O que são drogas psicotrópicas?

O que são drogas psicotrópicas?

(Parte 7 de 7)

Definição e his tó ri co

A pala vra alu ci na ção sig ni fi ca, em lin gua gem médi ca, per cep ção sem obje to; isto é, a pessoa em pro ces so de alu ci na ção per ce be coi sas sem que elas exis tam. Assim, quan do uma pessoa ouve sons ima gi ná rios ou vê obje tos que não exis tem, ela está tendo uma alu ci na ção audi ti va ou uma alu ci na ção visual.

As alu ci na ções podem apa re cer espon ta nea men te no ser huma no em casos de psi co ses, e entre estas a mais comum é a doen ça men tal cha ma da esqui zo fre nia. Também podem ocor rer em pes soas nor mais (que não apresentam doen ça men tal) que tomam deter mi na das subs tân cias ou dro gas alu ci nó ge nas, isto é, drogas que “geram” alu ci na ções. Essas dro gas são tam bém cha ma das de psi co ti co mi mé ti cas por “imi tar” ou “mime ti zar” um dos mais evi den tes sin to mas das psi co ses – as alu ci na ções. Alguns auto res tam bém as cha mam de psi co dé li cas. A pala vra psi co dé li ca vem do grego (psico = mente e delos = expan são) e é uti li za da quan do a pes soa apre sen ta alu ci na ções e delí rios em cer tas doen ças men tais ou por ação de dro gas. É óbvio que essas alte ra ções não signi fi cam expan são da mente.

A alu ci na ção e o delí rio nada têm de aumen to da ati vi da de ou da capa ci da de men tal; ao contrá rio, são aber ra ções, per tur ba ções do per fei to fun cio na men to do cére bro, tanto que são caracte rís ti cas das cha ma das psi co ses.

Um grande núme ro de dro gas alu ci nó ge nas vem da natu re za, prin ci pal men te de plan tas.

Estas foram “des co ber tas” por seres ancestrais que, ao sen ti r seus efei tos men tais, pas sa ram a consi de rá-las “plan tas divi nas”, isto é, que faziam com que quem as inge ris se rece bes se men sa gens divi nas, dos deu ses. Assim, até hoje em cul tu ras indí ge nas de vários paí ses o uso des sas plan tas alu ci nó ge nas tem esse sig ni fi ca do reli gio so.

Com o pro gres so da ciên cia, várias subs tân cias foram sin te ti za das em labo ra tó rio e, dessa manei ra, além dos alu ci nó ge nos natu rais, hoje em dia têm impor tân cia tam bém os alu ci nóge nos sin té ti cos, dos quais o LSD-25 é o mais repre sen ta ti vo (este assun to será abor da do no capí tu lo seguinte).

Há ainda a con si de rar que alguns des ses alu ci nó ge nos agem em doses muito peque nas e pra ti camen te só atin gem o cére bro e, por tan to, quase não alte ram nenhu ma outra fun ção do corpo: são os alu ci nó ge nos pro pria men te ditos ou alu ci nógenos primários. O THC (tetraidrocanabiol) da maco- nha, por exemplo, é um alucinógeno primário, e está apresentado em outro capítulo. Mas existem outras drogas que também são capazes de atuar no cérebro, produzindo efeitos mentais, mas somente em doses que afetam de maneira importante várias outras funções: são os alucinógenos secundários. Entre estes últimos, podemos citar uma planta, a Datura, conhecida no Brasil sob vários nomes populares e sob o nome comercial Artane® (sintético).

Cogumelos

O uso de cogumelos ficou famoso no México, onde desde antes de Cristo já eram utilizados pelos nativos daquela região. Ainda hoje, sabe-se que o ”cogumelo sagrado” é usado por alguns pajés. Essa planta recebe o nome científico de Psilocybe mexicana e dela pode ser extraída uma substância de poder alucinógeno: a psilocibina. No Brasil são encontradas pelo menos duas espécies de cogumelos alucinógenos, uma delas é o Psilocybe cubensis e a outra, espécie do gênero Paneoulus.

Jurema

O vinho de jurema, preparado à base da planta brasileira Mimosa hostilis e chamado popularmente de jurema, é usado pelos remanescentes índios e caboclos do Brasil. Os efeitos desse vinho são muito bem descritos por José de Alencar no romance Iracema. Além de conhecido pelo interior do Brasil, só é utilizado nas cidades em rituais de candomblé, por ocasião da passagem de ano, por exemplo. A jurema sintetiza uma potente substância alucinógena, a dimetiltriptamina ou DMT, responsável pelos efeitos.

Mescal ou Peyot

Trata-se de um cacto, também utilizado desde remotos tempos, na América Central, em rituais religiosos, que reproduz a substância alucinógnena mescalina. Não existe no Brasil.

Caapi e cha cro na

São duas plantas alucinógenas utilizadas conjuntamente sob a forma de uma bebida, ingerida no ritual do Santo Daime, Culto da União Vegetal e de várias outras seitas. Esse ritual está bastante difundido no Brasil (existe nos Estados no Norte, São Paulo, Rio de Janeiro etc.), e seu uso em nossa sociedade teve origem entre os índios da América do Sul. No Peru, a bebida preparada com as duas plantas é chamada pelos índios quéchas de Ayahuasca, que quer dizer “vinho da vida”. As alucina ções pro du zi das pela bebi da são cha ma das de mira ções, e os guias dessa reli gião procu ram “con du zi-las” para dimen sões espi ri tuais da vida. Uma das subs tân cias sin te ti za das pelas plan tas é a DMT, já comen ta da em rela ção à jurema.

Efeitos no cére bro

Já foi acen tua do que os cogu me los e as plan tas ana li sa dos ante rior men te são alu ci nó ge nas, isto é, indu zem a alu ci na ções e delí rios. É inte res san te res sal tar que esses efei tos são muito maleáveis, ou seja, depen dem de várias con di ções, como sen si bi li da de e per so na li da de do indi ví duo,

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