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A probabilidade da exposição ocupacional a agentes biológicos: microrganismos geneticamente modificados ou não, culturas de células,parasitas, toxinas e príons.No setor de saúde, esse risco é representado sobretudo pelas infecções causadas por bactérias, vírus, rickettsias, clamídias e fungos e,em menor grau, pelas parasitoses produzidas por protozoários, helmintos e artrópodes.

A exposição do pessoal de enfermagem ao risco biológico torna-se maior devido seu contato íntimo e frequente com os pacientes infectados.

Muitas vezes, o próprio rosto (conjuntiva ocular, mucosas da boca e do nariz) ao alcance do ar por eles expirado, ao alcance de respingos de sangue e de outros fluidos corporais, durante procedimentos invasivos, tosses, espirros. Excreções, produtos de vômito, bile, saliva, escarro, sangue e pus são observados e controlados antes do rejeito; seus recipientes são lavados e desinfectados, ou esterilizados; pijamas, camisas e roupa de cama são trocados. E tudo isso é feito pelo trabalhador de enfermagem.

Infecções apontadas como risco biológico para o trabalhador de saúde

1. Principais: Tuberculose pulmonar Ccytomegalovirus (CMV) Hepatite virais (B, C, G)

Infecção pelo vírus da imunodeficiência humana (HIV)

Síndrome da imunodeficiência adquirida (SIDA/AIDS)

2. Outras infecções às quais o pessoal de enfermagem encontra-se potencialmente exposto:

Difteria Febre tifóide Gastroenterite infecciosa Herpes simplex Meningites Infecções respiratórias por vírus Parotidite

Rubéola Queraratoconjuntivite epidêmica Varicella zoster

3. Doenças causadas por bactérias envolvidas nas infecções hospitalares:

Staphilococcus aureus Escherichia coli

Para cuidar de pessoas com doenças infecciosas, além de normas bem claras sobre isolamento e barreiras. Basta a correta observação das normas básicas de higiene hospitalar para a prevenção e controle

A adoção de comportamento de segurança abrange formação, educação continuada, supervisão qualificada, organização do trabalho, recursos materiais (incluindo-se os EPIs), profissionais preparados das infecções. Educação, controle serológico e imunização integram o programa destinado ao grupo de risco, representado por trabalhadores expostos a contato com sangue, seus derivados e outros fluidos corporais.

Salmonellae Streptococcus Pseudomonas Proteus

4. Infecções diversas sem consequências patológicas graves ou duráveis. Até agora, o único setor de atividade com ocorrência de transmissão ocupacional do HIV foi o setor de saúde e, neste, o pessoal de enfermagem tornou-se o principal grupo de risco. A hepatite B é a doença de origem profissional mais frequente entre o pessoal hospitalar.

Em relação à população geral, o risco de hepatite B é 1 vezes mais elevado entre o pessoal de saúde: trabalhadores de laboratório e de enfermagem. A tuberculose constitui, hoje, séria ameaça à saúde.

Prevenção e controle de riscos biológicos baseiam-se em conhecimentos de higiene, biossegurança, educação, administração, engenharia e até de legislação.

As regras de segurança são porém insuficientes, se os materiais não são corretamente utilizados e se a (des)organização do trabalho impede sua aplicação. Picadas de agulhas são favorecidas por obscuridade, insuficiência de espaço, falta de recipientes adequados para transporte e coleta de seringas após o uso, por exemplo.

Vacine-se!

Conheça seu nível imunitário relativo às infecções que fazem parte do seu cotidiano. Mais exposto que a população em geral ao risco de adquirir algumas infecções imunologicamente preveníveis, o trabalhador de enfermagem deve proteger-se, por meio de vacinas ou imunoglobulinas, contra as seguintes doenças:

Proteção altamente recomendada Caxumba Difteria Gripe Hepatite B Rubéola Sarampo Tétano Tuberculose Varicella Zoster Proteção eventualmente indicada Coqueluche Febre tifóide Hepatite A Doença meningocócica Doença pneumocócica Doença invasiva por H. influenzae

Segundo a NR 32, todo trabalhador dos serviços de saúde deve receber, gratuitamente, programa de imunização ativa contra tétano, difteria, hepatite B e os estabelecidos no PCMSO. Sempre que houver vacinas eficazes contra outros agentes biológicos a que os trabalhadores estão, ou poderá estar exposto, o empregador deve fornecê-las gratuitamente. Redobre sua atenção com os perfurocortantes:

• Agulhas, tesouras, bisturis, pinças e escalpes fazem parte do nosso trabalho diário. Picadas e cortes acidentais produzidos por esses materiais, também! Por isso, só manipule agulhas e material cortante, ou qualquer outro material sujo de sangue, como barbeadores e escovas de dente, com as devidas precauções.

• Dentre os casos de AIDS envolvendo profissionais de saúde, a maioria ocorreu como resultado de manipulação inadequada de agulhas e instrumentos cortantes: mais de 70% dos casos comprovados e 43% dos prováveis, envolveram a categoria de enfermagem e de profissionais da área de laboratório. Agora é lei: Em toda ocorrência de acidente envolvendo riscos Programa de Infecções Hospitalares (PCIH) e criem uma Comissão de Controle de Infecções Hospitalares (CCIH). As diretrizes e normas que viabilizaram o planejamento do programa foram definidas pela Portaria GM 2616, de 12 de maio de 1998.

São agentes de risco físico:

• Radiações ionizantes: raios-X, raios gama, raios beta, partículas gama, prótons e nêutrons.

• Radiações não ionizantes: ultravioleta, raios visíveis (luz solar ou artificial), infravermelho, microondas, frequência de rádio, raios laser.

• Variações atmosféricas: calor, frio e pressão atmosférica. • Vibrações oscilatórias: ruído e vibrações.

A OIT considera as radiações ionizantes, o ruído, a temperatura e a eletricidade como os principais fatores de risco físico para os trabalhadores de saúde. Na NR-32, apenas as radiações ionizantes são detalhadas: radioterapia, radiodiagnóstico médico-odontológico, braquiterapia e resíduos. De fato, trata-se de risco considerado ainda mais perigoso porque impossível de ser detectado pelos sentidos: não tem cheiro, não emite qualquer som, não pode ser visto, nem tocado.

São efeitos biológicos das radiações ionizantes:

• Somáticos - as alterações celulares manifestamse na pessoa irradiada, não passam aos descendentes.

• Genéticos - as alterações ocorridas nos gametas do indivíduo irradiado são transmissíveis aos descendentes.

Estima-se ser ainda desconhecida a maioria dos efeitos genéticos resultantes das exposições profissionais às radiações.

As exposições radioativas do trabalhador podem ser agudas e crônicas:

• Exposição aguda – sobre exposição a uma fonte interna ou externa de radiação. Produz a síndrome de irradiação aguda, podendo levar à morte. Corresponde a uma emergência médica e caracteriza-se como acidente de trabalho

• Exposição crônica – exposição a doses baixas em um tempo de exposição longo, com a manifestação dos danos a ocorrer muitos anos após a exposição original. Seus efeitos a longo prazo são: aumento da incidência de carcinomas; efeitos embriotóxicos em trabalhadoras gestantes; efeitos cataratogênicos observados em radiologistas e físicos nucleares.

A legislação é clara: toda trabalhadora com gravidez confirmada deve ser afastada das atividades com radiações ionizantes, devendo ser remanejada para atividade compatível com seu nível de formação. (NR-32)

São medidas de proteção: • Blindagens

• Capacitação do pessoal

• Confinamento de fontes radioativas

• Controle médico (PCMSO e PPRA)

• Distância da fonte

• Identificação do risco

• Instalações adequadas

• Limitação do tempo de exposição

• Manutenção dos aparelhos em perfeito estado

• Monitoração do trabalhador

• Observação rigorosa das regras de segurança • Otimização das atividades nas áreas de risco.

Além do atendimento às exigências da NR-32, devem ser cumpridos vários dispositivos relativos à radioproteção, tais como:

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