Saúde da criança na Atenção Básica

Saúde da criança na Atenção Básica

(Parte 4 de 5)

Em todas as visitas domiciliares, é fundamental que o profissional de saúde saiba identificar sinais de perigo à saúde da criança. As crianças menores de 2 meses podem adoecer e morrer em um curto espaço de tempo por infecções bacterianas graves. São sinais que indicam a necessidade de encaminhamento da criança ao serviço de referência com urgência (AMARAL, 2004):

• Recusa alimentar (a criança não consegue beber ou mamar);

• Vômitos importantes (ela vomita tudo o que ingere);

• Convulsões ou apneia (a criança fica em torno de 20 segundos sem respirar);

• Frequência cardíaca abaixo de 100bpm;

• Letargia ou inconsciência;

• Respiração rápida (acima de 60mrm);

• Atividade reduzida (a criança movimenta-se menos do que o habitual);

• Febre (37,5ºC ou mais);

• Hipotermia (menos do que 35,5ºC); • Tiragem subcostal;

• Batimentos de asas do nariz;

• Cianose generalizada ou palidez importante;

• Icterícia visível abaixo do umbigo ou nas primeiras 24 horas de vida;

• Gemidos;

• Fontanela (moleira) abaulada;

• Secreção purulenta do ouvido;

• Umbigo hiperemiado (hiperemia estendida à pele da parede abdominal) e/ou com secreção purulenta (indicando onfalite);

• Pústulas na pele (muitas e extensas);

• Irritabilidade ou dor à manipulação.

Para as crianças maiores de 2 meses, é importante observar se a criança não consegue beber ou mamar no peito, se vomita tudo o que ingere, se apresenta convulsões ou se está letárgica ou inconsciente (AMARAL, 2004) [D].

As crianças são frequentemente acometidas por doenças respiratórias e gastrointestinais.

Sendo assim, o profissional de saúde deve conseguir identificar sinais de maior gravidade dessas doenças. Para a criança com tosse ou dificuldade para respirar, é importante verificar se a frequência respiratória está intensificada (SOCIEDADE..., 2007), se a criança apresenta sibilos (chiado) ou estridor e se apresenta tiragem subcostal (a parede torácica inferior se retrai quando a criança inspira). Para a criança com diarreia, é importante identificar sinais de gravidade de desidratação, tais como: letargia, inconsciência, inquietude, irritação, olhos fundos, sinal da prega presente (a prega cutânea retorna lentamente ao estado natural) ou se a criança não consegue mamar ou beber líquidos (AMARAL, 2004).

Tabela 1 – Frequência respiratória normal, segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS)

De 0 a 2 mesesAté 60mrm* De 2 a 1 mesesAté 50mrm

De 12 meses a 5 anosAté 40mrm

De 6 a 8 anosAté 30mrm

Acima de 8 anosAté 20mrm Fonte: SOCIEDADE BRASILEIRA DE PNEUMOLOGIA E TISIOLOGIA, 2007.

Legenda: * mrm = movimentos respiratórios por minuto.

Ministério da Saúde | Secretaria de Atenção à Saúde | Departamento de Atenção Básica

Independentemente do estado de saúde da criança, a partir dos depoimentos das mães, da satisfação dos profissionais em realizar esta atividade e das evidências científicas, recomenda-se a continuidade da prática de visitar as crianças e suas famílias além da primeira semana de vida dos bebês. Enfatiza-se que as visitas devem ser estendidas às gestantes para estimular e auxiliar as mulheres no preparo para receber os bebês, uma vez que alguns desfechos têm fatores que podem ser modificados antes do nascimento. Salienta-se ainda que, na maioria dos estudos que avaliam o impacto de visitas domiciliares (VD) na saúde das crianças, as visitas iniciavam-se na gestação e prolongavam-se até os primeiros anos de vida (ELKAN et al., 2000).

Por fim, os principais objetivos da primeira visita domiciliar ao recém-nascido e à sua família são os seguintes:

• Observar as relações familiares;

• Facilitar o acesso ao serviço de saúde;

• Possibilitar ou fortalecer o vínculo das famílias com as equipes de saúde;

• Escutar e oferecer suporte emocional nessa etapa de crise vital da família (nascimento de um filho);

• Estimular o desenvolvimento da parentalidade;

• Orientar a família sobre os cuidados com o bebê;

• Identificar sinais de depressão puerperal;

• Promover o aleitamento materno exclusivo até o 6º mês de vida;

• Prevenir lesões não intencionais; e

• Identificar sinais de perigo à saúde da criança.

Referências

AMARAL, J. J. F. AIDPI para o ensino médico: manual de apoio. Brasília: Organização Pan- Americana da Saúde (Opas), 2004. 179p. Disponível em: <http://w.opas.org.br/aidpi/home/ manual.html>. Acesso em: maio 2012.

BRASIL. Ministério da Saúde. Programa de Agentes Comunitários de Saúde – Pacs. Brasília: Editora MS, 2001.

ELKAN, R. et al. The effectiveness of domiciliary health visiting: a systematic review of international studies and a selective review of the British literature. Health Technology Assessment, Downey, v. 4, n. 13, 2000. Disponível em: <http://w.hta.ac.uk/execsumm/ summ413.shtml>. Acesso em: maio 2012.

FERRAZ, L.; AERTS, D. O cotidiano de trabalho do agente comunitário de saúde no PSF em Porto Alegre. Ciência & Saúde Coletiva, Rio de Janeiro, v. 10, n. 2, p. 347-355, abr./jun. 2005.

HASSELMANN, M. H.; WERNECK, G. L.; SILVA, C. V. C. S. Symptoms of postpartum depression and early interruption of exclusive breastfeeding in the first two months of life. Cadernos de Saúde Pública, Rio de Janeiro, v. 24, n. 2, p. 341-352, 2008. Suplemento.

NICE. Ante and post-natal home-visiting programmes: a reviews evidence briefing – 1st edition – february 2004. In: BULL, J. et al. Ante and post-natal home-visiting programmes: a reviews evidence briefing. 2004. Disponível em: <w.nice.org.uk/aboutnice/whoweare/aboutthehda/ hdapublications/ante_and_postnatal_homevisiting_evidence_briefing.jsp>. Acesso em: maio 2012.

OLDS, D. L. et al. Long-term effects of home visitation on maternal life course and child abuse and neglect: fifteen-year follow-up of a randomized trial. JAMA, Chicago, v. 278, n. 8, p.637- 643, aug. 1997.

PORTO ALEGRE. Secretaria Municipal da Saúde. Centro de Vigilância em Saúde. Programa Pra- -nenê. Porto Alegre: SMS, 1997.

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