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XXIV Encontro Nac. de Eng. de Produção - Florianópolis, SC, Brasil, 03 a 05 de nov de 2004

ENEGEP 2004 ABEPRO 604

Sistema de Gestão da Manutenção para a Pequena e Média Empresa

João Carlos Chiochetta (CEFET-PR) chiochetta@wln.com.br Kazuo Hatakeyama (CEFET-PR) kazuo@ppgte.cefetpr.br Rui Francisco Martins Marçal (CEFET-PR) marçal@pg.cefetpr.br

Resumo

O presente artigo aborda a necessidade da implantação de um Sistema de Gestão da Manutenção na Pequena e na Média Empresa, a partir dos Tipos de Manutenção e Tendências. Essa ferramenta da Gestão, mesmo sendo de premente necessidade nas organizações, na maioria das vezes, não se implanta ou nem mesmo se pensa em implantar por se ter uma idéia de que só se aplica a grandes empresas, em grandes estruturas organizacionais, porque somente essas dispõem de capital e de organização para tal. Essa crença precisa ser desmistificada, ou seja, mudar o paradigma de que só as grandes organizações, por estarem na vanguarda, podem estar organizadas, implantando um sistema de Gestão da Manutenção, de forma a minimizar as paradas e otimizar sua produtividade e, conseqüentemente, sua lucratividade. A pequena e média empresa pode e deve implantar um sistema de Gestão da Manutenção, dentro de suas possibilidades e, concorrer de igual por igual com as grandes empresas.

Palavras-Chave: Manutenção, Gestão da Manutenção, Tipos e Tendências de Manutenção, Manutenção terceirizada.

1. Introdução

Sempre que se fala em manutenção, tem-se a impressão que deve existir muita dificuldade na implantação de um processo de Gestão da Manutenção. Essa perspectiva se prende ao fato, principalmente, de que a nomenclatura usada por diversos setores nem sempre é a mesma para significar a mesma coisa.

A utilização de nomenclatura diferenciada de uma organização para outra tem dificultado o entendimento da questão, causado por motivos diversos como desde a tradução até o entendimento da língua estrangeira, da qual o sistema ou a empresa é oriundo, bem como a regionalização de termos. Muitas vezes, são dados “apelidos” ou são “traduzidos” nomes que dizem respeito a certa organização, e, pelos quais são conhecidos numa determinada empresa, num determinado espaço ou região, não constituindo-se em nomenclatura geral e uniforme. Assim, somente quem atua em determinada empresa, em determinado momento saberá o que realmente significa tal nomenclatura, atribuída à determinada ferramenta, que, muitas vezes, é de domínio dos demais, mas com outro nome.

Na atual conjuntura competitiva, quando se busca a inserção, no mundo globalizado do comércio, da pequena e média empresa, a questão manutenção tem fator preponderante na redução de custos. Essa matéria deveria ser tratada como investimento e não como despesa, pois, além de manter determinado bem em funcionamento, mantém também o processo produtivo - razão de existir da organização. Algumas empresas de médio e/ou pequeno porte, no entanto, não têm estabelecido seus processos de manutenção por entenderem ser “complicado e caro”, quando, na verdade, é relativamente simples e, deveria ser encarado, como já dito, como investimento.

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2. Sistema de Gestão da Manutenção para a Pequena e Média Empresa: Tipos e Tendências

A compulsão de nomes atribuídos ao processo de manutenção, seja pelas empresas ou por colaboradores das organizações, é até compreensível, levando-se em conta os fatores já apontados para tal fenômeno, porém o que precisa ser feito é a disseminação desses vários conceitos. Os nomes podem até serem diferentes, mas o conceito deve estar bem compreendido. A conceituação clara e objetiva, permite uma escolha mais eficaz para um determinado equipamento, instalação ou sistema.

Para implantação de um processo de Gestão da Manutenção é necessário ter claro as etapas, desde o conhecimento dos processos de gestão da manutenção, conceituação, até os passos para implantação.

3. – Tipos de Manutenção

Segundo Júlio Nascif Xavier (2003) considera bastante adequada a seguinte classificação em função dos tipos de manutenção:

9 Manutenção Corretiva

É a atuação para correção de falha ou do desempenho menor que o esperado. É oriunda da palavra “corrigir”. Pode ser dividida em duas fases:

a) - Manutenção Corretiva não Planejada – correção da falha de maneira aleatória, ou seja, é a correção da falha ou desempenho menor que o esperado após a ocorrência do fato. Esse tipo de manutenção implica altos custos, pois, causa perdas de produção e, em conseqüência, os danos aos equipamentos é maior; b) – Manutenção Corretiva Planejada – é a correção que se faz em função de um acompanhamento preditivo, detectivo ou até mesmo pela decisão gerencial de se operar até ocorrer a falha. Pelo seu próprio nome “planejada”, indica que tudo o que é planejado, tende a ficar mais barato, mais seguro e mais rápido.

9 Manutenção Preventiva

É a atuação realizada para reduzir falhas ou queda no desempenho, obedecendo a um planejamento baseado em períodos estabelecidos de tempo.

De acordo com Xavier (2003) um dos segredos de uma boa preventiva está na determinação dos intervalos de tempo. Como, na dúvida, temos a tendência de sermos mais conservadores, os intervalos normalmente são menores que o necessário, o que implica paradas e troca de peças desnecessárias.

9 Manutenção Preditiva

É um conjunto de atividades de acompanhamento das variáveis ou parâmetros que indicam a performance ou desempenho dos equipamentos, de modo sistemático, visando a definir a necessidade ou não de intervenção.

Para Xavier (2003) quando a intervenção, fruto do acompanhamento preditivo, é realizada, estamos fazendo uma Manutenção Corretiva Planejada. Esse tipo de manutenção é conhecido como CBM — CONDITION BASED MAINTENANCE — ou Manutenção baseada na condição. Essa manutenção permite que os equipamentos operem por mais tempo e a intervenção ocorra com base em dados e não em suposições.

9 Manutenção Detectiva

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A manutenção detectiva é a atuação efetuada em sistemas de proteção ou comando, buscando detectar falhas ocultas ou não perceptíveis ao pessoal de operação e manutenção. Um exemplo clássico é o circuito que comanda a entrada de um gerador em um hospital. Se houver falta de energia e o circuito tiver uma falha o gerador não entra. A medida que aumenta a utilização de sistemas automatizados nas operações, mais importante e mais utilizado será, garantindo a confiabilidade dos sistemas (XAVIER, 2003).

Xavier (2003) discorre que Engenharia de Manutenção “é o conjunto de atividades que permite que a confiabilidade seja aumentada e a disponibilidade garantida”. Ou seja, é deixar de ficar consertando — convivendo com problemas crônicos —, mas melhorar padrões e sistemáticas, desenvolvendo a manutenibilidade, dar feedback ao projeto e interferir tecnicamente nas compras.

Quem só faz a manutenção corretiva continua “apagando incêndio”, e alcançando péssimos resultados.

Desta forma, a organização que utilizar a manutenção corretiva, mas incorporando a preventiva e a preditiva, rapidamente estará executando a Engenharia de Manutenção.

4. Tendências

Analisando-se as empresas líderes, ou de sucesso, vai-se perceber que essas organizações adotam, cada vez mais, técnicas preditivas e a prática da engenharia de manutenção.

A manutenção, assim, é considerada estratégica para as organizações, pois ela garante a disponibilidade dos equipamentos e instalações com confiabilidade, segurança e dentro de custos adequados.

De acordo com a tendência que vem crescendo, entender o tipo de manutenção adequada para cada organização é fator de sucesso, garantia de otimização nos processos e, por conseguinte, à atividade auferir lucros, ou seja, não apenas garantir a sobrevivência das organizações, mas possibilitar-lhes crescimento e expansão.

5. Perfil da Manutenção nas Organizações

Esperar-se que a manutenção contribua efetivamente para o sucesso das organizações, e, também, que a empresa busque essa realização. Para que isso possa ocorrer, as empresas deveriam tratar o assunto dentro de uma visão estratégica.

O lema do 1º Congresso Mundial de Manutenção (Manutenção: Componente Estratégico do Sistema Empresarial) foi considerado pelos participantes como oportuno, pois na avaliação de Staglioro (2002) “a manutenção tem mudado sua configuração nas estruturas empresariais, deixando de ser vista como Área geradora de custos e evoluindo para uma área que deve agregar valor aos processos de trabalho e ao negócio”.

A manutenção empresarial deve, pois, estar voltada prioritariamente para o aumento da disponibilidade e da confiabilidade.

A manutenção precisa propiciar condições de evitar todas as falhas não previstas, ou seja, a atividade de manutenção deve ser o suporte para que não haja necessidade de manutenção emergencial.

No entanto, nos dias de hoje, no Brasil, ainda, é muito operante a manutenção corretiva — boa parte dos colaboradores das organizações, envolvidos em manutenção, ainda se sentem realizados quando executam uma boa manutenção corretiva.

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6. A Gestão da Manutenção Terceirizada

Se a questão da manutenção continua a desfiar as empresas e organizações, constituindo-se num dos “nós górdios” da gestão, prejudicando o aumento da qualidade dos serviços e adequação dos custos às necessidades dos produtos e mercados, uma forma interessante de resolver tal questão é a contratação do serviço terceirizado.

A forma de contratação de pessoal terceirizado para prestação de serviços especializados já é antiga. Segundo Celso Teixeira (2003) é comum a contratação de pessoal para a complementação de mão-de-obra em serviços, cuja demanda excede os recursos disponíveis, ou para a realização de trabalhos de baixa especialização.

Uma das razões por que essa modalidade ainda é vista com certo ceticismo por empresas que preferem a contratação de mão-de-obra própria em detrimento da contratação de serviços, talvez, seja por não acreditarem que um prestador de serviços possa agregar valor ao trabalho por ele realizado. Por outro lado, há ainda questões que vão desde corporativismo até experiências com terceirizações mal sucedidas e de resultados duvidosos, de acordo com (TEIXEIRA 2003).

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