Biblia de Jerusalém

Biblia de Jerusalém

(Parte 62 de 72)

As catástrofes cósmicas e a manifestação gloriosa do Filho do Homem25Haverá sinais no sol, na lua e nas estrelas; e na terra, as nações estarão em angústia, inquietas pelo bramido do mar e das ondas; 26os homens desfalecerão de medo, na expectativa do que ameaçará o mundo habitado, pois os poderes dos céus serão abalados. 27E então verão o Filho do Homem vindo numa nuvem com poder e grande glória. 28Quando começarem a acontecer essas coisas, erguei-vos e levantai a cabeça, pois está próxima a vossa libertação".

Parábola da figueira29Em seguida contou-lhes uma parábola: "Vede a figueira e as árvores todas. 30Quando brotam, olhando-as, sabeis que o verão já está próximo. 31Da mesma forma também vós, quando virdes essas coisas acontecerem, sabei que o Reino de Deus está próximo. 32Em verdade vos digo que esta geração não passará sem que tudo aconteça. 33O céu e a terra passarão; minhas palavras, porém, não passarão.

Vigiar para não ser surpreendido34Cuidado para que vossos corações não fiquem pesados pela devassidão, pela embriaguez, pelas preocupações da vida, e não se abata repentinamente sobre vós aquele Dia, 35como um laço; pois ele sobrevirá a todos os habitantes da face de toda a terra. 36Ficai acordados, portanto, orando em todo momento, para terdes a força de escapar de tudo o que deve acontecer e de ficar de pé diante do Filho do Homem".

Os últimos dias de Jesus37Durante o dia ele ensinava no Templo, mas passava as noites ao relento, no monte chamado das Oliveiras. 38E todo o povo madrugava junto com ele no Templo, para ouvi-lo.

VI. A paixão

22 Conspiração contra Jesus e traição de Judas1Aproximava-se a festa dos Ázimos, chamada Páscoa. 2E os chefes dos sacerdotes e os escribas procuravam de que modo eliminá-lo, pois temiam o povo." 3Satanás entrou em Judas, chamado Iscariotes, do número dos Doze. 4Ele foi conferenciar com os chefes dos sacerdotes e com os chefes da guarda sobre o modo de lho entregar. 5 Alegraram-se e combinaram dar-lhe dinheiro. 6Ele aceitou, e procurava uma oportunidade para entregá-lo a eles, escondido da multidão.

Preparativos da ceia pascal7Veio o dia dos Ázimos, quando devia ser imolada a páscoa. 8Jesus então enviou Pedro e João, dizendo: "Ide preparar-nos a páscoa para comermos". 9Perguntaram-lhe: "Onde queres que a preparemos?" 10Respondeu-lhes: "Logo que entrardes na cidade, encontrareis um homem levando uma bilha de água. Segui-o até à casa em que ele entrar. 11Direis ao dono da casa: 'O Mestre te pergunta: onde está a sala em que comerei a páscoa com os meus discípulos?' 12E ele vos mostrará, no andar superior, uma grande sala, provida de almofadas; preparai ali". 13Eles foram, acharam tudo como dissera Jesus, e prepararam a páscoa.

A ceia pascal14Quando chegou a hora, ele se pôs à mesa com seus apóstolos 15e disse-lhes: "Desejei ardentemente comer esta páscoa convosco antes de sofrer; 16pois eu vos digo que já não a comerei até que ela se cumpra no Reino de Deus". 17Então, tomando um cálice," deu graças e disse: "Tomai isto e reparti entre vós; 18pois eu vos digo que doravante não beberei do fruto da videira, até que venha o Reino de Deus".

Instituição da eucaristia19E tomou um pão, deu graças, partiu e distribuiu-o a eles, dizendo. "Isto é o meu corpo que é dado por vós. Fazei isto em minha memória". 20E, depois de comer, fez o mesmo com o cálice, dizendo: "Este cálice é a Nova Aliança em meu sangue, que é derramado em favor de vós.

Anúncio da traição de Judas21Eis, porém, que a mão do que me trai está comigo, sobre a mesa. 22O Filho do Homem vai, segundo o que foi determinado, mas ai daquele homem por quem ele for entregue!" 23Começaram então a indagar entre si qual deles iria fazer tal coisa.

Quem é o maior?24Houve também uma discussão entre eles: qual seria o maior? 25Jesus lhes disse: "Os reis das nações as dominam, e os que as tiranizam são chamados Benfeitores. 26Quanto a vós, não deverá ser assim; pelo contrário, o maior dentre vós torne-se como o mais jovem, e o que governa como aquele que serve. 27Pois, qual é o maior: o que está à mesa, ou aquele que serve? Não é aquele que está à mesa? Eu, porém, estou no meio de vós como aquele que serve!

Recompensa prometida aos apóstolos28Vós sois os que permanecestes constantemente comigo em minhas tentações; 29também eu disponho para vós o Reino, como o meu Pai o dispôs para mim, 30a fim de que comais e bebais à minha mesa em meu Reino, e vos senteis em tronos para julgar as doze tribos de Israel.

Anúncio da negação e da conversão de Pedro31Simão, Simão, eis que Satanás pediu insistentemente para vos peneirar como trigo; 32eu, porém, orei por ti, a fim de que tua fé não desfaleça. Quando, porém, te converteres, confirma teus irmãos". 33Disse ele: "Senhor, estou pronto a ir contigo à prisão e à morte". 34Ele, porém, replicou: "Pedro, eu te digo: o galo não cantará hoje sem que por três vezes tenhas negado conhecer-me".

A hora do combate decisivo35E disse-lhes: "Quando eu vos enviei sem bolsa, nem alforje, nem sandálias, faltou-vos alguma coisa?" — "Nada", responderam. 36Ele continuou: "Agora, porém, aquele que tem uma bolsa tome-a, como também aquele que tem um alforje; e quem não tiver uma espada, venda a veste para comprar uma. 37Pois eu vos digo, é preciso que se cumpra em mim o que está escrito: Ele foi contado entre os iníquos. Pois também o que me diz respeito tem um fim". 38Disseram eles: "Senhor, eis aqui duas espadas". Ele respondeu. "É suficiente!"

No monte das Oliveiras39Ele saiu e, como de costume, dirigiu-se ao monte das Oliveiras. Os discípulos o acompanharam. 40Chegando ao lugar, disse-lhes: "Orai para não entrardes em tentação". 41E afastou-se deles mais ou menos a um tiro de pedra, e, dobrando os joelhos, orava: 42"Pai, se queres, afasta de mim este cálice! Contudo, não a minha vontade, mas a tua seja feita!" 43Apareceu-lhe um anjo do céu, que o confortava. 44E, cheio de angústia, orava com mais insistência ainda, e o suor se lhe tornou semelhante a espessas gotas de sangue que caíam por terra. 45Erguendo-se após a oração, veio para junto dos discípulos e encontrou-os adormecidos de tristeza. 46E disse-lhes: "Por que estais dormindo? Levantai-vos e orai, para que não entreis em tentação!"

Prisão de Jesus47Enquanto ainda falava, eis que chegou uma multidão. À frente estava o chamado Judas, um dos Doze, que se aproximou de Jesus para beijá-lo. 48Jesus lhe disse: "Judas, com um beijo entregas o Filho do Homem?" 49Vendo o que estava para acontecer, os que se achavam com ele disseram-lhe: "Senhor, e se ferirmos à espada?" 50E um deles feriu o servo do Sumo Sacerdote, decepando-lhe a orelha direita. 51Jesus, porém, tomou a palavra e disse: "Deixai! Basta!" E tocando-lhe a orelha, curou-o. 52Depois, Jesus dirigiu-se àqueles que vieram de encontro a ele, chefes dos sacerdotes, chefes da guarda do Templo e anciãos: "Como a um ladrão saístes com espadas e paus? 53Eu estava convosco no Templo todos os dias e não pusestes a mão sobre mim. Mas é a vossa hora, e o poder das Trevas".

Negações de Pedro54Prenderam-no e levaram-no, introduzindo-o na casa do Sumo Sacerdote. Pedro seguia de longe. 55Tendo eles acendido uma fogueira no meio do pátio, sentaram-se ao redor, e Pedro sentou-se no meio deles. 56Ora, uma criada viu-o sentado perto do fogo e, encarando-o, disse: "Este também estava em companhia dele!" 57Ele, porém, negou: "Mulher, eu não o conheço". 58Pouco depois, um outro, tendo-o visto, afirmou: "Tu também és um deles!" Mas Pedro declarou: "Homem, não sou". 59Decorrida mais ou menos uma hora, outro insistia: "Certamente, este também estava com ele, pois é galileu!" 60Pedro disse: "Homem, não sei o que dizes". Imediatamente, enquanto ele ainda falava, o galo cantou, 61e o Senhor, voltando-se, fixou o olhar em Pedro. Pedro então lembrou-se da palavra que o Senhor lhe dissera: "Antes que o galo cante hoje, tu me terás negado três vezes". 62E saindo para fora, chorou amargamente.

Primeiros ultrajes63Os guardas caçoavam de Jesus, espancavam-no, 64cobriam-lhe o rosto e o interrogavam: "Faz uma profecia: quem é que te bateu?" 65E proferiam contra ele muitos outros insultos.

Jesus diante do Sinédrio 66Quando se fez dia, reuniu-se o conselho dos anciãos do povo, chefes dos sacerdotes e escribas, e levaram-no para o Sinédrio, 67dizendo: "Se tu és o Cristo, dize-nos!" Ele respondeu: "Se eu vos disser, não acreditareis, 68e se eu vos interrogar, não respondereis. 69Mas, desde agora, o Filho do Homem estará sentado à direita do Poder de Deus!" 70Todos então disseram: "És, portanto, o Filho de Deus?" Ele lhes declarou: "Vós dizeis que eu sou!" 71Replicaram: "Que necessidade temos ainda de testemunho? Ouvimo-lo de sua própria boca!"

23 1Toda a multidão se levantou; e conduziram-no a Pilatos.

Jesus perante Pilatos2Começaram então a acusá-lo, dizendo: "Encontramos este homem subvertendo nossa nação, impedindo que se paguem os impostos a César e pretendendo ser Cristo Rei". 3Pilatos o interrogou: "És tu o rei dos judeus?" Respondendo, ele declarou: "Tu o dizes". 4Pilatos disse, então, aos chefes dos sacerdotes e às multidões: "Não encontro nesse homem motivo algum de condenação". 5Eles, porém, insistiam: "Ele subleva o povo, ensinando por toda a Judéia, desde a Galiléia, onde começou, até aqui". 6A essas palavras, Pilatos perguntou se ele era galileu. 7E certificando-se de que pertencia à jurisdição de Herodes, transferiu-o a Herodes que, naqueles dias, também se encontrava em Jerusalém.

Jesus perante Herodes8Vendo a Jesus, Herodes ficou muito contente; havia muito tempo que queria vê-lo, pelo que ouvia dizer dele; e esperava ver algum milagre feito por ele. 9Interrogou-o com muitas perguntas; ele, porém, nada lhe respondeu. 10"Entretanto, os chefes dos sacerdotes e os escribas lá se achavam, e acusavam-no com veemência. 11Herodes, juntamente com a sua escolta, tratou-o com desprezo e escárnio; e, vestindo-o com uma veste brilhante, remeteu-o a Pilatos. 12E nesse mesmo dia Herodes e Pilatos ficaram amigos entre si, pois antes eram inimigos.

Jesus novamente diante de Pilatos13Depois de convocar os chefes dos sacerdotes, os chefes e o povo, Pilatos 14disse-lhes: "Vós me apresentastes este homem como um agitador do povo; ora, eu o interroguei diante de vós e não encontrei neste homem motivo algum de condenação, como o acusais. 15Tampouco Herodes, uma vez que ele o enviou novamente a nós. Como vedes, este homem nada fez que mereça a morte. 16Por isso eu vou soltá-lo, depois de o castigar". [17]18Eles, porém, vociferaram todos juntos: "Morra esse homem! Solta-nos Barrabás!" 19Este último havia sido preso por um motim na cidade e por homicídio. 20Pilatos, querendo soltar Jesus, dirigiu-lhes de novo a palavra. 21Mas eles gritavam: "Crucifica-o! Crucifica-o!" 22Pela terceira vez, disse-lhes: "Que mal fez este homem? Nenhum motivo de morte encontrei nele! Por isso vou soltá-lo depois de o castigar".23Eles, porém, insistiam com grandes gritos, pedindo que fosse crucificado; e seus clamores aumentavam. 24Então Pilatos sentenciou que se atendesse ao pedido deles. 25Soltou aquele que fora posto na prisão por motim e homicídio, e que eles reclamavam. Quanto a Jesus, entregou-o ao arbítrio deles.

A caminho do Calvário26Enquanto o levavam, tomaram um certo Simão de Cirene, que vinha do campo, e impuseram-lhe a cruz para levá-la atrás de Jesus. 27Grande multidão do povo o seguia, como também mulheres6 que batiam no peito e se lamentavam por causa dele. 28Jesus, porém, voltou-se para elas e disse: "Filhas de Jerusalém, não choreis por mim; chorai, antes, por vós mesmas e por vossos filhos! 29Pois, eis que virão dias em que se dirá: Felizes as estéreis, as entranhas que não conceberam e os seios que não amamentaram! 30Então começarão a dizer às montanhas: Caí sobre nós! e às colinas: Cobri-nos! 31Porque se fazem assim com o lenho verde, o que acontecerá com o seco?"32Eram conduzidos também dois malfeitores para serem executados com ele.

A crucifixão33Chegando ao lugar chamado Caveira, lá o crucificaram, bem como aos malfeitores, um à direita e outro à esquerda. 34Jesus dizia: "Pai, perdoa-lhes: não sabem o que fazem". Depois, repartindo suas vestes, sorteavam-nas.

Jesus na cruz, sujeito à zombaria e ultrajes35O povo permanecia lá, a olhar. Os chefes, porém, zombavam e diziam: "A outros salvou, que salve a si mesmo, se é o Cristo de Deus, o Eleito!" 36Os soldados também caçoavam dele; aproximando-se, traziam-lhe vinagre, 37e diziam: "Se és o rei dos judeus, salva-te a ti mesmo". 38E havia uma inscrição acima dele: "Este é o Rei dos judeus".

O "bom ladrão"39Um dos malfeitores suspensos à cruz o insultava, dizendo: "Não és tu o Cristo? Salva-te a ti mesmo e a nós". 40Mas o outro, tomando a palavra, o repreendia: "Nem sequer temes a Deus, estando na mesma condenação? 41Quanto a nós, é de justiça; estamos pagando por nossos atos; mas ele não fez nenhum mal". 42E acrescentou: "Jesus, lembra-te de mim, quando vieres com teu reino". 43Ele respondeu: "Em verdade, eu te digo, hoje estarás comigo no Paraíso".

A morte de Jesus44Era já mais ou menos a hora sexta quando houve treva sobre a terra inteira até à hora nona, 45tendo desaparecido o sol. O véu do Santuário rasgou-se ao meio, 46e Jesus deu um grande grito: "Pai, em tuas mãos entrego o meu espírito". Dizendo isso, expirou.

Após a morte de Jesus47O centurião, vendo o que acontecera, glorificava a Deus, dizendo: "Realmente, este homem era um justo!" 48E toda a multidão que havia acorrido para o espetáculo, vendo o que havia acontecido, voltou, batendo no peito. 49Todos os seus amigos, bem como as mulheres que o haviam acompanhado desde a Galiléia, permaneciam à distância, observando essas coisas.

O sepultamento50Eis que havia um homem chamado José, membro do Conselho, homem bom e justo, 51que não concordara nem com o desígnio, nem com a ação deles. Era de Arimatéia, cidade dos judeus, e esperava o Reino de Deus.52Indo procurar Pilatos, pediu o corpo de Jesus. 53E, descendo-o, envolveu-o num lençol e colocou-o numa tumba talhada na pedra, onde ninguém ainda havia sido posto. 54Era o dia da Preparação, e o sábado começava a luzir. 55As mulheres, porém, que tinham vindo da Galiléia com Jesus, haviam seguido a José; observaram o túmulo e como o corpo de Jesus fora ali depositado. 56Em seguida, voltaram e prepararam aromas e perfumes. E, no sábado, observaram o repouso prescrito.

VII. Após a ressurreição

24 O sepulcro vazio. Mensagem do anjo1No primeiro dia da semana, muito cedo ainda, elas foram à tumba, levando os aromas que tinham preparado. 2Encontraram a pedra do túmulo removida, 3mas, ao entrar, não encontraram o corpo do Senhor Jesus. 4E aconteceu que, estando perplexas com isso, dois homens se postaram diante delas, com veste fulgurante. 5Cheias de medo, inclinaram o rosto para o chão; eles, porém, disseram: "Por que procurais Aquele que vive entre os mortos? 6Ele não está aqui; ressuscitou. Lembrai-vos de como vos falou, quando ainda estava na Galiléia: 7'É preciso que o Filho do Homem seja entregue às mãos dos pecadores, seja crucificado, e ressuscite ao terceiro dia' ". 8E elas se lembraram de suas palavras.

Os apóstolos recusam o testemunho das mulheres9Ao voltarem do túmulo, anunciaram tudo isso aos Onze, bem como a todos os outros. 10Eram Maria Madalena, Joana e Maria, mãe de Tiago. As outras mulheres que estavam com elas disseram-no também aos apóstolos; 11essas palavras, porém, lhes pareceram desvario, e não lhes deram crédito.

Pedro junto ao túmulo12Pedro, contudo, levantou-se e correu ao túmulo. Inclinando-se, porém, viu apenas os lençóis. E voltou para casa, muito surpreso com o que acontecera.

Os dois discípulos de Emaús13Eis que dois deles viajavam nesse mesmo dia para um povoado chamado Emaús, a sessenta estádios de Jerusalém; 14e conversavam sobre todos esses acontecimentos. 15Ora, enquanto conversavam e discutiam entre si, o próprio Jesus aproximou-se e pôs-se a caminhar com eles; 16seus olhos, porém, estavam impedidos de reconhecê-lo.17Ele lhes disse: "Que palavras são essas que trocais enquanto ides caminhando?" E eles pararam, com o rosto sombrio. 18Um deles, chamado Cléofas, lhe perguntou: "Tu és o único forasteiro em Jerusalém que ignora os fatos que nela aconteceram nestes dias?" — 19"Quais?", disse-lhes ele. Responderam: "O que aconteceu a Jesus, o Nazareno, que foi um profeta poderoso em obra e em palavra, diante de Deus e diante de todo o povo: 20nossos chefes dos sacerdotes e nossos chefes o entregaram para ser condenado à morte e o crucificaram. 21Nós esperávamos que fosse ele quem iria redimir Israel; mas, com tudo isso, faz três dias que todas essas coisas aconteceram! 22É verdade que algumas mulheres, que são dos nossos, nos assustaram. Tendo ido muito cedo ao túmulo 23e não tendo encontrado o corpo, voltaram dizendo que tinham tido uma visão de anjos a declararem que ele está vivo. 24Alguns dos nossos foram ao túmulo e encontraram as coisas tais como as mulheres haviam dito; mas não o viram!" 25Ele, então, lhes disse: "Insensatos e lentos de coração para crer tudo o que os profetas anunciaram! 26Não era preciso que o Cristo sofresse tudo isso e entrasse em sua glória?" 27E, começando por Moisés e por todos os Profetas, interpretou-lhes em todas as Escrituras o que a ele dizia respeito. 28Aproximando-se do povoado para onde iam, Jesus simulou que ia mais adiante. 29Eles, porém, insistiram, dizendo: "Permanece conosco, pois cai a tarde e o dia já declina". Entrou então para ficar com eles. 30E, uma vez à mesa com eles, tomou o pão, abençoou-o, depois partiu-o e distribuiu-o a eles. 31Então seus olhos se abriram e o reconheceram; ele, porém, ficou invisível diante deles. 32E disseram um ao outro: "Não ardia o nosso coração quando ele nos falava pelo caminho, quando nos explicava as Escrituras?" 33Naquela mesma hora, levantaram-se e voltaram para Jerusalém. Acharam aí reunidos os Onze e seus companheiros, 34que disseram: "É verdade! O Senhor ressuscitou e apareceu a Simão!" 35E eles narraram os acontecimentos do caminho e como o haviam reconhecido na fração do pão.

Jesus aparece aos apóstolos36Falavam ainda, quando ele próprio se apresentou no meio deles e disse: "A paz esteja convosco!" 37Tomados de espanto e temor, imaginavam ver um espírito. 38Mas ele disse: "Por que estais perturbados e por que surgem tais dúvidas em vossos corações? 39Vede minhas mãos e meus pés: sou eu! Apalpai-me e entendei que um espírito não tem carne, nem ossos, como estais vendo que eu tenho". 40Dizendo isso, mostrou-lhes as mãos e os pés. 41E como, por causa da alegria, não podiam acreditar ainda e permaneciam surpresos, disse-lhes: "Tendes o que comer?" 42Apresentaram-lhe um pedaço de peixe assado. 43Tomou-o, então, e comeu-o diante deles.

Últimas instruções aos apóstolos44Depois disse-lhes: "São estas as palavras que eu vos falei, quando ainda estava convosco: era preciso que se cumprisse tudo o que está escrito sobre mim na Lei de Moisés, nos Profetas e nos Salmos". 45Então abriu-lhes a mente para que entendessem as Escrituras, 46e disse-lhes: "Assim está escrito que o Cristo devia sofrer e ressuscitar dos mortos ao terceiro dia, 47e que, em seu Nome, fosse proclamado o arrependimento para a remissão dos pecados a todas as nações, a começar por Jerusalém. 48Vós sois testemunhas disso. 49Eis que eu vos enviarei o que meu Pai prometeu. Por isso, permanecei na cidade até serdes revestidos da força do Alto".

A ascensão50Depois, levou-os até Betânia e, erguendo as mãos, abençoou-os. 51E enquanto os abençoava, distanciou-se deles e era elevado ao céu. 52Eles se prostraram diante dele," e depois voltaram a Jerusalém com grande alegria, 53e estavam continuamente no Templo, louvando a Deus.33Com efeito, veio João Batista, que não come pão e não bebe vinho, e dizeis: 'O demônio está nele!' 34Veio o Filho do Homem, que come e bebe, e dizeis: 'Eis aí um glutão e beberrão, amigo de publicanos e pecadores'. 35Mas a Sabedoria é justificada por todos os seus filhos".

EVANGELHO SEGUNDO SÃO JOÃO

Prólogo

1 1No princípio era o Verbo e o Verbo estava com Deus e o Verbo era Deus. 2No princípio, ele estava com Deus. 3Tudo foi feito por meio dele e sem ele nada foi feito. 4O que foi feito nele era a vida, e a vida era a luz dos homens; 5e a luz brilha nas trevas, mas as trevas não a apreenderam. 6Houve um homem enviado por Deus. Seu nome era João. 7Este veio como testemunha, para dar testemunho da luz, a fim de que todos cressem por meio dele. 8Ele não era a luz, mas veio para dar testemunho da luz. 9O Verbo era a luz verdadeira que ilumina todo homem; ele vinha ao mundo. 10Ele estava no mundo e o mundo foi feito por meio dele, mas o mundo não o reconheceu. 11Veio para o que era seu e os seus não o receberam. 12Mas a todos que o receberam deu o poder de se tornarem filhos de Deus: aos que crêem em seu nome, 13ele, que não foi gerado nem do sangue, nem de uma vontade da carne, nem de uma vontade do homem, mas de Deus. 14E o Verbo se fez carne, e habitou entre nós; e nós vimos a sua glória, glória que ele tem junto ao Pai como Filho único, cheio de graça e de verdade. 15João dá testemunho dele e clama: "Este é aquele de quem eu disse: o que vem depois de mim passou adiante de mim, porque existia antes de mim". 16Pois de sua plenitude todos nós recebemos graça por graça. 17Porque a Lei foi dada por meio de Moisés; a graça e a verdade vieram por Jesus Cristo. 18Ninguém jamais viu a Deus: o Filho único, que está voltado para o seio do Pai, este o deu a conhecer.

O ministério de Jesus

1. O ANÚNCIO DA NOVA ECONOMIA

A. SEMANA INAUGURAL

O testemunho de João19Este foi o testemunho de João, quando os judeus enviaram de Jerusalém sacerdotes e levitas para o interrogarem: "Quem és tu?" 20Ele confessou e não negou; confessou: "Eu não sou o Cristo". 21Perguntaram-lhe: "Quem és, então? És tu Elias?" Ele disse: "Não o sou". — "És o profeta?" Ele respondeu: "Não". 22Disseram-lhe, então: "Quem és, para darmos uma resposta aos que nos enviaram? Que dizes de ti mesmo?" 23Disse ele: "Eu sou uma voz que clama no deserto: Endireitai o caminho do Senhor, como disse o profeta Isaías". 24Alguns dos enviados eram fariseus. 25Perguntaram-lhe ainda: "E por que batizas, se não és o Cristo, nem Elias, nem o profeta?" 26João lhes respondeu: "Eu batizo com água. No meio de vós, está alguém que não conheceis, 27aquele que vem depois de mim, do qual não sou digno de desatar a correia da sandália". 28Isso se passava em Betânia, do outro lado do Jordão, onde João batizava. 29No dia seguinte, ele vê Jesus aproximar-se dele e diz: "Eis o Cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo. 30Dele é que eu disse: Depois de mim, vem um homem que passou adiante de mim, porque existia antes de mim.

Os primeiros discípulos35No dia seguinte, João se achava lá de novo, com dois de seus discípulos. 36Ao ver Jesus que passava, disse: "Eis o Cordeiro de Deus". 37Os dois discípulos ouviram-no falar e seguiram Jesus. 38Jesus voltou-se e, vendo que eles o seguiam, disse-lhes: "Que estais procurando?" Disseram-lhe: "Rabi (que, traduzido, significa Mestre), onde moras?" 39Disse-lhes: "Vinde e vede". Então eles foram e viram onde morava, e permaneceram com ele aquele dia. Era a hora décima, aproximadamente. 40André, o irmão de Simão Pedro, era um dos dois que ouviram as palavras de João e seguiram Jesus. 41Encontrou primeiramente Simão e lhe disse: "Encontramos o Messias (que quer dizer Cristo)". 42Ele o conduziu a Jesus. Fitando-o, disse-lhe Jesus: "Tu és Simão, o filho de João; chamar-te-ás Cefas" (que quer dizer Pedra). 43No dia seguinte, Jesus resolveu partir para a Galiléia e encontrou Filipe. Jesus lhe disse: "Segue-me". 44Filipe era de Betsaida, a cidade de André e de Pedro. 45Filipe encontrou Natanael e lhe disse: "Encontramos aquele de quem escreveram Moisés, na Lei, e os profetas: Jesus, filho de José, de Nazaré". 46Perguntou-lhe Natanael: "De Nazaré pode sair algo de bom?" Filipe lhe disse: "Vem e vê". 47Jesus viu Natanael vindo até ele e disse a seu respeito: "Eis um verdadeiro israelita, em quem não há fraude". 48Natanael lhe disse: "De onde me conheces?" Respondeu-lhe Jesus: "Antes que Filipe te chamasse, eu te vi quando estavas sob a figueira". 49Então Natanael exclamou: "Rabi, tu és o Filho de Deus, tu és o Rei de Israel". 50Jesus lhe respondeu: "Crês, só porque te disse: 'Eu te vi sob a figueira'? Verás coisas maiores do que essas". 51E lhe disse: "Em verdade, em verdade, vos digo: Vereis o céu aberto e os anjos de Deus subindo e descendo sobre o Filho do Homem". mulher? Minha hora ainda não chegou". 5Sua mãe disse aos serventes: "Fazei tudo o que ele vos disser". 6Havia ali seis talhas de pedra para a purificação dos judeus, cada uma contendo de duas a três medidas. 7Jesus lhes disse: "Enchei as talhas de água". Eles as encheram até à borda. 8Então lhes disse: "Tirai agora e levai ao mestre-sala". Eles levaram. 9Quando o mestre-sala provou a água transformada em vinho — ele não sabia de onde vinha, mas o sabiam os serventes que haviam retirado a água — chamou o noivo 10e lhe disse: "Todo homem serve primeiro o vinho bom e, quando os convidados já estão embriagados serve o inferior. Tu guardaste o vinho bom até agora!" 11Esse princípio dos sinais, Jesus o fez em Caná da Galiléia e manifestou a sua glória e os seus discípulos creram nele. 12Depois disso, desceram a Cafarnaum, ele, sua mãe, seus irmãos e seus discípulos, e ali ficaram apenas alguns dias.

B. A PRIMEIRA PÁSCOA

A purificação do Templo13Estando próxima a Páscoa dos judeus, Jesus subiu a Jerusalém. 14No Templo, encontrou os vendedores de bois, de ovelhas e de pombas e os cambistas sentados. 15Tendo feito um chicote de cordas, expulsou todos do Templo, com as ovelhas e com os bois; lançou ao chão o dinheiro dos cambistas e derrubou as mesas 16e disse aos que vendiam pombas: "Tirai tudo isto daqui; não façais da casa de meu Pai uma casa de comércio". 17Recordaram-se seus discípulos do que está escrito: O zelo por tua casa me devorará.

18Os judeus interpelaram-no, então, dizendo: "Que sinal nos mostras para agires assim?" 19Respondeu-lhes Jesus: "Destruí este templo, e em três dias eu o levantarei". 20Disseram-lhe, então, os judeus: "Quarenta e seis anos foram precisos para se construir este Templo, e tu o levantarás em três dias?" 21Ele, porém, falava do templo do seu corpo. " 22Assim, quando ele ressuscitou dos mortos seus discípulos lembraram-se de que dissera isso, e creram na Escritura e na palavra dita por Jesus.

Estada em Jerusalém — 23Enquanto estava em Jerusalém, para a festa da Páscoa, vendo os sinais que fazia, muitos creram em seu nome. 24Mas Jesus não tinha confiança neles, porque os conhecia a todos 25e não necessitava que lhe dessem testemunho sobre o homem, porque ele conhecia o que havia no homem.

3 O encontro com Nicodemos1Havia, entre os fariseus, um homem chamado Nicodemos, um notável entre os judeus. 2À noite ele veio encontrar Jesus e lhe disse: "Rabi, sabemos que vens da parte de Deus como um mestre, pois ninguém pode fazer os sinais que fazes, se Deus não estiver com ele". 3Jesus lhe respondeu: "Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer do alto não pode ver o Reino de Deus". 4Disse-lhe Nicodemos: "Como pode um homem nascer, sendo já velho? Poderá entrar uma segunda vez no seio de sua mãe e nascer?" 5Respondeu-lhe Jesus: "Em verdade, em verdade, te digo: quem não nascer da água e do Espírito não pode entrar no Reino de Deus. 6O que nasceu da carne é carne, o que nasceu do Espírito é espírito. 7Não te admires de eu te haver dito: deveis nascer do alto. 8O vento sopra onde quer e ouves o seu ruído, mas não sabes de onde vem nem para onde vai. Assim acontece com todo aquele que nasceu do Espírito". 9Perguntou-lhe Nicodemos: "Como isso pode acontecer?" 10Respondeu-lhe Jesus: "És o mestre de Israel e ignoras essas coisas? "Em verdade, em verdade, te digo: falamos do que sabemos e damos testemunho do que vimos, porém não acolheis o nosso testemunho. 12Se não credes quando vos falo das coisas da terra, como ireis crer quando vos falar das coisas do céu?13Ninguém subiu ao céu? a não ser aquele que desceu do céu, o Filho do Homem. 14Como Moisés levantou a serpente no deserto, assim é necessário que seja levantado o Filho do Homem, 15a fim de que todo aquele que crer tenha nele vida eterna. 16Pois Deus amou tanto o mundo, que entregou o seu Filho único, para que todo o que nele crê não pereça, mas tenha vida eterna. 17Pois Deus não enviou o seu Filho ao mundo para julgar o mundo, mas para que o mundo seja salvo por ele 18Quem nele crê não é julgado; quem não crê, já está julgado, porque não creu no Nome do Filho único de Deus. 19Este é o julgamento: a luz veio ao mundo, mas os homens preferira mas trevas à luz, porque as suas obras eram más. 20Pois quem faz o mal odeia a luz e não vem para a luz, para que suas obras não sejam demonstradas como culpáveis. 21Mas quem pratica a verdade vem para a luz, para que se manifeste que suas obras são feitas em Deus".

Ministério de Jesus na Judéia. Último testemunho de João22Depois disso, Jesus veio com os seus discípulos para o território da Judéia e permaneceu ali com eles e batizava. 23João também batizava em Enon, perto de Salim, pois lá as águas eram abundantes e muitos se apresentavam para serem batizados. 24João ainda não fora encarcerado. 25Originou-se uma discussão entre os discípulos de João e um certo judeu a respeito da purificação; 26eles vieram encontrar João e lhe disseram: "Rabi, aquele que estava contigo do outro lado do Jordão, de quem deste testemunho, está batizando e todos vão a ele". 27João respondeu: "Um homem nada pode receber a não ser que lhe tenha sido dado do céu. 28Vós mesmos sois testemunhas de que eu disse: 'Não sou eu o Cristo, mas sou enviado adiante dele'. 29Quem tem a esposa é o esposo; mas o amigo do esposo, que está presente e o ouve, é tomado de alegria à voz do esposo. Essa é a minha alegria e ela é completa! 30É necessário que ele cresça e eu diminua. 31Aquele que vem do alto está acima de todos;o que é da terra é terrestre e fala como terrestre. Aquele que vem do céu 32dá testemunho do que viu e ouviu, mas ninguém acolhe o seu testemunho. 33Quem acolhe o seu testemunho certifica que Deus é verdadeiro. 34Com efeito, aquele que Deus enviou fala as palavras de Deus, pois ele dá o Espírito sem medida. 35O Pai ama o Filho e tudo entregou em sua mão. 36Quem crê no Filho tem vida eterna. Quem recusa crer no Filho não verá vida. Pelo contrário, a ira de Deus permanece sobre ele".

4 Jesus entre os samaritanos1Quando Jesus soube que os fariseus tinham ouvido dizer que ele fazia mais discípulos e batizava mais que João — 2ainda que, de fato, Jesus mesmo não batizasse, mas os seus discípulos — 3deixou a Judéia e retornou à Galiléia. 4Era preciso passar pela Samaria. 5Chegou, então, a uma cidade da Samaria, chamada Sicar, perto da região que Jacó tinha dado a seu filho José. 6Ali se achava a fonte de Jacó. Fatigado da caminhada, Jesus sentou-se junto à fonte. Era por volta da hora sexta. 7Uma mulher da Samaria chegou para tirar água. Jesus lhe disse: "Dá- me de beber!" 8Seus discípulos tinham ido à cidade comprar alimento. 9Diz-lhe, então, a samaritana: "Como, sendo judeu, tu me pedes de beber, a mim que sou samaritana?" (Os judeus, com efeito, não se dão com os samaritanos. ) 10Jesus lhe respondeu: "Se conhecesses o dom de Deus e quem é que te diz: 'Dá-me de beber', tu é que lhe pedirias e ele te daria água viva!" 11Ela lhe disse: "Senhor, nem sequer tens uma vasilha e o poço é profundo; de onde, pois, tiras essa água viva? 12És, porventura, maior que o nosso pai Jacó, que nos deu este poço, do qual ele mesmo bebeu, assim como seus filhos e seus animais?" 13Jesus lhe respondeu: "Aquele que bebe desta água terá sede novamente; 14mas quem beber da água que eu lhe darei, nunca mais terá sede. Pois a água que eu lhe der tornar-se-á nele uma fonte de água jorrando para a vida eterna". 15Disse-lhe a mulher: "Senhor, dá-me dessa água, para que eu não tenha mais sede, nem tenha de vir mais aqui para tirá-la!" 16Jesus disse: "Vai, chama teu marido e volta aqui". 17A mulher lhe respondeu: "Não tenho marido". Jesus lhe disse: "Falaste bem: 'não tenho marido', 18pois tiveste cinco maridos e o que agora tens não é teu marido; nisso falaste a verdade". 9Disse-lhe a mulher: "Senhor, vejo que és um profeta. . . 20Nossos pais adoraram sobre esta montanha, mas vós dizeis: é em Jerusalém que está o lugar onde é preciso adorar". 21Jesus lhe disse: "Crê, mulher, vem a hora em que nem sobre esta montanha nem em Jerusalém adorareis o Pai. 22Vós adorais o que não conheceis; nós adoramos o que conhecemos, porque a salvação vem dos judeus. 23Mas vem a hora — e é agora — em que os verdadeiros adoradores adorarão o Pai em espírito e verdade, pois tais são os adoradores que o Pai procura. 24Deus é espírito e aqueles que o adoramdevem adorá-lo em espírito e verdade". 25A mulher lhe disse: "Sei que vem um Messias (que se chama Cristo). Quando ele vier, nos anunciará tudo". 26Disse-lhe Jesus: "Sou eu, que falo contigo". 27Naquele instante, chegaram os seus discípulos e admiravam-se de que falasse com uma mulher; nenhum deles, porém, lhe perguntou: "Que procuras?" ou: "O que falas com ela?" 28A mulher, então, deixou seu cântaro e correu à cidade, dizendo a todos: 29"Vinde ver um homem que me disse tudo o que fiz. Não seria ele o Cristo?" 30Eles saíram da cidade e foram ao seu encontro. 31Enquanto isso, os discípulos rogavam-lhe: "Rabi, come!" 32Ele, porém, lhes disse: "Tenho para comer um alimento que não conheceis". 33Os discípulos se perguntavam uns aos outros: "Por acaso alguém lhe teria trazido algo para comer?" 34Jesus lhes disse: "Meu alimento é fazer a vontade daquele que me enviou e consumar a sua obra. 35Não dizeis vós: 'Ainda quatro meses e chegará a colheita'? Pois bem, eu vos digo: Erguei vossos olhos e vede os campos: estão brancos para a colheita. Já 36o ceifeiro recebe seu salário e recolhe fruto para a vida eterna, para que o semeador se alegre juntamente com o ceifeiro. 37Aqui, pois, se verifica o provérbio: 'um é o que semeia, outro o que ceifa'. 38Eu vos enviei a ceifar onde não trabalhastes; outros trabalharam e vós entrastes no trabalho deles". 39Muitos samaritanos daquela cidade creram nele, por causa da palavra da mulher que dava testemunho: "Ele me disse tudo o que fiz!" 40Por isso, os samaritanos vieram até ele, pedindo-lhe que permanecesse com eles. E ele ficou ali dois dias. 41Bem mais numerosos foram os que creram por causa da palavra dele 42e diziam à mulher: "Já não é por causa do que tu falaste que cremos. Nós próprios o ouvimos, e sabemos que esse é verdadeiramente o salvador do mundo".

Jesus na Galiléia43Depois daqueles dois dias, ele partiu de lá para a Galiléia. 44O próprio Jesus havia testemunhado que um profeta não é honrado em sua própria pátria. 45Quando, pois, ele chegou à Galiléia, os galileus o receberam, tendo visto tudo o que ele fizera em Jerusalém, por ocasião da festa: pois também eles tinham ido à festa.

Segundo sinal em Caná: cura do filho de um funcionário real46Ele voltou novamente a Caná da Galiléia, onde transformara água em vinho. Havia um funcionário real, cujo filho se achava doente em Cafarnaum. 47Ouvindo dizer que Jesus viera da Judéia para a Galiléia, foi procurá-lo, e pedia-lhe que descesse e curasse seu filho, que estava à morte. 48Disse-lhe Jesus: "Se não virdes sinais e prodígios, não crereis". 49O funcionário real lhe disse: "Senhor, desce, antes que meu filho morra!" 50Disse-lhe Jesus: "Vai, o teu filho vive". O homem creu na palavra que Jesus lhe havia dito e partiu. 51Ele já descia, quando os seus servos vieram-lhe ao encontro, dizendo que o seu filho vivia. 52Perguntou, então, a que horas ele se sentira melhor. Eles lhe disseram: "Ontem, à hora sétima, a febre o deixou". 53Então o pai reconheceu ser precisamente aquela a hora em que Jesus lhe dissera: "O teu filho vive" e creu, ele e todos os da sua casa. 54Foi esse o segundo sinal que Jesus fez, ao voltar da Judéia para a Galiléia.

2. SEGUNDA FESTA EM JERUSALÉM (PRIMEIRA OPOSIÇÃO À REVELAÇÃO)

5 Cura de um enfermo na piscina de Betesda1Depois disso, por ocasião de uma festa dos judeus, Jesus subiu a Jerusalém. 2Existe em Jerusalém, junto à Porta das Ovelhas, uma piscina que, em hebraico, se chama Betesda, com cinco pórticos. 3Sob esses pórticos, deitados pelo chão, numerosos doentes, cegos, coxos e paralíticos ficavam esperando o borbulhar da água. 4Porque o Anjo do Senhor descia, de vez em quando, à piscina e agitava a água; o primeiro, então, que aí entrasse, depois que a água fora agitada, ficava curado, qualquer que fosse a doença. 5Encontrava-se aí um homem, doente havia trinta e oito anos. 6Jesus, vendo-o deitado e sabendo que já estava assim havia muito tempo, perguntou-lhe: "Queres ficar curado?" 7Respondeu-lhe o enfermo: "Senhor, não tenho quem me jogue na piscina, quando a água é agitada; ao chegar, outro já desceu antes de mim". 8Disse-lhe Jesus: "Levanta-te, toma o teu leito e anda!" 9Imediatamente o homem ficou curado. Tomou o seu leito e se pôs a andar. Ora, esse dia era um sábado. 10Os judeus, por isso, disseram ao homem curado: "É sábado e não te é permitido carregar teu leito". 11Ele respondeu: "Aquele que me curou, disse: 'Toma o teu leito e anda!' " 12Eles perguntaram: "Quem foi o homem que te disse: 'Toma o teu leito e anda'?" 13Mas o homem curado não sabia quem fora. Jesus havia desaparecido, pois havia uma multidão naquele lugar. 14Depois disso, Jesus o encontrou no Templo e lhe disse: "Eis que estás curado; não peques mais, para que não te suceda algo ainda pior!" 15O homem saiu e informou aos judeus que fora Jesus quem o tinha curado. 16Por isso os judeus perseguiam Jesus: porque fazia tais coisas no sábado. 17Mas Jesus lhes respondeu: "Meu Pai trabalha até agora e eu também trabalho". 18Então os judeus, com mais empenho, procuravam matá-lo, pois, além de violar o sábado, ele dizia ser Deus seu próprio pai, fazendo-se, assim, igual a Deus,

Discurso sobre a obra do Filho19Retomando a palavra, Jesus lhes disse: "Em verdade, em verdade, vos digo: o Filho, por si mesmo, nada pode fazer mas só aquilo que vê o Pai fazer; tudo o que este faz o Filho o faz igualmente. 20Porque o Pai ama o Filho e lhe mostra tudo o que faz; e lhe mostrará obras maiores do que essas para que vos admireis. 21Como o Pai ressuscita os mortos e os faz viver, também o Filho dá a vida a quem quer. 22Porque o Pai a ninguém julga, mas confiou ao Filho todo julgamento, 23a fim de que todos honrem o Filho, como honram o Pai. Quem não honra o Filho, não honra o Pai que o enviou. 24Em verdade, em verdade, vos digo: quem escuta a minha palavra e crê naquele que me enviou tem a vida eterna e não vem a julgamento, mas passou da morte à vida. 25Em verdade, em verdade, vos digo: vem a hora — e é agora — em que os mortos ouvirão a voz do Filho de Deus, e os que o ouvirem, viverão. 26Assim como o Pai tem a vida em si mesmo, também concedeu ao Filho ter a vida em si mesmo 27e lhe deu o poder de exercer o julgamento, porque é Filho do Homem. 28Não vos admireis com isto: vem a hora em que todos os que repousam nos sepulcros ouvirão a sua voz 29e sairão; os que tiverem feito o bem, para uma ressurreição de vida; os que tiverem praticado o mal, para uma ressurreição de julgamento. 30Por mim mesmo, nada posso fazer: eu julgo segundo o que ouço, e meu julgamento é justo, porque não procuro a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 31Se eu der testemunho de mim mesmo, meu testemunho não será verdadeiro; 32um outro" é que dá testemunho de mim, e sei que é verdadeiro o testemunho que presta de mim. 33Vós enviastes emissários a João e ele deu testemunho da verdade. 34Eu, no entanto, não dependo do testemunho de um homem; mas falo isso, para que sejais salvos. 35Ele era a lâmpada que arde e ilumina e vós quisestes vos alegrar, por um momento, com sua luz. 36Eu, porém, tenho um testemunho maior que o de João: as obras que o Pai me encarregou de consumar. Tais obras, eu as faço e elas dão testemunho de que o Pai me enviou. 37Também o Pai que me enviou dá testemunho de mim. Jamais ouvistes a sua voz, nem contemplastes a sua face, 38e sua palavra não permanece em vós, porque não credes naquele que ele enviou. 39Vós perscrutais as Escrituras, porque julgais ter nelas a vida eterna; ora, são elas que dão testemunho de mim;40vós, porém, não quereis vir a mim para terdes a vida. 41Não recebo a glória que vem dos homens. 42Mas eu vos conheço: não tendes em vós o amor de Deus. 43Vim em nome de meu Pai, mas não me acolheis; se alguém viesse em seu próprio nome, vós o acolheríeis. 44Como podereis crer, vós que recebeis glória uns dos outros, mas não procurais a glória que vem do Deus único?45Não penseis que vos acusarei diante do Pai; Moisés é o vosso acusador, ele, em quem pusestes a vossa esperança. 46Se crêsseis em Moisés, haveríeis de crer em mim, porque foi a meu respeito que ele escreveu. 47Mas se não credes em seus escritos, como crereis em minhas palavras?"

3. A PÁSCOA DO PÃO DA VIDA (NOVA OPOSIÇÃO À REVELAÇÃO)

6 A multiplicação dos pães1Depois disso, passou Jesus para a outra margem do mar da Galiléia ou de Tiberíades. 2Uma grande multidão o seguia, porque tinha visto os sinais que ele realizava nos doentes. 3Subiu, então, Jesus à montanha e aí se sentou com os seus discípulos. 4Estava próxima a Páscoa, a festa dos judeus. 5Levantando Jesus os olhos e vendo a grande multidão que a ele acorria, disse a Filipe: "Onde compraremos pão para que eles comam?" 6Ele falava assim para pô-lo à prova, porque sabia o que iria fazer. 7Respondeu-lhe Filipe: "Duzentos denários de pão não seriam suficientes para que cada um recebesse um pedaço". 8Um de seus discípulos, André, o irmão de Simão Pedro, lhe disse: 9"Há aqui um menino, que tem cinco pães de cevada e dois peixinhos; mas que é isso para tantas pessoas?" 10Disse Jesus: "Fazei que se acomodem". Havia muita grama naquele lugar. Sentaram- se pois os homens, em número de cinco mil aproximadamente. 11Tomou, então, Jesus os pães e, depois de dar graças, distribuiu-os aos presentes, assim como os peixinhos, tanto quanto queriam. 12Quando se saciaram, disse Jesus a seus discípulos: "Recolhei os pedaços que sobraram para que nada se perca". 13Eles os recolheram e encheram doze cestos com os pedaços dos cinco pães de cevada deixados de sobra pelos que se alimentaram. 14Vendo o sinal que ele fizera, aqueles homens exclamavam: "Esse é, verdadeiramente, o profeta que deve vir ao mundo!" 15Jesus, porém, sabendo que viriam buscá-lo para fazê-lo rei, refugiou-se de novo, sozinho, na montanha.

Jesus vem ao encontro de seus discípulos, caminhando sobre o mar16Ao entardecer, seus discípulos desceram ao mar 17e, subindo num barco, dirigiram-se a Cafarnaum, do outro lado do mar. Já estava escuro e Jesus ainda não viera encontrá-los. 18Além disso, soprava um vento forte e o mar ia se encrespando. 19Tinham remado cerca de vinte e cinco ou trinta estádios, quando viram Jesus aproximar-se do barco, caminhando sobre o mar. Ficaram com medo. 20Jesus, porém, lhes disse: "Sou eu. Não temais". 21Quiseram, então, recolhê-lo no barco, mas ele imediatamente chegou à terra para onde iam.

Discurso na sinagoga de Cafarnaum22No dia seguinte, a multidão que permanecera no outro lado do mar percebeu que aí havia um único barco e que Jesus não tinha entrado nele com os seus discípulos; os discípulos haviam partido sozinhos. 23Outros barcos chegaram de Tiberíades, perto do lugar onde tinham comido o pão. 24Quando a multidão viu que Jesus não estava ali, nem os seus discípulos, subiu aos barcos e veio para Cafarnaum, à procura de Jesus. 25Encontrando-o do outro lado do mar, disseram-lhe: "Rabi, quando chegaste aqui?" 26Respondeu-lhes Jesus: "Em verdade, em verdade, vos digo: vós me procurais, não porque vistes sinais, mas porque comestes dos pães e vos saciastes. 27Trabalhai, não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece para a vida eterna, alimento que o Filho do Homem vos dará, pois Deus, o Pai, o marcou com seu selo" 28Disseram-lhe, então: "Que faremos para trabalhar nas obras de Deus?" 29Respondeu-lhes Jesus: "A obra de Deus é que creiais naquele que ele enviou". 30Então lhe perguntaram: "Que sinal realizas, para que vejamos e creiamos em ti? Que obra fazes? 31Nossos pais comeram o manáno deserto, como está escrito: Deu-lhes pão do céu a comer". 32Respondeu-lhes Jesus: "Em verdade, em verdade, vos digo: não foi Moisés quem vos deu o pão do céu, mas é meu Pai que vos dá o verdadeiro pão do céu; 33porque o pão de Deus é aquele que desce do céu e dá vida ao mundo". 34Disseram-lhe: "Senhor, dá-nos sempre deste pão!" 35Jesus lhes disse: "Eu sou" o pão da vida. Quem vem a mim, nunca mais terá fome, e o que crê em mim nunca mais terá sede. 36Eu, porém, vos disse: vós me vedes, mas não credes. 37Todo aquele que o Pai, me der virá a mim, e quem vem a mim eu não o rejeitarei, 38pois desci do céu não para fazer a minha vontade, mas a vontade daquele que me enviou. 39E a vontade daquele que me enviou é esta: que eu não perca nada do que ele me deu, mas o ressuscite no último dia. 40Sim, esta é a vontade de meu Pai: quem vê o Filho e nele crê tem a vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia". 41Os judeus murmuravam, então, contra ele, porque dissera: "Eu sou o pão descido do céu". 42E diziam: "Esse não é Jesus, o filho de José, cujo pai e mãe conhecemos? Como diz agora: 'Eu desci do céu'?!" 43Jesus lhes respondeu: "Não murmureis entre vós. 44Ninguém pode vir a mim se o Pai, que me enviou, não o atrair; e eu o ressuscitarei no último dia. 45Está escrito nos profetas: E todos serão ensinados por Deus. Quem escuta o ensinamento do Pai e dele aprende vem a mim. 46Não que alguém tenha visto o Pai; só aquele que vem de junto de Deus viu o Pai. 47Em verdade, em verdade, vos digo: aquele que crê tem a vida eterna. 48Eu sou o pão da vida. 49Vossos pais no deserto comeram o maná e morreram. 50Este pão é o que desce do céu para que não pereça quem dele comer. 51Eu sou o pão vivo descido do céu. Quem comer deste pão viverá eternamente. O pão que eu darei é a minha carne para a vida do mundo". 52Os judeus discutiam entre si, dizendo: "Como esse homem pode dar-nos a sua carne a comer?" 53Então Jesus lhes respondeu: "Em verdade, em verdade, vos digo: se não comerdes a carne do Filho do Homem e não beberdes o seu sangue, não tereis a vida em vós. 54Quem come a minha carne e bebe o meu sangue tem vida eterna, e eu o ressuscitarei no último dia. 55Pois a minha carne é verdadeiramente uma comida e o meu sangue é verdadeiramente uma bebida. 56Quem come a minha carne e bebe o meu sangue permanece em mim, e eu nele. 57Assim como o Pai, que vive, me enviou e eu vivo pelo Pai, também aquele que de mim se alimenta viverá por mim, 58Este é o pão que desceu do céu. Ele não é como o que os pais comeram e pereceram; quem come este pão viverá eternamente". 59Assim falou ele, ensinando na sinagoga em Cafarnaum. 60Muitos de seus discípulos, ouvindo-o, disseram: "Essa palavra é dura! Quem pode escutá-la?" 61Compreendendo que seus discípulos murmuravam por causa disso, Jesus lhes disse: "Isto vos escandaliza? 62E quando virdes o Filho do Homem subir aonde estava antes?. . .

A confissão de Pedro67Então, disse Jesus aos Doze: "Não quereis também vós partir?" 68Simão Pedro respondeu-lhe: "Senhor, a quem iremos? Tens palavras de vida eterna e 69nós cremos e reconhecemos que tu és o Santo de Deus". 70Respondeu-lhes Jesus: "Não vos escolhi, eu, aos Doze? No entanto, um de vós é um diabo!" 71Falava de Judas, filho de Simão Iscariotes. Este, um dos Doze, o haveria de entregar.

4. A FESTA DAS TENDAS (A GRANDE REVELAÇÃO MESSIÂNICA, A GRANDE REJEIÇÃO)

7 Jesus sobe a Jerusalém para a festa e ensina1Depois disso, Jesus percorria a Galiléia, não podendo circular pela Judéia, porque os judeus o queriam matar. 2Aproximava-se a festa judaica das Tendas. 3Disseram-lhe, então, os seus irmãos: "Parte daqui e vai para a Judéia, para que teus discípulos vejam as obras que fazes, 4pois ninguém age às ocultas, quando quer ser publicamente conhecido. Já que fazes tais coisas, manifesta-te ao mundo!" 5Pois nem mesmo os seus irmãos criam nele. 6Disse-lhes Jesus: "Meu tempo ainda não chegou; o vosso, porém, sempre está preparado. 7O mundo não vos pode odiar, mas odeia-me, porque dou testemunho de que as suas obras são más. 8Subi, vós, à festa. Eu não subo para essa festa, porque meu tempo ainda não se completou". 9Tendo dito isso, permaneceu na Galiléia. 10Mas quando seus irmãos subiram para a festa, também ele subiu, não publicamente, mas às ocultas. 11Os judeus o procuravam na festa, dizendo: "Onde está ele?" 12Faziam-se muitos comentários a seu respeito na multidão. Uns diziam: "Ele é bom". Outros, porém, diziam: "Não. Ele engana o povo". 13Entretanto, ninguém falava dele abertamente, por medo dos judeus. 14Quando a festa estava pelo meio, Jesus subiu ao Templo e começou a ensinar. 15Admiravam-se então os judeus, dizendo: "Como entende ele de letras sem ter estudado?" 16Jesus lhes respondeu: "Minha doutrina não é minha, mas daquele que me enviou. 17Se alguém quer cumprir sua vontade, reconhecerá se minha doutrina é de Deus ou se falo por mim mesmo. 18Quem fala por si mesmo procura a sua própria glória. Mas aquele que procura a glória de quem o enviou é verdadeiro e nele não há injustiça. 19Moisés não vos deu a Lei? No entanto, nenhum de vós pratica a Lei. Por que procurais matar-me?" 20A multidão respondeu: "Tens um demônio. Quem procura matar-te?" 21Jesus lhes respondeu: "Realizei só uma obra e todos vos admirais. 22Moisés vos deu a circuncisão — não que ela venha de Moisés, mas dos patriarcas — e vós a praticais em dia de sábado. 23Se um homem é circuncidado em dia de sábado para que não se transgrida a Lei de Moisés, por que vos irais contra mim, por eu ter curado um homem todo no sábado?24Não julgueis pela aparência, mas julgai conforme a justiça".

Discussões do povo sobre a origem de Cristo25Alguns de Jerusalém diziam: "Não é a esse que procuram matar? 26Eis que fala publicamente e nada lhe dizem! Porventura as autoridades reconheceram ser ele o Cristo? 27Mas nós sabemos de onde esse é, ao passo que ninguém saberá de onde será o Cristo, quando ele vier". 28Então, em alta voz, Jesus ensinava no Templo, dizendo: "Vós me conheceis e sabeis de onde eu sou; no entanto, não vim por minha própria vontade, mas é verdadeiro aquele que me enviou e que não conheceis. 29Eu, porém, o conheço, porque dele procedo, e foi ele quem me enviou". 30Procuravam, então, prendê-lo, mas ninguém lhe pôs a mão, porque não chegara a sua hora.

Jesus anuncia a sua próxima partida31Muitos, porém, dentre o povo, creram nele e diziam: "Quando o Cristo vier, fará, porventura, mais sinais do que os que esse fez?" 32Os fariseus perceberam que o povo murmurava tais coisas sobre Jesus, e eles" enviaram alguns guardas para prendê-lo. 33Disse, então, Jesus: "Por pouco tempo estou convosco e vou para aquele que me enviou. 34Vós me procurareis e não me encontrareis; e onde eu estou vós não podeis vir". 35Disseram entre si os judeus: "Para onde irá ele, que não o poderemos encontrar? Irá, por acaso, aos dispersos entre os gregos para ensinar aos gregos? 36Que significa esta palavra que nos disse: 'Vós me procurareis e não me encontrareis; e onde eu estou vós não podeis vir'?"

A promessa da água viva37No último dia da festa, o mais solene, Jesus, de pé, disse em alta voz: "Se alguém tem sede, venha a mim e beba, 38aquele que crê em mim!" conforme a palavra da Escritura: De seu seio jorrarão rios de água viva. 39Ele falava do Espírito que deviam receber aqueles que tinham crido nele; pois não havia ainda Espírito, porque Jesus ainda não fora glorificado.

Novas discussões sobre a origem de Cristo40Alguns entre a multidão, ouvindo essas palavras, diziam: "Esse é, verdadeiramente, o profeta!" 41Diziam outros: "É esse o Cristo!" Mas alguns diziam: "Porventura pode o Cristo vir da Galiléia? 42A Escritura não diz que o Cristo será da descendência de Davi e virá de Belém, a cidade de onde era Davi?" 43Produziu-se uma cisão entre o povo por sua causa. 44Alguns queriam prendê-lo, mas ninguém lhe pôs a mão. 45Os guardas, então, voltaram aos chefes dos sacerdotes e aos fariseus e estes lhes perguntaram: "Por que não o trouxestes?" 46Responderam os guardas: "Jamais um homem falou assim!" 47Os fariseus replicaram: "Também fostes enganados? 48Alguns dos chefes ou alguém dos fariseus por acaso creram nele? 49Mas este povo, que não conhece a Lei, são uns malditos!" 50Nicodemos, um deles, o que anteriormente tinha vindo a Jesus, disse-lhes: 51"Acaso nossa Lei condena alguém sem primeiro ouvi-lo e saber o que fez?" 52Responderam-lhe: "És também galileu? Estuda e verás que da Galiléia não surge profeta".

8A mulher adúltera 53E cada um voltou para sua casa. 1Jesus foi para o monte das Oliveiras. 2Antes do nascer do sol, já se achava outra vez no Templo. Todo o povo vinha a ele e, sentando-se, os ensinava. 3Os escribas e os fariseus trazem, então, uma mulher surpreendida em adultério e, colocando-a no meio, dizem-lhe: 4"Mestre, esta mulher foi surpreendida em flagrante delito de adultério. 5Na Lei, Moisés nos ordena apedrejar tais mulheres. Tu, pois, que dizes?" 6Eles assim diziam para pô-lo à prova, a fim de terem matéria para acusá-lo. Mas Jesus, inclinando-se, escrevia na terra com o dedo. 7Como persistissem em interrogá-lo, ergueu-se e lhes disse: "Quem dentre vós estiver sem pecado, seja o primeiro a lhe atirar uma pedra!" 8Inclinando-se de novo, escrevia na terra. 9Eles, porém, ouvindo isso, saíram um após outro, a começar pelos mais velhos. Ele ficou sozinho e a mulher permanecia lá, no meio. 10Então, erguendo-se, Jesus lhe disse: "Mulher, onde estão eles? Ninguém te condenou?" 11Disse ela: "Ninguém, Senhor". Disse, então, Jesus: "Nem eu te condeno. Vai, e de agora em diante não peques mais".

(Parte 62 de 72)

Comentários