No século 20 a idéia de que um dos indicadores mais seguros de riqueza de uma nação era o tamanho de suas reservas de petróleo predominou, no entanto, no princípio do século 21 isso começa ser questionado.

Economistas, empresas e políticos estão levando em conta outro tipo de líquido para determinar a prosperidade futura desse ou daquele país: a água.

Em tese a água é mais abundante que o petróleo. Nos últimos cem anos, a população do planeta quase quadruplicou enquanto que a necessidade por água aumentou seis vezes.

Estima-se que a humanidade use atualmente mais que a natureza tem condições de repor, esgotando a maioria das reservas de água potável do planeta. 70% do uso é destinado à agricultura industrializada e 20% àa demais atividades indústriais.

A escassez de água já atinge hoje 2 bilhões de pessoas e a

Organização das Nações Unidas (ONU) prevê que, se não forem adotadas medidas para conter o consumo da agricultura e da indústria, dentro de 25 anos, serão 4 bilhões de pessoas que não terão água em quantidade suficiente para as necessidades básicas.

tempo estavam em categorias muito diferentes,

Do ponto de vista econômico, água e petróleo até bem pouco com valores incomparáveis.

O petróleo é um resíduo fóssil esgotável e sua extração requer investimentos pesados.

A água é renovável pelo ciclo natural, distribuído com fartura na superfície do planeta.

Ocorre que a ação humana afetou de forma dramática o ciclo natural de renovação dos recursos naturais.

Mais da metade dos rios está poluída pelos esgotos, resíduos industriais, hospitalares e agrotóxicos.

Estima-se que 30% das maiores bacias hidrográficas do mundo perderam mais da metade da cobertura vegetal original, o que levou à redução da quantidade de água.

Nove de cada dez litros de água utilizados no Terceiro Mundo são devolvidos à natureza sem nenhum tipo de tratamento.

Por causa disso, o conceito de água como dádiva inesgotável é coisa do passado,

Como o petróleo no passado, a água está no cerne de um número cada vez maior de conflitos internacionais.

A ONUcalcula que 300 rios são objeto de conflitos fronteiriços.

Uma controvérsia séria envolve a disputa entre três países do Oriente

Médio pelo uso das águas do Eufrates, a Turquia (onde está a cabeceira do curso de água e ergueu várias represas para projetos de irrigação) a

Síria (cujo resultado da ação da Turquia resultou na diminuição do volume disponível, usado para suprir metade de sua demanda) e Iraque, principalmente ao norte.

Um dos pontos do conflito entre Israel e os palestinos diz respeito ao aproveitamento das nascentes do rio Jordão e das reservas aqüíferas da Palestina, hoje superexploradas pelos israelenses.

Ninguém quer ceder um líquido tão precioso

numa região com sede.

Na América Latina, os desafios destinam-se a compreender e superar a degradaçãodas águas oceânicase sua ligação com ambientes marinhos, costeiros e de água doce associados (devido à riqueza de sua biodiversidade), daságuas amazônicas; das águas do Prata(cujas nascentes mais altas estão na Serra da Mantiqueira em São Paulo) e daságuas subterrâneas do Aqüífero Guarani.

Se considerarmos que, num país como Israel, existe cerca de 500 litros de água/ano por habitante, que no Brasil esse número supera os

10.0 e no Paraguai 63.0 litros/ano por habitante, podemos perceber onde está o potencial para o futuro da humanidade e nos permitirá saber como as coisas andam no Planeta Terra, que talvez devesse se chamar Planeta Água.

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