Climatologia da precipitação no município de cabaceiras, pb

Climatologia da precipitação no município de cabaceiras, pb

PERÍODO: 1926-2011 Mestranda em Meteorologia, UFCG, Campina Grande – PB. 58.429.900. Fone: (83) 2101-1400. E-mail: camilakassar@gmail.com Doutorando em Meteorologia, UFCG, Campina Grande, PB. E-mail: mainarmedeiros@gmail.com Bióloga, Pós – Graduanda em Geobiência e Recursos Hídricos no Semi-árido-UEPB. E-mail: Virginia.mirtes@ig.com.br Doutoranda em Meteorologia, UFCG, Campina Grande, PB. E-mail: ale.meteoro@gmail.com Doutorando em Engenharia Agrícola, UFCG, Campina Grande, PB. E-mail: paulomegna@gmail.com

Camilla Kassar Borges1, Raimundo Mainar de Medeiros2, Virginia Mirtes de Alcantra da Silva3, Alexandra Lima Tavares4 & Francisco Paulo Roberto Megna5

Resumo: Este estudo, caracterizou a variabilidade da precipitação no município de Cabaceiras, PB, que contribuirá com o planejamento e distribuição da da captação de água de chuva. Os dados utilizados foram obtidos de uma série histórica de dados de precipitações mensais, para o período de 1926 a 2011 (86 anos), fornecidos pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA). O município de Cabaceiras, apresenta uma área de 400,2 km², segundo as coordenadas 70 18’ 36’’ e 70 35’ 50’’ S e 360 12’ 24’’ e 360 25’ 36’’ W. No diagnóstico dos dados foram utilizados totais mensais e anuais, as médias mensais e anuais do período, e os valores máximos e mínimos absolutos da série histórica. Os resultados mostraram que os meses de setembro a dezembro possuem precipitação abaixo da média, seus índices entre 3,4 a 9,3 m, com uma média anual de 336,6 m de 86 anos de observações.

Palavras-chaves: Precipitação, eventos extremos, variabilidade. INTRODUÇÃO

O município de Cabaceiras localizado no estado da Paraíba (região nordeste brasileiro) apresenta uma área de 400,2 km², encontra-se entre os paralelos 70 18’ 36’’ e 70 35’ 50’’ de latitude sul e entre os meridianos de 360 12’ 24’’ e 360 25’ 36’’ de longitude oeste. Está inserido na mesorregião da Borborema e microrregião do Cariri Oriental, limitando-se com os municípios de São João do Cariri, São Domingos do Cariri, Barra de São Miguel, Boqueirão e Boa Vista (AESA, 2011). De acordo com a classificação de Köppen o clima da área de estudo é considerado do tipo Bsh - Semiárido Quente, precipitação predominantemente abaixo de 400 m/ano, e temperatura média de 24,0ºC, mais amena devido o efeito da altitude de 400 metros. As chuvas da região sofrem influência das massas de ar Atlânticas de Sudeste e do Norte (Francisco, 2010). Além de possuir uma distribuição pluviométrica anual muito irregular (336,6 m) e com umidade relativa média do ar de 64,1%.

A variabilidade climática de uma região exerce importante influência nas diversas atividades socioeconômicas, especialmente na produção agrícola. Sendo o clima constituído de um conjunto de elementos integrados, determinante para a vida, este adquire relevância, visto que sua configuração pode facilitar ou dificultar a fixação do homem e o desenvolvimento de suas atividades nas diversas regiões do planeta. Dentre os elementos climáticos, a precipitação tem papel preponderante no desenvolvimento das atividades humanas, produzindo resultados na economia (SLEIMAN, 2008).

Em regiões semiáridas, como o Nordeste do Brasil, o monitoramento da precipitação, principalmente durante o período chuvoso é muito importante para tomada de decisões que possam trazer benefício para população. Atualmente, um bom monitoramento da precipitação pluviométrica é uma ferramenta indispensável na mitigação de secas e enchentes (PAULA et al. 2010). Dentre os elementos do clima, a precipitação é o que mais influencia na produtividade agrícola (ORTOLANI & CAMARGO, 1987), especialmente nas regiões tropicais onde o regime de chuvas é caracterizado por eventos de curta duração e alta intensidade (Santana et al. 2007). Por ser um elemento essencial na classificação climática de regiões tropicais, a precipitação e sua variabilidade associada a outros elementos do clima, provoca uma flutuação no comportamento geral dos climas locais. O monitoramento do regime pluviométrico da região nos últimos anos tem mostrado que a escassez de recursos hídricos acentua os problemas sócioeconômicos, em particular ao final de cada ano, com os totais pluviométricos em torno ou abaixo da média da região (Marengo e Silva Dias, 2006). Dessa forma, o objetivo foi realizar uma análise climatológica da precipitação do Município de Cabaceiras, PB, utilizando-se a série histórica de 1926 a 2011, que possivelmente contribuirá nas decisões de setores como a economia e agricultura do município.

Os dados utilizados nesta pesquisa foram obtidos de uma série histórica de 86 anos (1926 a 2011) dados de precipitações mensais para o período de 1926 a 2011,fornecido pela Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba (AESA). O município de Cabaceiras localizado no estado da Paraíba apresenta uma área de 400,2 km². Seu posicionamento encontra-se entre os paralelos 7018’ 36’’ e 7035’50’’ de latitude sul entre os meridianos de 36012’24’’ e 36025’36’’ de longitude oeste. Está inserido na mesorregião da Borborema e microrregião do Cariri Oriental, limitando-se com os municípios de São João do Cariri, São Domingos do Cariri, Barra de São Miguel, Boqueirão e Boa Vista (AESA, 2011). Foram utilizados os seguintes dados de precipitação pluviométrica: totais mensais médios anuais de pluviometria; valores máximos e mínimos no período de 1926 a 2011 (86 anos). Foram desconsiderados como valores mínimos os totais mensais iguais à zero, considerando-se apenas aqueles que se encontravam no intervalo de 5 a 10 m. Para análise dos dados foi utilizado o programa da Microsoft® Office Excel (2007).

Na Figura 1, pode-se observar o comportamento da precipitação em termos de médias mensais históricas e os valores máximos absolutos e mínimos absolutos ocorridos em Cabaceiras, PB no período 1926-2011. Observa-se que a média dos totais mensais de chuva variou entre 3,4 m em outubro e 60,2 m no mês de

Figura 1. Precipitação pluviométrica histórica mensal e os máximos e mínimos valores ocorridos em Cabaceiras, PB no período 1926-2011

Fonte: AESA abril. O quadrimestre mais chuvoso são os meses de março (59,8 m) abril (60,2 m) maio (42,3 m) e junho (43,5 m), os meses menos chuvosos são de setembro a dezembro com variações nos índices pluviométricos de 3,4 a 9,3 m. Os valores mínimos absolutos de chuvas ocorridos e registrados foram os anos de 1961 e 1962 com 3,6 m e 10,7 m respectivamente. Os valores máximos absolutos de ocorrências de chuvas registrados na área de estudos foi a do ano de 1964 com 775,5 m, os valores absolutos máximos registrados oscilam entre 45,0 m a 386,0 m, demonstrando com isto a variabilidade espacial e temporal com grande irregularidades.

O período chuvoso inicia-se no mês de janeiro com chuva de pré-estação e prolonga-se até o mês de julho, o que se destaca é a frequência de irregularidade nas distribuições dos índices pluviométricos entre meses e anos.

Na Figura 2, observa-se a variação dos totais anuais das chuvas climatológicas para o período de 1926- 2011, onde se pode constatar que a média anual histórica é de 336,6 m com 86 anos de observações. Durante o período analisado ocorreu grande variabilidade dos totais anuais de chuva podendo esta variabilidade ser observada como nos anos de 1961 (3,6 m) e 1962 (10,7 m) e o ano de 1964 (775,5 m) onde apresentaram os menores e maiores índices pluviométricos. O município de cabaceira apresenta uma série de quarenta e dois anos com precipitações abaixo da media histórica e quarenta e quatro anos com índices pluviométricos acima da média.

Fonte: AESA Figura 2. Precipitação pluviométrica anual em Cabaceiras, PB no período de 1926 a 2011

No município de Cabaceiras, PB, a precipitação pluviométrica mensal é bastante variável na sua distribuição espacial e temporal ao longo dos anos. O quadrimestre mais chuvoso são os meses de março, abril, maio e junho com totais mensais médios oscilando entre 43,5 a 60,2 m.

Os meses de setembro a dezembro considerados os mais secos seus índices pluviométricos oscilam entre 3,4 a 9,3 m, apresentando uma média anual de 336,6 m com 86 anos de observações.

Durante os 86 anos estudados os totais anuais extremos de precipitação pluviométrica foram registrados nos anos de 1964 no qual choveu 775,5 m e os anos de 1961 e 1962 quando o total anual registrado foi de 3,6 e 10,7 m respectivamente.

A análise da variabilidade espacial e temporal das chuvas proporciona informações de como o homem rural e urbano deverá estabelecer medidas para captura de águas de chuvas e seu armazenamento usando o período mais chuvoso.

AESA - Agência Executiva de Gestão das Águas do Estado da Paraíba. João Pessoa, 2011. Disponível em <http://geo.aesa.pb.gov.br>. Acesso: 20 de outubro de 2011.

Sobrinho, J. E., Pereira, V. C., Oliveira, A D., Santos, W. O., Silva, N. K. C., Maniçoba, R. M. Climatologia da precipitação no município de Mossoró-RN. Período: 1900-2010. XVII Congresso Brasileiro de Agrometeorologia-18 a 21 de julho de 2011. CD-ROM.

Marengo, J., Silva Dias, P.,: Mudanças climáticas globais e seus impactos nos recursos hídricos. Capitulo 3 em

Águas Doces do Brasil: Capital Ecológico, Uso e Conservação, 2006, p.63-109, Eds. A. Rebouças, B., Braga e J. Tundisi. Editoras Escrituras, SP.

OrtolanI, A. A.; Camargo, M. B. P. Influência dos fatores climáticos na produção. Ecofisiologia da Produção

Agrícola. Piracicaba: Potafos, 249 p., 1987.

da variabilidade de chuvas em Pernambuco. XVI Congresso Brasileiro de Meteorologia. AnaisBelém do

Paula, R. K. de; Brito, J. I. B. de; Braga, C. C. Utilização da análise de componentes principais para verificação Pará, PA. 2010, CD Rom.

Santana, M. O., Sediyama, G. C., Ribeiro, A., Silva, D. D. da. Caracterização da estação chuvosa para o estado de Minas Gerais. Revista Brasileira de Agrometeorologia, v.15, n.1, p.114-120, 2007.

Sleiman, J, Silva, M. E. S. A Climatologia de Precipitação e a Ocorrência de Veranicos na Porção Noroeste do Estado do Rio Grande do Sul. SIMPGEO/SP, Rio Claro, 2008.

Comentários