comportamento e bem estar - Barbosa Filho, 200

comportamento e bem estar - Barbosa Filho, 200

(Parte 2 de 6)

Line W36 no período da tarde para a condição de estresse70

31 Média de tempo gasto na expressão dos comportamentos da linhagem Hy-

estresse7

32 Médias dos pesos dos ovos para as condições de ambiente de conforto e de

de conforto e de estresse78

3 Médias dos valores de gravidade especifica para as condições de ambiente

xii

LISTA DE TABELAS Página

1 Caracterização dos sistemas de criação em cama e em gaiola2
2 Análise de variância utilizada35
linhagens quanto aos sistemas de criação e condições ambientais43

3 Valores médios de temperatura retal (TR), para as diferentes

ambientais e sistemas de criação45

4 Valores médios de consumo e temperatura da água para as condições

ambientais e sistemas de criação47

5 Valores médios de consumo de ração (g) para as diferentes condições

criação81

6 Porcentagem média de casca, para as duas linhagens e sistemas de

ambientais81

7 Porcentagem média de casca, para as duas linhagens e condições

condições ambientais82

8 Porcentagem média de casca, para os dois sistemas de criação e

ambientais82

9 Porcentagem média de albúmen, para as duas linhagens e condições

de criação83

10 Porcentagem média de albúmen, para as duas linhagens e sistemas

condições ambientais83

1 Porcentagem média de albúmen, para os dois sistemas de criação e

criação83

12 Porcentagem média de gema, para as duas linhagens e sistemas de 13 Porcentagem média de albúmen, para as duas linhagens e condições

ambientais84

xiii

condições ambientais84

14 Porcentagem média de albúmen, para os dois sistemas de criação e

de sistemas de criação avaliados8

15 Porosidade média (n° poros/0,4cm2), para as condições ambientais e

visivelmente89

16 Porcentagem de ovos limpos, sujos e quebrados avaliados

ovoscopia91

17 Número de ovos com ponto de sangue e trincados avaliados pela 18 Teste de contaminação das partes do ovo por coliformes fecais....................... 92 xiv

Autor: JOSÉ ANTONIO DELFINO BARBOSA FILHO Orientador: Prof. Dr.IRAN JOSÉ OLIVEIRA DA SILVA

A utilização de sistemas de bateria de gaiolas é assunto de grande polêmica nos países da Europa, sendo que a maior preocupação com o uso de gaiolas se dá quanto ao espaço oferecido às aves poedeiras, o qual certamente afeta seu bem-estar. Sendo assim este trabalho teve como objetivos avaliar os aspectos relacionados ao comportamento e bem-estar das aves, comparando o sistema de criação convencional (bateria de gaiolas) com um sistema de criação em cama, ninho e poleiro, bem como avaliar a influencia das condições ambientais (estresse e conforto) na qualidade final dos ovos, associando técnicas da zootecnia de precisão (análise de imagens), para avaliar as respostas comportamentais das diferentes linhagens nas diferentes condições. Dois grupos de 20 aves (10 Hy-line W36 e 10 Hy-line Brown) em inicio de postura foram submetidas a duas condições ambientais durante duas semanas consecutivas (26°C e 60% UR e 35°C e 70%UR), sendo também submetidas a dois sistemas de criação (bateria de gaiolas e cama). Durante o período de avaliação um sistema de câmeras de vídeo registrava o comportamento das aves. Os ovos produzidos durante todo o período da pesquisa foram avaliados pela análise dos seguintes parâmetros de qualidade: peso do ovo, espessura da casca, gravidade especifica, unidades Haugh, além de análise da colorimetria da gema, porosidade da casca e análises microbiológicas, para a verificação de uma possível ocorrência de contaminação por Salmonella sp na gema e casca dos ovos. Os resultados obtidos revelaram uma redução significativa (P<0,05) nos parâmetros de qualidade do ovo para a condição de estresse térmico, principalmente para o sistema de criação em gaiolas. Quanto as análises de comportamento, o sistema de criação em cama proporcionou a expressão de todos os comportamentos naturais e de conforto das aves, favorecendo assim melhores condições de bem-estar. Para o sistema de criação convencional (gaiolas) foi possível verificar que mesmo sem nenhuma condição, as aves ainda tentavam executar seus comportamentos naturais, sendo que a impossibilidade de expressarem estes comportamentos certamente agravou a condição de estresse provocada por este sistema de criação. Pela análise dos dois sistemas de criação e das duas condições ambientais a linhagem Hy-Line W36. foi a que obteve um melhor desempenho.

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Author: JOSÉ ANTONIO DELFINO BARBOSA FILHO Adviser: Prof. Dr. IRAN JOSÉ OLIVEIRA DA SILVA

The battery cage system is a very polemic issue in European countries, being the most commonly raised concerns focused on the spatial restrictions of the hens, which might compromise important comfort movements affecting their welfare conditions. This work aimed to evaluate aspects related to behavior and welfare of hens comparing a conventional housing system (laying cages in battery) with another system using litter, lair and roost. In addition, the effects of environmental conditions (stress or comfort) on final egg quality and behavior responses (analyzed by precision techniques) were evaluated in different laying hen lines. Two groups of 20 birds (10 Hyline W36 and 10 Hy-line Brown) at the beginning of production phase were submitted to two environmental conditions (26°C with 60% RU or 35°C with 70% RU) and two housing systems (cages in battery or litter) during two consecutive weeks. During the evaluation period, bird behaviors were recorded by video cameras. Total egg production was analyzed according to egg weight, shell thickness, specific gravidity, Haugh unit, yolk colorimetric parameters and shell porosity. Eggs were microbiologically analyzed in order to detect Salmonella sp contamination in yolk and eggshell. A significant (P<0.05) reduction in quality parameters was observed in eggs from laying xvii hens raised under heat stress, mainly in those from laying cage system. In relation to behavior, the housing system in litters proportioned the expression of all natural behaviors and those related to bird comfort, which permitted to improve welfare conditions. In conventional system (laying cages) was verified that birds tried to manifest their natural behavior in spite of lacking condition for it. This impossibility for executing natural behaviors promoted an increase of stress provoked by the housing system. Analyzing both systems and environmental conditions, hens from Hy-Line W36 showed the better performances.

1 INTRODUÇÃO

A avicultura de postura hoje no Brasil apresenta-se bem tecnificada, a maioria das granjas caminha para uma automatização completa dos seus processos de produção e a genética é a maior responsável pelas altas produções alcançadas pelas poedeiras atualmente. Apesar do setor de produção de ovos estar passando hoje por uma situação estática com relação aos últimos cinco anos, há uma tendência de mudanças para um futuro próximo. Um dos indícios que viria confirmar esta tendência é a mudança de instalações e de manejo para a criação de aves poedeiras que logo estará sendo exigida pela União Européia (EU), para atender as legislações de bemestar animal.

qualidade do alimento que consome

Entre as principais mudanças propostas pela União Européia, está a troca do atual sistema de bateria em gaiolas, por um sistema que possibilite às aves expressar os seus comportamentos naturais, tais como: utilizar o ninho para a postura, tomar banho de areia, empoleirar ou ainda bater e esticar as asas, sendo isso uma conseqüência das mudanças e exigências de um novo tipo consumidor, que vem se tornando cada vez mais comum nos dias de hoje e que está cada vez mais preocupado com as regras em prol do bem-estar dos animais de produção e com a

eliminação das gaiolas

Essas exigências propostas pela União Européia poderão colocar o Brasil em ótima situação quanto ao que se refere à exportação de ovos, pois estas poderão ser facilmente atendidas, já que o Brasil possui uma grande disponibilidade de área (o que para outros países é fator limitante), tendo em vista que as novas normas de criação exigem maior espaço para as aves, área com cama e ninho, além, é claro, da

O plantel de poedeiras em 2003 foi de aproximadamente 79 milhões de aves e a produção esteve em torno de 62,6 milhões de caixas de 30 dúzias. No Brasil o consumo per capita/habitante/ano foi de aproximadamente 81,7 ovos em 2002 e 87,5 em 2003, apresentando um crescimento em torno de 8% no consumo de ovos, sendo a região sudeste a de maior consumo per capita (176 ovos/hab/ano), Avicultura Industrial (2004). Para 2004, até o segundo trimestre, foram produzidos 475,29 milhões de dúzias de ovos, um aumento de 1,71% sobre o primeiro trimestre de 2004, IBGE (2004). Quanto às exportações, o Brasil vem se destacando e aumentando sua participação neste cenário a cada ano. Segundo dados da World Egg Exports o Brasil exportou cerca de 76 milhões de unidades em 2001, apresentando um aumento de mais de 500% com relação ao ano de 1995, o que indica a crescente demanda pelo nosso produto, ANUALPEC (2004).

Como se pode notar, uma das maiores perspectivas do setor com relação ao futuro, diz respeito ao mercado externo. Existe uma forte tendência na Europa para que cada poedeira ocupe uma área mínima de 500cm2. A nova legislação deve beneficiar o Brasil que pode se tornar nos próximos anos um dos principais exportadores, em função de suas condições naturais (área), altamente favoráveis ao novo sistema de produção de ovos proposto.

As limitações impostas pela recente legislação em alguns países europeus, em relação ao espaço nas gaiolas e o banimento destas, sob a alegação do bem-estar das aves, devem abrir espaço para as exportações brasileiras, uma vez que o custo da produção extensiva inviabilizará muitas granjas em outros países.

Este fato é confirmado pelas notícias que relatam as exigências de alguns grandes consumidores e redes varejistas que impõem métodos de produção, utilizando aves não criadas em gaiolas, ou em número inferior ao usado no momento, sendo que até nos Estados Unidos a cadeia McDonalds está pedindo a seus fornecedores que ampliem a área de gaiola dos atuais 335,5 cm2 por ave, para 464,5 cm2, insistindo ainda em não utilizar a prática da debicagem e não induzir a muda forçada.

Com base nestas novas tendências comerciais, serão necessárias mudanças radicais nas instalações para poedeiras, além de mudanças também na genética, visando uma adequação de linhagens que se encaixem nos novos moldes do mercado. Por outro lado, segundo Becker (2002), deve-se considerar também que a criação intensiva exige adaptações fisiológicas e comportamentais dos animais que, por sua vez, devem ser estudadas para avaliar os sistemas de manejo mais adequados.

Sendo assim, este trabalho teve como objetivo principal avaliar aspectos relacionados ao comportamento animal, principalmente quanto à presença de cama ou de ninho em substituição ao sistema de gaiolas convencional, tendo em vista aspectos relacionados à qualidade do ovo, além do estudo de diferentes linhagens comerciais quanto ao seu comportamento em diferentes condições ambientais. São também considerados como objetivos específicos:

• avaliar a influência das diferentes condições ambientais (Temperatura e UR) na preferência pela postura na cama ou no ninho, em função de cada linhagem estudada;

• analisar o comportamento das diferentes linhagens, utilizando a tecnologia de análise de imagens;

• avaliar qual das linhagens comerciais estudadas será a mais indicada para o novo conceito de produção de ovos em ninho;

• analisar a influência dos sistemas de produção (cama+ninho e gaiolas), nos parâmetros de qualidade dos ovos.

2 REVISÃO DE LITERATURA

2.1 Ambiência para aves de postura

O conforto animal, até há alguns anos atrás, era visto como um problema secundário, tanto do ponto de vista ecológico quanto produtivo. Presumia-se que o desconforto térmico seria resolvido com o uso de condicionamento artificial, sem considerar os custos e problemas de implantação de um sistema. Porém, na ultima década, a preocupação com o conforto animal vem crescendo notoriamente, principalmente quando associado às respostas fisiológicas como indicadoras do conforto animal, Silva (2001).

Com relação ao efeito da temperatura nas aves de postura, existem muitos estudos que mostram a existência de uma zona de conforto térmico, na qual é conveniente que o animal esteja. Entretanto a determinação da zona de conforto térmico envolve o conhecimento e as interações de muitas variáveis que podem influenciar nesse processo (umidade, manejo, ventilação, instalações, etc...). Para condições tropicais, Silva (1998) propõe modelos matemáticos para predizer os efeitos da temperatura e sistemas de climatização na produção de ovos.

Segundo Smith (1964), zona de conforto é aquela em que a resposta animal ao ambiente é positiva e a demanda ambiental é conciliada com a produção basal, acrescida da produção de calor equivalente à atividade normal e do incremento calórico da alimentação. Nessa zona (variável para cada tipo de fase e manejo), o animal alcança seu potencial máximo, e a temperatura corporal é mantida com a mínima utilização de mecanismos termorreguladores.

Por outro lado, de acordo com Von Borell (1995), estresse é um termo geral que implica uma ameaça à qual um determinado organismo precisa se ajustar. Segundo

Fraser et al. (1975), diz-se que um animal está em estado de estresse quando se faz necessário que faça ajustes em sua fisiologia ou em seu comportamento, para ajustarse aos aspectos adversos decorrentes do manejo ou do ambiente onde se encontra.

Normalmente, a temperatura normal do corpo de uma ave poedeira é, em média, de 41°C, sendo que durante os dias de calor a temperatura pode atingir até 43°C. A partir daí então o animal já está sujeito ao estresse térmico e para cada grau acima desse valor, o consumo de alimentos começa a diminuir e a produção ficará comprometida, Nakano (1979).

O desconforto térmico em aves de postura também provoca uma série de conseqüências que, por sua vez, estão intimamente ligadas à queda no consumo de ração, menor taxa de crescimento, maior consumo de água, aceleração do ritmo cardíaco, alteração da conversão alimentar, queda na produção de ovos e maior incidência de ovos com casca mole.

Payne (1967) verificou em seu trabalho que as quedas na produção de ovos sob altas temperaturas não são só provocadas necessariamente pelas altas temperaturas, mas também pela diminuição na ingestão de nutrientes essenciais de energia, resultando, assim, numa diminuição do apetite. Notou também que a postura não era afetada, mesmo quando atingida temperatura de 36°C durante 6 horas ao dia, sempre que as aves tivessem se aclimatado a ela e que a umidade relativa estivesse na faixa de 40 a 50%. Quanto à conversão alimentar, quase sempre tem se observado uma melhora ao se aumentar a temperatura ambiente. Porém, isso só seria possível no caso de se mudar a concentração da ração sem que a produção ficasse prejudicada.

As diferentes linhagens de aves também demonstram diferentes graus de tolerância ao calor. Como exemplo, tem-se que as linhagens derivadas da Leghorn branca demonstram, em relação às demais, uma maior capacidade de tolerância a temperaturas mais elevadas, devido a certas características anatômicas que favorecem uma melhor perda de calor corporal, Nakano (1979).

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