Glossario de Oceanografia

Glossario de Oceanografia

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O LABOMAR sempre teve interesse e disposição em transferir para os seus estagiários, pesquisadores, professores, enfi m, para a comunidade em geral interessada em assuntos do mar, informações e elucidação de fatos ocorrentes e recorrentes na área costeira e de mar aberto. Utiliza sempre nas suas reportagens, através dos diversos meios de comunicação, linguagem simples e direta para que as pessoas possam absorver melhor o signifi cado desse fascinante ambiente de estudo.

Hoje, uma equipe de alunos, estagiários, jovens pesquisadores e professores do Instituto de Ciências do Mar, à frente do INCT-TMCOcean do CNPq, tomaram a oportuna iniciativa de elaborar este glossário de oceanografi a abiótica que, com certeza, servirá de fonte de consulta aos alunos desta área e de áreas afi ns. Contribui dessa forma para um melhor acerto, com confi ança e segurança nas discussões, afi rmações, proposições e relatos cotidianos e, principalmente, no resultado dos seus trabalhos acadêmicos.

É uma ação que decorre, precipuamente, quando se é escolhido para gerenciar projetos de pesquisa, enxergar ao longo do seu desenvolvimento outras alternativas que possam ajudar de forma direta a própria equipe, e outras tantas de áreas interdisciplinares, dando explicações com maior clareza e tornando-as de melhor apreensão. É exatamente isto o que está posto neste glossário. Ao coligir defi nições, discu-

ti-las para aprimorar a forma de captar e expressar idéias, propicia maior diligência na escolha de termos adequados para as diferentes situações.

Este glossário é apenas uma semente plantada com o denodo, ação participativa, e vislumbre de luminosa colaboração dos que conduzem e convivem com responsabilidade e entusiasmo o curso de graduação em Oceanografi a e da pós-graduação em Ciências Marinhas Tropicais e que, sem dúvida, irá germinar e se expandir com a participação e contribuição dos seus usuários e de todos aqueles que compreendem que a ciência e tecnologia avançam com a interação dos seus partícipes.

Fortaleza, 14/07/2010

Jáder Onofre de Morais

Prof. Titular da Universidade Estadual do Ceará (UECE) e Prof. da Pós-graduação do LABOMAR.

A transformação do Instituto de Ciências do Mar (LABOMAR) da

Universidade Federal do Ceará em uma nova unidade acadêmica, com a criação do curso de Oceanografi a, no segundo semestre de 2008, dinamizou a integração da pesquisa consolidada em 50 anos de existência do LABOMAR com o desafi o de orientar três jovens motivados a inovar e produzir, desde seus primeiros passos profi ssionais, com uma área da ciência brasileira que cresce e aponta para o futuro do País. O Brasil possui um terço do seu território imerso nas águas marinhas. Este território designado por muitos como a nossa Amazônia Azul, traz promessas de riqueza de recursos naturais e um campo profi ssional promissor para os jovens e futuras gerações.

Tradicionalmente, a Oceanografi a brasileira tem forte parceria com as

Ciências Biológicas e, é de fato relevante a biodiversidade marinha e, ainda muito desconhecido seu potencial de produtos naturais. Entretanto, distinguindo-se dentro deste quadro nacional, o LABOMAR possui, também, uma forte atuação nas demais linhas da Oceanografi a: a Química, a Geológica e a Física, através de seu Programa consolidado de pós-graduação em Ciências Marinhas Tropicais. Com esta capacidade, organizar o trabalho de uma equipe de discentes e jovens professores, porém experientes e produtivos, tornou-se uma alegria dinâmica pela construção do saber.

O apoio fi nanceiro da Pró-Reitoria de Graduação que forneceu bolsas de monitoria aos graduandos Liana, Clarissa e João Pedro, bem como do CNPQ, através do INCT Transferência de Materiais Continente-Oceano, facilitou esta concretização. Porém, sem o empreendedorismo dos jovens discentes esta ideia não teria forma.

A distribuição gratuita do Glossário nesta versão pode ser solicitada através do e-mail: rozane.marins@pq.cnpq.br e, por ser gratuita, cremos que não há nenhum motivo para cópias que não estão autorizadas.

Realizado como um exercício entre docentes e discentes, o Glossário não foi planejado como um produto que exaure sua missão nesta edição. Assim, desejamos que o material seja útil a todos os interessados em Oceanografi a e áreas afi ns e receberemos agradecidos as contribuições advindas de sua leitura.

Rozane Valente Marins

Abreviaturas i.e. – isto é. log – logaritmo. p. – página. p. ex. – por exemplo. pH – potencial hidrogeniônico.

Siglas

AP – Antes do Presente. CE – Ceará. E – leste. ENE – este-nordeste. ESE – este-sudeste. EUA – Estados Unidos da América do Norte. IBGE – Instituto Brasileiro de Geografi a e Estatística. NE – nordeste. NNE – norte-nordeste. NNO – norte-noroeste. NO – noroeste. O – oeste. ONO – oeste-noroeste. OSO – oeste-sudoeste. PE – Pernambuco. RMPG – Rede Maregráfi ca Permanente para Geodésia. RS – Rio Grande do Sul. S – sul. SE – sudeste. SO – sudoeste. SP – São Paulo. SSE – este-sudeste. SSO – sul-sudoeste. W – oeste.

Unidades

Å – ângstron. at.-g . L-1 – átomo grama por litro.

atm – atmosfera. B – bar. C – coulomb. oC – grau centígrado. cm – centímetro. g – grama. Gal – galileu. g . kg-1 – grama por quilograma. h – hora. K – kelvin. kg – quilograma. km – quilômetro. km . h-1 – quilômetro por hora. L – litro. m – metro. m3 – metro cúbico. mB – milibar. μg – micrograma. μL – microlitro. m . s-1 – metro por segundo. m . s-2 – metro por segundo ao quadrado. m2 – metro quadrado. min. – minuto. m – milímetro. μm – micrometro. m de Hg – milímetro de mercúrio. M – mol. mmol – milimol. nM – nanomol. nm – nanometro. N – newton. N . m-2 – newton por metro quadrado. ‰ – partes por mil. Pa – pi.

π – pascal. V – volt.

A ABISSAL – área relativa a grandes profundidades oceânicas, em geral entre 4.0 e 6.0 m, e plana em virtude da sedimentação.

ABLAÇÃO – decomposição e transporte de materiais por processos mecânicos ou de solução. Designa todos os fenômenos pelos quais há perda de matéria (água, neve, gelo) pelas geleiras, assim como a quantidade de material envolvido nos processos que geram a retração glacial. É o inverso de acumulação glacial.

ABRASÃO MARINHA – erosão provocada pelo mar. Pode ocorrer por ação do peso das camadas superiores de água ou pela movimentação de fragmentos minerais pelas forças hidrodinâmicas sobre as rochas erodidas (ver foto c, p. 120).

eletromagnética

ABSORÇÃO – interpenetração de um material transferido de uma fase de estado para outra. Está relacionada à radiação eletromagnética e corresponde à atenuação do seu feixe passando através de um material. Cada espécie molecular absorve seletivamente uma ou mais frequências da radiação

ABSORCIOMETRIA – medida de absorção da energia radiante, objetivando determinar o coefi ciente de absorção.

ABSORVÂNCIA (ou ABSORBÂNCIA) – capacidade intrínseca dos materiais em absorver radiações em frequência específi ca. Usualmente, tal propriedade é empregada na análise de soluções em química analítica. Em espectroscopia, a absorbância (A) é defi nida como: A = - log10 (I . Io-1) onde: I = intensidade da luz com um comprimento de onda específi co que passa por uma amostra (intensidade da luz transmitida);

Io = é a intensidade da luz antes de entrar na amostra (intensidade da

luz incidente).

ABSORVIDADE – medida da quantidade de energia radiante absorvida por uma substância de dimensões conhecidas. É defi nida como a relação entre a quantidade de energia radiante e a quantidade de energia total incidente sobre determinada substância.

ACAMAMENTO – nome dado à divisão interna de rochas sedimentares em estratos com características semelhantes (mesmas mineralogias, formas ou tamanhos dos grãos componentes). O mesmo que estratifi cação.

AÇÃO CAPILAR – curvatura para baixo ou para cima do menisco de um líquido em um vidro capilar, causada pelos efeitos de tensão superfi cial e das forças de adesão e coesão. Quando as forças de adesão entre as moléculas de água e as moléculas do vidro superam as forças de coesão entre as moléculas de água, o menisco apresenta uma curvatura côncava. Quando as forças de coesão superam as de adesão, o menisco tem uma curvatura convexa.

ACESSÓRIOS – minerais que fazem parte da constituição das rochas, mas com importância secundária, não sendo fundamentais para suas defi nições devido às baixas quantidades que ocorrem na natureza.

ACREÇÃO – processo pelo qual o tamanho de algo aumenta gradualmente devido à agregação constante de partes menores.

ACTÍNICO – refere-se aos raios luminosos que exercem uma ação química sobre substâncias ou organismos, dando início a reações fotoquímicas.

ADCP – acrônimo em Inglês para Acoustic Doppler Current Profi ler, ou perfi lador acústico de correntes por efeito Doppler. Instrumento de medição da velocidade e direção de correntes, que funciona a partir da emissão e recepção de ondas sonoras em diferentes ângulos.

ADIMENSIONAL – grandeza que não apresenta unidade. P. ex.: número de Reynolds, número de Rossby etc.

ADLITORÂNEO – relativo a águas pouco profundas adjacentes à costa.

ADSORÇÃO – processo pelo qual átomos, moléculas ou íons são aderidos à superfície de sólidos através de interações químicas ou físicas. É também chamado fenômeno de superfície.

ADSORÇÃO FÍSICA – interações entre o adsorvente e o adsorvato por forças fracas de Van der Walls. Este tipo de interação apresenta caráter reversível.

ADSORÇÃO QUÍMICA – interações entre o adsorvente e o adsorvato ocorrem através de ligações químicas fracas. Este tipo de adsorção é de caráter irreversível.

ADSORVATO – componente que vai ser adsorvido a uma superfície sólida.

ADSORVENTE – fase sólida na qual um elemento sofre adsorção através de um fenômeno de superfície.

ADVECÇÃO – transporte de massa de um fl uido. Ex.: processos advectivos de ventos e correntes.

AERODINÂMICA – estudo do ar e outros gases em movimento visando, principalmente, o estudo da resistência do ar ao movimento de corpos sólidos.

AEROSFERA – o mesmo que atmosfera.

AEROSSOL – partícula líquida ou sólida que pode persistir na atmosfera por longo período de tempo. Em geral, são partículas com 0,01 a 100 μm de diâmetro, incluindo partículas fi nas do solo, a salsugem e outros materiais tais como partículas geradas por processos de combustão. Ex.: nuvens, fumaça, spray marinho etc.

AFÉLIO – ponto de afastamento máximo de um planeta em relação ao Sol. AFERIR – medir ou conferir pesos e medidas ajustadas a um padrão.

AFLORAMENTO – exumação de substrato rochoso ou de camadas sedimentares acima da superfície da água (ver foto a, p. 114).

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