Implantação de politicas de Gerenciamento de Riscos

Implantação de politicas de Gerenciamento de Riscos

Implantação de Políticas de Gerenciamento de Riscos e a Inter-relação dessas com a área de seguros

Engº Antonio Fernando Navarro1

1 Antonio Fernando Navarro é físico, engenheiro civil, engenheiro de segurança do trabalho, mestre em saúde e meio ambiente, doutorando em engenharia civil, especialista em gerenciamento de riscos, engenheiro e professor da Universidade Federal Fluminense – UFF/RJ – e-mail: navarro@vm.uff.br; afnavarro@terra.com.br.

Implantação de políticas de Gerenciamento de Riscos

Pode parecer estranho associar-se as técnicas de gerenciamento de riscos às atividades de seguros, mas há fortes laços entre essas duas áreas. Enquanto o gerenciamento de riscos trata das questões associadas à prevenção, mitigação ou eliminação dos riscos, por meio de técnicas específicas e multidisciplinares, passando necessariamente pela área de engenharia e de confiabilidade de sistemas, a área de seguros é uma das formas de tratar-se os riscos, através do repasse das responsabilidades pelos mesmos para uma seguradora. O repasse sempre se dá através da assunção, pela seguradora, dos riscos, mediante o pagamento de uma quantia, denominada de prêmio de seguros. Como a visão aqui apresentada não tem o grau de profundidade para a expansão do tema, abordam-se apenas alguns dos critérios empregados pelos gerentes de riscos para a escolha de seus corretores de seguros, que, em última instância, são os representantes dos segurados junto às seguradoras e vice versa.

O Gerente de Riscos é o profissional que avalia tecnicamente os riscos existentes na unidade industrial, os decompõem em seus vários níveis, principalmente no que diz respeito aos meios de prevenção, e avalia como esses serão repassados para uma seguradora. Há que se considerar que o risco é na maior parte das vezes algo intangível, somente se tendo condições de avalia-lo quando ele se materializa sob a forma de um acidente. Assim, o risco apresenta o potencial de causar perdas, sejam essas financeiras, materiais, humanas ou de responsabilidades. Para cada uma dessas formas de materialização dos riscos podem existir meios de prevenção, mitigação ou eliminação, da mesma forma que meios de repasse das consequências dos riscos, que são as prováveis perdas para uma seguradora.

Quando uma seguradora assume um risco, passa a ser responsável por todas as perdas ou danos que esse venha a causar, quando se materializar. Há riscos onde o tempo de recorrência é longo e outros onde a periodicidade de materialização é alta. Quanto menor é o intervalo de tempo para a materialização dos riscos maior é o custo do seguro. Os cálculos atuariais não levam em consideração somente essa questão, mas também outras, como o custo envolvido (prejuízos) e os desdobramentos que possam existir, como por exemplo, os riscos de explosão, de fenômenos naturais, entre outros, que terminam por causar danos diretos e indiretos. Assim, s implantação de uma política, qualquer que seja ela, de seguros e de gerenciamento de riscos, deverá contar com uma série de pré-requisitos.

O Gerenciamento de Riscos, algumas vezes conhecido como Gestão ou Administração de

Riscos, é uma atividade bastante complexa, já que trata da gestão de riscos, como seu nome indica. Risco pode possuir várias definições. A que mais empregamos é aquela que informa tratar-se de um evento futuro, possível, incerto, independente da vontade das partes e cuja materialização pode ser mensurada. Ocorre que todos os itens dessa definição podem se dar no tempo futuro. Nesse caso, os graus de incerteza são elevados. Para reduzi-los costumam ser utilizadas ferramentas de confiabilidade de processos e noções de estatística e probabilidade, isto porque todos os eventuais eventos, ou eventos previsíveis devem ser abstraídos de suas dispersões usuais em relação à curva de ocorrências esperada de modo que se possa chegar a um valor de perda, atuarialmente falando.

Em uma outra linguagem podemos afirmar que todo “perigo” tem como consequência um ou vários riscos. O trabalho em uma subestação elétrica energizada é um trabalho perigoso. Há vários riscos decorrentes, como o da eletrocussão, por exemplo. Esse risco pode gerar perdas. O seguro é uma das formas de repor-se monetariamente as perdas. O Gerenciamento de Riscos é a disciplina que avalia os perigos, estima os riscos e analisa os custos de reparação com aqueles que podem ser obtidos com a implementação de ações corretivas. Quando os custos de implementação dessas ações passam a ser elevados, a alternativa da transferência das responsabilidades para uma seguradora torna-se mais vantajosa. Sob essa ótica o Gerente de Riscos é o profissional que detém todas as informações necessárias para a tomada de decisões, seja quanto à manutenção do risco e a assunção pela própria empresa, ou a transferência desse para uma seguradora. Lógico é que nas transferências de risco as seguradoras também irão avaliar se suas responsabilidades são globais, abrangendo toda a empresa, ou se se resumem somente às atividades de maior risco. Em função das respostas obtidas são apresentados os custos da operação de transferência, seguindo a lógica: quanto maior os riscos transferidos maior os custos de seguros

No que tange ao Gerenciamento de Riscos, alguns desses requisitos são listados a seguir. O par a passo de algumas das tarefas impostas ao Gerente de Riscos da empresa são:

Cuidados a serem observados para o Gerenciamento de Riscos

1. Conhecimento das rotinas a serem implementadas e implantadas; 2. Conhecimento das operações desenvolvidas pela empresa; 3. Análise do desempenho das pessoas envolvidas no Gerenciamento de riscos; 4. Análise do desempenho dos equipamentos e das máquinas empregadas na operação; 5. Conhecimento das experiências anteriores, vivenciadas pela empresa; 6. Conhecimento das experiências vivenciadas por empresas com atividades correlatas.

Fundamentos para a implantação de um programa de prevenção de perdas

1. Determinar uma Política, ou um Programa, e estabelecer planos de ação; 2. Gerar e sustentar o interesse dos empregados; 3. Traçar um Plano de Segurança de edifícios, equipamentos e processos; 4. Eliminar as causas de fogo, explosão e outras causas, por intermédio de:

• adequado treinamento;

• supervisão;

• arrumação, e

• manutenção; 5. Instalar equipamentos de segurança onde se fizerem necessários; 6. Manter os equipamentos de proteção contra riscos emergenciais ou latentes prontos para uso imediato; 7. Organizar e treinar os empregados para as ações de emergência; 8. Ter sempre em mãos um plano de contingência.

Estabelecimento de uma Política de Seguros

1. Estabelecimento dos objetivos da área; 2. Estabelecimento dos critérios de atuação da área; 3. Análise do inter-relacionamento com outras áreas da empresa; 4. Análise do inter-relacionamento com Corretores de Seguros e Seguradoras; 5. Estudo dos riscos existentes; 6. Estudo dos riscos seguráveis; 7. Avaliação dos riscos assumíveis e dos riscos transferíveis; 8. Identificação dos riscos segurados; 9. Identificação dos riscos não seguráveis; 10.Elaboração do orçamento da área; 1.Revisão e atualização dos dispêndios anuais; 12.Preparação do relatório anual e ser fornecido à alta Direção da empresa; 13.Prática do Gerenciamento por exceção.

Elaboração do Manual de Seguros da Empresa

1. Preparação de um resumo da Política de Riscos e Seguros; 2. Instruções sobre procedimentos para a manutenção dos seguros, no que tange às renovações ou contratações de novas coberturas; 3. Elaboração de instruções sobre o fluxo de informações e de documentos, para a contratação de seguros e para a obtenção de ressarcimentos ou de indenizações por sinistros; 4. Descrição dos Ramos de Seguros contidos no Manual, ressaltando os Riscos Cobertos e os

Riscos não Cobertos, bem como as obrigações do Segurado; 5. Elaboração de um plano de procedimentos a ser seguido em caso de sinistro; 6. Atribuição das responsabilidades de cada área envolvida; 7. Estabelecimento dos valores, a partir dos quais, dever-se-á contratar coberturas de seguros; 8. Definir os bens que não serão segurados; 9. Estabelecer um programa de análise dos acidentes e/ou incidentes ocorridos na empresa, com vistas a fixação dos valores envolvidos em cada uma das perdas; 10. Criação dos formulários a serem adotados, na comunicação de sinistros, na comunicação de acidentes não segurados, na inclusão ou exclusão de bens, e outros; 1. Estabelecer a periodicidade da reavaliação das instruções contidas no Manual.

Desafios de um Gerente de Riscos

Motivar Cativar Incentivar Manter informado Educar

Critérios para a escolha de um Corretor de Seguros Fatores subjetivos

Confiança; Seriedade.

Fatores Estruturais

Técnica; Engenharia; Organização Administrativa; Capacidade de Avaliação de Programas de Seguros; Sistemas de informações implantados; Responsabilidade Civil do Corretor; Relacionamento do Corretor com o Mercado Segurador; Existência de negócios entre o Corretor e empresas assemelhadas.

Fatores Ambientais

Portfólio da empresa (carteira de clientes); Recursos e poder de negociação com as Seguradoras e o Ressegurador; Grau de informação de seus funcionários e de utilização de softwares; Grau de relacionamento com os clientes, seguradoras e resseguradores; Concentração de produto (tamanho das carteiras de seguros administradas).

Fatores Individuais

Fatores negociados para a redução de custos do Programa de Seguros - Financiamento; Serviços - Avaliação de Ativo Fixo e Sistemas de Atualização das Importâncias Seguradas;

Serviços negociados para o aperfeiçoamento da Gerência de Riscos, Inspeções e Controle de Perdas;

Fatores negociados para a ampliação das coberturas de seguros; Grau de transferência e/ou assunção de riscos; Qualidade do Contrato de Seguros; Normas estabelecidas com o Ressegurador para movimentação financeira.

Serviços a serem buscados externamente

Corretora especializada em determinadas carteiras de seguros, como por exemplo: cascos marítimos, aeronáuticos, garantia, crédito, saúde, vida em grupo;

Auditorias de apólices, de programas de seguros e de custos.

Serviços esporádicos

Property Loss Control; Casualty Loss Control; Avaliação de Riscos eventuais; Elaboração de produtos especiais; Treinamento de funcionários.

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