Manual do Electricista

Manual do Electricista

(Parte 2 de 8)

3.1 Componentes eletricos67
3.1.1 Isolantes eletricos69
3.1.2 Vida da isolacao69
3.2 Linhas ou condutos eletricos70
3.3 Condutores70
3.4 O choque eletrico70
3.4.1 Choque produzido por contato com circuito energizado70
3.4.3 Choque produzido por raio (Descarga Atmosferica)71
3.4.4 Avaliacao do choque eletrico71
3.5 Efeitos da Eletricidade no Corpo Humano71
3.5.1 Trajeto da corrente eletrica no corpo humano72
3.5.2 Tipo da corrente eletrica72
3.5.3 Tensao nominal72
3.5.4 Intensidade da corrente de choque eletrico73
3.5.5 Resistencia do circuito74
3.5.6 Frequencia da corrente74
3.6 Primeiros socorros a vıtima de choque eletrico74
3.7 Aterramentos76
3.7.1 Esquemas de Aterramento7
3.7.2 Ligacoes a Terra79
3.7.3 Eletrodos de Aterramento79
3.8 Ligacao de circuitos com gerador, amperımetro, voltımetro e carga79
3.8.1 Aplicacao pratica de medidas de seguranca79
3.8.2 Ligacao de tomadas e lampadas com seguranca79
3.9 Prevencao de Acidentes com Eletricidade80

CONTENTS 9

4.1 Origem da eletronica83
4.1.1 O Radar85
4.1.2 Tungstenio, Selenio e Germanio85
4.1.3 Aplicacoes86
4.1.4 Industria Eletronica86
4.1.5 Televisao86
4.2 Elementos basicos de uma bancada87
4.3 Componentes eletronicos basicos87
4.4 Fontes de energia94
4.4.1 Fonte de tensao contınua fixa94
4.4.2 Fonte de alimentacao C ajustavel94
4.4.3 Fonte de tensao chaveada97
4.5 Geradores de sinais - formas de onda e frequencia97
4.6 Amplificadores de tensao e potencia97
4.7 Osciloscopio97
4.7.1 Aplicacoes em medidas eletricas e eletronicas97
4.7.2 Partes principais de um osciloscopio97
4.7.3 Uso do osciloscopio para medicao de sinais97
4.7.4 Comparador de tensao97
4.7.5 Amplificador de tensao97
4.7.6 Ligacao de transistores bipolares97
4.8 Montagens eletronicas basicas97

4 Bancada de eletronica 83

5.1 Um ‘pouco’ de historia9
5.1.1 Da teoria a pratica100
5.1.2 Os primeiros computadores modernos102
5.1.3 A era do “chip” e o advento do microcomputador104
5.2.1 Tacometro107
5.2.2 Entrada e saıda de dados para o computador107
5.3 Microcontroladores107
5.4 Uso do computador para simulacao de sistemas107
5.4.1 Diagrama de blocos107
5.4.2 Linguagens de programacao107
5.4.3 Funcoes matematicas107
5.5 Resumo e questionamentos110

10 CONTENTS

6.1 Evolucao das redes em corrente contınua1
6.2 Historico da corrente alternada1
6.3 Sistema Interligado113
6.4 Distribuicao de energia eletrica114
6.4.1 Monofasico114
6.5 Parametros caracterısticos dos sistemas de corrente alternada115
6.5.1 Perıodo, frequencia, e velocidade angular115
6.5.2 Amplitude e angulo de fase115
6.5.3 Potencia instantanea116
6.5.4 Frequencia f117
6.5.5 Tensao de pico ou maxima Vmax117
6.5.6 Corrente maxima Imax117
6.5.7 Valor eficaz de tensao e corrente V e I117
6.5.8 Defasagem θ118
6.5.9 Potencias aparente, ativa e reativa118
6.5.10 Fator de potencia118
6.6 Sistema trifasico119
6.6.1 Rede monofasica119
6.7 Rede trifasica119
6.8 Ligacoes basicas120
6.8.1 Ligacao de motores com chave manual121

6 Sistemas de corrente alternada 1

I Projetos 123

7.1 Energia hidraulica127
7.1.1 Estudo hidrologico127
7.1.2 Terminologia129
7.1.3 Como e, e como podera ser gerada a energia no Brasil132
7.1.4 Historico das turbinas hidraulicas133
7.1.5 Turbinas para pequenas centrais hidraulicas134
7.1.7 O Programa Nacional de PCHs143
7.2 Energia Eolica145
7.2.1 Cataventos146
7.2.2 Turbinas eolicas e aerogeradores146
7.2.3 Sistemas de energia eolica147
7.3.1 O bombeamento de agua com paineis solares148
7.3.2 Sistemas de energia fotovoltaica149
7.4 Energia da biomassa149
7.4.1 O potencial energetico da biomassa150
7.4.2 Combustao direta da biomassa151
7.4.3 Combustıveis de origem vegetal151
7.5 Biodigestores151
7.5.1 Biofertilizante152
7.5.2 Preparacao da mistura152
7.5.3 Decomposicao da materia organica153
7.5.4 A formacao do metano153
7.5.5 O aproveitamento do metano154
7.6 Aquecedores solares155
7.6.1 Radiacao solar em Santa Maria - RS155
7.6.2 O motor Stirling155
7.7 Conservacao de energia156
7.7.1 Predominancia da Geracao Hidraulica156
7.7.2 Recursos Hıdricos do Brasil157
7.7.3 “O Brasil nao precisa de Belo Monte”157

CONTENTS 1

8.1 Sobre acionamentos eletricos161
8.1.1 Terminologia161
8.1.2 O contator164
8.1.3 Fusıveis165
8.1.4 Disjuntor166
8.1.5 Protetores termicos (sondas termicas) para motores eletricos167
8.1.6 Reles de Sobrecarga168
8.1.7 Reles de tempo (temporizador)169
8.1.8 Rele de sequencia de fase169
8.1.9 Rele de protecao PTC170
8.1.10 Rele de falta de fase170
8.1.1 Rele de mınima e maxima tensao170
8.2 Motor de inducao171
8.2.1 Princıpio de funcionamento - campo girante171
8.2.2 Dados de placa172
8.2.3 Curvas conjugado-velocidade da carga e do motor175
8.2.4 Regulagem da velocidade de motores de inducao178
8.2.5 Partida de motores179
8.3 Chaves de partida181
8.3.1 Chave de partida direta181
8.3.2 Partida atraves de chave estrela-triangulo (Y -∆)183
8.3.3 Partida atraves de chave compensadora184
8.3.4 Partida atraves de chave serie-paralela186
8.3.5 Exercıcios praticos - chaves de partida187
8.3.6 Condicoes de servico das chaves187
8.3.7 Instalacao das chaves de partida190
8.3.8 Manutencao preventiva e corretiva em chaves de partida191
8.4.1 Caracterısticas dos inversores195
8.4.2 Variacao da velocidade com inversores196
8.4.3 Condicoes especiais de servico198
8.4.4 Caracterısticas de desempenho dos motores198
8.4.5 Caracterısticas do sistema de isolamento199
8.5 Instalacao de motores eletricos200
8.5.1 Fundacoes200
8.5.2 Tipos de bases200
8.5.3 Alinhamento201
8.5.4 Acoplamento201
8.6 Sobrecarga e vida util de motores assıncronos202
8.7 Projeto e montagem de controle de posicao com caixa de reducao de velocidade202

12 CONTENTS

9.1 Conceitos de luminotecnica203
9.2 Nıveis de iluminamento204
9.3 Escolha de lampadas e seus respectivos lumens204
9.4 Tipos de lampadas204
9.5 Iluminacao Interna204
9.5.1 Residencial204
9.5.2 Calculo luminotecnico205
9.5.3 Ligacao de lampadas fluorescentes206
9.5.4 Ligacao de dimmers e controles206
9.5.5 Uma fotocelula simples206
9.6 Resumo208
10.1 Distribuicao de tomadas209
10.2 Divisao de circuitos210
10.3 Dimensionamentos211
10.4 Entrada de energia213

10 Instalacoes eletricas 209

1.1 Medidas em circuitos lineares219
1.2 Medicao de tensao, corrente, e potencia nao senoidais221
1.3 Medicao de R,L com V,I,W221
1.3.1 Divisor resistivo com osciloscopio digital - V221
1.3.2 Resistor derivacao ou shunt com um voltımetro eletronico - I2
1.3.3 Wattımetro analogico - W2
1.4 Afericao de sensores e instrumentos223
1.4.1 Afericao de voltımetro analogico223
1.4.2 Afericao de wattımetro223
1.4.3 Afericao de um transdutor analogico de corrente-tensao224
1.4.4 Afericao de um transdutor digital de temperaruta-tensao225
1.5 Pontes de corrente alternada225
1.5.1 Caracterısticas dos Componentes das Pontes225
1.5.2 Analise das Pontes CA226
1.5.3 Ponte de Maxwell226
1.6 Medicao das perdas e da curva de saturacao226
1.6.1 Perdas por histerese e por correntes induzidas de Foucault227
1.6.2 Curva de saturacao ou de magnetizacao sem histerese228
1.7 Circuito equivalente dos transformadores para instrumentos229
1.8 Projeto e especificacao de transformadores para instrumentos230
1.8.1 Projeto de transformadores230
1.8.2 Projeto de TP e TC230
1.9 Medidores de energia, demanda e fator de potencia231
1.9.1 Medicao do fator de potencia em circuitos trifasicos231
1.9.2 Metodo dos dois wattımetros231
1.9.3 Sistema trifasico a quatro fios232
1.9.4 Medicao de energia, demanda e FP232
1.10Medicao em circuitos trifasicos com transformadores para instrumentos233

CONTENTS 13

12.0.1 Exercıcios239

12 Analise eletromagnetica 239

13.1 O equilıbrio ecologico249
13.1.1 Introducao ao Metodo dos Mınimos Quadrados249
13.1.2 Caso Nao-Linear251
13.1.3 Definicao da funcao objetivo251
13.1.4 Descricao do algoritmo251
13.1.5 Montagem das matrizes252
13.2 Viabilidade tecnico economica252
13.3 Estudo de caso: um sistema rural alternativo252

13 Analise de viabilidade economica e ambiental 249

14.1 Declaracao de Brasılia dos integrantes do Sistema Confea/Creas257

14 CONTENTS 14 CONTENTS

Part I Conhecimentos tecnicos

Chapter 1 Grandezas eletricas fundamentais

“Em primeiro lugar temos de conhecer-nos e acostumar-nos a dialogar livremente conforme o grau de nossa cultura.” (J. Kentenich)

A eletricidade e uma forma de energia, um fenomeno que e um resultado da existencia de cargas eletricas. A teoria de eletricidade e seu inseparavel efeito, magnetismo, e provavelmente a mais precisa e completa de todas as teorias cientıficas. O conhecimento da eletricidade foi o impulso para a invencao de motores, geradores, telefones, radio e televisao, raios-X, computadores e sistemas de energia nuclear. A eletricidade e uma necessidade para a civilizacao moderna.

1.1 Corrente eletrica I

Proximo do ano 600 AC., os gregos descobriram uma peculiar propriedade do ambar (um mineral translucido, quase amarelo). Quando esfregado com um pedaco de pelo de animal, o ambar desenvolve a habilidade para atrair pequenos pedacos de plumas. Por seculos essa estranha e inexplicavel propriedade foi associada unicamente ao ambar.

Dois mil anos depois, no seculo XVI, William Gilbert provou que muitas outras substancias sao “eletricas” (palavra originaria do termo em grego para ambar, elektron) e que elas podem apresentar dois efeitos eletricos. Quando friccionado com peles o ambar adquire uma “eletricidade de resina”, entretanto o vidro quando friccionado com a seda adquire o que eles chamaram de “eletricidade vıtrea”, o que eles descobriram foram as cargas positivas e negativas. Eletricidade repele o mesmo tipo e atrai o tipo oposto. Cientistas pensavam que a friccao realmente criava a eletricidade, porem eles nao notavam que uma igual quantidade de eletricidade oposta ficava na pele ou na seda.

Durante muitos seculos, a humanidade interrogou-se sobre a estrutura da materia.

A possibilidade que a eletricidade nao consista de um uniforme e contınuo fluido provavelmente ocorreu a muitos cientistas. Mesmo Franklin, uma vez, escreveu que o “fluido” consiste de “partıculas extremamente sutis”.

Todavia, uma grande quantidade de evidencias tinham se acumulado antes da eletricidade ser aceita como formada por minusculas partıculas, quantidades discretas, e nao mais como um fluido, quando vista microscopicamente. James Clerk Maxwell se opos a teoria corpuscular. Por volta do fim do seculo XIX, entretanto, o trabalho de Sir Joseph John Thompson (1856-1940) e outros provaram a existencia do eletron.

18 CHAPTER 1. GRANDEZAS ELETRICAS FUNDAMENTAIS

Thompson tinha medido a proporcao da carga do eletron para a sua massa. Entao em 1899 ele deduziu um valor para a carga eletronica pela observacao do comportamento de uma nuvem de minusculas partıculas de agua carregadas em um campo eletrico. Essa observacao conduziu ao Experimento da Gota de Oleo de Millikan.

Robert Millikan, um fisicista da Universidade de Chicago, com a assistencia de um estudante Harvey

Fletcher, procuraram medir a carga de um unico eletron, um objetivo ambicioso em 1906. Uma minuscula gotinha com um pequeno excesso de eletrons foi formada forcando o lıquido atraves de um dispositivo especial. A gota foi entao, em verdade, suspendida, com um campo eletrico atraindo para cima e a forca gravitacional puxando para baixo. Para a determinacao da massa da gota de oleo e do valor do campo eletrico, a carga na gota foi calculada. O resultado: a carga do eletron e e negativa e tem como valor

Millikan tambem determinou que as cargas sempre aparecem com um valor de mais ou menos e, em outras palavras, a carga e quantizada. Outras partıculas elementares descobertas depois tiveram tambem suas cargas determinadas e foi possıvel notar que seguiam esta mesma caracterıstica. Por exemplo, o Positron, descoberto em 1932 por Carl David Anderson do Instituto de Tecnologia da California, e exatamente a mesma do eletron, exceto que esta e positiva.

A maior parte da materia, em geral, e neutra. A tendencia e que para cada proton (carga positiva) no atomo, para este ser eletricamente neutro, deve existir um eletron (carga negativa), e a soma das cargas deve ser nula. Em 1911, Ernest Rutherford propos um modelo para o atomo. Ele sugeriu que os eletrons orbitavam um nucleo carregado, com um diametro de 10−14 metros, da mesma forma que os planetas orbitavam o Sol. Rutherford tambem sugeriu que o nucleo era formado por protons, sendo que cada um teria uma carga de +e.

Essa visao da materia, ainda considerada correta em muitos casos, estabilizou a forca eletrica que mantem um atomo unido. Depois que Rutherford apresentou seu modelo atomico, o fisicista dinamarques Niels Bohr propos que os eletrons ocupam apenas certas orbitas em torno do nucleo, e que outras orbitas sao impossıveis.

Hoje sabemos que a materia e constituıda por atomos. Existem mais de cem tipos de atomos diferentes na natureza ou produzidos em laboratorio pelos cientistas. Cada tipo de atomo constitui o que se chama de Elemento Quımico. O oxigenio e um elemento, o cloro tambem, assim como o hidrogenio.

Se pudessemos ver um atomo, constatarıamos que ele e formado por um nucleo e varias partıculas girando ao redor dele: os eletrons. De certa maneira, lembra o nosso sistema solar, com o sol no centro e os planetas girando em sua volta. Se bem que essa semelhanca seja apenas formal, permite compreendermos como se forma a eletricidade.

Os cientistas observaram que as forcas atomicas de atracao entre o nucleo e os eletrons sao distintas das forcas gravitacionais, presentes no sistema solar. Elas foram denominadas de forcas eletricas, e associadas a cargas eletricas. Por convencao, os eletrons foram denominados de carga negativa e o nucleo de carga positiva. Assim, os eletrons sao pequenas partıculas, dotadas de carga negativa, que giram em torno do nucleo, que e formado por protons, com carga eletrica positiva, e neutrons, com carga eletrica neutra.

Podemos concluir, de imediato, uma coisa muito importante: para que o atomo esteja em equilıbrio, isto e, seja neutro, a carga positiva deve ser igual a carga negativa. Resulta que o numero de protons que estao no nucleo e igual ao numero de eletrons que giram ao redor. Existem atomos que tem 1 proton e 1 eletron (hidrogenio), atomos que possuem 13 protons e 13 eletrons (alumınio), e assim por diante.

Os cientistas ja comprovaram que o proton e muito mais pesado que o neutron (pesa 1836 vezes mais).

O neutron pesa praticamente o mesmo que o eletron. A tıtulo de comparacao, podemos imaginar o atomo de ferro com 26 eletrons. Se cada eletron fosse do tamanho de uma bola de gude, o nucleo do atomo de

1.1. CORRENTE ELETRICA I 19 ferro pesaria tanto quanto uma locomotiva de 10 toneladas. Pode-se perceber que, praticamente toda a massa do atomo esta no seu nucleo.

Entretanto, a comparacao que acabamos de fazer nao pode ser feita em termos de carga eletrica.

Os cientistas denominaram forca eletrostatica a atracao entre eletrons (carga negativa) e protons (carga positiva). Como o proton e muito mais pesado, ele quase nao sai do lugar; e o eletron ‘caminha’ ao seu encontro.

Quando se estuda eletricidade, sao os eletrons que mais interessam. O nucleo nao tem muita importancia. Mesmo assim, nao sao todos os eletrons que interessam. Ha alguns eletrons que estao fortemente presos ao nucleo: sao os eletrons que estao proximos a ele. Porem, outros eletrons, que giram mais afastados de um atomo e pulam de um para outro atomo vizinho. Sao chamados, por isso, de eletrons livres. Estes eletrons e que interessam para os circuitos eletricos. Quando os eletrons livres passam de um atomo para o outro, temos uma corrente de eletrons. E a propria corrente eletrica dos circuitos e dos condutores.

Exemplo Considerando que num pedaco de ferro Fe, cada atomo possua um eletron livre. Se desejarmos ter a carga acumulada de -1C neste pedaco de ferro, qual a sua massa? Solucao: O numero de atomos sera

Sabemos que a massa atomica do Ferro de e 5,84 (ver tabela periodica). Assim, em 5,84g temos o numero de Avogadro 6,023 × 1023 atomos

Esta pequena massa tera a ‘incrıvel’ carga de 1 Coulomb. Verificaremos, no decorrer deste manual, que as cargas se distribuem numa pelıcula.

Vamos resumir uma reacao quımica muito conhecida: a eletrolise. A Eletrolise acontece quando se poem dois eletrodos (um positivo e um negativo) dentro do recipiente com agua e faz-se passar uma corrente eletrica entre eles. Aı, como eles se polarizam, eles acabam atraindo O2 para um dos eletrodos (o positivo - dado que o ıon oxigenio e negativo: O-) e H2 (porque o ıon hidrogenio e positivo: H+) para o outro (o eletrodo negativo). Pela passagem da corrente eletrica numa solucao aquosa de Na2SO4 ha decomposicao da agua, dando hidrogenio no catodo (polo negativo) e oxigenio no anodo (polo positivo). O volume do hidrogenio produzido e o dobro do volume de oxigenio. Dessa forma, pode-se separar o hidrogenio do oxigenio.

A eletrolise e o processo pelo qual uma corrente eletrica contınua (como aquela que provem de pilhas e baterias), passa entre dois eletrodos fixados em um recipiente, que contem o material a dissociar. Em seu percurso a eletricidade provoca a quebra das ligacoes quımicas das moleculas, liberando assim seus atomos constituintes. Atualmente a eletrolise da agua e o principal processo industrial para a obtencao de oxigenio!

Michael Faraday (1791-1867) foi o responsavel pela introducao no Conselho de Whewell (1833) de uma nova terminologia na quımica, que e empregada ate hoje, como eletrolise, ıons, anion, anodo, cation,

20 CHAPTER 1. GRANDEZAS ELETRICAS FUNDAMENTAIS

Figure 1.1: Michael Faraday (1791-1867) catodo, etc. Formulou as leis da eletrolise (1834) e, por isso, denominou-se faraday a quantidade de eletricidade necessaria para libertar um equivalente-grama de qualquer substancia. Definiu corrente eletrica como resultado da vibracao provocada pelas rapidas alternancias de tensao nas moleculas dos bons condutores (1838).

Quanto a indivisibilidade do atomo, parece haver sido o fısico frances Andre-Marie Ampere (1775-1836) o primeiro a propor, que o atomo era constituıdo de partıculas subatomicas, na tentativa de explicar o elemento boyleano. Mais tarde, o fısico alemao Gustav Theodor Fechner (1801-1887) propos o modelo de que o atomo consistia de uma parte central massiva que atraia gravitacionalmente uma nuvem de partıculas quase imponderaveis. No entanto, as experiencias realizadas sobre fenomenos eletromagneticos, realizadas a partir do trabalho do fısico dinamarques Hans Christian Oersted (1777-1851) e do proprio Ampere sobre cargas eletricas circulando em fios condutores, fizeram com que os cientistas cada vez mais ficassem convencidos de que o atomo possuıa constituintes portadores de carga eletrica. Desse modo, o fısico alemao Wilhelm Eduard Weber (1804-1891) propos que no modelo de Fechner, as partıculas imponderaveis, que envolviam a parte central do atomo, eram partıculas eletrizadas atraıdas por esse “nucleo”, naturalmente, por uma forca eletrica.

A primeira evidencia experimental sobre a estrutura do atomo foi verificada pelo fısico e quımico ingles

Michel Faraday (1791-1867) ao descobrir o fenomeno da eletrolise, isto e, a acao quımica da eletricidade. Em sua experiencia, Faraday observou que a passagem da corrente eletrica atraves de solucoes quımicas, por exemplo nitrato de prata, fazia com que os metais de tais solucoes se depositassem nas barras metalicas (eletrodos: catodo e anodo) introduzidas nessas solucoes. Essa evidencia sobre a estrutura atomica foi corroborada com a teoria ionica desenvolvida pelo quımico sueco Svante August Arrhenius (1859-1903), segundo a qual os ıons que constituıam a corrente eletrica atraves da solucao, no fenomeno da eletrolise, nada mais eram que atomos carregados de eletricidade.

Os geradores nao criam eletrons

Ja vimos como ocorre a corrente eletrica nos circuitos condutores. Os eletrons que estao fracamente presos ao nucleo ou ao atomo podem escapar e saltar para um atomo vizinho (da direita, por exemplo), liberando espaco para um outro eletron que vem de outro atomo vizinho (da esquerda). Em consequencia disso, temos possibilidade de obter um numero muito grande de eletrons ‘caminhando’. Os eletrons livres saltam de um atomo para outro atomo e podem continuar o seu movimento para mais outro atomo, formando a corrente eletrica.

Porem, surgem duas perguntas: O que faz os eletrons andarem? E de onde vem e para onde vao os eletrons nas extremidades dos condutores ou dos circuitos? Vamos pesquisar um pouco sobre isto.

Antes de mais nada, lembremo-nos da lei de Lavoisier: Na natureza nada se cria, tudo se transforma.

E assim tambem acontece com os eletrons. Os eletrons nao saem e nao retornam ao nada. Eles tem uma origem e um destino: o gerador. Os geradores nao sao maquinas de eletrons, mas apenas trocadores de eletrons com o circuito. Impulsionam eletrons num terminal e retiram no outro.

Denomina-se potencial eletrico a capacidade de um gerador fazer circular uma corrente eletrica num circuito. O que interessa para o movimento de eletrons e sempre a diferenca de potencial. Se essa nao

1.1. CORRENTE ELETRICA I 21 existir, os eletrons nao ‘andam’.

1.1.4 Convencao de corrente eletrica

No interior do gerador eletroquımico os ıons positivos se deslocam em sentido contrario aos eletrons do circuito, de modo que: a) no eletrodo positivo - forma-se uma reacao que combina os eletrons livres do circuito com os ıons positivos da solucao. b) no eletrodo negativo - forma-se uma reacao com os ıons negativos da solucao, liberando eletrons livres para o circuito eletrico.

Estabeleceu-se que o sentido da corrente eletrica seria dos ıons positivos no interior da solucao. Assim, no circuito a corrente eletrica teria o sentido do anodo (positivo) para o catodo (negativo).

1.1.5 Unidade de medida de corrente eletrica

Muitas grandezas possuem varias unidades de medida. A temperatura, por exemplo, pode ser expressa em graus Celsius, Farenheit ou Kelvin. A pressao em Pascal, libras, kg por centımetro quadrado e muitas outras. Ja a corrente eletrica e expressa sempre em Ampere e seus sub-multiplos: mili (m), micro, kilo (k) ou mega (M).

Uma carga eletrica em movimento e denominada corrente eletrica. Denomina-se corrente eletrica a relacao entre o fluxo de cargas eletricas ∆Q que atravessa uma superfıcie transversal do condutor S em um determinado ponto (secao de um fio), pelo intervalo de tempo ∆t.

A unidade de corrente e o Ampere. A intensidade de corrente de 1 Ampere, ou ‘A’, e a quantidade de carga de 1 Coulomb que passa na secao de um fio durante o intervalo de tempo de 1 segundo. Assim: 1 Ampere e igual a 1 Coulomb/s.

1.1.6 Hora de praticar

sendochegou a hora de praticar.

O que e mais importante - a teoria ou a pratica? Talvez possamos citar varios exemplos a favor de uma ou de outra. Entretanto, e certo que, sem uma das duas, os conhecimentos nao podem ser transmitidos e nem aplicados a tecnologia. No mercado de trabalho a teoria e a pratica sempre se fazem presentes, a ponto de, se o concorrente a vaga de trabalho nao tiver QI (Quem Indica) ele devera passar por testes e estagios, para as empresas (a sociedade) selecionar a pessoa adequada a cada tarefa. Embora estejamos ou nao de acordo com a competicao na sociedade moderna, somos certamente unanimes para concluir que para uma sociedade desenvolvida cultural, tecnica, e economicamente, a pratica e fundamental. Assim

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