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Boletim de informações agrometeorológicas das regiões do sertão e do são...

XII JORNADA DE ENSINO, PESQUISA E EXTENSÃO – JEPEX 2012 – UFRPE: Recife, 26 a 30 de novembro.

BOLETIM DE INFORMAÇÕES AGROMETEOROLÓGICAS DAS REGIÕES DO SERTÃO E DO SÃO FRANCISCO PERNAMBUCANO

Wandersson Ferreira Saraiva1, André Quintão de Almeida2 Carlos Tiago Amâncio Rodrigues3

Introdução

A propagação de informações agrometeorologicas através de boletins, divulgados em curtos intervalos de tempo, é de fundamental importância na tomada de decisões para a condução das lavouras. No setor agrícola, o conhecimento das necessidades hídricas das culturas, probabilidade de infestações de pragas e doenças, probabilidade de ocorrência de chuvas em curto prazo, entre outras informações meteorológicas são essenciais. Com todas essas informações pode-se, por exemplo, proporcionar uma economia de 30% no consumo de água (em média), redução na aplicação de defensivos agrícolas, além de economias indiretas, como energia elétrica e mão de obra, com cosequente aumento de produtividade.

O Boletim de Informações Agrometeorológicas do Sertão (BOLSERTÃO) tem como finalidade, fornecer dados e divulgar informações agrometeorologicas nas regiões do sertão e do São Francisco pernambucano, auxiliando os agricultores no planejamento de suas atividades.

Material e métodos

Foram utilizados dados meteorológicos na escala de tempo diária de oito estações de superfície do INMET, localizadas nos municípios de Floresta, Ibimirim, Ouricuri, Arcoverde e Serra Talhada, Triunfo, Cabrobó e Petrolina. Além destes, foram utilizados dados diários de postos pluviométricos sob coordenação da Agência Nacional das Águas (ANA). As variáveis meteorológicas básicas utilizadas na elaboração do boletim de informações agrometeorológicas forão a temperatura mínima, média e máxima do ar (C ), umidade relativa do ar (%), velocidade do vento (m s-1) e precipitação (mm).

A. Estimativa da evapotranspiração e do balanço hídrico

A partir dos dados meteorológicos diários, a evapotranspiração potencial foi estimada pela equação original de Penman – Monteith padrão FAO 56 (ALLEN et al., 1998):

em que, ET é a evapotranspiração potencial, mm dia-1; s é a declividade da curva de pressão de saturação do ar à temperatura do ar t, kPa° C-1; Rné o balanço de radiação, MJ m-2 dia -1; ρaé a densidade média do ar, kg m-3; cpé o calor específico do ar, MJ kg-1 °C-1; λ é o calor latente de evaporação, MJ kg-1; DPV, kPa; γ é a constante psicrométrica, kPa ºC-1; v é a velocidade do vento a dois metros de altura, m s-1.

O saldo de radiação (Rn) foi estimado a partir da modelagem do balanço de ondas curtas e do balanço de ondas longas, como a seguir:

em que, Rné o balanço de radiação, MJ m-2 dia -1; BOC é o balanço de ondas curtas, MJ m-2 dia -1; e BOL é o balanço de ondas longas, MJ m-2 h-1.

em que, BOC é o balanço de ondas curtas, MJ m-2 dia -1; Rgé a irradiância solar global, MJ m-2 dia -1; e α é o albedo da cultura (0,20), adimensional.

Para a estimativa do balanço de ondas longas foi utilizada à equação (4), proposta por Facco (2004).

em que, BOL é o balanço de onda longa, MJ m-2 dia-1; e eé a pressão real de vapor, mmHg.

A estimativa do balanço hídrico climático foi realizada de acordo com a metodologia de Thornthwaite e Mather (1955), obtendo-se assim os valores de deficiência e excedente hídrico, além da água armazenada no solo em cada mês, sendo:

em que, ARMdia i é a água armazenada no solo no dia i; ARMAdia i-1 é a água armazenada no solo no dia anterior i-1; P é a precipitação no dia i; ET é a soma da evapotranspiração total no dia i; todos em milímetros.

O valor inicial da água armazenada no solo foi igual ao valor da Capacidade de Água Disponível (CAD) no solo (100 mm).

B. Criação do boletim agrometeorológico

Utilizando um Sistema de Informações Geográficas (SIG) os dados foram interpolados gerando-se mapas meteorológicos quinzenais e referentes ao ano. Os dados foram disponibilizados em uma “homepage” (site) vinculada a Universidade Federal Rural de Pernambuco (UFRPE), que irá conter o resumo de cada uma das oito estações, gráficos quinzenais e do ano agrícola, possibilitando, também, a comparação da condição atmosférica atual em relação à média histórica.

Resultados e Discussão

Os produtos (Fig.1) disponibilizados no BOLSERTÃO, na forma gráfica, de tabela e mapas, são elaborados a partir de dados de estações meteorológicas do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET), disponibilizados em uma “home Page” (site), sendo eles; temperatura do ar(ºc), precipitação pluvial(mm), evapotranspiração de referência(mm), deficiência de água no solo(mm) e excedente de água no solo(mm)

Com essa relação de déficit e excesso de água no solo, podemos afirmar que até o determinado momento a quantidade necessária de água que entra e sai da porção do solo da região de Serra talhada é negativa para as necessidades hídricas de condução das culturas (Fig.1A).

A temperatura variou de 29.1 Cº a 20.7 Cº durante o período de avaliação no ano de 2012 (Fig.1B), a precipitação chegou á acumular 233,2mm, com os valores de evapotranspiração e precipitação calculamos a estimativa do balanço hídrico que matem os resultados até o determinado momento.

Utilizando um mapa de precipitação pluvial com base na série histórica climatológica anual do mês de fevereiro o qual foi o mês que obteve mais acumulo de água no solo (Fig.2A), e outro mapa de fevereiro do ano 2012 (Fig.2B). Atentarmos que o acúmulo de água no solo anual no mês de fevereiro no município de Serra Talhada foi de aproximadamente 120 mm a 120 mm e para fevereiro de 2012 foi de apenas 19 mm a 25 mm, reparamos então um desvanecimento de aproximadamente 98 mm.

Agradecimentos

À Universidade Federal Rural de Pernambuco, Unidade Acadêmica de Serra Talhada, pela bolsa de estudos concedida ao primeiro autor e pela divulgação do boletim online em sua “home Page” (site).

Referências

ALLEN, R. G.; PEREIRA, L. S.; RAES, D.; Smith, M. Crop evapotranspiration – Guidelines for computing crop water requirements. Roma: FAO, 1998. FAO IrrigationandDrainagePaper n.56.

FACCO, A. G. Modelagem e simulação geoespacial dos componentes do balanço hídrico para plantios de eucaliptos em áreas de relevo ondulado. 2004. 87f. Dissertação (Mestrado em Meteorologia Agrícola) - Universidade Federal de Viçosa, Viçosa, MG, 2004.

INSTITUTO BRASILEIRO DE GEOGRAFIA E ESTATÍSTICA. Censo demográfico. Disponível em: < http://www.ibge.gov.br/home/estatistica/populacao/censo2010/default.shtm>. Acesso em: 05 Fevereiro de 2012.

THORNTHWAITE, C.W., MATTER, J.R. The water balance. New Jersey: Publications in Climatology, 8, Centerton, 1955. 150p.

Figura 1 – Balanço hídrico climatológico (A), temperatura do ar e precipitação pluvial (B) para estação meteorológica de Serra Talhada até o mês de outubro do ano de 2012.

Figura 2 – Mapa de precipitação pluvial para o mês de fevereiro com base na serie histórico climatológica (A) e o ano de 2012 (B).

1 Bolsista PIC/UFRPE, Estudante de Graduação de Agronomia, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Unidade Acadêmica de Serra Talhada. Fazenda Saco, s/n, Caixa Postal 063, Serra Talhada – PE. CEP 56900-000. E-mail: wandersson66@hotmail.com

2 Engº Florestal, Professor Adjunto, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Unidade Acadêmica de Serra Talhada. Fazenda Saco, s/n, Caixa Postal 063, Serra Talhada – PE. CEP 56900-000. E-mail: andraga@gmail.com

3Estudante de Graduação de Agronomia, Universidade Federal Rural de Pernambuco, Unidade Acadêmica de Serra Talhada. Fazenda Saco, s/n, Caixa Postal 063, Serra Talhada – PE. CEP 56900-000. E-mail: tiagoamancio@hotmail.com

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