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Alcorão

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Em Nome de Deus, O Clemente, O Misericordioso

Disse Deus, O Altíssimo:

"Se tivéssemos feito descer este Alcorão sobre uma montanha, te-las-ia visto humilhar-se e fender-se , por temor a Deus.

Tais exemplos propomos aos humanos, para que raciocinem" (surat Al Haxr 59:21)

Louvado seja Deus, Senhor do Universo, e que a paz e

INTRODUÇÃO a misericórdia estejam com o Mensageiro e toda a sua estirpe, seus companheiros e seus seguidores!

Nele há narrativas sobre os nossos antecessores e
Nele há revelações do futuro sobre o dia da
Nele há o julgamento dos problemas e das questões

O Alcorão é a palavra de Deus, revelada a Mohammad, desde a Surata da Abertura até a Surata dos Humanos, constituindo o derradeiro dos livros revelados à humanidade. Ele encerra, em sua totalidade, diversificadas nuanças, tais como: a felicidade, a reforma entre os homens, a concórdia no presente e no futuro; ele foi revelado, versículo por versículo, surata por surata, de acordo com as situações e os acontecimentos, no decorrer dos vente e três últimos anos da vida do Profeta Mohammad. Uma parte foi revelada antes da Hégira, em Makka, e outra depois, em Madina. Os versículos e as suratas revelados em Makka abrangem as normas da crença em Deus, em Seus Anjos, em Seus Livros, em Seus mensageiros e no Dia do Juízo Final. Os versículos e as suratas revelados em Madina dizem respeito aos rituais e à jurisprudência. sobre os nossos sucessores, e é um árbitro entre nós. Há narrativas de povos anteriores, de séculos passados; há histórias dos profetas, dos Mensageiros, dos povos, dos grupos, das pessoas, dos acontecimentos e do desenrolar da história da civilização; nele há explicações e exemplos para aqueles que por ele queiram pautar suas vidas, e exortação para quem tem coração e está disposto a aceitála, e a prestar testemunho. Ele revela a Lei imutável de Deus, quer seja na perdição dos extraviados, quer seja na salvação dos encaminhados. Ele ensina que o mundo dos homens, no decorrer dos séculos, só é benéfico com a religião de Deus; que a humanidade, o que quer que faça, não alcançará a almejada felicidade se não se iluminar, guiando-se com a Mensagem Divina. Ressurreição, sobre a vida futura, no dia em que os homens se congregarão junto ao Senhor do Universo. "Aquele que fizer um bem, quer seja do peso de um átomo., vê-lo-á; e aquele que fizer um mal, quer seja do peso de um átomo, vê-lo-á."(99ª Surata, versículos 7 e 8) onde é premente uma explicação e uma diretriz do caminho a seguir, no que diz respeito às questões da

Sim, este fabuloso Alcorão é a luz orientadora para a
As evidências e os significados que o Alcorão abrange,

crença e do pensamento, do caráter e do comportamento, das relações econômicas, dos ramos doutrinários, dos julgamentos pessoais ou não: "Ó humanos, já vos chegou uma prova convincente de vosso Senhor e vos enviamos uma translúcida Luz."(4ª Surata, versículo 174) "Recordalhes o dia em que faremos surgir uma testemunha de cada povo para testemunhar contra os seus, e te apresentaremos por testemunha contra os teus. Temos-te revelado, pois, o Livro que é uma explanação de tudo, é guia, misericórdia e auspício para os muçulmanos."(16ª Surata, versículo 89) Não há lei religiosa ou um problema, no que diz respeito ao mundo e à vida dos homens, que não tenha nele uma solução; ele é um auxílio ao inesgotável, guia, explicação e orientação para todos, quer seja em partes ou no todo: "Já vos chegou de Deus uma Luz e um Livro Lúcido."(5ª Surata, versículo 15) humanidade. Ele arrancou-a das trevas e transportou-a para luz, para a verdade e para a verdadeira senda. Foi o ponto de transformação na sua longa história, tirando-a da vida atroz de corrupção e levando-a para a vida de liberdade, de religião e de orientação, e instituiu, no mundo todo, o direito e a compreensão, elevando a humanidade do mais baixo degrau os píncaros da perfeição, de maneira sobranceira. já citados, só podem ser entendidos através de explicações do texto alcorânico e de seus versículos. Tal explicação é uma pesquisa sobre a vontade de Deus, sobre o conhecimento dessa vontade através de Suas palavras no Alcorão, de acordo com a capacidade humana. A ciência da exegese nasceu débil e cresceu paulatinamente até alcançar a maturidade, e seguir formidavelmente neste diapasão que conhecemos hoje. Na época da revelação do Alcorão, enquanto o Profeta vivia, não havia necessidade para a explicação dos versículos, nem a regulamentação dessa ciência, porque o texto, na sua totalidade, era claro, compreensível para o Profeta e seus Companheiros. Apesar disso, o Profeta explicava alguns versículos e algumas pronúncias que podiam

O Alcorão era e continua sendo o centro da cultura
Sua explicação nada mais é do que o resultado de

causar ambigüidades; também os Companheiros do Profeta e alguns adeptos assim o fizeram. Isto porque poderia haver má interpretação, quaisquer que fossem as razões que teriam de se desenrolar na alvorada de um povo progressista, em formação, que iria se expandir através de conquistas, enriquecendo sua existência com acontecimentos históricos, discussões doutrinárias e pesquisas em jurisprudência e política. islâmica, dos movimentos filosóficos e de todas as suas atividades intelectuais; seus versículos estimulam a nele pensarmos. Disse o Altíssimo: "Eis o Livro que te revelamos, para que os sensatos recordem seus versículos e neles meditem."(38ª Surata, versículo 29) Disse mais: "Não meditam, acaso, no Alcorão? Se fosse de outra origem que não de Deus, haveria nele muitas discrepâncias."(4ª Surata, versículo 82) E disse ainda: "Não meditam, acaso, no Alcorão, ou é que seus corações são insensíveis?"(47ª Surata, versículo 24.) meditação e de deliberação. O ponto de vista dos doutos na matéria, bem como seus métodos, são diversificados. Alguns, levados pela simpatia doutrinária, apegaram-se à explicação dos versículos, nesse sentido. Outros, levados pela simpatia lingüística, eloqüente, estilística e literária, enredaram-se também, nesse particular; o mesmo aconteceu com os simpatizantes da jurisprudência. Outros, ainda, apegaram-se à explicação das narrativas. Nesse particular, houve aqueles que se prolongaram na explicação, até a prolixidade estafante, e outros restringiram-na à sucintez chocante, e outros, ainda, quedaram-se no meio-termo. Deles, houve quem tendesse para a explicação pessoal, e outros ainda no estilo esdrúxulo; outros em estilo claro. De tudo isso resultou uma grande riqueza científica e um movimento intelectual considerável, que elevam glorificam um povo que serve ao Livro de seu Senhor, quer seja em decorá-lo, preservá-lo explicá-lo, quer seja em examiná-lo, elevá-lo e consagrá-lo ao longo de catorze séculos, que serão seguidos por muitos outros, até que tudo que há no universo compareça

Todas as importantes religiões do mundo são baseadas
No tempo em que emergiam o que nós chamamos de
Mesmo assim, nenhum destes dois meios é infalível

perante o Criador: "Nós revelamos a Mensagem e somos Seu Preservador"(15ª Surata, versículo 9) "Este é o Livro (o Alcorão) veraz por excelência. A falsidade não se aproxima dele nem pela frente, nem por trás, porque é a revelação do Prudente, Laudabilíssimo."(41ª Surata, versículo 41-42) nos seus Livros Sagrados, os quais são freqüentemente atribuídos a revelações divinas. Seria patético se, por algum infortúnio, uma delas viesse a perder o texto original da revelação; a substituição jamais poderia estar em inteira conformidade com o que fora perdido. Os brâmanes, os budistas, os judeus, os masdeístas e os cristãos podem comparar o método empregado para a preservação dos ensinamentos básicos de suas respectivas religiões com o método dos muçulmanos. Quem lhes escreveu os livros? Quem lhos transmitiu de geração a geração? Será a transmissão provinda de textos originais ou apenas tradução? Não haveriam as guerras fratricidas causado dano às cópias dos textos? Não haverá contradições internas ou lacunas cujas referencias são encontradas em outro lugar? Estas são algumas das questões que poderão ser aventadas, e isso requer respostas satisfatórias. as Grandes Religiões, os homens não apenas confiaram em suas memórias, mas também inventaram a arte de escrever, para preservarem sues pensamentos, assinalando, de modo mais premente do que fariam as memórias individuais dos serres humanos que, afinal de contas, têm um limitado ciclo de vida. quando tomados separadamente. É uma questão de experiência cotidiana o ato de que, quando se escreve algo e então se o revisa, encontram-se mais ou menos erros inadvertidos, omissão de letras ou mesmo de palavras, repetição de relatos, uso de palavras contrárias àquelas pretendidas, erros gramaticais etc., sem falar nas mudanças de opinião do escritor, que também corrige seu estilo, seus pensamentos, seus argumentos e, às vezes, reescreve todo o documento. O mesmo acontece quanto à

O Profeta do Islam, Mohammad, de memória
Os ensinamentos islâmicos são baseados no que o
A palavra Alcorão literalmente significa "leitura por
É razoável acreditarmos que as primeiríssimas

faculdade da memória. Aqueles que têm obrigação ou habilidade em aprender de cor algum texto, para recitá-lo mais tarde, especialmente quando isso envolve longuíssimas passagens, sabem que às vezes suas memórias falham durante a recitação: pulam passagens, misturam umas com as outras, ou não se lembram de toda a seqüência; às vezes o texto correto permanece na subconsciência e é relembrado no último momento, ou no rebuscamento da memória por indicação de outrem, ou ao ser consultado o texto em documento escrito. privilegiada, empregava ambos os métodos simultaneamente, um ajudando o outro, reforçando a integridade do texto e diminuindo ao mínimo as possibilidades de erro. Profeta Mohammad disse ou fez. Ele próprio ditou certos textos a seus escribas, o que chamamos de Alcorão; outros textos foram compilados por seus companheiros, na maioria das vezes por iniciativa própria; e a esses escritos chamamos de Tradição. excelência" ou "recitação". Enquanto o ditava a seus Companheiros, o Profeta lhes assegurava que era a Revelação Divina que ele havia recebido. Ele não ditou tudo de uma só vez: as revelações chegavam-lhe em fragmentos, de tempos em tempos. Tão logo ele recebia uma, costumava comunicá-la a seus companheiros e pedir-lhes não somente que a prendessem de cor – para que a recitassem durante a prática das orações -, mas também que a escrevessem e que multiplicassem as cópias. Em tais ocasiões, ele indicava o lugar preciso da nova revelação no texto; não era dele a compilação cronológica. Não é de admirar a precaução e o cuidado tomados para a precisão, levando-se em consideração o padrão da cultura dos árabes daquele tempo. revelações recebidas pelo Profeta não foram imediatamente submetidas à escrita, pela simples razão de que não havia, ainda, companheiro algum ou aderentes.

Alguns fatos da história dão-nos a idéia do que
A natureza das revelações impunha ao Profeta repeti-

Estas primeiras partes não eram nem longas, nem numerosas. Não havia risco de que o Profeta pudesse esquecê-las, umas vez que ele as recitava freqüentemente em suas orações e em conversar proselíticas. aconteceu. Ômar Ibn al Khattab é considerado a quadragésima pessoa a abraçar o Islam. Isso se refere ao ano quinto da Missão (oito antes da Hégira). Mesmo em uma data primordial existiam cópias escritas de certas suratas do Alcorão e, como Ibn Hicham relata, foi devido ao profundo efeito produzido pela leitura acurada de alguns versículos da vigésima Surata que Ômar abraçou o Islam. Não sabemos precisamente o tempo em que a prática de escrever o Alcorão começou; contudo, há informações precisas de que durante os remanescentes dezoito anos da vida do Profeta, o números dos muçulmanos, como também das cópias do texto Sagrado, continuou aumentando dia a dia. Como o Profeta recebia as revelações em fragmentos, era natural que o texto revelado se referisse aos problemas do dia. Se acontecesse um de seus companheiros morrer, a revelação consistiria em promulgar a lei da herança; não seria de lei penal, tratando de roubo, por exemplo, a ser revelada no momento. As revelações continuaram durante a inteira vida missionária de Mohammad, treze anos em Makka e dez em Madina. Uma revelação consistia às vezes de uma inteira Surata, curta ou longa, e às vezes de apenas uns poucos versículos. las constantemente em suas recitações, e revisar continuamente a forma que as coleções dos fragmentos teria que tomar. Todos os doutos afirmam, com autoridade, que o Profeta recitava todos os anos, no mês de Ramadan, perante o anjo Gabriel, aparte do Alcorão até então revelada, e que no último ano de sua vida Gabriel pediulhe que o recitasse inteiro duas vezes. O Profeta concluiu, desde então, que iria, em breve, despedir-se da vida. O Profeta costumava revisar, nos meses do jejum, os versículos e as suratas, e colocá-las em sua seqüência adequada. Isto era necessário por causa da continuidade

Quando o Profeta deu seu último suspiro, uma rebelião
Durante seus últimos anos de vida, o Profeta
A cópia condizente, assim preparada, foi chamada de

das novas revelações. É também sabido que o Profeta tinha o hábito de celebrar uma prática adicional de oração durante os meses do jejum, todas as noites, às vezes mesmo em congregação, na qual ele recitava o Alcorão do princípio ao fim, tarefa esta que era completada ao cabo de um mês. Esta prática, chamada de Tarawih, continua a ser observada com grande devoção até estes nossos dias. estava tomando vulto em certas partes do país. Tentando debelá-la, várias pessoas que conheciam o Alcorão de cor tombaram. O Califa Abu Bakr sentiu a urgência da codificação do Alcorão, e a tarefa foi cumprida um mês depois da morte do Profeta. costumava usar Zaid Ibn Sábet como principal amanuense, para tomar em ditado as revelações recentemente recebidas. Abu Bakr encarregou a mesma pessoa da tarefa de preparação de uma cópia condizente de todo o texto, em forma de livro. Havia então em Madina vários Huffaz (aqueles que sabiam todo o Alcorão de cor), e Zaid era um deles. Sob a direção do Califa, Zaid transcreveu o texto escrito em pergaminhos ou pedaços de couro, nas omoplatas das reses, nos ossos, nas pedras polidas e mesmo em pedaços de porcelana. Musshaf (encadernação). Esta foi conservada sob a própria custódia do Califa Abu Bakr e, depois dele, por seu sucessor, Ômar Ibn al Khattab. Nesse meio tempo o estudo do Alcorão foi encorajado em toda parte do Império Muçulmano. O Califa Ômar sentiu a necessidade de enviar cópias do texto autêntico aos centros provincianos a fim de evitar as divergências; mas foi deixado a seu sucessor, Otman, continuar com a tarefa. Um de seus comandantes, Huzaifa Aliaman, havendo voltado de uma viagem pelas vastas terras conquistadas pelos muçulmanos, relatou que havia encontrado divergentes cópias do Alcorão e que havia, às vezes, desentendimento entre os diferentes mestres do Livro, concernente a isso. Otman fez imediatamente com que a cópia preparada para Abu Bakr fosse confiada a uma comissão presidida pelo acima

É concebível que as grandes conquistas militares dos

mensionado Zaid Ibn Sábet, para a reprodução de sete cópias; ele autorizou-lhes a revisão da pronúncia, se necessário. Quando a tarefa foi concluída, o Califa efetuou uma recitação pública da nova edição perante os doutos presentes na capital, perante os companheiros do Profeta, e então enviou estas cópias aos diferentes centros do vasto mundo islâmico, ordenando que dali por diante todas as cópias fossem baseadas na edição autêntica. Ele ordenou a destruição das cópias que, de algum modo, se desviassem do texto assim oficialmente estabelecido. primeiros muçulmanos induzissem alguns espíritos hipócritas a proclamarem sua impulsiva conversão ao Islam por motivos materiais, e para tentar danificá-lo de maneira clandestina. Eles fabricaram versões do Alcorão com interpolações. As "lágrimas de crocodilo", que foram derramadas pela destruição das cópias não autenticadas do Alcorão, por ordem do Califa Otman, somente poderiam Ter sido de tais hipócritas. É sabido que o Profeta às vezes ab-rogava certos versículos que haviam sido comunicados previamente ao povo, e isso era feito para fortificar as novas Revelações Divinas. Houve Companheiros que aprenderam a primeira versão, sem contudo estarem cientes das últimas modificações, tanto por causa da morte do Profeta como por suas residências fora de Madina. Estes devem Ter deixado cópias a seus descendentes, as quais, embora autênticas, estavam ultrapassadas. Ainda, alguns muçulmanos tinham o hábito de pedir ao Profeta que explicasse certos termos empregados no texto sagrado e anotar tais explicações nas margens de suas cópias do Alcorão, a fim de não esquecerem delas. As cópias feitas mais tarde, com base nesses textos anotados, causariam às vezes confusões na questão do texto e do glossário. A despeito da ordem do Califa Otman, para que se destruíssem os textos inexatos, existia, nos séculos I e IV da Hégira, assunto bastante para a compilação de volumosas obras, constituindo as "variações do Alcorão". Estas chegaram até nós, mas um apurado estudo mostra-nos que tais variantes eram arábica, que não possuía vogais, nem se podia distinguir

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