ARUANDA - Robson Pinheiro

ARUANDA - Robson Pinheiro

(Parte 1 de 10)

Robson Pinheiro PELO ESPÍRITO ÂNGELO INÁCIO MAGIA NEGRA, ELEMENTAIS, PRETOS VELHOS, E CABOCLOS SOB A ÓTICA ESPÍRITA

2 –Robson Pinheiro (pelo EspíritoÂngelo Inácio)

ARUANDA Robson Pinheiro

Ditado pelo Espírito: Ângelo Inácio

1ª Edição: 2004 Publicado por: Casa dos Espíritos Editora Rua Floriano Peixoto, 438 CEP 32140 580 Contagem, MG Fone: (31) 3393 8300 www.casadosespiritos.com.br Digitalizada por: L. Neilmoris © 2009 Brasil www.luzespirita.org.br

3 –ARUANDA ARUANDA Robson Pinheiro Pelo Espírito: Ângelo Inácio

4 –Robson Pinheiro (pelo EspíritoÂngelo Inácio)

Convidamos você, que teve a oportunidade de ler livremente esta obra,a participar da nossa campanha de SEMEADURA DE LETRAS, que consiste em cada qual comprar um livro espírita,ler e depois presenteá lo a outrem, colaborando assim na divulgação do Espiritismo e incentivando as pessoas à boa leitura. Essa ação, certamente, renderá ótimos frutos.

Abraço fraterno e muita LUZ para todos! www.luzespirita.org.br

5 –ARUANDA Sumário Prefácio: por Ângelo Inácio – pág. 6 Prólogo: Carta do chefe indígena Seattle– pág. 7 1 –O futuro do pretérito– pág. 9 2 –Considerações – pág. 14 3 –Reencontro– pág. 18 4 –Nas câmaras de socorro– pág. 23 5 –Região de transição– pág. 30 6 –Oásis da paz– pág. 37 7 –Médium em desequilíbrio– pág. 42 8 –Magia negra– pág. 49 9 –Sete, o guardião das sombras – pág. 55 10 –Goécia – pág. 63 11 –A técnica da sombra– pág. 73 12 –Libertação– pág. 84 13 –Lições preciosas – pág. 96 14 –Cientistas eApometria– pág. 100 Epílogo: – pág. 112 Coisa de preto– pág. 113 Salada de religiões– pág. 117 Referências bibliográficas – pág. 119

6 –Robson Pinheiro (pelo EspíritoÂngelo Inácio) Prefácio Por Ângelo Inácio Este não é um livro que pretende falar da doutrina da Umbanda. É mais uma obra que valoriza o trabalho dos Espíritos que se utilizam da roupagem fluídica de pais velhos e caboclos, auxiliando a humanidade encarnada e desencarnada. Talvez seja mesmo um grito contra o preconceito religioso, racial e espiritual, mostrandoquanto os Espíritos superiores trabalham muito além das aparências. Sem fazer apologia desta ou daquela doutrina, embora profundamente comprometido com a ideia espírita, trago a você, amigo leitor, apenas uma parcela minúscula da realidade extrafísica. Portanto, não se deixe desanimar pelo nome do livro. Experimente ir adiante com espírito aberto e livre, formando sua própria opinião a respeito de um assunto ainda tão controvertido nas fileiras espíritas e espiritualistas. Submeto a você, como autor desencarnado, a apreciação de minhas observações. Seja progressista, desprovido de preconceitos e prejulgamentos; atreva se a ler, estudar e pesquisar. Do lado de cá da vida estamos investindo cada vez mais nas pessoas que se capacitam para a tarefa derenovação da humanidade. Unindo forças, sabedoria e trabalho, sem nos fundirmos doutrinariamente, podemos trabalhar em conjunto, objetivando um futuro mais feliz para a nossa humanidade. Não espero ser compreendido nem pelos irmãos umbandistas nem pelos espíritas não e esse meu objetivo. Quero apenas trazer para vocês aquilo que vi e experienciei do lado de cá da vida. Portanto, criticando ou não, vá em frente, conheça um pouco desse povo de Aruanda e deixe se envolver com o trabalho no bem. Para nós, os Espíritos, não importa se nos manifestamos na roupagem fluídica de um religioso, seja padre ou irmã de caridade, de um cientista, médico, indiano ou tureo, pai velho oundio. Importa apenas a quantidade de amor que somos capazes de colocar no trabalho que realizamos. Para você que é favorável ao progresso, seja espírita, espiritualista ou simplesmente simpatizante, eis algumas observações de um espírito metido a repórter do Além. E como repórter comprometido com a ética espiritual, não faço apologias, apenas trago fatos e histórias, confiando no bom senso dos leitores, embora alguns teimem ainda em continuar com as velhas ideias arraigadas e os preconceitos, transferidos da esfera social para a esfera espiritual. Paravocê,um pouco da vida, das obras e do carisma do povo de Aruanda. Ângelo Inácio(Espírito) Belo Horizonte, MG, 31 de maio de 2004.

7 –ARUANDA Prólogo: Carta do Chefe Indígena Seattle O texto a seguir, datado de 1854, é reprodução da resposta do cacique Seattle ao Presidente norte americano F. Pieree, que tentava comprar suas terras. Um exemplo de silvícola, guerreiro, caboclo, considerado atrasado pelos homens brancos. Em suas palavras, a sabedoria ancestral e o retrato da evolução espiritual de uma raça incompreendida.

“O ar é precioso para o homem vermelho, pois todas as coisas compartilham o mesmo sopro: o animal, a árvore, o homem, todos compartilham o mesmo sopro. Parece que o homem branco não sente o ar querespira. Como um homem agonizante há vários dias, é insensível ao seu próprio mau Cheiro... Portanto, vamos meditar sobre sua oferta de comprar nossa terra. Se nós decidirmos aceitá la, imporei uma condição: o homem branco deve tratar os animais desta terra como seus irmãos. (O que é o homem sem os animais? Se os animais se fossem, o homem morreria de uma grande solidão de espírito. Pois o que ocorre com os animais, em breve acontece com o homem. Há umaHá uma lição em tudo, Tudo estáligado. Vocês devem ensinar às suas crianças que o solo a seus pés é a cinza de nossos avós. Para que respeitem a terra, digam a seus filhos que ela foi enriquecida com a vida de nosso povo. Ensinem às suas crianças o que ensinamos às nossas: que a terra é nossa mãe. Tudo o que acontecer à terra acontecerá também aos filhos da terra. Se os homens cospem no solo, estão cuspindo em si mesmos. Disto nós sabemos: a terra não pertence ao homem; o homem é que pertence à terra. Disto sabemos: todas as coisas estão ligadas como o sangue que une uma família. Há uma ligação em tudo. O que ocorre com a terra recairá sobre os filhos da terra. O homem não teceu a teia da vida: ele é simplesmente um de seus fios. Tudo o que fizermos ao tecido, fará o homem a si mesmo. Mesmo o homem branco, cujo Deus caminha e fala com ele de amigo para amigo, não pode estar isento do destino comum, é possível que sejamos irmãos, apesar de tudo. Veremos. De uma coisa estamos certos (e o homem branco poderá vir a descobrir um dia): Deus é um só, qualquer que seja o nome que lhe deem. Vocês podem pensar que o possuem, como desejam possuir nossa terra; mas não é possível. Ele é o Deus do homem, e sua compaixão é igual para o homem branco e para o homem vermelho. A terra lhe é preciosa eferi la é desprezar seu Criador. Os homens brancos também passarão; talvez mais cedo do que todas as outras tribos. Contaminem suas camas, e uma noite serão sufocados pelos próprios dejetos. Mas quando de sua desaparição, vocês brilharão intensamente, iluminados pela força do Deus que os trouxe a esta terra e por alguma razão especial lhes deu o domínio sobre a terra e

8 –Robson Pinheiro (pelo EspíritoÂngelo Inácio) sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos das florestas densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruídas por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a água? Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência. Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa ideia nos parece, um pouco estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá los? Cada pedaço de terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra da floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência do meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças dohomem vermelho... Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar se de que ela é sagrada e devem ensinar às suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz dos meus ancestrais. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar para seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também, E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquerirmão. Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra tudo que necessita. A terra, para ele, não é sua irmã, mas sua inimiga, e, quando ele a conquista, extraindo dela o que deseja, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa... Seu apetite devorará a terra, deixando somenteum deserto. Eu não sei... nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez porque o homem vermelho seja um selvagem e não compreenda. Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater de asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta de um homem, se não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diuma ou perfumado pelos pinheiros. 8 –Robson Pinheiro (pelo EspíritoÂngelo Inácio) sobre o homem vermelho. Esse destino é um mistério para nós, pois não compreendemos que todos os búfalos sejam exterminados, os cavalos bravios sejam todos domados, os recantos secretos das florestas densa impregnados do cheiro de muitos homens, e a visão dos morros obstruídas por fios que falam. Onde está o arvoredo? Desapareceu. Onde está a água? Desapareceu. É o final da vida e o início da sobrevivência. Como é que se pode comprar ou vender o céu, o calor da terra? Essa ideia nos parece, um pouco estranha. Se não possuímos o frescor do ar e o brilho da água, como é possível comprá los? Cada pedaço de terra é sagrado para meu povo. Cada ramo brilhante de um pinheiro, cada punhado de areia das praias, a penumbra da floresta densa, cada clareira e inseto a zumbir são sagrados na memória e experiência do meu povo. A seiva que percorre o corpo das árvores carrega consigo as lembranças dohomem vermelho... Essa água brilhante que escorre nos riachos e rios não é apenas água, mas o sangue de nossos antepassados. Se lhes vendermos a terra, vocês devem lembrar se de que ela é sagrada e devem ensinar às suas crianças que ela é sagrada e que cada reflexo nas águas límpidas dos lagos fala de acontecimentos e lembranças da vida do meu povo. O murmúrio das águas é a voz dos meus ancestrais. Os rios são nossos irmãos, saciam nossa sede. Os rios carregam nossas canoas e alimentam nossas crianças. Se lhes vendermos nossa terra, vocês devem lembrar e ensinar para seus filhos que os rios são nossos irmãos e seus também, E, portanto, vocês devem dar aos rios a bondade que dedicariam a qualquerirmão. Sabemos que o homem branco não compreende nossos costumes. Uma porção de terra, para ele, tem o mesmo significado que qualquer outra, pois é um forasteiro que vem à noite e extrai da terra tudo que necessita. A terra, para ele, não é sua irmã, mas sua inimiga, e, quando ele a conquista, extraindo dela o que deseja, prossegue seu caminho. Deixa para trás os túmulos de seus antepassados e não se incomoda. Rapta da terra aquilo que seria de seus filhos e não se importa... Seu apetite devorará a terra, deixando somenteum deserto. Eu não sei... nossos costumes são diferentes dos seus. A visão de suas cidades fere os olhos do homem vermelho. Talvez porque o homem vermelho seja um selvagem e não compreenda. Não há um lugar quieto nas cidades do homem branco. Nenhum lugar onde se possa ouvir o desabrochar de folhas na primavera ou o bater de asas de um inseto. Mas talvez seja porque eu sou um selvagem e não compreendo. O ruído parece somente insultar os ouvidos. E o que resta de um homem, se não pode ouvir o choro solitário de uma ave ou o debate dos sapos ao redor de uma lagoa, à noite? Eu sou um homem vermelho e não compreendo. O índio prefere o suave murmúrio do vento encrespando a face do lago, e o próprio vento, limpo por uma chuva diuma ou perfumado pelos pinheiros.

9 –ARUANDA 1

Para julgar os Espíritos, como para julgar os homens, é necessário antes saber julgar se a si mesmo. Há infelizmentemuita gente que toma a sua própria opinião por medidaexclusiva do bem e do mal, do verdadeiro e do falso. Tudo o que contradiz a sua maneira de ver, as suas ideias, o sistema que inventaram ou adotaram é mau aos seus olhos. Falta a essas criaturas, evidentemente, a primeira condição para uma reta apreciação: a retidão do juízo. Mas elas nem o percebem.Esse o defeito que mais enganos produz. Allan Kardec em O LIVRO DOS MÉDIUNS Cap.XXIV:Identidade dos Espíritos, item 267.

O futuro do pretérito

10 –Robson Pinheiro (pelo EspíritoÂngelo Inácio)

LE era um jovem como qualquer outro de sua época. Naqueles dias de início de século, acompanhava com satisfação e interesse as notícias a respeito de outros rapazes que ingressariam na Escola Naval. Era seu sonho trabalhar na Marinha, principalmente após concluir ocurso propedêutico e já contar 17 anos de idade. Contudo, alguma coisa parecia querer modificar seus planos. Algo estranho ocorria em seu interior; vozes pareciam repercutir em sua mente, e ele temia estar ficando louco. Como compartilhar esse fato com seus pais? Mesmo assim resolveu que iria ingressar na escola da Marinha. Não poderia voltar atrás com seu sonho.Começou então a caminhada em direção a seu ideal, que seesboçava naqueles dias que marcaram o ano de1908, início do século xx. Zélio de Moraes era um jovem sonhador. Mas algo marcava profundamente o psiquismo do rapaz — ”uma espécie de ataque”, como classificava a família. — Vez ou outra,Zélio parece ficar desmiolado— dizia a mãe. Ele falava coisas incompreensíveis e parecia ficar todo torto, encurvado mesmo. — Será que o menino está sofrendo da espinha? — alguém da família perguntou, certa ocasião. Não havia mais como disfarçar a situação, pois os ataques se repetiam com maior frequência. O jeito era levar o rapaz para uma consulta com o Epaminondas. Era um tio de Zélio, que trabalhava como coordenador dohospício de Vargem Grande. Em uma conversa do Dr. Epaminondas com o pai de Zélio, o médico relatou: — Nunca vi coisa desse jeito. O menino se modifica todo, e, para mim, ele não se enquadra em nada que aciência consiga explicar. — Mas se continuar assim ele vai acabar interrompendo seu curso na Escola Naval! O que fazer com essemenino? Será coisa do demônio?—indagava o pai, aflito. — Sei lá. De demônio eu não entendo nada. Imagine que, durante os dias em que examinei Zélio, ele começou a falar com um sotaque diferente, parecendo um velho que mal sabia falar português. Ele chegou até a dar umas receitas esquisitas de ervas e banhos, chás e outras coisas. Dizia, num linguajar estranho, que a recomendação era para um outro paciente que sofria de“mal da cabeça”... — Deus me livre, Epaminondas! Esse menino está é cabeça afetada mesmo — respondia a mãe. Zélio de Moraes retornou novamente à família após os exames do Dr. Epaminondas. Nada resolveu. Nova tentativa deveria realizar se. Zélio foi encaminhado a um padre da família. Exorcismos e benzeções foram feitos, mas nada de o demônio sair; em breve chegou se a E

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