Evolução da planicie costeira do Rio Paraiba do Sul (RJ) durante o quaternario - influencia das flutuações do nível do mar, por Suguio e Martin

Evolução da planicie costeira do Rio Paraiba do Sul (RJ) durante o quaternario -...

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SD-06 3.0 2 150 Conchas Bah. 10 c) rost tras coletadas na paleolaguna alongada pardlelanwte aos w&s situada no

PS-31 2.530 + 170 Conchas Bah. 1096 PS-30 2.360 - 180 Conchas Bah. 1097

PS-42 4.390 + 200 Conchas Bah. 1094 PS-41 4.380 T - 200 Conchas Bah. 1093 PS-35 3.850 200 Conchas Bah. 1102 2.110 T 200 Conchas Bah. 10 PS-3 PS-32 1.980 t 190 Conchas Bah. 1099 PS-34 1.070 i 160 Conchas Bah. 1101

Laguna da Flecha Laguna do mlolö reio do terraço holo~w ao norte da foz (fase 3 de suhwSo) d) Arrostras coletadas nos CO& do terraço holccênico ao norte da foz

ObservaçÕes? was algumas das arrostras datadas, constantes desta takela, foram

- Por ou+- lado, nem todas as mstras citadas no texto est.% conti- mencionadas no texto.

das nesta tela.

tectÔnicos, as fases evolutivas da planicie costeira do rio Paraíba do Sul são bastante semelhantes Ss de formaçao da planície do rio Doce, an teriormente estudada por SUGUIO et al. (1982) e MARTIN et al. (1983) , compreendendo as seguintes etapas:

HZ cerca de 120.0 anos A.P., correspondente ao mhimo da pe núltima transgressão (transgressão Cananëia de SUGUIO e MARTIN, 1978a), o nível relativo do mar deveria situar-se a 8 5 2m acima do atual. Nez ta fase, a planície costeira ainda não existia e todos os vales entalha dos nos sedimentos da Formação Barreiras ou nas rochas do Embasamento

Cristalino pré-cambriano foram invadidos pelo mar, desenvolvendo-se n; merosas lagunas. A ingressa0 máxima do mar, nesta fase, 6 demarcada por uma linha de falésias entalhada nos sedimentos da Formação Barreiras.

Após 120.0 anos A.P., o nível do mar inicia a descida, quando litorâneos. sedi ni plan2 foram construidos terraços areilosos recobertos por cordões Ao norte e ao sul esses terraços estão diretamente encostados nos mentos da Formação Barreiras. A medida que ocorria o abaixamento do vel relativo do mar, instalava-se uma rede hidrogrdfica sobre a Cie costeira, escavando vales talvez profundos.

A partir de 18.0 anos A.P. (máximo da última glaciação quate; ndria de maior amplitude que atingiu o hemisfério norte) o nivel do mar iniciou uma subida muito rápida. No decorrer desta fase transgressiva, a maior parte da planície costeixa pleistocênica foi destruida.

costeira holocênica, pelo assoremento parcia1,de uma vasta paleolaguna separada do mar aberto por ilhas-barreiras, de maneira semelhante aoque ocorria na planície costeira do rio Doce. Evidentemente, as ilhas-barrei ras daquela ëpoca deveriam localizar-se em posição mais externa, tendÖ atingido a sua posição final por volta de 5.0. anos A.P.

nos terraços pleistocênicos foram, ne.;ta fase, invadidos pelo mar, forman& se numerosas lagunas alongadas.

A partir de 7.0 anos A.P., iniciou-se.a formação da planície

As zonas baixàs da Formaçso Barreiras e os vales escavados

A partir de 5.100 anos A.P., o abaixamento do nível relativo do mar foi acompanhado pela transferência de areias da plataforma continel! tal interna para a praia (processo recíproco lei de BRUUN, op. cit.). Essas areias foram retrabalhadas pl-las correntes de deriva litorânea, tendo contribuído na construção de terraços arenosos holocênicos.

A ressecaçã0 parcial da extensa laguna, cujo testemunho atual representado pela lagoa Feia, ocorreu não somente pelo abaixamento do nível relativo do mar, mas também,. pelo aporte fluvial do rio Paraíba do Sul, que nesta época despejava totalmente os seus sedimentos na paleola guna, construindo um grande delta. Entretanto, 6 possível que já antes de 4.400 anos A.P. , um braço do rio Paraiba do Sul atingisse diretamen- te o mar aberto.

Os períodos de submersão acolerada ocorridos entre 3.800 e 3.600 e 2.700 e 2.500 anos A.P. devem ter provocado uma descontinuidade na construção dos terraços holocênicos. De fato, nota-se no terraço holocE nico situado ao sul da desembocadura, a existëncia de uma zona baixa pa ralela ao alinhamento dos cordoes, que atravessa todo o-terraço. At6 o momento, não se dispõe de dados sobre a época de formaçao desta zona-: xa, que se situa mais para o interior que as laaunas Salgada, das Os+~as, da Flecha e Molol6, algumas das quais-ainda contendo água, que foram da tadas de cerca de 3.0 anos h.P. Entao, pode-se pensar que corresponda fase de elevação rápida do nivel relativo do mar produzida entre 3.800 e 3.600 anos A.P.

Na parte do terraço holocënico ao norte da desembocadura atual exist: também uma zona baixa paralela ao alinhamento dos cordões litor5 neos. As conchas dos sedimentos lagunares desta zona foram datados de 2.530 5 170 (Bah. 1098) e 2.360 2 180 anos A.P. (Bah.1097). Essas ida des parecem indicar que esta laguna tenha se formado durante a submeg sso rspida que ocorreu entre 2.700 e 2.500 EIOS A,P.

rar q?e a tr aves

Na região atum ondas de duas orientaçges diferentes. A primeL provim de S-SE, est5 ligada Z penetraçao de massas de ar polar do continente sul-americano. Ela 6 especialmente freqflente dg rante o outono e inverno. A segunda, vinda de NE, est6 ligada aos ven tos aliseos. A onda de S-SE 6 muito mais atuante, desempenhando um pa pel predominante no transporte litorbeo.

por vezes, nota-se a superposição dos dois padrões mas, mesmo neste caso, a açã0 das ondas äe S-SE 6 predominante. Este padrãode ondas explica a geometria dos cordoes litorheos holocënicos de ambos os ladx da desembocadura do rio Paraiba do Sul (DOMINGUEZ et al. ,1983) , que intlicam um transporte constante de areias do sul para o norte, no decorrfc dos Últimos 5.0 anos. O bloqueio, destes materiais por um di que pei-pendicular praia, construido há cerca de dois anos para prote ção da entrada de barra do Furado, evidencia a continuidade do processo at6 os dias de hoje. De fato, verifica-se uma sedimentaçao acelerada de areias ao sul e erosão ao norte deste dique.

A Fig. 5, que apresenta a zona da desembocadura do rio Paraíba do Sul, mostra a existência de:

a) Acentuada assimetria entre partes norte e sul da desembocad: ra. A parte sul é saliente, sendo formada por empilhamento de cordoes litorâneos. A parte norte 6 reentrante, sendo formada por alternbcia de zonar arenosas e argilo-orgânicas.

b) Esporão arenoso que tende a fechar a desembocadura fluvial. h construção do espora0 arenoso 6 acompanhada por erosão do litoral(Fig.

3Cj, com destruição de muitas casas em Atafona. A linha de praia da re gis0 de Atafona recuou cerca de lOOm em 20 anos (1956 a 1976). Em fevg reiro de 1976 (situação mostrada na Fig. 3C) , que correspondeu a um pe riodo de enchente do rio Paraiba do Sul, o esporão arenoso foi destruz do até próximo a sua "raiz". Em fevereiro de 1981, urn novo esporão arg noso tinha atingido cerca de 300m de comprimento.

c) Escalonamentos (degraus) muito nitidos e discordâncias en tre os alinhamentos äos cordões litorâneos'correspondentes a fases de erosão, que acompanham a formação dos esporões arenosos (Fig. 3D).

O bloqueio do transporte litorâneo 6 exercido pelo fluxo flu vial do rio Paraíba do Sul, conforme pôde ser demonstrado de maneira i" contestável através dos graus de arredondamento de graos arenosos de um lado e äe outro da desembocadura (MARTIN et al., 1984 e SUGUIO et al., 1984).

EVIDENCIAS DE ATIVIDADE TECTdNICA RECENTE

fl possível dividir a planície costeira do rio Paraiba do Sul em duas partes através de uma linha que passa ao sul do eixo Campos-Sao

Tomé (Fig. 4).

Ao norte desta linha, o terraço arenoso holocênico 6 bem dese; volvido em ambos os lados da desembocadura do rio Paraíba do Sul. Ao sul desta linha, os depósitos arenosos holocênicos são praticamente res tritos a uma barreira de alguns metros de largura. Existem indicações de que a barreira arenosa, ao sul de São Tomé, continua a se deslocarru_ mo ao continente, avançando sobre os sedimentos lagunares, sugerindo ser um trecho em subsidência. De fato, conhecem-se depósitos de sedimentos lagunares recobertos pelas areias da praia atual.

Amostras de conchas coletadas nesses sedimentos lagunares fo ram datadas de 6.620 f. 240 anos A.P. (Bah. 1107) e 6.0 2 230 an0sA.P: (Bah. 1108). Além disso, o topo da barreira arenosa atual situa-se cla ramente acima da superficie do terraço pleistocênico.

Na-extremidade sul da planicie, onde não ocorrem lagunas entre o terraço pleistocênico e a praia atual; pode-se constatar claramente que areias holocênicas de cor amarelada estão avançando sobre areiasbran_ cas do terraço pleistocênico. O terraço pleistocênico, nesta região, CS racteriza-se por uma altitude anormalmente muito baixa.

O mapa Bouguer (Fig. 6) mostra que efetivamente existem duas= giÕes distintas, delimitadas pelo eixo Campos-São Tomé; ao norte tem-se valores positivos e ao sul valores negativos. A porção norte da plan& Cie parece ser mais ou menos estável, enquanto que a porçao sul estaria atualmente em subsidência.

O estudo detalhado da planicie costeira situada na desembocad; ra do rio Paraiba do Sul mostrou que ela apresenta depósitos sedimenta- res de idades pleistocênicas e holocênica.

constru ção da parte holocênica. Dusaite o pexlodo de submersão (antes de 5.100 ‘anos A.P.) , ter-se-iam formad, um sistema de ilhas-barreiras e laguna , levando o rio Paraiba do Sul a construir um vasto delta intralagunar.

Após 5.100 anos A.P., o nivel relativo do mar vem sofrendo um abaixamento continuo havendo, em conseqilência, transferência de areias da plataforma continental interna para a praia, contribuindo na forma çao de cord6es litorheos que foram acrescidos 2 parte externa das i- lhas-barxeiras.

Foi somente com a ressecaçã0 parcial da laguna, em função do abaixamento do nível relativo do mar, que o rio.passou a desembocar di retamente em oceano aberto. Foi demonstrado também que as areias trang portadas pelo curso fluvial têm contribuído principalmente na constru- ção do terraço holocênico ao norte da desembocadura, enquanto que o tez raço holocênico ao sul da desembocadura foi suprido principalmente pe las areias provenientes da plataforma continental interna. O fluxo flu vial do rio Paraíba do Sul teria barrado essas areias retrabalhadas por correntes de deriva litorkea.

Ocorre , na brea, evidência de atividade tectönica recente,que se traduz pela subsidência da planicie pleistocênica ao sul do alinha mento campos-são Tomê.

Foi possível evidenciar algumas fases evolutivas nz

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