EPIDEMILOGIA

EPIDEMILOGIA

(Parte 11 de 11)

O risco pode ser definido como a probabilidade com que uma pessoa saudável de uma referida população desenvolverá uma dada doença, num período especificado de tempo8. Como o risco trata de uma probabilidade condicional, ele é adimensional podendo variar de 0 a 1. Este conceito de risco implica na definição de um período de tempo onde os novos casos serão detectados. Este período por sua vez, poderá ser fixo para toda a população ou ainda ser variável, permitindo que cada indivíduo contribua com a quantidade de tempo em que permaneceu sendo observado9.

A taxa de incidência por outro lado, refletirá a mudança instantânea potencial do status da doença (ocorrência de novos casos) por unidade de tempo. As duas diferenças técnicas entre risco e taxa é que a segunda além de ser dimensional, , ou seja, ser expressa em unidades de tempo, podendo exceder a unidade, a sua interpretação se refere exclusivamente à população em estudo, sem permitir uma interpretação direta no nível individual, o que não ocorre com o risco10.

Como vimos acima, dificilmente poderíamos obter uma taxa instantânea. Alternativamente utilizamos a taxa média, que seria o equivalente da velocidade média de um carro (em nosso caso, a velocidade média em que um indivíduo sadio ou vivo se transforma num doente ou morto). Esta taxa média é conhecida como densidade de incidência (DI) e é estimada como:

PT onde I é o n.º de casos novos que ocorreram no intervalo de tempo entre o início (t0) e o final da observação (t1) realizada e PT representa o número de pessoas-tempo obtidas pela soma da contribuição de tempo de cada pessoa incluída no estudo. Podemos calcular PT de duas maneiras distintas, dependendo do desenho de estudo. Caso a permanência individual de cada pessoa possa ser conhecida, ele será dado pela soma da contribuição de cada indivíduo, ou seja :

PT = ∆ti

IN=∑1 , onde ti será o tempo de seguimento de cada indivíduo i, desde sua entrada no estudo até a detecção da doença ou perda do acompanhamento (morte por outra causa, desistência de participar,

8 Esta é uma probabilidade da população que é completamente diferente da probabilidade de determinado indivíduo. O fato de dizermos que um fumante “pesado” (mais de 2 maços por dia) apresenta um risco 20 vezes maior de adquirir um câncer de pulmão do que um não fumante, isto não quer dizer que possamos chegar a um determinado indivíduo e prever se este terá ou não câncer (por mais fumante ou virtuoso que seja). Este ponto é importantíssimo e freqüentemente interpretado de forma equivocada pelos clínicos e outros profissionais da área da saúde. 9 Esta última opção é bastante interessante, pois se resolvemos acompanhar trabalhadores de uma fábrica, doentes de AIDS etc. por 2 anos, pessoas poderão morrer por outras doenças, serem demitidas etc., antes de completar o período de observação estipulado. Caso possamos utilizar o período com o qual cada indivíduo contribuiu para o estudo, estas perdas não trarão maiores transtornos. 10 Ao terminar uma coorte, digamos que a mortalidade num acompanhamento de 24 meses, em pacientes com AIDS terminal e infectados com Mycobacterium avium, tenha sido de 450/1000. Como este é um dado de nossa coorte, não pensaríamos em extrapolar os mesmos para pacientes no Canadá, EUA ou São Paulo. Por outro lado, se dissermos que o risco de morrer, em até 24 meses, visto que um paciente é infectado por Mycobacterium avium é 5 vezes maior do que nos não infectados, passamos a ter um dado que pode ser extrapolado para outras populações.

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