O que são drogas psicotrópicas?

O que são drogas psicotrópicas?

(Parte 1 de 7)

LEITURA RECOMENDADA PARA ALUNOS A PARTIR DO 7º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

LEITURA RECOMENDADA PARA ALUNOS A PARTIR DO 7º ANO DO ENSINO FUNDAMENTAL

LIvRETO INFORMATIvO SObRE

5ª edição brasília, DF 2010

Presidência da República Vice-Presidência da República

Gabinete de Segurança Institucional e Conselho Nacional de Políticas sobre Drogas

Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas

Conteúdo e Texto Original CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas Universidade Federal de São Paulo (Depto. de Psicobiologia)

Distribuição e informações Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas – SENAD e Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas - CEBRID

Produção Gráfica CLR Balieiro Editores

Projeto gráfico/capa Signorini Produção Gráfica

Revisão CEBRID e SENAD

Fotografias Vivian Cury “Narcotics plants” (p.25) “Plantas de los dioses” (p.48)

Todos os direitos desta edição reservados ao CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas e a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas - SENAD

Tiragem desta edição: 51.0 exemplares Impresso no Brasil 5ª edição : 2010 Disponível em: w.obid.senad.gov.br e w.cebrid.epm.br

O que é CEbRID?

O CEBRID é o Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas que funciona exclusivamente para ser útil à população. Para cumprir essa função, o CEBRID publica livros, faz levantamentos sobre consumo de drogas (entre estudantes, meninos de rua, população geral), mantém um Banco de Publicações Científicas de autores brasileiros sobre o abuso de drogas (cerca de 3.900 trabalhos) e publica um Boletim Trimestral. O CEBRID é constituído por uma equipe técnica composta de especialistas nas áreas de Medicina, Farmácia-Bioquímica, Psicologia, Biologia e Comunicação.

O que é SENAD?

A Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas – SENAD, vinculada ao Gabinete de Segurança

Institucional da Presidência da República – GSI/PR, é o órgão responsável por coordenar e integrar as ações do governo nos aspectos relacionados com as atividades de prevenção do uso indevido de substâncias psicoativas, bem como aquelas relacionadas com o tratamento e a reinserção social de usuários e dependentes. Compete à SENAD estimular, assessorar, orientar, acompanhar e avaliar a implantação da Política Nacional sobre Drogas, integrando ações nas esferas governamentais e da sociedade civil. O desenvolvimento e a divulgação de materiais, contendo informações atualizadas e fundamentadas cientificamente sobre as drogas e seu consumo, fazem parte da missão da SENAD com vistas à redução dos danos sociais e à saúde decorrentes do uso de drogas.

CEBRID – Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas Universidade Federal de São Paulo Depto. de Psicobiologia Rua Botucatu, 862, 1º andar 04023-062 - São Paulo - SP Tel: (1) 2149-0155 Fax: (1) 5084-2793 E-mail: cebrid@psicobio.epm.br Site: w.cebrid.epm.br

E. A. Carlini Solange A. Nappo Ana Regina Noto Zila van der Meer Sanchez Yone Gonçalves de Moura Claudia Masur de A. Carlini Emérita Sátiro Opaleye Cláudia Silveira Tondowski Danilo Polverini Locatelli

Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas – SENAD Esplanada dos Ministérios – Bloco “A” – sala 523 Cep 70.050-907 – Brasília – DF Tel.: (61) 3411.2431 Fax: (61) 3411.2110 Viva Voz: 0800 510 0015 w.senad.gov.br

Apresentação SENAD

O uso indevido de drogas é uma questão que preocupa pais, educadores, profissionais de saúde e a sociedade em geral.

Uma das dificuldades encontradas para enfrentar o problema é a falta de informações confiáveis sobre o assunto. Muitas vezes, os dados são divulgados fora de um contexto, sem fundamento na realidade ou de forma distorcida, contribuindo para uma visão preconceituosa.

Com o objetivo de oferecer à população um material cientificamente fundamentado, que apresente os conceitos de forma clara, objetiva e livre de preconceitos, a Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas – SENAD, edita, em parceria com o Centro Brasileiro de informações sobre Drogas Psicotrópicas – CEBRID, este livreto informativo, cuja distribuição pretende socializar e democratizar conhecimentos sobre o assunto.

Este livreto é mais um instrumento de apoio para as pessoas que buscam informações atualizadas e adequadas sobre as diferentes drogas, seja para orientar trabalhos de prevenção ou de atendimento a usuários, seja para servir de base a trabalhos científicos ou escolares. Acreditamos estar, dessa forma, contribuindo com a nossa parte.

Secretaria Nacional de Políticas sobre Drogas

Apresentação CEbRID

Com uma longa história, este livreto contendo dezesseis pequenos capítulos, cada um descrevendo uma droga, foi publicado sob a forma de folhetos separados. Teve início com a publicação, em 1989, do livro “Subsídios para uma Discussão” de Jandira Masur e E. A. Carlini, Editora Brasiliense, atualmente na 5ª edição; mas logo ficou claro aos autores que a obra não atingiria boa parte dos nossos estudantes, principalmente das escolas públicas, por dificuldades em adquiri-la. Esta incômoda situação foi então contornada com a publicação de dezesseis “folderes” financiados por várias entidades e que passaram a ser distribuídos gratuitamente.

A primeira instituição a financiar a obra foi a UNFDAC (United Nations Fund for Drug Abuse

Control), depois a UNDCP (United Nations Drug Control Programme), seguindo-se a UE (União Européia). Só depois começaram os apoios de dentro “de casa”: Volkswagen do Brasil, CONFEN (Conselho Federal de Entorpecentes) do Ministério da Justiça e COSAM (Coordenadoria de Saúde Mental) do Ministério da Saúde. Ao longo destes muitos anos, mais de um milhão de folhetos foram impressos e distribuídos para todo o País. Constantemente recebemos solicitações de mais cópias: de todos os estados, cidades do interior deste nosso “Brasilzão”; muitas destas solicitações escritas à mão, com aquelas letras ainda titubeantes de adolescentes. Causa-nos sempre emoção atender a esses pedidos.

Foi para nós motivo de orgulho quando em 1995/1996 a MAPS (Massachusetts Alliance of

Portuguese Speakers), nos EUA, solicitou-nos autorização para reproduzir nossos folhetos, para distribuição aos imigrantes e descendentes de imigrantes da língua portuguesa vivendo naquele país.

Posteriormente, a SENAD do Gabinete de Segurança Institucional da Presi dência da República propôs que a coleção de folhetos fosse enfeixada em uma única publicação: este livreto.

Sua primeira edição, um tanto reduzida, ficou pronta em 2003. A segunda edição, com 100 mil cópias, ficou à disposição do público em 2004. A terceira edição em 2006, de 30 mil exemplares, foi patrocinada pela FEBRAFARMA (Federação Brasileira da Indústria Farmacêutica).

A quarta edição, em 2007, foi patrocinada pela Secretaria da Educação do Estado de São Paulo e FDE (Fundação para o Desenvolvimento de Educação). Foram 60 mil exemplares, dos quais a maioria chegou diretamente às escolas estaduais.

Por fim, novamente a SENAD se propôs a publicar uma nova edição do livreto. Que esta publicação possa ser útil, como foram os folhetos no passado, a muitos milhares de jovens brasileiros.

Finalmente, os autores desta obra agradecem a todos que contribuíram para viabilizar esta publicação ao longo desses anos.

E. A. Carlini Diretor do CEBRID

Índice

O que são drogas psicotrópicas? 7 parte 1 drogas depressoras do sistema nervoso central

Bebidas Alcoólicas 13

Solventes ou Inalantes 16

Tranquilizantes ou Ansiolíticos 19

Calmantes e Sedativos 2 Opiáceos e Opioides 25 parte 2 drogas estimulantes do sistema nervoso central

Anfetaminas 3

Cocaína 36 Tabaco 40 parte 3 drogas perturbadoras do sistema nervoso central

Maconha 45

Cogumelos e Plantas Alucinógenas 48

Perturbadores (Alucinógenos) Sintéticos 51

Êxtase (MDMA) 54 Anticolinérgicos 57 parte 4 outros

Esteroides Anabolizantes 61

O que são drogas psicotrópicas?

Todo mundo já tem uma ideia do significado da palavra droga. Em linguagem comum, de todo o dia ("Ah, mas que droga" ou "logo agora, droga...", ou ainda, "esta droga não vale nada!"), droga tem um significado de coisa ruim, sem qualidade. Já em linguagem médica, droga é quase sinônimo de medicamento. Dá até para pensar porque uma palavra designada para apontar uma coisa boa (medicamento, afinal este serve para curar doenças), na boca do povo tem um significado tão diferente. O termo droga teve origem na palavra droog (holândes antigo) que significa folha seca; isso porque antigamente quase todos os medicamentos eram feitos à base de vegetais. Atualmente, a medicina define droga como qualquer substância capaz de modificar a função dos organismos vivos, resultando em mudanças fisiológicas ou de comportamento. Por exemplo, uma substância ingerida contrai os vasos sanguíneos (modifica a função) e a pessoa passa a ter um aumento de pressão arterial (mudança na fisiologia). Outro exemplo, uma substância faz com que as células do nosso cérebro (os chamados neurônios) fiquem mais ativas, "disparem" mais (modificam a função) e, como consequência, a pessoa fica mais acordada, perdendo o sono (mudança comportamental).

Mais complicada é a seguinte palavra: psicotrópico. Percebe-se claramente que é composta de duas outras: psico e trópico. Psico é fácil de se entender, pois é uma palavrinha grega que relaciona-se a nosso psiquismo (o que sentimos, fazemos e pensamos, enfim, o que cada um é). Mas trópico não é, como alguns podem pensar, referente a trópicos, clima tropical e, portanto, nada tem a ver com uso de drogas na praia! A palavra trópico, aqui, se relaciona com o termo tropismo, que significa ter atração por. Então, psicotrópico significa atração pelo psiquismo, e drogas psicotrópicas são aquelas que atuam sobre nosso cérebro, alterando de alguma maneira nosso psiquismo.

Mas essas alterações do psiquismo não são sempre no mesmo sentido e direção. Obviamente, dependerão do tipo de droga psicotrópica ingerida. E quais são esses tipos?

Um primeiro grupo é aquele em que as drogas diminuem a atividade de nosso cérebro, ou seja, deprimem seu funcionamento, o que significa dizer que a pessoa que faz uso desse tipo de droga fica "desligada", "devagar", desinteressada pelas coisas. Por isso, essas drogas são chamadas de Depressoras da Atividade do Sistema Nervoso Central, é a parte que fica dentro da caixa craniana; o cérebro é o principal órgão. Em um segundo grupo de drogas psicotrópicas estão aquelas que atuam por aumentar a atividade de nosso cérebro, ou seja, estimulam o funcionamento fazendo com que o usuário fique "ligado", "elétrico", sem sono. Por isso, essas drogas recebem a denominação de Estimulantes da Atividade do Sistema Nervoso Central. Finalmente, há um terceiro grupo, constituído por aquelas drogas que agem modificando qualitativamente a atividade de nosso cérebro; não se trata, portanto, de mudanças quantitativas, como aumentar ou diminuir a atividade cerebral. Aqui a mudança é de qualidade! O cérebro passa a funcionar fora de seu normal, e a pessoa fica com a mente perturbada. Por essa razão esse terceiro grupo de drogas recebe o nome de Perturbadores da Atividade do Sistema Nervoso Central.

Resumindo, então, as drogas psicotrópicas podem ser classificadas em três grupos, de acordo com a atividade que exercem em nosso cérebro:

1 Depressores da Atividade do SNC. 2 Estimulantes da Atividade do SNC. 3 Perturbadores da Atividade do SNC.

Essa é uma classificação feita por cientistas franceses e tem a grande vantagem de não complicar as coisas, com a utilização de palavras difíceis, como geralmente acontece em medicina. Mas se alguém achar que palavras complicadas, de origem grega ou latina, tornam a coisa mais séria ou científica (o que é uma grande besteira!), a seguir estão algumas palavras sinônimas:

1 Depressores – também podem ser chamadas de psicolépticos. 2 Estimulantes – também recebem o nome de psicoanalépticos, noana lépticos, timolépticos etc. 3 Perturbadores – também chamados de psicoticomiméticos, psicodélicos, alucinógenos, psicometamórficos etc.

As principais drogas psicotrópicas, usadas de maneira abusiva, de acordo com a classificação mencionada aqui, estão relacionadas ao lado.

Depressores da Atividade do SNC Álcool. Soníferos ou hipnóticos (drogas que promovem o sono): barbitúricos, alguns benzodiazepínicos. Ansiolíticos (acalmam; inibem a ansiedade). As principais drogas pertencentes a essa classificação são os benzodiazepínicos. Ex.: diazepam, lorazepam etc. Opiáceos ou narcóticos (aliviam a dor e dão sonolência). Ex.: morfina, heroína, codeína, meperidina etc. Inalantes ou solventes (colas, tintas, removedores etc.).

Estimulantes da Atividade do SNC Anorexígenos (diminuem a fome). As principais drogas pertencentes a essa classificação são as anfetaminas.

Ex.: dietilpropriona, fenproporex etc. Cocaína, crack ou merla.

Perturbadores da Atividade do SNC

De origem natural (reino vegetal e reino funghi) Mescalina (do cacto mexicano). THC (da maconha). Psilocibina (de certos cogumelos). Lírio (trombeteira, zabumba ou saia-branca). De origem sintética LSD-25. "Êxtase". Anticolinérgicos (Artane®, Bentyl®).

DO SISTEMA NERvOSO CENTRAL bEbIDAS

Álcool Etílico: Etanol

Fermentados (vinho, cerveja) Destilados (pinga, whisky, vodka)

Aspectos his tó ri cos

Registros arqueo ló gi cos reve lam que os pri mei ros indí cios sobre o con su mo de álcool pelo ser huma no datam de apro xi ma da men te 6000 a.C., sendo, por tan to, um cos tu me extre ma men te anti go e que tem per sis ti do por milha res de anos. A noção de álcool como uma subs tân cia divina, por exem plo, pode ser encon tra da em inú me ros exem plos na mito lo gia, sendo tal vez um dos fato res res pon sá veis pela manu ten ção do hábi to de beber, ao longo do tempo.

Inicialmente, as bebi das tinham con teú do alcoó li co rela ti va men te baixo, como, por exem plo, o vinho e a cer ve ja, já que depen diam exclu si va men te do pro ces so de fer men ta ção. Com o advento do pro ces so de des ti la ção, intro du zi do na Europa pelos ára bes na Idade Média, sur gi ram novos tipos de bebi das alcoó li cas, que pas sa ram a ser uti li za das em sua forma des ti la da. Nessa época, esse tipo de bebi da pas sou a ser con si de ra do um remé dio para todas as doen ças, pois “dis si pa vam as preo cu pa ções mais rapi da men te que o vinho e a cer ve ja, além de pro du zi rem um alí vio mais efi cien te da dor”, sur gin do, então, a pala vra uísque (do gáli co usque baugh, que sig ni fi ca “água da vida”).

A par tir da Revolução Industrial, regis trou-se gran de aumen to na ofer ta desse tipo de bebi da, con tri buin do para um maior con su mo e, con se quen te men te, geran do aumen to no núme ro de pes soas que pas sa ram a apre sen tar algum tipo de pro ble ma decorrente do uso exces si vo de álcool.

Aspectos gerais

Apesar do des co nhe ci men to por parte da maio ria das pes soas, o álcool tam bém é con si dera do uma droga psi co tró pi ca, pois atua no sis te ma ner vo so cen tral, pro vo can do mudan ça no com por ta men to de quem o con so me, além de ter poten cial para desen vol ver depen dên cia.

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