Insetos do Brasil - tomo09 - Coleópteros 3 (Costa Lima, 1955)

Insetos do Brasil - tomo09 - Coleópteros 3 (Costa Lima, 1955)

(Parte 4 de 12)

35-39, est. 5.

Hypermetamorphosis of the Meloidae. Amer. Nat., 17:790-791.

TOLEDO, A. A. DE 1948 - Pulverisação repelente para a vaquinha Epicauta ato- maria. O Biologico, São Paulo, 14:281-282.

1928 - A reclassification of the genera of North American

Meloidae, and revision of the genera and species formerly placed in the tribe Meloini, found in America North of Mexico, together with descrip- tions of new species. Univ. Calif. Publ., Ent., 4:395-494, est. 15-19.

1950 - The blister beetles of North Central Mexico (Coleop- tera, Meloidae). Amer. Mus. Nov., 1477:68p., 21 figs.

1917 - Zur Entwicklung, Morphologie und Biologie der

Vorlarven und Larven der Canthariden. Arch. Naturg., 83 A (2):102-140, 1 est.

1910 - On the classification of the Lyttidae (Meloidae s.

Cantharidae Auctt.). Ent. News, 21:211-2.

1945 - A revision of the genus Epicauta in America North of Mexico (Coleoptera, Meloidae). Bull. Mus. Comp. Zool., 95:421-517, 4 ests.

16INSETOS DO BRASIL

Família TENEBRIONIDAE ¹

(Tenebrionites Latreille, 1802; Ornephila² (Ornéphiles) ou Sylvicoles (part.) + Lygophila³ (Lygophiles) ou Ténébricoles + Photophyga4 (Photophyges) ou Lucifages + Mycetobia5 (Mycétobies) ou Fongivores (part.) Duméril, 1806; 1860; Tenebrionides Leach, 1815;

Tenebrionidae Leach, 1817; Tenebrionida Sturm, 1844; Tenebriones Redtenbacher, 1845; Diaperidae + Tenebrionidae + Opatridae + Blapidae + Pimeliidae + Helopidae Calwer & Jäger, 1869; Tenebrionidi Acloque, 1896; Tenebrionoidea Sharp, 1912 (part.); Tene- brionaria Jeannel & Paulian, 1944 (part.)6.

7. Caracteres, etc. - Constituem esta família, aliás a maior dos Heterômeros, besouros de aspecto, côr e tamanho variáveis, porém, via de regra, de cor uniforme, negra,7 parda ou cinérea; exosqueleto relativamente espesso e duro, fosco ou brilhante, diversamente esculturado, porém, quasi sempre desprovido de pilosi- dade.

Os Tenebrionideos podem ter de alguns milímetros a alguns centímetros de comprimento (Taphrosoma dohrni Kirsch, 1866, do Amazonas, com 43 m., Nyctobates maxima (Germar, 1824) com pouco menos de 40 m. e Nyctobates gigas (L., 1787), com 48 m.).

Fig. 8 - Scotinus (?) tuberculatus Escholtz, 1831 (Asidinae, Asidini) (Lacerda fot.).

Cabeça relativamente pequena, quase sempre mais estreita que o protorax, provida de antenas geralmente mais curtas ou pouco mais longas que a cabeça e o torax reunidos,

2 Segundo DUMÉRIL, de(orne), bosque, floresta e eu gosto. Não

1 De tenebrio, onis, que gosta do escuro.

ção em português,são (nemos), (hyle) e (drymus).
3 De(lyge), sombra, obscuridade.
4 De(phos, photos), luz e (fhygas), fugitivo.
5 De(myces, etos), cogumelo e (bios), vida.

conheço o vocabulo grego indicado por DUMÉRIL. As palavras com aquela significa- 6 Estes autores incluem no grupo, além de Tenebrionidae, as famílias: Tricte-

notomidae, Alleculidae, Lagriidae, Petriidae, Melandryidae, Pedilidae, Aegialitidae, Othniidae, Pythidae, Pyrochroidae, Cephaloidae, Discolomidae, Nilionidae, Cossypho-

7 Daí o nome de Melasoma, dado por LATREILLE (de(melas), negro e

didae, Anthicidae e Hylophilidae. (soma), corpo).

17COLEOPTERA

de 1 ou, mais raramente, 10 segmentos (Scotinus Kirby), filiformes ou moniliformes, raramente serradas (Campsia irrorata (Dalman, 1823); Otocerus serraticornis Chevr., 1846), (fig. 30), com os segmentos distais gradualmente dilatando-se até o ápice sem serem, todavia, de tipo claviforme, exceto em alguns gêneros (Calymmus Dejean, Ozolais Pascoe, Paratenetus Spinola). As vezes, entretanto, os últimos dois ou três segmen-

tos distais bruscamente formam clava deprimida, não raro perfoliada (Trachyscelis Latreille), ou os 8 distais são alargados, transversais (Diaperis Geoffroy).

Pronoto lateralmente marginado

Fig. 9 - Falsomycterus diversipes Pic, 1907 (Falsomycterinae) (Lacerda fot.).

ou querenado; cavidades coxais anteriores fechadas atrás, quadrís anteriores apenas salientes, globulares ou subglobulares.

Fig. 10 - Phaleria brasiliensis Laporte, 1840 (Tenebrioninae, Phalerini) (Lacerda fot.).

Fig. 1 - Bolitophagus sp. (Tenebrioninae, Bolitophagini); à esquerda o macho. (Lacerda fot.).

Pernas geralmente de tipo ambulatório; em algumas espécies distintamente fossoriais; tarsos simples.

18INSETOS DO BRASIL

Élitros cobrindo o abdome, às vezes gibosos como em Erotylidae (Cuphotes Kirby) (= Spheniscus Kirby) (fig. 31), não raro soldados na sutura; asas, freqüentemente, mais ou menos atrofiadas.

A cabeça, o pronoto, ou ambos, nos machos de algumas espécies podem apresentar cornos ou processos mais ou menos conspícuos no macho (Tauroceras angulatum (Perty, 1830) (fig. 2) (Tenebrionini), Antimachus nigerrimus Perty,

1930 (fig. 16) (Ulomini), Calymmus cucullatus Pascoe, 1871, Ozolais spp. (Dysantini), Bolitophagus sp. (fig. 1)).

Cinco urosternitos visíveis, os 3 primeiros mais ou menos fundidos.

Fig. 12 - Gnathocerus cornutus (Fabr., 1798), macho (Tenebr., Ulomini), muito aumentado (De Freeman & Turtle, 1947, fig. 221).

Fig. 13 - Tribolium confusum Duval, 1868 (Tenebr., Ulomini) muito aumentado (De Back & Cotton, 1922 e 1938, fig. 3).

7. Habitos e espécies mais interessantes. Larvas alongadas, subcilíndricas ou algo deprimidas, via de regra de tegumento fortemente esclerosado, glabras e brilhantes, provi- das de pernas curtas; são os "false wire-worms" dos Americanos e Inglêses. Distinguem-se, porém, dos verdadeiros "ver-

19COLEOPTERA mes arame" pela estrutura do segmento anal, em geral simples. Os Tenebrionídeos geralmente vivem em lugares sêcos

(xerofilia), sendo freqüentemente encontrados nas regiões de- sertas e com hábitos noturnos. Nas praias do mar tornam-se conhecidas as espécies de PhaIeria Latr. pelas mordidelas nos banhistas.

Fig. 14 - Tribolium confusum: a, adulto; b, larva; c, pupa; e, cabeça e antena (f, cabeça e antena de T. castaneum) (De Chitenden, 1938).

Muitos são os Tenebrionídeos que vivem a custa dos pro- dutos sêcos armazenados, especialmente grãos de cereais e farinhas. Alguns têm sido citados como causadores de estra- gos a plantas cultivadas.

Citam-se também espécies micetófagas, coprófagas, pre- dadoras (harpactófagas) e mirmecófilas. Não poucas, porém, são as que têm regime alimentar misto, isto é, polífagas

(onívoras).

Há em nossa coleção exemplares de PhobeIius crenatus

(Blanchard, 1843) (Heterotarsinae), apanhados por LENT em Salobra (Mato Grosso) em ninho do passarinho Phacellodo-

20 INSETOS DO BRASIL mus rufifrons sincipitalis. GEBIEN, que determinou o inseto, informou-me possuir espécimes colhidos no Brasil em ninho de pica-páu (? Colaptes sp.).

Assinalam os autores a existência de perto de 15.0 Tenebrionídeos descritos. Na Região Neotrópica há seguramente, já descritas, 2.900 espécies distribuídas em várias subfamílias. Entretanto a importância que têm é relativamente pequena, limitando-se principalmente às espécies que atacam cereais, farinhas e outros produtos armazenados.

(Parte 4 de 12)

Comentários