Revisão de Microbiologia

Revisão de Microbiologia

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Qualquer infecção de origem fúngica é chamada de micose.

As micoses são geralmente, infecções crônicas (longa duração) porque os fungos crescem lentamente.

As micoses são classificadas em cinco grupos de acordo com o grau de envolvimento no tecido e modo de entrada no hospedeiro: sistêmica, subcutânea, cutânea, superficial ou oportunista. Micoses sistêmicas são infecções fúngicas profundas no interior do corpo. Não são restritas a nenhuma região particular do corpo, mas podem afetar vários tecidos e órgãos. As micoses sistêmicas são normalmente causadas por fungos que vivem no solo. A inalação dos esporos é a rota da transmissão; estas infecções normalmente se iniciam nos pulmões e difundem-se para outros tecidos do corpo. Elas não são contagiosas de um animal para os homens ou entre indivíduos.

Micoses subcutâneas são infecções fúngicas localizadas abaixo da pele causadas por fungos saprofíticos que vivem no solo e na vegetação. A infecção ocorre por implantação direta dos esporos ou fragmentos de micélio em uma ferida aberta na pele.

Micoses cutâneas ou dermatomicoses são causadas por fungos que infectam apenas a epiderme, o cabelo e as unhas. Estes fungos são chamados de dermatófitos. Os dermatófitos secretam queratinases, enzimas que degradam queratina, proteína encontrada no cabelo, na pele e nas unhas. A infecção é transmitida a partir de um indivíduo para outro ou a partir de um animal para o homem por contato direto ou por contato com cabelo infectado e células epidérmicas (como a tesoura do cabeleireiro ou pisos de banheiros).

Micoses superficiais são causados por fungos que estão localizados ao longo dos fios de cabelos e em células epidérmicas superficiais. Estas infecções são prevalentes de climas tropicais.

Micose oportunista. É causada por um patógeno oportunista que é geralmente inofensivo em seu habitat normal, mas pode tornar-se patogênico em um hospedeiro que se encontra debilitado ou traumatizado, ou indivíduos sobre tratamento com antibióticos de amplo espectro, ou com o sistema imune suprimido por drogas ou por distúrbios imunes. Os pacientes com AIDS são suscetíveis a patógenos oportunistas. A microbiota normal de uma pessoa pode tornar-se patogênica oportunista sob certas condições.

A mucormicose é uma micose oportunista causada por Rhysopus e Mucor; a infecção ocorre principalmente em pacientes com cetoacidose resultante de diabete melito, leucemia, ou de tratamento com drogas imunossupressoras. A aspergilose também é uma micose oportunista causada por Aspergillus. Esta doença ocorre em indivíduos que estão debilitadas devido a doenças nos pulmões ou câncer e que tenham inalado os esporos do Aspergillus. As infecções por levedura, ou candidíase, são freqüentemente causadas por Candida albicans e podem ocorrer como candidíase vulvovaginal. Thrush uma candidíase mucocutânea é uma inflamacão da boca e da garganta; ocorre freqüentemente em recém-nascidos e pacientes com AIDS.

Alguns fungos podem causar doenças através da produção de toxinas. VÍRUS

É uma partícula basicamente protéica que pode infectar organismos vivos.

Os vírus não são constituídos por células. São parasitas obrigatórios do interior celular e isso significa que eles somente se reproduzem pela invasão e possessão do controle da maquinaria de auto-reprodução celular.

O termo vírus geralmente refere-se às partículas que infectam eucariontes, enquanto o termo bacteriófago ou fago é utilizado para descrever aqueles que infectam procariontes.

Vírus tipicamente consistem de uma cápsula de proteína chamada capsídeo, que armazena e protege o material genético viral que pode ser DNA ou RNA.

Alguns vírus apresentam também uma membrana lipoprotéica originária da membrana da célula hospedeira. Neste caso são denominados vírus envelopados (normalmente derivado da membrana celular do hospedeiro anterior). Ele protege o genoma viral contido nele e também provém o mecanismo pelo qual o vírus invade seu próximo hospedeiro.

A partícula viral, quando fora da célula hospedeira, é chamada de vírion. Das 1.739.600 espécies de seres vivos existentes, os vírus representam 3.600 espécies.

Infecção viral

É o processo de penetração e multiplicação do vírus na célula hospedeira. No esquema abaixo está representada a infecção do bacteriófago, um vírus que infecta bactéria.

Ciclo lítico e ciclo lisogênico

O ciclo lítico ocorre quando o material genético do vírus é replicado juntamente com a síntese de proteínas virais, dando origem a novos vírus que saem da células para infectar outras através da lise celular.

Já no ciclo lisogênico, o material genético do vírus é incorporado ao DNA da célula hospedeira e todas as vezes que ocorre divisão celular o material genético do vírus replica junto, formando novas células infectadas.

A doença incorporada na célula pode se "despertar" por algum motivo como Radiação, quimioterapia e etc. Caso a doença "desperte" todas as celulas "contaminadas" terminarão o ciclo em forma de ciclo lítico.

Os vírus podem ser classificados de acordo com o tipo de ácido nucléico que possuem

Vírus de DNA: apresentam uma molécula de DNA. Na célula hospedeira este DNA vai ser replicado e transcrito em RNA mensageiros, que vão formar as proteínas virais. Estes vírus são designados de adenovírus.

Vírus de RNA +: apresentam uma molécula de RNA idêntica ao RNA mensageiro do vírus. Neste caso o genoma do vírus serve de molde para a síntese de moléculas complementares de RNA. Novas moléculas de RNA+ são formadas à partir do RNA- e proteínas virais são formadas. Novos vírus, compostos por RNA+ e proteínas virais são liberados da célula.

Vírus de RNA -:apresentam molécula de RNA complementar ao RNA mensageiro do vírus. Dentro da célula ocorrerá síntese de RNA+ a partir do genoma viral e RNA- a partir dos RNA+ sintetizados. Também a partir dos RNA+ são sintetizadas as proteínas virais que irão compor, juntamente com as moléculas de RNA- os novos vírus.

Retrovírus: apresetam molécula de RNA. Pela ação da enzima transcriptase reversa é sintetizada uma molécula de DNA a partir do RNA viral. Este DNA é incorporado ao genoma da célula hospedeira e passa a sintetizar RNA mensageiro para a síntese de proteínas virais, e RNA genômico que, junto com as proteínas, vão formar novos vírus.

Esse processo de se formar DNA a partir de RNA viral é denominado retrotranscrição. Ex. O vírus HIV.

Ex. O vírus HIV e classificado como retrovírus, pois tem como material genético uma fita simples de RNA. Esta fita de RNA serve como molde para uma molécula de DNA que se integra ao genoma da célula hospedeira.

Além do material genético, este vírus possui um capsídio protéico, enzimas e envelope viral.

O HIV apresenta duas ENZIMAS que se destacam: transcriptase reversa, que transcreve uma cadeia de DNA a partir do RNA viral e integrase, responsável pela integração do DNA viral no cromossomo da célula hospedeira.

O envelope viral tem origem na membrana lipoprotéica da célula hopedeira, e apresenta glicoproteínas especiais que permitem a ligação do vírus à receptores presentes na membrana das células hospedeiras, principalmente nas células sanguíneas e determinados tipos de células epiteliais.

(1) A infecção da célula pelo vírus HIV inicia-se com a ligação do vírion à receptores de membrana específicos da membrana da célula hospedeira.

(2) Após o reconhecimento, o envelope viral se funde à membrana da célula e libera no citoplasma o material genético envolto pelo capsídio.

(3) No citoplasma o capsídio se desfaz e o RNA viral a as enzimas são liberados.

(4) Uma vez no citoplasma a enzima transcriptase reversa promove a transcrição de uma cadeia de DNA a partir do RNA viral. Conforme a enzima vai sintetizando a molécula de DNA, ela vai degradando a molécula de RNA que serviu como molde. Em seguida é sintetizada uma cadeia de DNA complementar, formando uma molécula de DNA com dupla fita.

(5) Apos a síntese, o DNA viral é incorporado ao cromossomo da célula hospederia pela ação da enzima integrase.

(6) Utilizando-se da maquinaria da célula hospedeira são produzidos RNA mensageiros que, no citoplasma, serão traduzidos em proteínas virais, tais como, enzimas, proteínas do capsídio e as glicoporteínas.

As glicoproteínas migram para a membrana da célula (7) enquanto que as novas moléculas de RNA do genoma do vírus e os novos capsídios formados organizam-se (8).

Ocorre então a formação do envelope viral (9), utilizando-se a própria membrana da célula e os novos vírus são expelidos da célula, prontos para infectar novas células (10).

Uma vez células infectadas e com o material viral integrado ao seu genoma, as células hospedeiras continuam a produzir partículas virais. O material genético do vírus pode também se manter latente no genoma da célula hospedeira, sem produzir RNA. Neste caso ele é denominado provírus.

Doenças humanas causadas por vírus Doença Nome do Vírus Característica do Vírus

AIDS HIV retrovírus, envelopado catapora Varicela-zoster DNA de cadeia dupla, envelopado caxumba Paramyxovirus RNA- de cadeia simples, envelopado dengue Flavivirus RNA+ de cadeia simples, envelopado febre amarela Flavivirus RNA+ de cadeia simples, envelopado gripe Influenzavirus oito moléculas de RNA- de cadeia simples, envelopado poliomielite Enterovirus RNA+ de cadeia simples, não envelopado raiva Lyssavirus RNA- de cadeia simples, envelopado rubéola Rubivirus RNA+ de cadeia simples, envelopado varíola Orthopoxvirus DNA de cadeia dupla, envelopado

Muitos retrovírus possuem genes denominados oncogenes, que induzem as células hospedeiras à divisão descontrolada com a formação de tumores cancerosos.

Prevenção e tratamento de doenças virais Devido ao uso da maquinaria das células do hospedeiro, os vírus tornam-se difíceis de matar. As mais eficientes soluções médicas para as doenças virais são, até agora, as vacinas para prevenir as infecções, e drogas que tratam os sintomas das infecções virais.

Os pacientes freqüentemente pedem antibióticos, que são inúteis contra os vírus, e seu abuso contra infecções virais é uma das causas de resistência antibiótica em bactérias.

Origens dos vírus

A origem dos vírus não é inteiramente clara, porém a explicação atualmente favorecida é que eles sejam derivados de seus próprios hospedeiros, originando-se de elementos transferíveis como plasmídeos ou transposons (elementos transponíveis são segmentos de DNA que têm a capacidade de mover-se e replicar-se dentro de um determinado genoma).

Também tem sido sugerido que eles possam representar micróbios extremamente reduzidos, que apareceram separadamente no caldo primordial que deu origem às primeiras células, ou que as diferentes variedades de vírus teriam tido origens diversas e independentes.

Quando não estão se reproduzindo, os vírus não manifestam nenhuma atividade vital: não crescem, não degradam nem fabricam substâncias e não reagem a estímulos. No entanto, a sua capacidade reprodutiva é assombrosa: um único vírus é capaz de produzir, em poucas horas, milhões de novos indivíduos.

Príons Um príon é uma proteína com capacidade de modificar outras proteínas, tornando-as cópias de si mesma. Não possuem ácido nucléico.

Prion significa Proteinaceous Infectious Only Particle (Partícula Infecciosa Puramente Protéica). São causadores de várias doenças, como a encefalopatia espongiforme bovina (vulgarmente conhecida como "doença da vaca louca") e a doença de Creutzfeldt-Jakob (DCJ). Todas as doenças causadas por príons afetam a estrutura do cérebro ou dos tecidos neurais, não possuem cura e são sempre fatais.

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