13297147 - Tecnicas - de - Redação

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(Parte 8 de 10)

Você já sabe que normalmente o enredo de uma história se baseia num conflito. Pode tratar-se de um conflito de interesses ou de desejos entre personagens,do (s) personagem (ns) com o mundo, ou, ainda, do (s) personagem (ns) consigo mesmo (s).

Para a montagem do conflito, dividimos os personagens em protagonistas e. Geralmente, estes são os personagens chamados de principais.

Além deles, há os personagens-ajudantes, que auxiliam na percepção do tipo de conflito, dos jogos de interesses, enfim, dos elementos estruturais da história.

Exemplo:

Em Caso de Secretária, a narrativa se estrutura em função de um suposto conflito de desejos entre protagonista (o aniversariante) e antagonistas (a família). No entanto no desfecho percebemos que na verdade se trata tanto de um conflito quanto de um antagonismo aparentes, e não reais, o que contribui com o comentado desfecho inesperado da história e também com seu tom de leveza e humor.

intensifica e depois dilui o pretenso conflitoEla é, portanto, um exemplo de personagem-

Tal percepção ocorre por meio do comportamento da secretária, que primeiro ajudante. Repare que a menção desta personagem no título do conto sugere a importância que possui, para a compreensão da história.

ò Modos de Apresentação de Personagens

Há dois modos clássicos pelos quais o narrador apresenta os personagens numa história:

aapresentação direta; através da descrição (que pode ser de traços físicos e/ou de traços psicológicos: sentimentos, pensamentos etc)

Exemplo: Foram ao drinque, ele recuperou não só a alegria de viver e de fazer anos, como começou a fazê-los pelo avesso, remoçando.

a apresentação indireta, através de falas e de ações dos personagens.

Exemplo:

‘O senhor vai comemorar em casa ou numa boate?' Engasgado, confessou-lhe que em parte nenhuma.

Conclusão Importante A Verossimilhança na Apresentação de Personagens

Numa narrativa bem construída como a que estamos comentando, percebemos que os personagens possuem uma história além daquela que conhecemos por meio da matéria narrada. O protagonista, por exemplo, refere-se no 1° parágrafo a comportamentos da família anteriores ao momento em que se inicia a história (Foi trombudo para o escritório.) No final, ficamos imaginando sua expressão de surpresa e talvez de um certo vexame, enquanto recebe a surpresa...

Assim, para tomar mais bem escrita e verossímil a história que vamos contar, devemos tentar inseri-la no conhecimento que temos do mundo, imaginando como nossos personagens eram antes do conflito que pretendemos elaborar, e também como seriam após a última linha do texto...

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Se conseguirmos esse grau de verossimilhança na lógica do texto - associando-a à

flashdesta forma, não há dúvida de que nossos leitores ficarão mais atentos e interessados

lógica do real - transformaremos nossa história naquilo que é, de fato, uma história: um flashna vida de alguém, que talvez possa mudá-la parcial ou totalmente, mas que não deixa de ser um naquilo que estivermos contando...

ò Tipos de Discurso

O discurso que reproduz fidedignamente a fala dos personagens chama-se discurso direto. Este tipo de discurso nos é apresentado convencionalmente por meio de verbos de elocução ou verbos discendi, e também de sinais de pontuação: aspas ou dois pontos e travessão.

Já o discurso indiretoé aquele em que o narrador filtra ao leitor tanto a fala quanto os pensamentos e sentimentos dos personagens, incorporando-os a sua linguagem, por meio dos mencionados verbos de elocução ou verbos discendi, seguidos de conjunção integrante: que, se.

Odiscurso indiretolivre, por sua vez, ocorre quando não podemos precisar com exatidão se a fala, o pensamento ou o sentimento presentes numa história pertencem ao narrador ou aos personagens, pois o narrador expressa o fluxo de consciência dos personagens, confundindo-o com sua própria voz narrativa.

Exemplo:

‘O senhor vaí comemorar em casa ou numa boate?’ -discurso direto.

Engasgado,confessou-lhe que em parte nenhuma.–discurso indireto.

Fazer anos é uma droga, ninguém gostava dele neste mundo, iria rodar por aí à noite, solitário, como o lobo da estepe.-discurso indireto livre.

‘Se o senhor quisesse, podíamos jantar juntos’, insinuou ela, discretamente.-discurso direto.

E não é que podiam mesmo?Em vez de passar uma noite besta, ressentida - o pessoal lá em casa pouco está me ligando -, teria horas amenas, em companhia de uma mulher que - reparava agora - era bem bonita. -discurso indireto livre.

Observação:

Repare que o narrador deCaso de Secretária conta a história do ponto de vista do personagem principal. Além de descrever seus sentimentos e pensamentos, ele recria o seu fluxo de consciência, a sua fala interior, por meio do discurso indireto livre. Assim, o texto articula com inteligência narrativa a surpresa do final; ela pertence ao protagonista, mas contamina o leitor, já que este conhece o enredo exclusivamente por intermédio daquele.

A crônica de Carlos Drummond de Andrade nos mostra, enfim, que os modos. de apresentação de personagens numa história, e também os tipos de discurso utilizados, devem ser pensados em função da intenção do autor, dos efeitos que quer provocar com sua narrativa.

3 - Enredo: modos de organização e tipos

O enredo, isto é, a organização de ações ou acontecimentos com os quais tecemos uma narração, pode se dividir basicamente em dois tipos:

Enredo linear:é aquele que obedece uma seqüência lógica e cronológica de ações - início / desenvolvimento / desenlace ou desfecho. Ex: Caso de Secretária.

Enredo não-linear: é aquele em que ocorrem saltos na seqüência de ações, omitindo fatos, sugerindo acontecimentos, apresentando cortes temporais, quebrando a seqüência lógica e cronológica da história. Nesse tipo de narrativa, o tempo cronológico e o espaço concreto são substituídos por flashbacks(retrospectivas ou voltas), flashforwards ou prolepses (antecipaçôes), ou ainda, algumas vezes, são suprimidos.

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A narrativa de natureza complexa, em que se misturam passado, presente e futuro, normalmente é estruturada por um enredo não-linear.

Leitura Comentada Tantas Mulheres

Descobrisse ela que a amava com tal fúria, estava perdido. A salvação era fugir e, com a desculpa da mãe doente, afastou-se alguns dias da cidade.

- Há tanto tempo, João!

- Pois é, mãe. - Deixe-me vê-lo, meu filho. Você está um homem.

Encontrou o quarto arrumado, como no dia em que partira, havia quantos anos? Bebia sozinho nos bares, voltava de madrugada para casa.

- É você, meu filho?

- Durma bem, mãezinha.

Ganhar a paz na renúncia do amor. Éle, que era de gesto violento, não tinha coragem de arrancar a faca do coração? Ah, quanta vergonha na partida, em que havia ido às duas da manhã, debaixo de chuva, espiar a janela fechada. Nem sequer chovia - ele que chorava. Não enxugava a lágrima quente no olho, fria no canto da boca. Bem sabia por que dissera consigo quando o avião pousou: "Não se alegre, cara feia, você foi poupado para morte pior".

A mãe ali na porta:

- Meu filho, soube de uma coisa muito triste.

- Que é, mãe?

- Você gosta da mulher de outro. Verdade, João? São tristes os seus olhos. - Iguais aos seus, mãe.

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