Introdução a Alexander von Humboldt

Introdução a Alexander von Humboldt

SERVIÇO PÚBLICO DE GOIÁS UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS INSTITUTO DE ESTUDOS SÓCIO-AMBIENTAIS CURSO DE GEOGRAFIA TEORIA E METODOLOGIA I Prof.: Ms. Denis Castilho

Sarah Parreira Introdução a Alexander von Humboldt

Suas obras com ideias geográficas foram decisivas, principalmente no campo da geografia física.

Capel aponta Humboldt um dos principais responsáveis pelo desenvolvimento da geografia moderna.

A GÊNESE DO PROJETO CIENTÍFICO HUMBOLDTIANO Nascimento: 1769

Família aristocrática prussiana. Pai maçom e racionalista.

Humboldt formou-se em economia política, matemática, ciências naturais, botânica e física, mineralogia, tecnologia, educação financeira.

Espirito viageiro fazia tradução das paisagens em suas expedições, dentre elas à América Espanhola. Tinha firmes convicções políticas liberais.

As forças vitais de Humboldt se aplicaram ao estudo da natureza.

Seu projeto cientifico, demonstrava empiricamente está concepção idealista da harmonia universal da natureza, dessas partes intimamente relacionadas a um todo movido por forças internas.

Com isso Humboldt funda a “Física do Globo”, mais tarde “Cosmos”.

A gênese humboldtiana precede de três correntes de pensamento: Duas cientificas- a botânica e a “geognosia” – e outra de caráter filosófico e literário – o idealismo e o romantismo alemão.

Aspectos do método de Humboldt numa perspectiva geográfica:

1) Método comparativo (nesse método Humboldt compara sistematicamente as paisagens do setor que estudava com as outras partes da Terra). Humboldt compara e ordena, tal método está ligado a sua formação botânica, geológica e zoológica e, sobretudo a anatomia comparada.

2) Perspectiva histórica (quanto à mudança e a evolução).

Humboldt desconsiderava a natureza como imóvel, estática, considerando o sistema cientifico do séc. XVIII insatisfatório.

Desde o séc. XVIII dá-se inicio então a um debate do evolucionismo. (Conferir p.17).

Humboldt é pertencente de uma visão histórica e dinâmica da natureza, a nova era cientifica, no qual no séc. XIX conduzirá a este descobrimento de ciência contemporânea que é o EVOLUCIONISMO.

Humboldt adota um ponto de vista diferente, por exemplo, de Foucault, que se trata de uma concepção naturalista preocupada com as taxonomias, colocando os problemas de compreender as relações que unem em um mesmo espaço os fenômenos e elementos aparentemente desconexos, cuja função não pode ser deduzida de um sistema TAXIONÔMICO.

Imensa distância que separam a concepção humboltdtiana do séc. XVIII.

Humboldt aceita a distinção kantiana entre “sistemas da natureza” e “descrições da natureza”, sendo este um estimulo intelectual que o conduziu ao desenvolvimento de sua geografia física. Questão da evolução espiral. (p.18)

Essas viagens de Humboldt acontecem no período da Revolução Francesa, explicando então o seu “entusiasmo” pelo pensamento francês.

Contribui também para a cartografia, um exemplo; isolinhas. Uma ideia a partir de Halley sobre magnetismo.

Humboldt coloca a necessidade de ampliar o conhecimento para um pensamento ordenado, sistematizado.

Nas minas Humboldt não conseguia se restringir aos trabalhos burocráticos, então ia até lá, trabalhando na área. (Análise empírica) Com isso Humboldt se sente na necessidade de comparar áreas e a partir disso ter uma compreensão sistêmica da diversidade natural. (p.19)

Humboldt é também o primeiro a fazer alusão às paisagens naturais com isso têm; os ensaios sobre plantas. (p.20)

Humboldt possuía uma grande sensibilidade, tal qual mostra em suas descrições das paisagens.

Quadros do Baixo Reno (1791-1794) foi um claro precursor do método geográfico regional.

As maiores preocupações de Humboldt fora das relações entre grandes estruturas físicas e atividades humanas.

A geografia física moderna possui sua gênese na ciência humboldtiana.

Em sua física do globo não apenas fundamentou a geografia moderna como se esforçou em estabelecer uma ciência totalmente nova, tendo haver com a geografia da época.

O termo GEOGRAFIA FÍSICA, era utilizado pelos naturalistas da época e se relacionava com um projeto bastante compartilhado de construir uma teoria da Terra.

Século XVIII uma física dos três reinos da natureza O botânico Ludwig - 1742 defendiam o método histórico e o método físico.

Humboldt sempre se manteve ligado a essa junção de ciência da terra e geografia física.

Humboldt em Cosmos define então o termo Geografia Física como sendo:

“Trata da distribuição do magnetismo em nosso planeta, (...) não se ocupa das leis que oferecem atrações ou repulsões dos pólos.(...) (p.24)

Nesse mesmo tempo descreve as rochas de erupção como princípios do movimento e ainda em Cosmos descreve a luta do elemento liquido com a terra firme.

Humboldt mantem a distinção de “Geografia Física”,“Geografia propriamente dita” e “Geografia Comparada”, sendo as mesmas ciências descritivas e enumerativas( AUXILIARES) para a geografia física.

Quanto ao termo “geografia das plantas”: 1) O termo “geografia das plantas”, era muito usado por botânicos para referirse a distribuição espacial das espécies vegetais. 2) A idéia de “geografia das plantas” não vem de Humboldt da Geografia e sim da Botânica. Karl Ludwig (1792) 3) Para Humboldt o termo “geografia das plantas” está totalmente unido a Botânica e não a Geografia

Portanto Humboldt considerava que para entender certos fenômenos era necessário toda uma análise, que variaria quanto ao tempo e ao espaço.

Humboldt não se considerava geógrafo, e sim um físico, naturalista, um químico, um botânico, etc.

Mais seus estudos independente de formação, pertencem a todas as ciências nas quais ele colaborou com seus estudos.

Em algum momento Humboldt distingue entre a “história natural descritiva, a geografia e a economia politica”.

A GEOGRAFIA para Humboldt: 1) A geografia era para Humboldt, viagens e posições no mapa. 2) A geografia era a determinação de posições no globo e a produção cartográfica, e não o estudo da geologia e da física. 3) Para ele estava claro que “não é percorrendo as costas (em expedições marítimas) que se pode reconhecer a direção das cadeias de montanhas e sua constituição geológica, o clima peculiar de cada zona e sua influência nas formas e hábitos dos seres organizados”.

Humboldt não foi só criador da geografia moderna, como ao mesmo tempo dessa moderna geografia regional.

“As regiões e os problemas são diferentes, mas a organização adotada na obra de Humboldt é essencialmente a mesma”. R.E. Dicknson considera:

Humboldt, um geógrafo regional, no sentido de reconhecimento a “interdependência dos fenômenos espaciais e a necessidade de explicar todo conjunto espacialmente distribuído em relação com seu contexto espacial”.

Um dos preceptores de Humboldt doi Johan C. Kumth, o mesmo fora dicipulo de Büsching. Em suas obras, Büsching era suficientemente reconhecido na Alemanha para sê-lo também por Humboldt.

Sobre a obra Ensaio:

1)Tal perspectiva analítica e o tratamento dos temas mostra que o Ensaio é na realidade uma obra de caráter na economia política.

2)A parte geográfica de Ensaio, vai, na realidade separada do corpo principal do mesmo, sendo constituída pelo Atlas Geográfico e Físico do Reino da

Nova Espanha.

Humboldt utiliza amplamente para a parte humana de suas obras americanas, informações fornecidas de fontes oficiais e dadas de moradores locais da sociedade branca, fruto de grandes discussões sobre suas viagens a América, tendo opiniões indígenas.

Humboldt só não superou a concepção da descrição regional que se reflete as obras de seu contemporâneo Félix de Azara.

Cosmos é uma obra importante da ciência europeia no séc. XIX.

Obra daquele que foi considerado o último homem enciclopédico da cultura universal.

Humboldt nessa obra se propôs a mostrar o que segundo ele, constitui resultados importantes da investigação cientifica, considerada objeto de reflexão intelectual superior.

Ciência dos Cosmos/Física do Mundo

Uma ciência que “aspira tomar conhecida à ação simultânea e o vasto encadeamento das forças que animam o Universo”.

O estudo da física do mundo começa segundo Humboldt pela parte sideral, tanto que ele cita fenômenos dos espaços celestes, sendo os mesmos considerados como “submetidos às simples dinâmicas do movimento”.

A descrição física do globo começa pela magnitude, forma e densidade da terra.

Aspectos contraditórios a serem destacados ao que se refere a formação cientifica baseada no empirismo e fortemente influenciada pelo materialismo e o enciclopedismo francês do séc. XVIII, sendo o mesmo tributo ao espirito romântico da época.

A partir disso Humboldt procedeu a seus estudos com um impecável método cientifico, por isso sempre valorizou o método empírico e indutivo.

Os resultados da observação e o experimento “conduzem por meio da analise e da indução, ao descobrimento de leis empíricas”.

A valorização do método experimental e sua confiança nele estavam a uma nítida consciência da dificuldade de atingir o objetivo proposto.

Tais rejeições nos excessos das filosofias idealistas da natureza não subestimam a reflexões filosóficas. A filosofia não ameaça a ciência.

A pesquisa cientifica que une observações e experimentações permite despojar a filosofia da natureza, das formas vagas, poéticas, e ao mesmo tempo confirma a intuição da “unidade na diversidade dos fenômenos, a harmonia entre as coisas criadas”.

Como bom romântico, para Humboldt a contemplação da natureza produz antes de tudo um “prazer”, mostra profundidades dos sentimentos, no qual ele transmite ao leitor.

Humboldt teve tamanha magnitude com o movimento romântico de seu tempo.

Divida maior que a de Ritter, outra grande figura a quem se atribui a paternidade da geografia moderna.

Bibliografia:

CAPEL, Horário. Geografia, Ciência e Filosofia. Introdução ao pensamento geográfico. Volume I. Maringá:Massoni,2008

VITE, Antônio Carlos, SILVEIRA, Roberison W. Dias da.NATUREZA EM ALEXANDER VON HUMBOLDT: entre a ontologia e o empirismo

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