Valente-AzevedoFilho-Levantamento das potencialidades

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LEVANTAMENTO DAS POTENCIALIDADES TURÍSTICAS NA REGIÃO DO PARANÁ DO ESPÍRITO SANTO, APA NHAMUNDÁ, AMAZONAS *1

Izabel Farias Valente Graduada em Geografia/Universidade do Estado do Amazonas

João D’Anuzio Menezes de Azevedo Filho Msc., Professor da Universidade do Estado do Amazonas, jdazevedogeo@hotmail.com

Resumo

A presente pesquisa faz um levantamento das potencialidades turísticas na região do Paraná do Espírito Santo, dentro da Área de Proteção Ambiental do Nhamundá, no estado do Amazonas. A APA Nhamundá está localizada no extremo leste do Estado do Amazonas, em um espaço físico ao norte do município de Parintins e ao sul do município de Nhamundá. A referida APA foi criada através do Decreto nº. 12.836, de 09 de março de 1990, com área de 195.900 hectares pertencendo 70% ao município de Parintins e 30% ao município de

Nhamundá. Contém dois ecossistemas, um de terra firme (15%), e outro de várzea (85%). Cerca de 1.400 famílias vivem em 3 comunidades que juntas totalizam cerca de 7.0 pessoas. Possui uma paisagem composta por grande quantidade de recursos naturais terrestres e aquáticos entre os quais se destacam lagos e baixadas de rara beleza conhecidos como complexo do Macuricanã. Nesta perspectiva, a pesquisa realizou um levantamento do potencial turístico na região do Paraná do Espírito Santo na borda sul da APA Nhamundá, a qual pertencem as comunidades de Vila Bentes, Santa Rita do Igarapé do Boto, São Sebastião do Boto, São José do Paraná do Espírito Santo de Cima, Paraná do Espírito Santo do Meio e Paraná do Espírito de Baixo. A atividade turística ganha relevância naquela área não somente por suas características naturais, mas em especial, pela possibilidade de melhoria da qualidade de vida da população local que vê no turismo uma saída para melhorar sua renda familiar. Palavras chave: turismo – áreas protegidas – sustentabilidade

A STUDY OF THE TOURISTIC POTENTIAL OF THE REGION OF THE PARANÁ DO ESPIRITO SANTO, APA NHAMUNDÁ, AMAZONAS Abstract

This research makes a study of the touristic potential of the region of the Paraná do Espirito Santo, inside the environmental protection area of the town of Nhamundá, Amazonas State, Brazil. The EPA Nhamundá is localized in the extreme east of the Amazon state, to the north of the municipality of Parintins and to the south of the municipality of Nhamundá. This EPA was created via the decree No 12.836, of 9th March 1990 and possesses an area of 195,900 hectares, 70% belonging to the municipality of Parintins and 30% to the municipality of Nhamundá. It contains two ecosystems, one of terra firma (15%) and one of lowland inundated with the rise of the river (85%). Around 1,400 families live in 3 communities that together total about 7000 people. It has a landscape made up of a great quantity of natural land and water resources where beautiful lakes and lowlands maybe found, known as the Macuricanã Complex. In this perspective, the research studiedthe touristic potential of the Paraná do Espirito Santo region on the southern border of the EPA of Nhamundá, to which belong the communities of Vila Bentes, Santa Rita do Igarapé do Boto, São Sebastião do Boto, São José do Paraná do Espírito Santo de Cima, Paraná do Espírito Santo do Meio and Paraná do Espírito de Baixo. The touristic activity becomes important in this area, not only because of the natural characteristics of the area, but especially because of the possibility of improving the quality of life of the local population that acknowledges that tourism is an opportunity to raise their family income. Keywords: Tourism, Protected areas, Sustainability

1 Publicado na Marupiara, Revista Científica do Centro de Estudos Superiores de Parintins/Universidade do

Estado do Amazonas, edição nº 5, jan/jun/2011.

Introdução

O turismo é uma atividade econômica e social que tem na atualidade seu crescimento intimamente ligado à conservação ambiental e ao desenvolvimento sustentável tanto em nível nacional e regional como municipal.

É crescente o aproveitamento das Unidades de Conservação para a prática do turismo como busca de uma relação mais íntima do homem com a natureza. Em se tratando da região amazônica, essas unidades possuem características peculiares no que tange às características físicas, sociais e culturais que as difere das existentes nas demais regiões do país.

A presente pesquisa faz um levantamento das potencialidades turísticas na região do

Paraná do Espírito APA Nhamundá, Amazonas. A Área de Proteção Ambiental Nhamundá está localizada no extremo leste do Estado do Amazonas, em um espaço físico ao norte do município de Parintins e Sul do município de Nhamundá, contendo dois ecossistemas, sendo estes de terra firme (15%) e de várzea, (85%), onde se localiza um complexo de lagos denominado complexo do Macuricanã, rico em espécies aquáticas.

efetivo das populações locais no processo de tomada de decisões

Verificou-se a necessidade de se fazer um levantamento na referida APA, visto que, como afirma Nelson e Pereira (2004), o desenho e a implementação de projetos turísticos nessas áreas devem ser capazes de desenvolver modelos alternativos, conservar a base de recursos naturais, responder ao imaginário coletivo e assegurar a participação e o engajamento

Para o embasamento desse trabalho faz-se uma abordagem sobre o turismo versus desenvolvimento sustentável na Amazônia, visto que as atenções se voltam principalmente para suas riquezas naturais e culturais, notando-se, entretanto, uma preocupação em escolher modelos de desenvolvimento que se identifiquem de fato com a realidade local.

Dentre as modalidades de turismo, destacam-se: o ecoturismo, que está se intensificando a partir de preocupações de ordem ambiental, econômica e social e por estar ligado a um tipo de turismo cujas bases concentram-se na manutenção do desenvolvimento sustentável e o turismo de pesca, atividade turística que é considerada de elevado potencial para gerar desenvolvimento em longínquas áreas.

A segunda parte trata do Turismo em Unidades de Conservação expondo sobre da importância que estas vêm adquirindo por sua excepcional beleza cênica e importância ecológica e cultural e principalmente por sua importância para a sustentabilidade.

Para o bom desempenho da pesquisa buscou-se alcançar os objetivos estabelecidos no projeto que foram: estudar os aspectos físicos e humanos que compõem a paisagem da região do Paraná do Espírito Santo, APA Nhamundá, identificar os ambientes propícios à realização de atividades turísticas e discutir com a população local sobre um plano de desenvolvimento turístico local sustentável.

A metodologia utilizada consistiu de um levantamento bibliográfico e documental acerca do tema e sobre a APA Nhamundá. O método fenomenológico foi utilizado na abordagem, assim como as técnicas de pesquisas observação e o modelo SWOT, termo resultante da conjugação das iniciais das palavras anglo-saxónicas Strengths (forças), Weaknesses (fraquezas), Opportunities (oportunidades) e Threats (ameaças), tendo em vista fazer o levantamento das potencialidades turísticas naquela região.

Na terceira parte se discute sobre a APA Nhamundá caracterizando-a de acordo com seus aspectos que são: naturais- localizada sobre a planície fluviolacustre formada no encontro dos rios Nhamundá e Amazonas; a biodiversidade - de grande relevância para a conservação da biota aquática da Amazônia e a infra-estrutura – que consiste de uma pequena Base flutuante e o escritório da Coordenação Estadual de Unidades de Conservação (CEUC).

A título de conclusão faz-se considerações sobre o potencial turístico encontrado na região estudada, voltado para seus atributos naturais e culturais, dando-se maior relevância ao elemento homem.

Turismo versus desenvolvimento sustentável na Amazônia

Ao se falar em turismo na Amazônia as atenções se voltam principalmente para as suas riquezas naturais e culturais. Ao mesmo tempo se tem cada vez mais, a preocupação em escolher modelos de desenvolvimento que se identifiquem de fato com a realidade local, tendo como premissa a sustentabilidade.

O turismo vem denotando também um meio de diferentes valores sobre a natureza, determinando uma articulação de formas e interesses entre os diferentes setores da sociedade que desempenham papéis diversificados, tais como as populações locais, o poder municipal e a cooperação internacional. Valores estes de conservação, de sobrevivência e de mercado.

O crescimento do turismo está intimamente ligado ao desenvolvimento sustentável que significa qualificar o crescimento e reconciliar o desenvolvimento econômico com a necessidade de se preservar o meio ambiente (CAVALCANTI, 2001).

Na Amazônia as possíveis articulações entre conservação ambiental e desenvolvimento sustentável como viabilidade econômica emergem em locais onde existem projetos comunitários, no entanto, o âmago da sustentabilidade pode ser alcançado também em outros recortes tais como as unidades de conservação.

Como exemplo de turismo com base local pode-se citar o município de Silves no

Amazonas onde, devido a ameaça da fome e com ajuda da Igreja Católica, comunidades locais se organizaram em torno de uma ONG, a Associação de Silves pela preservação Ambiental e Cultural (ASPAC) que conseguiu junto à Câmara de vereadores a proibição da pesca comercial e a criação do manejo da pesca artesanal por meio de proteção dos lagos.

O programa de educação ambiental comunitário denominado “caravana mergulhão”, valorizou e mobilizou a participação e o debate sobre a importância do respeito às normas e legislação municipal sobre conservação da pesca.

Paralelamente ao trabalho de educação ambiental e conservação dos recursos pesqueiros, a ASPAC, com apoio do WWF (World Wild Found), optou pelo desenvolvimento do turismo como alternativa econômica para as comunidades ribeirinhas.

Foi construída uma Pousada (aldeia dos lagos) onde há uma participação intensa das comunidades ribeirinhas tanto na atividade de hospedagem como nas atividades de lazer do turista. Os turistas conhecem como vive o ribeirinho, como ele pesca, planta, faz a farinha, faz o peixe para comer além de fazerem os passeios dentro da floresta e na cidade, deixando divisas para o município (TAMAIO; CARREIRA, 2000).

Esse diferencial tem atraído nos últimos três anos, aproximadamente 600 turistas por ano, em sua maioria, estrangeiros em busca do turismo responsável.

Sabe-se que a sustentabilidade é desafiante, pois, é um modelo de desenvolvimento que necessita de padrão permanente de organização da sociedade, mudança de comportamentos e hábitos de produção e consumo de cada ator social.

Desses fatos, depreende-se que o turismo age como indutor benéfico, sobretudo se houver um desenvolvimento planejado que organize as atividades turísticas, como por exemplo, programas educativos que possam capacitar os moradores locais, levando-os a se tornar cada vez mais orgulhosos da sua cultura e do lugar em que vivem. Ressaltamos, no entanto, que o turismo não é isento de riscos e ameaças já que é uma ação antrópica.

O Ecoturismo

Na sua ânsia voraz por conquistar o espaço e os de recursos, o homem de modo preocupante e avassalador alterou drasticamente seu meio ambiente, provocando uma forte ameaça à qualidade ambiental, e em curto prazo, suas possibilidades de uso.

O interesse crescente pelo ambiente natural, preservado e ou conservado, fez nascer o ecoturismo, uma atividade que tem relação direta com o desenvolvimento sustentável.

Ecoturismo, turismo ecológico e turismo de natureza são algumas denominações de caráter geral atribuídas ás práticas de turismo que estão ocorrendo em áreas naturais [...]Essas modalidades de turismo diretamente relacionadas á natureza, mais comumente chamadas de ecoturismo, crescem – conforme propalam organismo oficias – a um ritmo acelerado (CRUZ, 2003, p.17-18).

O ecoturismo está ligado a um tipo de turismo cujas bases concentram-se na manutenção do desenvolvimento sustentável, traduzido como a preocupação com as gerações futuras e com a preservação dos biomas.

A demanda que o ecoturismo emite para as áreas naturais é relevante e contínua.

Porém, os empresários que exploram essa atividade, não se preocupam em incluir no planejamento das mesmas, a comunidade local, quando o ideal seria que as populações residentes nos locais explorados tivessem participação efetiva no desenvolvimento dessas atividades, mesmo porque são eles que ficam expostos ao perigo da imposição cultural, doenças e excesso de lixo deixado pelos turistas.

Evidencia-se que o ecoturismo implica medidas de conservação e manejo, apresentando uma relação intrínseca entre as empresas privadas que organizam viagem pela natureza e as entidades (governamentais e não-governamentais) responsáveis pela proteção das áreas naturais além da população local (FARIA; CARNEIRO, 2001).

Contudo, é importante ressaltar que apesar do ecoturismo ser um instrumento em prol do desenvolvimento sustentável, algumas comunidades não tem alcançado os benefícios almejados, já que o objetivo posto em prática tem sido a curto prazo e não o desenvolvimento através dos princípios defendidos pelo ecoturismo. Esse é um problema que acontece não apenas com empresários, mas também com governos de países que lançam um olhar para o ecoturismo como a solução para suprir a falta de empregos e conseguir capital para infraestrutura.

O Turismo de Pesca

Estudos realizados na Amazônia brasileira apontam que ela detém cerca de 10% da diversidade de peixes existente no planeta, o que a torna uma das regiões mais propícias para investimentos no aproveitamento desse potencial para o turismo de pesca.

Uma das vantagens do turismo de pesca é que ele conta necessariamente com a população local já ligada à pesca para se desenvolver, sendo considerada uma atividade com potencial de gerar desenvolvimento em distantes áreas, podendo substituir outros tipos de atividades econômicas que geram degradação ao meio ambiente e ser uma oportunidade de emprego e renda para as comunidades tradicionais e ribeirinhas.

Devido a um grande potencial, em praticamente todo o território nacional, foi criado em 1997, pelo Ministério do Esporte e do Turismo e o Ministério do Meio Ambiente, o Programa Nacional de Desenvolvimento da Pesca Amadora - PNDPA, que tem o objetivo transformar a atividade de Pesca Amadora em instrumento de desenvolvimento econômico, social e de conservação ambiental (AMAZONAS, 2004)

No Amazonas este programa é executado pelo Governo Estadual por intermédio do órgão oficial de turismo do Estado, a Empresa Estadual de Turismo (AMAZONASTUR), em parceria com as prefeituras municipais e recebem apoio do governo federal.

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