Necessidades em saúde na perspectiva da atenção básica Guia para Pesquisadores

Necessidades em saúde na perspectiva da atenção básica Guia para Pesquisadores

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• Recursos e ações na comunidade: escolas, áreas de lazer, organizações sociais, atividades profissionalizantes, programas de inclusão social, formas de agregação e lideranças comunitárias;

• Acesso às políticas públicas (saúde, educação, segurança, justiça, cultura, lazer, esporte, mídia, informação etc)

• Participação política e exercício da cidadania;

• Referências culturais, de gênero, gerações;

• Normas e crenças religiosas;

Os pesquisadores do Grupo “Vulnerabilidade, adesão e necessidades de saúde” , cadastrado no CNPq e do Núcleo de Apoio às Atividades de Cultura e Extensão Enfermagem em Saúde Coletiva: Assistência de Enfermagem em Saúde Coletiva consideram que há diferenças na vulnerabilidade dos indivíduos e grupos sociais e constitui um desafio contínuo, explicitar e discutir os determinantes e as condições em que esta se processa, tendo como finalidade subsidiar as políticas públicas sociais, em particular as de saúde. Nesse sentido, vem desenvolvendo investigações que tratam de avaliar os efeitos potencializadores da saúde e a vulnerabilidade às doenças e agravos de indivíduos e grupos sociais, particularmente na direção da construção de marcadores que operacionalizem o conceito .

Os pesquisadores fazem o convite para que outros busquem ampliar e aprofundar o conceito de Vulnerabilidade em saúde e esclarecer os elementos que melhor o traduza.

Referências

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3. Ayres JRCM, França Jr, Calazans GJ. AIDS, vulnerabilidade e prevenção. I Seminário Saúde Reprodutiva em tempos de aids; 1997.

4. Mann J, Tarantola DJM, Netter TW, organizadores. Aids in the word. Harvard University Press; 1992.

5. Parker R. Na contramão da aids: sexualidade, intervenção, política. Abia; 2000.

6. Muñoz Sánchez AI, Bertolozzi MR. Pode o conceito de vulnerabilidade apoiar a construção do conhecimento em Saúde Coletiva? Cienc & Saúde Coletiva. 2007; 12(2): 319-24.

7. Paiva V, Peres C, Blessa C. Jovens e adolescentes em tempos de aids:reflexões sobre um década de trabalho de prevenção. Rev Psicol USP. 2002; 13(1):5-78.

8. Takahashi RF. Marcadores de vulnerabilidade a infecção, adoecimento e morte por HIV e aids [tese Livre-Docência]. São Paulo: Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo; 2006.

9. Takahashi RF, Oliveira MAC. A operacionalização do conceito de vulnerabilidade no contexto da saúde da família. IDS/Ministério da Saúde; 2001.

10. Nichiata LYI, Bertolozzi MR, Takahashi RFT, Fracolli LA. A utilização do conceito de vulnerabilidade pela enfermagem. 2008; 16(5):923-8.

1. Nichiata LYI, Gryschek ALFPL; Ciosak SI; Takahashi RF. DST e AIDS. In: Borges, ALV,

Fujimori E, editoras. Enfermagem e a saúde do adolescente na atenção básica. Barueri: Manole; 2008. p.370-411.

12. De La Torre-Ugarte-Guanilo MC. Vulnerabilidade feminina ao HIV: metasíntese [dissertaçao]. São Paulo: Escola de Enfermagem, Universidade de São Paulo; 2008.

13. Bertolozzi MR, Takahashi RFT, Nichiata LYI. Vulnerabilidades em saúde do adulto.

Programa de Atualização em Enfermagem Saúde do Adulto/PROENF. Porto Alegre: Artmed Panamericana; 2008 (no prelo).

14. Endereço eletrônico: http://dgp.cnpq.br/buscaoperacional/detalhegrupo.jsp? grupo=0067404B76GRQY

Capítulo 1.4

15. Endereço eletrônico:: http://www.e.usp.br/departamento/ens/nace/ 36

O projeto Necessidades em Saúde

Emiko Yoshikawa Egry

Anna Maria Chiesa Célia Maria Sivalli Campos

Dora Mariela Salcedo Barrientos Eunice Nakamura

Lislaine Aparecida Fracolli Lúcia Yasuko Izumi Nichiata

Maria Amélia de Campos Oliveira Maria Júlia Barbosa de Moraes

Maria Rita Bertolozzi Regina Lúcia Herculano Faustino

Renata Ferreira Takahashi Rosa Maria Godoy Serpa da Fonseca

Sayuri Tanaka Maeda Suely Itsuko Ciosak

Intitulado “Limites e possibilidades dos sistemas de saúde locais no reconhecimento e enfrentamento das necessidades de saúde da população: o PSF no Município de São Paulo”, o presente projeto sediado no Departamento de Enfermagem em Saúde Coletiva da Escola de Enfermagem da Universidade de São Paulo teve como instituições parceiras a Secretaria

Municipal de Saúde de São Paulo (SMS-SP) e o Centro Universitário Adventista de São Paulo (UNASP) por meio de seus pesquisadores e colaboradores.

As necessidades de saúde referem-se às múltiplas dimensões do real e dizem respeito à singularidade dos fenômenos de saúde ou doença que afetam os indivíduos e suas famílias, a particularidades dos processos de produção e reprodução dos distintos grupos sociais e aos

Agnes Heller distingue as necessidades humanas em necessidades existenciais ou de conservação da vida e necessidades propriamente humanas. As primeiras incluem as necessidades de alimentação, necessidade sexual, de contato social e cooperação, relativas, portanto, à autoconservação e à preservação da espécie, embora nem por isso possam ser consideradas “naturais”, porque são produzidas em contextos sociais. Já as segundas, incluem a liberdade, a autonomia, a auto-realização, a atividade moral e a reflexão, entre outras. Identifica ainda um conjunto de necessidades próprias do capitalismo, as necessidades alienadas, tais como: dinheiro, poder e posse de objetos. Todo trabalho humano tem como finalidade a satisfação de necessidades. A intencionalidade presente nos processos de trabalho não é individual, mas social, de tal modo que o trabalho orienta-se para as necessidades sociais que o justificam . Tal como as demais necessidades humanas, as de saúde são social e historicamente determinadas. Situam-se entre natureza e cultura, ou seja, não dizem respeito tão somente à conservação da vida, mas, à realização de um projeto em que o indivíduo, ponte entre o particular e o genérico, progressivamente humaniza-se .

Capítulo 2.1

Como prática social, o cuidado organiza-se para atender às necessidades de saúde. Entretanto, as práticas de cuidado podem ou não corresponder às necessidades concretas dos grupos sociais . Segundo as autoras citadas, as relações entre as necessidades de saúde e as práticas de cuidado podem ser apreendidas com base nos significados econômicos, políticos e ideológicos de tais práticas, captados em sua historicidade, em sociedades concretas. Podem ser apreendidas ainda pelos resultados que produzem, ou seja, da capacidade de produzir modificações nos perfis de saúde-doença de uma dada população. Esta segunda perspectiva remete à compreensão e avaliação das características e dos resultados das práticas em saúde em função de sua utilidade, viabilidade, exatidão e ética. Ao discutir a correspondência entre necessidades de saúde e o arcabouço jurídico-político e institucional criado para atendê-las, propõe que se utilize um conceito normativo de necessidade que possa ser operacionalizado de modo a “exprimir a dialética do individual e do social” .

Considerando a centralidade das necessidades para o trabalho em saúde, Luiz Carlos de

Oliveira Cecílio reflete que as necessidades podem funcionar como “analisadoras” das práticas em saúde, visto que, para o autor, a integralidade operacionalizada nos serviços de saúde pode ser definida como “o esforço da equipe de saúde de traduzir e atender, da melhor forma possível (...) necessidades sempre complexas, (...) captadas em sua expressão individual”. Para tanto, adota uma taxonomia para as necessidades de saúde, organizando-as em quatro grandes conjuntos: necessidades de “boas condições de vida”, de acesso a tecnologias de saúde capazes de melhorar e prolongar a vida, de criação de vínculos afetivos entre usuários e equipes de saúde e de autonomia em graus sempre crescentes, de tal forma que essa autonomia “implicaria a possibilidade de reconstrução, pelos sujeitos, dos sentidos de sua vida e esta ressignificação teria peso efetivo no seu modo de viver, incluindo aí a luta pela satisfação de suas necessidades, de forma mais ampla possível” .

O reconhecimento e enfrentamento das necessidades de saúde estão estreitamente vinculados a princípios básicos do Sistema Único de Saúde (SUS), em especial, aos conceitos de integralidade e equidade, na medida que implicam por parte das equipes de saúde o esforço de tradução e atendimento a necessidades, exigindo ações articuladas e complementares, “no cuidado de cada profissional, de cada equipe e da rede de serviços de saúde outros” .

Ressalta-se que, da perspectiva da equidade, o atendimento às necessidades de saúde da população implica ações diferenciadas, considerando-se que a equidade seria “a superação de desigualdades que, consideradas injustas, implicando que necessidades diferenciadas da população sejam atendidas por meio de ações governamentais também diferenciadas” .

Assim, nas palavras de Edir Nei Teixeira Mandú & Maria Cecília Puntel de Almeida :

pensar a questão das necessidades em saúde e o modo como orientam o

sistema social, se apresentam tais necessidadesIsto implica considera

trabalho nesse campo requer a consideração ao modo como, no nosso dois planos distintos: o da criação/satisfação social das necessidades humanas e o da relação do trabalho em saúde com o sistema de necessidades.

De acordo com os autores, o entendimento da organização e funcionamento de sistemas e práticas locais em termos das possibilidades de reconhecimento e enfrentamento de necessidades de saúde torna-se fundamental a compreensão do modo como a organização tecnológica do trabalho em saúde articula-se à realidade de um dado território. Visando à compreensão da dinâmica e dos mecanismos envolvidos nos processos de trabalho, serão objetos deste estudo a organização da estrutura, o funcionamento de sistemas locais de saúde e as experiências concretas de gestores, gerentes e trabalhadores das equipes do Programa de Saúde da Família (PSF), Supervisões de Área de Saúde de Campo Limpo (Distritos

Administrativos de Campo Limpo, Capão Redondo e Vila Andrade) e Butantã (Distritos Administrativos de Butantã, Morumbi, Raposo Tavares, Rio Pequeno e Vila Sônia) da

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