização, o que acarreta diversos problemas que interferem no processo produtivo. Embora muitas das deficiências identificadas nos canteiros de obras apresentarem a origem em etapas anteriores do empreendimento, tais como a falta de compatibilização de projetos e de procedimentos de execução dos serviços. Um grande potencial de melhorias no canteiro está no planejamento do layout de um canteiro de obra, visando obter a melhor utilização do espaço disponível, locando ou arranjando operários, materiais e equipamentos, de forma que sejam criadas condições propícias para a realização de processos com eficiência, através de mudanças no seqüenciamento de atividades, da redução de distâncias e tempos de deslocamentos, além da melhor preparação dos postos estratégicos de trabalho. (ELIAS; LEITE; SILVA; LOPES)

Tommelein (1992), considera que apesar de as vantagens operacionais e econômicas de um eficiente planejamento do canteiro serem mais óbvias em empreendimentos de maior porte e complexidade, tornan-se ponto pacífico, um estudo criterioso do layout e da logística do canteiro onde deve estar entre as primeiras ações para que sejam bem aproveitados todos os recursos materiais e humanos empregados na obra, qualquer que seja seu porte. Embora seja reconhecido que o planejamento do canteiro desempenha um papel fundamental na eficiência das operações, cumprimento de prazos, custos e qualidade da construção, os gerentes/empreendedores geralmente aprendem a realizar tal atividade somente através da tentativa de erro, ao longo de muitos anos de trabalho.

Embora, com a implantação dos sistemas de qualidade, as condições de organização do canteiro de obras têm sido melhoradas. Entretanto, um exemplo clássico encontrado são as definições das áreas de armazenamento realizadas sem a compatibilização entre o espaço disponível e volumes armazenados, obrigando mudanças freqüentes ou utilização de diversas áreas para abrigar os materiais, dificultando assim os controles e comprometendo a integridade dos produtos. (FARAH, 1996) Assim como o mercado da construção civil, a área de logística encontra-se em rápida expansão, sendo inúmeras as oportunidades de contratação de pessoal. Os gestores das construtoras estão buscando profissionais especializados nessa área, visando a implantação de métodos e ferramentas voltadas para as atividades logísticas. O objetivo é a racionalização de processos, a ampliação da produtividade e competitividade garantindo um melhor desempenho profissional.

É comum as grandes empresas, terem o objetivo de evitar perda de material, de tempo e de recursos financeiros, por conta disso a logística trata do planejamento, controle e realização de outras tarefas associadas a armazenagem, transportes e distribuição de bens e materiais, enfrentando grandes desafios, como por exemplo, executar cronogramas com a entrega das obras nos menores prazos possíveis.

A logística articula estratégias que se convertem em vantagens para a obra, como o acesso facilitado aos materiais, redução dos transportes e deslocamentos dentro do canteiro, aumento de produtividade, diminuição de desperdícios e gastos desnecessários. (JORNAL EDIFICAR NOTÍCIAS, 2008)

Com relação às perdas financeiras, são indicadas variações de 3% a 8% do custo de construção, entretanto, com relação às perdas físicas (diferença entre a quantidade de material previsto em orçamento e de fato usado na obra), os números são bastantes elevados, como por exemplo: 56% de cimento, 4% de areia, 30% de gesso, 27% de condutores e 15% de tubos de PVC e eletrodutos. (SOUZA, 1998)

A visão dos autores em relação à logística muitas vezes é contraditória, embora todas as afirmações tenham sua veracidade. Sabe-se que por mais cuidado e orientação que se tenha restam ainda desperdícios de mão de obra e materiais próprios de vícios de obra, como é o caso das perdas de material pelo descarregamento da mercadoria, trabalhos mal feitos que necessitam ser desmanchados e refeitos, a persistência das pessoas mais velhas em fazerem como sempre fizeram (bastante comum com os mestres de obras) e não como devem ser feitos. Isto está diretamente ligado a visão de construção enxuta que visa eliminar as perdas e ampliar o fluxo de produção. Uma das etapas importante dentro da obra é ter o controle dos materiais no estoque, saber quanto de material tem, o que vai precisar e quando vai precisar. Atualmente, o controle de materiais no almoxarife também está ligado a construção enxuta e ao estoque zero, ou seja, não deixar faltar e se programar para quando precisar ter. Naturalmente que quanto maior for o porte da empresa maior infra estrutura ela terá, seu estudo de canteiro será trabalhado, entretanto, as empresas de menor porte deveriam dar valor ao estudo do canteiro, pois teriam esse diferencial, ganhariam tempo no deslocamento e estariam sempre organizados. É importante que o profissional responsável esteja sempre atento ao tempo que está sendo gasto para execução de determinados serviços, se está coerente e se está tendo produtividade dentro do todo, por isso é necessário trabalhar com planejamento, dias para começar e para terminar (seguindo um cronograma), avaliando a produtividade e a qualidade, certamente esse planejamento está associado com o estudo logístico dentro da obra. Sem dúvida, a boa relação com os fornecedores e empreiteiros deve existir, deste modo as entregas serão executadas dentro dos prazos estabelecidos, e a equipe trabalhará harmoniosamente; para os empreendedores é muito bom porque não deixa a desejar de que fez a escolha certa em estar trabalhando com pessoas que lhe prestam um bom serviço e uma boa assistência, e para os fornecedores, o aumento da credibilidade e da divulgação no mercado de trabalho.

A construção civil brasileira passa por um período de crescimento virtuoso que cada vez mais se posiciona como um setor de grande importância para a economia, sendo um dos principais agentes impulsionadores do desenvolvimento do país. Segundo classificação do IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) a construção civil é um setor da indústria que mais conduz ao panorama econômico brasileiro. Para uma melhor demonstração da importância deste setor na economia nacional, é possível observar sua participação no PIB

(Produto Interno Bruto), gerado pela soma das riquezas do país produzidas num ano. Segundo Castro (2008), os dados de 2007 mostram um crescimento de 8% para o PIB da construção civil com relação ao ano anterior. Levando em consideração outros indicadores como, por exemplo, volume de produção, capital circulante, empregos gerados e utilidade do produto. Está importância fica ainda mais evidente, o que não impede que o setor enfrente inúmeros problemas. Ressalta-se o fato de as mudanças ocorrerem de forma lenta, o que se deve tanto a fatores culturais, quanto a fatores tecnológicos ainda pouco desenvolvidos.

3 ESTUDO DE CASO

Juntamente com a Concreta, a Construtora Gatto Ltda e a Construtora Santa Helena, a

Macro Construtora, é uma das mais antigas empresas de construção civil do Estado da Bahia localizada em Salvador, que por sua vez, conseguiram se manter atuantes no mercado de trabalho logo após o fechamento do BNH (Banco Nacional da Habitação), um período bastante marcante para a construção civil, pois está associado à decadência e desaparecimento de algumas das principais construtoras que atuaram na cidade. Superada essa fase, a Macro Construtora, ao longo dos seus 3 anos de existência, vem consolidando uma marca de bom gosto, modernidade, tecnologia e compromisso com a qualidade de vida de seus clientes. Caracterizada por ser uma empresa moderna, apresenta no seu quadro técnico, profissionais com vasta experiência, que a credencia como especialista em consultoria, projetos, gerenciamento e realização de obras, operação de sistema na área de saneamento e meio ambiente. A empresa realiza obras residenciais, comerciais e públicas, como centro de abastecimentos e estádios. (MACRO CONSTRUTORA, 2009)

O engenheiro civil residente da obra, foi aluno do curso de pós graduação de MBA Qualidade das Construções, onde um dos grandes focos do curso é o combate ao desperdício, que atinge níveis muito altos na construção civil e problemas como a falta de qualificação dos operários que afetam o setor. O engenheiro demonstrou ter um bom conhecimento sobre o tema da logística. A obra em estudo, o Edf. Life Privilége Itaigara, um empreendimento de classe média, composta de uma torre com 15 pavimentos tipos (6 apartamentos por andar), 3 pavimentos de garagem e 1 pavimento de acesso (playground). A obra foi iniciada em Junho/2009 e será finalizada em Dezembro/2010. Apresenta seu canteiro no lado oposto a obra (figura 1 - onde esse terreno também pertence a empresa), pois é caracterizada pelo espaço limitado. Vale ressaltar que na cidade é constante a dificuldade de encontrar terrenos disponíveis que apresentem bom dimensionamento físico, em virtude disso, encontra-se obras cada vez mais estreitas e verticalizadas. Após o andamento da obra, seu canteiro será deslocado para a própria obra.

Figura 1: canteiro de obra atual Fonte: arquivo pessoal

Sabe-se que a construção civil se depara também com outros desafios como adequar- se às novas exigências do mercado, executando obras com qualidade a um custo acessível, de maneira a garantir a competitividade das empresas e o desenvolvimento do setor, aplicando os conceitos de auto-sustentabilidade, por conta disso, a Macro Construtora, contratou uma empresa, AKKARI e COSTA, especializada em consultoria de planejamento para trabalhar o desenvolvimento da obra. Está empresa, por sua vez, é nomeada pela qualidade e agilidade dos serviços prestados, ao aplicar procedimentos arrojados e inovadores, oferecendo à construção civil uma mudança de paradigma no que se refere ao cumprimento do prazo de entrega, garantindo o sucesso e a satisfação de consumidores cada vez mais exigentes.

(AKKARI & COSTA, 2009). No início do planejamento foi necessário definir o cronograma da obra, apresentando as principais atividades e serviços, escolhendo quais os tipos de equipamentos seriam utilizados e onde serão posicionados, assim como as definições das entradas e saídas da obra. Ocorrerão periodicamente visitas técnicas da empresa especializada em consultoria, para fiscalização dos prazos e serviços executados, garantindo assim o andamento da obra e conseqüentemente o cumprimento dos cronogramas realizados. As figuras 2, 3 e 4 mostram o canteiro de obra, onde se pode observar as áreas de vivência com a identificação do almoxarifado, da sala de engenharia, do refeitório e vestiário. O material será paletizado e constará de dois elevadores, um misto e outro de carga, o primeiro localizado na frente da obra e o outro na lateral da obra. A argamassa utilizada será projetada, o que gera um cuidado especial para o local reservado aos silos de argamassa. Outro aspecto que vale ressaltar é o corte e dobra do aço que já vem pronto, evitando assim desperdícios do material.

Figura 2: canteiro de obraFigura 3: canteiro de obra Figura 4: canteiro de obra
Fonte: arquivo pessoalFonte: arquivo pessoal Fonte: arquivo pessoal

A obra Life Privilege Itaigara está sendo desenvolvida em uma rua paralela a uma das avenidas mais movimentadas de Salvador, a ACM. Está cercada de construções novas (inclusive de um prédio recém entregue pelo empreendimento da Macro), clínicas médicas, escolas e outras construções.

O empreendimento ocupa quase que integralmente o terreno no qual está sendo implantado. Em frente a obra encontra-se o stand de vendas de um novo empreendimento da

Macro, que deverá ser iniciada no segundo semestre de 2010. Considerando a situação desfavorável para implantação do canteiro, foi definida a estratégia de ocupar com as áreas de vivência e administrativa o terreno em que se encontra o stand de vendas do outro empreendimento, devendo ser mobilizado em meados do primeiro semestre de 2010, ocupando as garagens do prédio (Life Privilege). A definição de equipamentos para a mobilização de materiais, a estratégia de compras casada com a evolução do empreendimento exigiram a contratação de um consultor especialista nessa área.

Definida a estrutura para execução da obra os estudos foram concentrados buscando responder questões básicas como: - Por onde começar a obra?

- Como será a seqüência de serviços?

- Quais os equipamentos que apoiarão o transporte vertical e o horizontal?

- Quais as distâncias médias percorridas pelos trabalhadores?

-Qual será a estratégia para execução dos principais serviços (concretagens, emassamento, instalações, revestimento)? - Quais os serviços terceirizados?

- Quais as particularidades da tecnologia adotada pela obra que interfere na logística?

Na definição da estratégia logística foram consideradas as informações relativas à execução da obra determinadas a partir do orçamento, cronograma e planejamento, sendo esse último apoiado na ferramenta MS Project, acompanhado pela AKKARI & COSTA. Foi considerado o prazo da obra, 18 meses, contados a partir de 01 de Junho de 2009 sendo a sua conclusão prevista para 31 de Dezembro de 2010, o número de operários no pico da obra alcança 250 homens, o corpo administrativo é composto de 01 chefe de escritório, 01 almoxarife, 02 estagiários, 01 técnico em edificações, 01 técnico de segurança e 01 engenheiro.

O desenvolvimento dos estudos do canteiro de obra deste empreendimento foi apoiado em três fases. Em cada fase foi detalhada uma estrutura de canteiro, considerando áreas de vivência, de armazenamento, administrativa e locação dos equipamentos relacionados à movimentação dos principais materiais.

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