Tecnologia- Materiais de Construção - Estruturas de concreto segundo a NBR 6118- 2003

Tecnologia- Materiais de Construção - Estruturas de concreto segundo a NBR 6118-...

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1 - DETALHES DE EXECUÇÃO EM OBRAS COM CONCRETO ARMADO

APÓS ESTUDAR ESTE CAPÍTULO; VOCÊ DEVERÁ SER CAPAZ DE: • Escolher os tipos de materiais ideais para execução de obras utilizando concreto armado;

• Especificar corretamente as fôrmas o ecoramento e o contraventamento;

• Especificar corretamente as armaduras bem como a sua posição;

• Especificar corretamente a concretagem e o adensamento;

• Especificar corretamente a cura e a desforma.

Sabemos que apesar da grande evolução na tecnologia do concreto, nas obras de pequeno e médio porte não se consegue executar um concreto com todas as suas características, de resistência à compressão, pega, trabalhabilidade, perda ao fogo etc., o que fará com que as construções sejam prejudicadas quanto a durabilidade, estabilidade, funcionalidade das estruturas em concreto armado, devido sempre a problemas referentes a custos, e também por falta de tecnologia por parte de pequenos construtores.

Seriam óbvias as vantagens em economia propiciadas pela utilização de concreto de maior resistência, mas é importante frisar que grandes benefícios poderiam também ser obtidos no que concerne à durabilidade das estruturas, pois concretos mais fortes tem também, em geral, maior resistência à abrasão e baixa permeabilidade.

No que se referem aos constituintes da mistura os pontos-chaves são o fator água-cimento, consumo de cimento e resistência. Atenção também deve ser dada às especificações sobre agregados, cimentos, aditivos e cuidado especial é recomendável quanto aos teores de cloretos e sulfatos no concreto.

Vamos abordar de modo prático alguns detalhes para uma boa execução de obras em concreto armado, ficando aqui em ressalva que qualquer problema em obra deverá ser bem estudado para se fornecer uma solução adequada, pois cada uma tem seus aspectos exclusivos e particulares.

1.1 - MATERIAIS EMPREGADOS EM CONCRETO ARMADO 1.1.1 Cimento

O projeto deverá estabelecer os tipos de cimento adequados, tecnicamente e economicamente, a cada tipo de concreto, estrutura, método construtivo, ou mesmo, em relação aos materiais inertes disponíveis.

Exemplo de alguns tipos de cimento disponíveis no mercado brasileiro passíveis de emprego em aplicações específicas (Tabela 1.1):

Tabela 1.1 – Cimentos disponíveis no mercado brasileiro (ABCP, 2003) Tipos Aplicações

1-Cimento Portland Comum (CP I)

(NBR 5732) a) CPI – Cimento Portland Comum b) CPI-S-Cimento Portland Comum com adição a) CPI-Cimento Portland sem adição além da gipsita. É muito adequado para o uso em construções de concreto em geral quando não há exposição a sulfatos do solo ou de águas subterrâneas. b) CPI-S, com 5% de material pozolânico em massa, recomendado para construção em geral, com as mesmas características.

2-Cimento Portland (CP I) (NBR 11578) a) CPII-E-composto com escória b) CPII-Z-composto com pozolana c) CPII-F-composto com fíler

O cimento Portland composto é modificado. Gera calor numa velocidade menor do que o gerado pelo cimento Portland comum. Seu uso, portanto, é mais indicado em lançamentos de concreto, onde o volume é grande. Apresenta menor resistência ao ataque de sulfatos contidos no solo. a) CPII-E-Com adição de escória granulada de alto forno. Este cimento combina com bons o baixo calor de hidratação com o aumento de resistência do cimento Portland comum. Recomendado para estruturas que exijam um desprendimento de calor moderadamente lento ou que possam ser atacados por sulfatos. b) CPII-Z-Com adição de material pozolânico. Empregado em obras civis em geral, subterrâneas , marítimas e industriais. O concreto feito com esse produto é mais impermeável e por isso mais durável. c) CPII-F-Com adição de fíler. Para aplicações gerais

3-Cimento Portland de Alto-Forno (CP I) (NBR 5735)

Adicionado com escória, apresenta maior impermeabilidade e durabilidade, além de baixo calor de hidratação, assim como alta resistência à expansão devido à reação álcali-agregado, além de ser resistente a sulfatos. Empregado em geral, mas é particularmente vantajoso em obras de concreto-massa, obras em ambientes agressivos, obras submersas, tubos e canaletas para condução de líquidos agressivos, esgotos e efluentes industriais.

4-Cimento Portland Pozolânico (CP IV) (NBR 5736)

Para uso geral. É especialmente indicado em obras expostas à ação de água corrente e ambientes agressivos. O concreto feito com esse produto se torna mais impermeável, mais durável, apresenta resistência mecânica superior. Favorece a sua aplicação em grandes volumes devido ao baixo calor de hidratação.

5-Cimento Portland de Alta resistência inicial (CP V-ARI) ( NBR 5733)

É recomendada em todas as aplicações que necessitem de resistência inicial elevada e desforma rápida

6-Cimento Portland Resistente a Sulfatos CP (RS) (NBR 5737)

Oferece resistência aos meios agressivos sulfatados como redes de esgotos de águas servidas ou industriais, água do mar e em alguns tipos de solo

7-Cimento Portland de Baixo Calor de Hidratação. CP (BC) (NBR13116)

O cimento Portland de baixo calor de hidratação, é designado por siglas e classes de seu tipo acrescidas de BC. Esse cimento tem a propriedade de retardar o desprendimento de calor em peças de grande massa de concreto, evitando o aparecimento de fissuras de origem térmica.

8-Cimento Portland Branco CPB (NBR 12989)

O cimento Portland branco se difere por coloração, e está classificado em dois subtipos: estrutural e não estrutural. O estrutural com classes de resistência de 25, 32 e 40, similares aos demais tipos de cimento.

O cimento, ao sair da fábrica acondicionado em sacos de várias folhas de papel impermeável, apresenta-se finamente pulverizado e praticamente seco, assim devendo ser conservado até o momento da sua utilização.

Quando o intervalo de tempo decorrido entre a fabricação e a utilização não é demasiado grande, a proteção oferecida e em geral, suficiente.

Caso contrário, precauções suplementares devem ser tomadas para que a integridade dos característicos iniciais do aglomerante seja preservada.

A principal causa da deterioração do cimento é a umidade que, por ele absorvida, hidrata-o pouco a pouco, reduzindo-lhe sensivelmente as suas características de aglomerante.

O cimento hidratado é facilmente reconhecível. Ao esfregá-lo entre os dedos sente-se que não está finamente pulverizado, constata-se mesmo, freqüentemente, a presença de torrões e pedras que caracterizam fases mais adiantadas de hidratação.

O cimento sendo fornecido em sacos deve-se verificar sua integridade, não aceitando os que estiverem rasgados ou úmidos. Os sacos que contém cimento parcialmente hidratado, isto é, com formação de grumos que não são total e facilmente desfeitos com leve pressão dos dedos, não devem ser aceitos para utilização em concreto estrutural.

Para armazenar cimento é preciso, em primeiro lugar, preservá-lo, tanto quanto possível, de ambientes úmidos e em segundo, não ser estocado em pilhas de alturas excessivas, pois o cimento ainda é possível de hidratar-se (Figura 1.1). É que ele nunca se apresenta completamente seco e a pressão elevada a que ficam sujeitos os sacos das camadas inferiores reduz os vazios, forçando um contato mais intenso entre as partículas do aglomerante e a umidade existente chegando a empedrar. O empedramento às vezes é superficial, se o saco de cimento for tombado sobre uma superfície dura e voltar a se afofar, ou se for possível esfarelar os torrões com os dedos, o cimento deste saco pode ser utilizado. Caso contrário, ainda se pode tentar aproveitar o cimento utilizando em aplicações de menor responsabilidade como pisos, calçada, lastros etc. depois de peneirado em peneira com malha de 5 m (peneira de feijão), mas não deve ser utilizado em peças estruturais.

Portanto para evitar essas duas principais causas de deterioração do cimento é aconselhável:

1º - As pilhas não excederem de mais de 10 sacos, salvo se o tempo de armazenamento for no máximo 15 dias, caso em que pode atingir 15 sacos. 2º - As pilhas devem ser feitas a 30 cm do piso sobre estrado de madeira e a 30 cm das paredes e 50 cm do teto (Figura 1.2).

Figura 1.1 - Local para guarda de materiais

Os lotes recebidos em épocas diferentes e diversas não podem ser misturados, mas devem ser colocados separadamente de maneira a facilitar sua inspeção e seu emprego na ordem cronológica de recebimento. Devem-se tomar cuidados especiais no armazenamento utilizando cimento de marcas, tipos e classes diferentes. O tempo de estocagem do cimento pode ser prolongado tomando todos os cuidados na estocagem (podendo atingir até 90 dias) mais em obra não devemos ultrapassar 30 dias.

A capacidade total armazenada deve ser suficiente para garantir as concretagens em um período de produção máxima, sem reabastecimento.

1.1.2 Agregados miúdo e graúdos

Devemos tomar o cuidado para que em nossas obras não se receba agregados com grande variabilidade, algumas vezes por motivo de abastecimento ou econômico, daqueles inicialmente escolhidos.

Esta variabilidade prejudica a homogeneidade e características mecânicas do concreto.

Se recebermos, com granulometria mais fina que o material usado na dosagem inicial, necessitará uma maior quantidade de água para mantermos a mesma trabalhabilidade e, consequentemente, haverá uma redução na resistência mecânica. Se ocorrer o inverso haverá um excesso de água para a mesma trabalhabilidade, aumentando a resistência pela diminuição do fator água/cimento, o qual será desnecessário, pois torna-se antieconômico, além de provocar uma redução de finos, que prejudicará sua coesão e capacidade de reter água em seu interior, provocando exudação do mesmo.

Deve-se ao chegar os agregados, verificar a procedência, a quantidade, e o local de armazenamento e devem estar praticamente isentos de materiais orgânicos como humus, etc. e também, siltes, carvão.

Quando da aprovação de jazida para fornecer agregados para concreto devemos ter conhecimento de resultados dos seguintes ensaios e/ou análises:

• reatividade aos álcalis do cimento (álcali-sílica, álcali-silicato, álcali-carbonato); • estabilidade do material frente a variações de temperatura e umidade;

• análise petrográfica e mineralógica;

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