Morfo Vegetal Pratica-09

Morfo Vegetal Pratica-09

(Parte 1 de 3)

PROF. ADRIANA SALAMONI 2009

Prof. Adriana Salamoni Página Morfologia Vegetal - P 2

PRÁTICA 1 – INTRODUÇÃO:

1. PREPARANDO O MATERIAL BOTÂNICO:

O estudo interno das estruturas dos vegetais é feito observando-se os cortes finos de tecido vegetal em microscópio óptico. Portanto, lembre-se que são necessários cuidados redobrados com este equipamento para sua conservação.

Quanto ao material vegetal, normalmente utiliza-se o material vegetal coletado a fresco, com a possibilidade de utilização de material herborizado após sua hidratação. Para a conservação do material vegetal são utilizadas soluções fixadoras, que promovem a morte das células e sua preservação estrutural em estado próximo do material fresco. As principais substâncias fixadoras são formol, o álcool, iodo, bicromato de potássio e os ácidos: acético, pícrico, crômico e ósmico. A escolha do uso de soluções depende dos objetivos do trabalho a ser realizado. Atenção para evitar o contato das soluções fixadoras com a pele, pois a maioria das substâncias citadas é tóxica.

Para que a luz possa atravessar o tecido a ser estudado, os cortes feitos devem ser suficientemente finos e transparentes. Utiliza-se regularmente o micrótomo para obtenção de cortes finos, mas para realização dos cortes neste equipamento, o material vegetal deve estar devidamente desidratado e incluído em um suporte (mais comum: parafina). Podemos também realizar cortes à mão livre, com auxilio de uma lâmina de barbear e um suporte (isopor, pecíolo de embaúba, medula do caule de sabugueiro). O corte deve ser imediatamente transferido para um recipiente contendo água destilada. Os cortes realizados devem ser o mais finos possível, possibilitando a observação das estruturas vegetais.

Tipos de secções: em anatomia vegetal são observadas estruturas vegetais através de secções delgadas levadas ao microscópio óptico, que permite somente observações bidimensionais. Faz-se necessária a observação de vários planos de corte. Os planos utilizados para secção são:

Transversal - perpendicular ao maior eixo do órgão.

Longitudinal radial - paralelo ao maior eixo do órgão partindo do centro do órgão.

Longitudinal tangencial - paralelo ao maior eixo do órgão partindo de um plano paralelo à superfície do mesmo.

Paradérmico - principalmente utilizado para o estudo de folhas, sendo paralelo à superfície.

Durabilidade dos cortes Quanto à duração, os cortes podem ser provisórios ou permanentes. Nos provisórios, o líquido de inclusão utilizado é a água, glicerina (diluída 30-50%) ou corante. Nas montagens permanentes utiliza-se o Bálsamo do Canadá ou resinas sintéticas. Em nossas aulas utilizaremos lâminas com cortes provisórios confeccionados pelos alunos durante o período da aula prática, portanto os procedimentos descritos são os adequados à obtenção desse tipo de material. A confecção das lâminas semi-permanentes é feita com lâmina e lamínula e esses meios duram algumas horas (água) ou dias (glicerina). A lutagem é efetuada com esmalte de unha incolor.

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Clareamento dos cortes

A célula vegetal contém inúmeras substâncias que possuem cor, dentre elas os pigmentos. Para facilitar a observação das estruturas, vários métodos de coloração podem ser empregados, entretanto para que sejam eficientes, é necessário que os tecidos estejam livres de outras cores.

O clareamento dos cortes é feito utilizando solução de hipoclorito de sódio comercial (em geral 20%) ou cloral hidratado. O transporte dos cortes para a solução de hipoclorito deve ser feito com o auxílio de estilete e não com pincel, para não danificar suas cerdas. Transferir os cortes em seguida para outro recipiente com água destilada e enxaguar abundantemente. Com o objetivo de corrigir o pH para que não haja interferência na eficácia do corante, passar os cortes em solução de ácido acético diluído, enxaguando em água em seguida.

Coloração dos cortes

O uso de corantes é necessário para evidenciar as estruturas celulares, resultando em maior facilidade para observação. Alguns reagentes são empregados para a definição do tipo de substância encontrada em alguns tipos de células. Alguns corantes e reagentes:

Azul de toluidina: corante metacromático, reage com paredes lignificadas corando-as de azul esverdeado e com paredes celulósicas corando-as em roxo.

Fucsina básica e azul de astra (dupla coloração): A fucsina básica cora em vermelho a lignina e o azul de astra cora a celulose de azul.

observação de material vivo, também é utilizado para corar mucilagem

Azul de metileno: é um corante vital, ou seja, não mata a célula, por isso é recomendado para

Sudan I: reagente para substâncias apolares, oleosas ou cerosas (compostos graxos de cadeia longa), que impregnam a parede celular, como a suberina e a cutina. Também cora óleos armazenados no interior da célula; sua coloração vai do amarelo-alaranjado ao vermelho.

Lugol: proporciona a reação do iodo com os amilos, resultando em uma coloração azul-negra ou marrom escuro.

A técnica de seccionamento: é muito variável e seus detalhes somente podem se adquiridos na prática. Entretanto algumas regras básicas, que auxiliam o trabalho do principiante, devem ser seguidas: - utilizar somente navalhas novas;

- igualar a superfície do objeto a ser cortado;

- orientar a secção de acordo com a posição do tecido a ser observado;

- a navalha deve passar com igual pressão sobre toda a superfície do material, retirando assim secções delgadas e o mais homogêneo possível; - se o órgão a ser seccionado é frágil deve ser utilizado um suporte, como por exemplo, um isopor resistente; - fazer um número grande de secções para que se possa selecionar as mais delgadas.

A) CONFECÇÃO DE LÂMINAS SEMI-PERMANENTES SEM COLORAÇÃO: - colocar uma gota de água ou glicerina sobre a lâmina;

- com o auxílio de pincel ou estilete transferir a secção da placa para a lâmina;

- ao cobrir com a lamínula encostar um dos lados da mesma no bordo da gota, esperar que essa se espalhe ao longo da lamínula e descer levemente para evitar a formação de bolhas de ar; - retirar o excesso d’água com papel filtro.

B) CONFECÇÃO DE LÂMINAS SEMI-PERMANENTES COM CLARIFICAÇÃO E COLORAÇÃO: - passar as secções da placa com água para a placa com hipoclorito diluído e deixar até o material ficar alvejado; - transferir as secções clarificadas para a água, trocando-a várias vezes até eliminar todo o hipoclorito, fazendo então uma troca com água acidulada e novamente água; - passar as secções para uma placa com corante e deixar o tempo suficiente para corarem sem que as mesmas fiquem muito claras ou muito coradas; se a coloração for dupla, passe sempre as secções primeiro no corante para a lignina e depois para a celulose; - lavar a secção corada rapidamente na placa com água;

- seguir os passos do item “a”.

2. DESENHOS EM ANATOMIA VEGETAL:

O desenho permite que você relembre as suas observações com mais facilidade. Além disso, desenhando, você estará identificando e interpretando as características que compõem uma estrutura complexa, formada por diferentes células e estruturas. Os desenhos em anatomia vegetal não devem ser “obras de arte”, mas devem representar o material observado com os seus detalhes. Por isso:

Represente o material que está sendo observado o mais fiel possível. Se a parede é espessa, desenhe com um traço mais grosso (Veja exemplo na Figura 1).

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Inclua os detalhes das células individuais, como forma, conteúdo, etc. Identifique sempre as estruturas e faça uma breve descrição do material. Não faça desenhos minúsculos, cujos detalhes serão difíceis de serem observados. Desenhe um número menor de células, mas com maior riqueza de detalhes. Não esqueça de identificar o material, indicar o aumento e o corante (quando possível) utilizados. Estas informações são necessárias para a correta interpretação do material estudado. Não há necessidade de você desenhar todo o campo observado. Desenhe um detalhe que represente adequadamente o que está sendo estudado. Caso você queira ter uma idéia do todo, faça um desenho esquemático (veja exemplo na Figura 2).

Os tecidos vegetais podem ser representados da seguinte maneira (de acordo com Metcalfe & Chalk):

3. MANUSEIO DO MICROSCÓPIO:

3.1. O Equipamento

O aspecto externo do microscópio evoluiu continuamente acompanhando o progresso da pesquisa biológica. Apesar dessa evolução, os modelos modernos ainda possuem muito em comum com os instrumentos antigos no que diz respeito a sua configuração exterior e peças essenciais, mas possuem uma óptica e partes elétricas mais sofisticadas.

Os microscópios modernos compõem-se das seguintes partes essenciais:

Partes elétricas Partes mecânicas Partes ópticas Lâmpada Base oculares Fio elétrico/tomada braço e platina objetivas Interruptor tubos de encaixe condensador com diafragma Potenciômetro botões macro e micrométricos diafragma de campo e lâmpada revólver para encaixe de objetivas prisma Charriot e presilha mecânica

verticais

Figura 2. Desenho esquemático do caule, em estrutura primária, de uma dicotiledônea. Os feixes vasculares estão representados por círculos menores, sendo o floema por pontilhado e o xilema por traços.

Figura 1. Desenho esquemático de uma folha, evidenciando um estômato. Observe o traço mais espesso da camada abaixo da epiderme, denominada hipoderme (neste caso!).

Câmara sub-estomática

Parênquima paliçádico

Estômato cutícula

Epiderme Hipoderme

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