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Obs: O candidato deverá considerar a nova Reforma Ortográfica contida no Decreto n.º 6.583, de 29 de setembro de 2008. Compreender e interpretar textos. Níveis de Linguagem na modalidade oral e escrita. Fenômenos Semânticos: Sinonímia, Antonímia, Polissemia, Ambiguidade, Homônimos e Parônimos. Ortografia Oficial. Coerência Textual. Coesão Textual. Concordância Nominal e Verbal. Regência Nominal e Verbal. Colocação pronominal. Pontuação. Figuras de Linguagem: Metáfora, Metonímia, Silepse, Ironia, Prosopopéia e Antítese. Acentuação gráfica. Emprego da crase.

LEITURA E INTERPRETAÇÃO DE TEXTOS E GÊNEROS E TIPOS DE TEXTO Compreensão e Interpretação de Textos

Para expandir a capacidade de compreensão e, principalmente, de interpretação, é importante acostumar-se à leitura, seja de um texto ou um objeto, figura ou fato.

Ao se ler algo, deve-se notar aspectos particulares que permitam associar o elemento da leitura ao tempo e a acontecimentos, destacar o essencial e o secundário relacionando-o a outros já lidos.Semanticamente, o elemento da leitura encerra em si todas as indagações, permitindo uma análise e oferecendo os subsídios da resposta. Compreender um texto é entender o seu sentido; apreender a situação, o fato, a narração, a tese a nós expostos. Interpretar um texto é conseguir desenvolver em outras palavras a idéia do texto, é, portanto, parafraseá-lo ou reescrevê-lo. Para se interpretar bem um texto, é de suma importância uma boa leitura. Para se entender um texto é necessário uma leitura atenta, em que se notem as suas sutilezas e superficiali-dades. É conveniente marcar as idéias principais e estar atento as entrelinhas, aos detalhes e a todo o contexto.

Paráfrase: é o desenvolvimento ou citação de um texto ou parte dele, com palavras diferentes, mas de igual significação. Não há alteração da ideia central.

Perífrase: é um circunlóquio, um rodeio de palavras; a exposição de ideias é feita usando-se de muitas palavras. Usamse mais palavras do que o texto original, isto é, usam-se mais palavras que o necessário.

Intertextualidade: é a relação entre dois ou mais textos, cujo tema seja o mesmo, porém tratado de forma diferente.

Síntese: é uma resenha, que é feita utilizando-se das palavras do texto. Aparecem apenas as ideias principais.

Resumo: é uma representação do texto em que só aparecem as ideias principais, não é necessário que seja com as mesmas palavras do texto.

Inferência: é uma informação que não está no texto, mas sim fora dele; está nas entrelinhas ou exige um conhecimento extra textual.

Tipologia Textual Descrição: ato de descrever características. Pode ser: Objetiva: descrição com caráter universal. Subjetiva: descrição com caráter particular, pessoal.

Técnica: descrição com caráter próprio de um ofício, profissão.

Narração: é o relato de um fato, de um acontecimento. Seus elementos são:

Fato: é o acontecimento; o encadeamento das ações forma o enredo.

Personagens: são os participantes do acontecimento. Principais (mais atuantes) Secundários

Ambiente ou cenário: é o lugar onde ocorrem os acontecimentos.

Tempo: é a localização cronológica do acontecimento. Foco Narrativo (narrador): a narração pode ser em: 1ª pessoa: narrador-personagem 3ª pessoa: narrador-onisciente/narrador-observador. Dissertação: ato de discorrer sobre um tema. A dissertação divide-se em três partes: Introdução: apresenta a ideia principal a ser discutida.

Desenvolvimento: é o desdobramento da ideia central, a exposição dos argumentos.

Conclusão: retoma ou resume os principais aspectos do texto e confirma a tese inicial.

Tipos de Discurso

Discurso Direto: a fala do personagem é, geralmente, acompanhada por um verbo de elocução (dizer, falar, responder, perguntar, afirmar etc), não havendo conectivo, porém uma pausa marcada por sinal de pontuação.

Ex.: A mãe perguntou-lhe atarantada: - Onde você pensa que vai?

Discurso Indireto: o personagem não fala com suas palavras, é o narrador que reproduz com suas palavras o discurso do personagem. Os verbos de elocução são núcleos do predicado da oração principal seguido de oração subordinada.

Ex.: Ele respondeu que sempre saía sozinho.

Indireto Livre: é um discurso misto, pois há características do discurso direto e do indireto. A fala do personagem se insere no discurso do narrador, são perceptíveis aspectos psicológicos e fluxos do pensamento do personagem.

Ex.: Naquele dia o rapaz havia se declarado à sua vizinha. Ele já tinha sofrido muito. Custava à moça acreditar? Não sabia se tinha feito à coisa certa.

COESÃO E COERÊNCIA TEXTUAL Estrutura Textual (Ideias Principais de um Texto)

As ideias, em um texto, devem ser organizadas em ordem de importância, primeiro as mais importantes ou principais, seguidas daquelas menos relevantes ou secundárias.

A coesão textual é a inter-relação, ligada entre frases, expressões ou palavras. Os elementos de referência textual entrelaçam as partes do texto, funcionam como elementos de coesão textual. Os elementos de referência textual podem se dar das seguintes formas: substituição vocabular e pronomi-nalização.

Ex.: Notou o problema que seria o alvo da discussão naquele dia.

O texto deve ter suas ideias bem articuladas, ou seja, os termos da oração, bem como as palavras devem estar ligadas de modo a formar uma unidade. É este nexo que toma o texto coeso, bem amarrado. A coerência só é conseguida a partir da ligação adequada entre as palavras ou ideias, portanto a coerência é resultado do uso correto dos elementos de coesão.

Coerência é uma relação de sentido, ou seja, é uma relação harmônica das partes ou ideias do texto, que formam uma unidade.

São os recursos vocabulares, sintáticos e semânticos que garantem a coesão textual. Eles servem para ligar palavras, retomar ideias ou substituir vocábulos já citados no texto. Os principais elementos de coesão são: conjunções, preposições, pronomes, advérbios, palavras ou locuções denotativas.

A coerência textual é, sem dúvida, obtida pela unidade, isto é, depende de as ideias estarem concatenadas, de que as relações de dependência estejam bem estabelecidas com as ideias expostas de forma clara, coerente e objetiva. Como assinala Othon Garcia, unidade e coerência têm características próprias, mas a falta de uma resulta na ausência da outra. A coerência depende da ordenação das ideias no texto, e a unidade, da organização do parágrafo. A coerência é a "alma" da composição.

Texto Diversos Textos do Cotidiano

É fundamental a leitura de textos que se apresentam no cotidiano, sejam eles expressos numa linguagem verbal ou não verbal.

A seguir, uma análise de alguns desses textos:

Há, na figura abaixo, a combinação da linguagem verbal e não verbal criando uma mensagem em que predomina a função denotativa.

Nas fotos de documentos pessoais, predomina a função referencial, pois identificam visualmente a quem pertence o documento.

Na caricatura, sempre predomina a função emotiva, já que o emissor exagera uma característica da pessoa ou personagem retratada. Também é possível relacionar a caricatura ao contexto sócio-econômico-cultural.

Vejamos: Aula de Educação Física Othelo Leva Três Facadas

Na porta da sala de aula, um homem de 38 anos e um menino de 14 esperam o aluno do Centro de Ensino Educacional 201 em Santa Maria. Pai e filho estão com uma faca e vão tomar satisfação com David por causa de uma briga de garotos. O estudante é esfaqueado na frente de professores e colegas. Do hospital, ainda abalado, ele conta como tudo aconteceu.

Correio Braziliense, 2.08.2002 (Capa)

Na mensagem acima, expõe-se, de modo objetivo, um fato acontecido, daí a função da linguagem predominante ser a referencial ou denotativa. Note que não há sentido figurado e o texto não permite mais de uma interpretação.

Agora observe o seguinte texto: SAMPA (Caetano Veloso) Alguma coisa acontece no meu coração Que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João É que quando eu cheguei por aqui eu nada entendi Da dura poesia concreta de tuas esquinas Da deselegância discreta de tuas meninas Ainda não havia para mim Rita Lee A tua mais completa tradução Alguma coisa acontece no meu coração

Que só quando cruza a Ipiranga e a Avenida São João Quando eu te encarei frente a frente e não vi o meu rosto

Chamei de mau gosto o que vi, de mau gosto mau gosto É que Narciso acha feio o que não é espelho

E a mente apavora o que ainda não é mesmo velho Nada do que não era antes quando não somos mutantes

E foste um difícil começo Afasto o que não conheço E quem vem de outro sonho feliz de cidade Aprende depressa a chamar-te de realidade

Porque és o avesso do avesso do avesso do avesso Do Povo oprimido nas filas nas vilas favelas Da força da grana que ergue e destrói coisas belas Da feia fumaça que sobe apagando as estrelas Eu vejo surgir teus poetas de campos espaços Tuas oficinas de florestas teus deuses da chuva Panaméricas de Áfricas utópicas túmulo do samba Mas possível novo quilombo de Zumbi E os novos baianos passeiam na tua garoa E novos baianos te podem curtir numa boa.

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