Nietzsche

Nietzsche

Trabalho apresentado como requisito de avaliação à disciplina História Geral da Educação, ministrada pelo profº. Dr. César Seibt.

Abaetetuba – PA 2012

Neste trabalho abordaremos a biografia de Nietzsche, obras e principalmente suas concepções sobre educação. Sua vida foi marcada pela perda do pai, pela mudança de cidade, mudança de nacionalidade. Além disso, participou da guerra para a Unificação da Alemanha, pois acreditava que unindo os estados poderia acontecer uma revolução cultural. Estudou em uma boa escola e foi um aluno brilhante. Quando estudava pensava que quando fosse professor faria diferente. Escreveu obras geniais que eram contra aquele tempo, pois Nietzsche olhava para o futuro.

Tornou-se professor estimado por seus alunos. Durante a sua vida toda se preocupou com a educação, mas somente quando se tornou professor passou a se preocupar com as questões referentes ao ensino. Ele diz que a educação deveria libertar o aluno e que a ideia de escola mostra-se como a moda de rebanho, no qual se aceita tudo sem questionar. O homem deveria buscar ser ele mesmo e conhecer a si mesmo.

Nietzsche valoriza o uso da língua e diz que se conseguirmos dominá-la poderia se alcançar a primeira etapa da verdadeira cultura. Ele dizia que o ensino em sua época era incapaz de promover uma mudança humanística.

Esse autor não gostava da dissertação e da redação sobre temas específicos, ele acreditava que o aluno deveria produzir de forma livre, pois dessa maneira pensaria por si mesmo. Nietzsche percebeu que não existiam pessoas comprometidas com a verdadeira formação. Queria que o homem agisse para o futuro e não somente para a sociedade.

Friedrich Wilhelm Nietzsche nasceu em 15 de outubro de 1844 na pequena cidade de Röcken, na Prússia, era o primogênito de Karl Ludwing e Franziska Oehler. Tinha dois irmãos: Elizabeth e Joseph. Eram descendentes de família protestante, sendo seu pai um pastor luterano.

grande parte do tempo ao estudo da teologia, pois queria ser pastor como seu pai

Em 1849, seu pai veio a falecer quando tinha apenas cinco anos. Poucos meses depois morreu seu irmão Joseph. Sua mãe mudou-se para Naumburgo. Lá, Nietzsche começou seus estudos e, num colégio em regime de internato, dedicou

Em 1864, entrou na Universidade de Bonn, para estudar teologia e filologia clássica, transferindo-se um ano depois para a Universidade de Leipzig.

Em outubro de 1867 Nietzsche começa o serviço militar, mas é dispensado em consequência da difteria e disenteria. Nesse mesmo ano publica seu ensaio de filologia.

Contrariando o desejo de sua família, Nietzsche, após dedicar-se por muito tempo ao estudo das ciências bíblicas, abandonou a teologia. Em 1869 é nomeado professor de filologia clássica na Universidade da Basiléia, na Suíça, onde ficou amigo do famoso compositor Richard Wagner. Entre músicas, poemas, conferências, livros e apêndices, é muito grande o seu número de escritos. O seu primeiro livro, "O Nascimento da Tragédia no Espírito da Música", foi publicado em 1873 e agradou a poucos.

Em 1879 ele demite-se da Universidade de Basiléia. Então ele começa a viver de maneira solitária. Durante esse período publica várias obras.

As obras mais conhecidas do pensador alemão são: "Humano,

Em 1889 tem uma crise de demência e é internado na clínica psiquiátrica da

Basiléia com paralisia progressiva do cérebro. Depois é transferido para Iena. Em 1890 ele deixa a clínica de Iena.

Em 1890 sua mãe morre. Elizabeth, irmã de Nietzsche leva-o para Weimar.

Nessa cidade Nietzsche morre no dia 25 de agosto de 1900. Três dias depois, é sepultado em Roecken.

Nietzsche viveu na época em que estava ocorrendo a Unificação da

Alemanha, que foi liderada pela Prússia e que tinha Bismarck como primeiro – ministro. Neste contexto a Áustria e a França foram derrotadas para que a unificação ocorresse.

Antes dessa unificação política, construiu-se a unificação econômica. Os diversos Estados independentes da Alemanha, liderados pela Prússia, estavam ligados pela união aduaneira, porém a Áustria não fazia parte dessa união.

O rei prussiano Guilherme I tinha como primeiro-ministro Otto von Bismarck que era grande proprietário de terras, mas percebeu a utilidade de uma aliança entre os aristocratas rurais e a burguesia. Para ele, a unificação deveria acontecer pela guerra, com ferro e sangue. Montou um exército poderoso, equipado com uma indústria alemã que crescia rapidamente e partiu para a briga. Na primeira guerra, em 1864, Bismarck uniu a Áustria à Prússia.

Nietzsche chega a se alistar para o confronto, mas não pode participar do exército, pois ele havia renunciado à nacionalidade prussiana. Ele acreditava que o plano de Otto Von Bismark de unificar os 39 estados alemães num império promoveria uma revolução cultural do país, daí a vontade de participar da guerra.

Em agosto do mesmo ano participa do conflito como enfermeiro. Porém fica por pouco tempo devido ter contraído difteria e disenteria.

O pretexto para guerra foi simples. Bismarck queria que o rei da Espanha fosse um parente do rei prussiano Guilherme I, ou seja, um membro da família Hohenzollern. A França não via com bons olhos o que Bismarck queria promover na Espanha. Habilidosamente, Bismarck mandou um telegrama para o imperador francês Napoleão I. O telegrama era assinado pelo astuto ministro. Telegrama maldoso, publicado pelos jornais e que ofendia os franceses. Napoleão I aceitou a provocação e caiu na armadilha: declarou guerra à Prússia. Exatamente o que Bismarck queria.

Os prussianos eram mais numerosos, bem treinados e comandados, e possuíam melhores armas. Começou em 1870 e no ano seguinte a França estava derrotada, com o imperador Napoleão I feito prisioneiro em pleno campo de batalha. Pelo tratado de Frankfurt, a França cedia a região da Alsácia – Lorena, rica em minerais, além de pagar uma pesada dívida de guerra. No palácio de Versallhes, na França, o rei Guilherme I foi coroado e aclamado imperador da Alemanha unificada.

Quase para terminar a guerra Nietzsche havia perdido toda a simpatia por

Bismarck, porque descobriu que o primeiro – ministro não promoveria a renovação cultural, apenas visava seu próprio interesse.

Nietzsche recebeu sua formação em uma boa escola. Ele estudou as línguas grega, latina e hebraica, além da literatura da Antiguidade. Ficou indeciso em que carreira seguir então optou por filologia, estudo da língua em toda sua amplitude. Essa era uma profissão que não lhe interessava muito, mas seu professor de filologia percebeu que ele tinha um dom para essa profissão. Então o bom aluno segue o conselho de seu professor.

Em agosto de 1967, Nietzsche escreveu: “Em Leipzig, limitei-me a observar como se ensina, como se transmite aos jovens o método de uma ciência. Também me esforcei em aprender como deve ser um mestre, e não estudar apenas o que se estuda na universidade. Meu objetivo é tornar-me um mestre verdadeiramente prático e, antes de tudo nos jovens a reflexão e a capacidade crítica pessoal indispensável para que eles não percam de vista o porquê, o quê e o como de uma ciência”.

Nietzsche não suportava a cultura livresca que os outros professores pretendiam educar seus alunos, ele queria fazer a diferença. Como professor, foi muito estimado por seus alunos. Segundo os relatos deixados pelos alunos de Nietzsche, ele não visava apenas o acúmulo de conhecimento. Fazia com que seus alunos falassem, dessem opinião cada um.

Era um professor que não castigava, um homem de poucas palavras que não deixava transparecer nenhum desprezo pela massa de alunos indiferentes, corrigia minuciosamente seus trabalhos, mantinha-os motivados para a matéria que lhes ensinava. Ainda segundo o relato de seus alunos eles falam que nunca o viram irritado, elevando o tom da voz, nem se alterando.

Na obra Assim Falava Zaratustra Nietzsche coloca suas concepções sobre educação. Ele foi fortemente influenciado pelos gregos, por isso falará do corpo e do espírito. Ele acredita que o corpo e o espírito devam ter o mesmo desenvolvimento, sem que haja um maior que o outro. Critica também a educação de sua época falando que ela não tem por objetivo formar homens de personalidades fortes, forma somente homens fracos que vivem em um rebanho. O homem deveria afastar-se das massas, somente assim poderia criar condições para um novo mundo com novos valores.

Para Nietzsche a ideia de escola para todos é uma forma de rebaixar o espírito que tende para uma degeneração cultural. Diz ainda que as pessoas submetem-se mais as convenções do que as suas próprias convicções e por isso seguem a moda do rebanho. Desde criança acreditam que a maior virtude é estar conforme às opiniões de todos. O homem moderno tem preguiça de pensar e por este motivo sempre precisará de alguém que os guie.

Nietzsche apresenta uma solução para que o homem deixe o rebanho, ele diz que a primeira virtude do homem é ousar ser ele mesmo. Essa busca de conhecer a si mesmo é algo que se supera. Mas para o pensador não existe um “verdadeiro eu”, porque não sabemos se as pessoas realmente se livraram de todas as suas máscaras. Nietzsche diz que: “Se é verdade que a lebre tem sete peles, o homem pode despojar-se de setenta vezes sete peles e ainda não poderá dizer: eis realmente o que você é, não é mais um invólucro”. Sua afirmação relata que não somos capazes de dizer quem somos. O “eu” é uma construção permanente e para que chegue a este “eu” é preciso da educação. Para chegar a si mesmo, o homem deveria se transformar numa espécie superior.

Nietzsche percebeu que não existiam pessoas comprometidas com a verdadeira formação. Expõe que o educador não é aquele que carrega o aluno, mas aquele que o orienta.

A educação moderna para Nietzsche tinha por objetivo transformar o homem em uma pessoa domesticada, que aceita tudo sem questionar, ou seja, instrumentaliza-o para determinadas coisas. O que ele propunha era uma educação que não dependesse do Estado e da Igreja e que fizesse o homem um ser mais autônomo, forte, capaz de mandar em si mesmo, sem precisar de ajuda desses órgãos ou de outra instância autoritária. Ele queria que, o indivíduo recebesse e fosse capaz de questionar determinadas regras imposta a sua natureza, fazendo uma revisão de seus valores e construindo conhecimento através de questionamentos. Queria que o homem agisse para o futuro e não somente para a sociedade.

Ainda em sua época, a educação estava caracterizada por duas tendências, a ampliação máxima da cultura e a redução da cultura, estas estavam destinadas a servir os Estados, os negociantes e a ciência. A primeira: ampliação da cultura, diz que a cultura deve ser acessível para todos e, para que isso ocorra o indivíduo deve seguir a doutrina da economia política. A segunda: redução da cultura, diz que o indivíduo se dedica aos interesses do Estado.

Nietzsche aborda ainda outra tendência chamada de cultura jornalística, que encontra-se aliada as outras duas supracitadas. Para ele essa tendência procura substituir aos poucos a cultura verdadeira, pois ela é uma cultura que vive do momento presente, das maneiras de pensar e da moda. Dessa forma, para Nietzsche não é possível falar de uma educação voltada para cultura, pois essas tendências são contrárias ao gênio, que para o filósofo é uma dádiva da natureza que ultrapassa a compreensão dos outros, mas não a percepção.

O filósofo alemão nos mostra ainda uma visão de separação em relação as pessoas letradas e iletradas, para esclarecer isso ele nos mostra a cultura popular e cultura de massa. Explica que a cultura popular é aquela que permanece fiel aos seus costumes, que conserva seus instintos religiosos, o seu idioma, já a cultura de massa é aquela que esta submetida à lei da oferta e da procura, que destrói a cultura diferenciada de cada povo.

Nietzsche acredita que a renovação cultural chegaria pelas classes inferiores e iletradas, para que isso ocorresse essa classe não deveria deixar contaminar-se com a classe dos letrados, que possui uma cultura apressada para a época. Ele pretende restaurar a cultura alemã.

Ele valoriza o uso da língua e diz que o jovem deve ser “adestrado linguísticamente”, ou seja, o estudo da língua levado a sério. Com isso o sujeito poderá se tornar dominador do seu idioma e poderá alcançar o primeiro requisito para uma verdadeira cultura.

Nietzsche julgava o sistema educacional incapaz de promover uma formação humanística. Apesar de abordarem a civilização grega e latina, ele dizia que isso pouco serviria aos jovens, era necessário inserir os estudos clássicos. Nem os professores da época estavam preparados para ensinar cultura clássica, nem os alunos estavam prontos para receber essa cultura, mas era imprescindível para que o aluno aprenda por si mesmo e pense por si mesmo.

Nietzsche não gostava da dissertação e da redação sobre temas específicos, ele acreditava que o aluno deveria produzir de forma livre, pois dessa maneira pensaria por si mesmo. Além disso, critica esse tipo de professor que ainda pede para o aluno ser original, mas, contudo o aprendiz depara-se com uma lista de temas. As escolas valorizam mais o que está de acordo com o pensamento do professor, não ideias contrárias a ele. Nietzsche chama isso de “mediocridade uniforme”.

Ele também critica o ensino superior dizendo que o professor fala e os alunos escutam. Eles possuem uma boca e orelhas autônomas, mas tal autonomia para Nietzsche é uma forma de domesticar o aluno, para torná-la uma criatura dócil ao Estado e à burguesia. Ele comenta que os alunos podem ser autônomos na companhia de amigos e em atividade artística, mas não são autônomos na universidade. O indivíduo tem necessidade de alguém que o ajude a chegar a si mesmo. Dessa forma, a universidade não forma indivíduos para a cultura.

Nietzsche foi atual, ele apontou problemas que apesar dos esforços de alguns educadores bem – intencionados, ainda não foram resolvidos.

dizia o que devia ser feito

Ele pensou em uma educação libertadora, que fizesse com que o aluno exprimisse suas ideias, por isso ele era contra a forma de ensinar, pois o professor

Para que a sua tão sonhada revolução cultural acontecesse a educação deveria ser transformada. Atualmente, os pedagogos e outras pessoas envolvidas com educação adotam as ideias de Nietzsche.

Para Gérard Lebrun, tomar Nietzsche como exemplo não é pensar como ele, mas sim pensar com ele. “Nietzsche” não é um sistema, nem mais um pensador com um programa de educação. Ele é um instrumento de trabalho insubstituível.

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