Metabolismo de Lipídeos

Metabolismo de Lipídeos

(Parte 6 de 11)

C. Reações do complexo ácido graxo sintase

A produção de ácidos graxos de cadeia longa (ácido palmítico) a partir da malonil−CoA envolve o sistema multienzimático denominado complexo ácido graxo sintase, constituído por seis enzimas que catalisam etapas sucessivas da síntese. As proteínas enzimáticas do complexo estão unidas entre si, operando a seqüência de forma eficiente e regulada. Portanto, apesar de cada reação ser examinada separadamente, elas estão intimamente integradas.

BiotinCOO + CH C SCoA OOC CH C SCoA + Biotina

Acetil-CoA Malonil-CoA

O O 32 Biotina

284 • Motta • Bioquímica

Na biossíntese dos ácidos graxos é necessário que todos os intermediários acílicos participantes do processo liguem-se como tioésteres, à proteína transportadora de acila (ACP, acil carrier protein) cujo grupo prostético, a 4′−fosfopanteteína, também está presente na estrutura da coenzima A.

Quadro 10.1 Triclosan

Muitos cosméticos, dentifrícios, desodorantes, sabões antisépticos, brinquedos para bebes, alguns tapetes e utensílios domésticos contém o composto 5-cloro-2-(2,4- diclorofenóxi)fenol, mais conhecido com triclosan:

O Cl OH

Cl Cl

Esse composto é usado a mais de 30 anos como agente antibacteriano. O triclosan atua como um antibiótico com alvo bioquímico específico: uma das enzimas da síntese dos ácidos graxos (nas bactérias, as enzimas de síntese são proteínas separadas e não parte de um complexo multienzimático).

O triclosan inibe a enoil-ACP texto). A síntese dos ácidos grax sobrevivência das bactérias. No sí dos anéis fenil do triclosan, c intermediário da reação, permane cofator NADPH. O triclosan também de van der Waals e pontes de hi aminoácidos no sítio ativo. Alguma resistentes ao triclosan apresentam desses contatos.

A ação específica do triclosa enzima da síntese de ácidos gra variedades de bactérias resistentes está sujeito aos mesmos inco antibióticos –a resistência por mei ampla utilização do triclosan aum resistência gênica e, portanto, o se antimicrobiano.

As etapas catalisadas pelas seis enzimas do complexo ácido graxo sintase que convertem a acetil-CoA e a malonil−CoA em ácido palmítico são descritas a seguir.

1. Condensação da acetil e malonil. Inicialmente, o grupo acetil da acetil−CoA é transferido para a enzima 3-cetoacil-ACP-sintase em reação catalisada por uma das seis enzimas do complexo, a acetil−CoA−tran saci lase. A seguir, o grupo malonil da malonil-CoA é transferido para o grupo –SH da ACP pela ação da malonil−transacilase.

HSCH CH N C CH CH N C C C CH O P O22222

O O H CH3 O H OH CH3 O

Proteína transportadora de acila (ACP)

HSCH CH N C CH CH N C C C CH O P O P 2

O O H CH3 O

H OH CH3 O

O Coenzima A

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O grupo malonil da malonil−ACP condensa com o grupo acetil ligado à enzima 3−cetoacil−ACP−sintase (por meio da Cys) para formar acetoacetil−ACP em reação irreversível.

Enzima SH C O

CH3

CH2

CH2 C O

CH3

Enzima S

Acetoacetil-ACPAcetil-EnzimaMalonil-ACP

CO2

+3-Cetoacil- ACP-sintase

286 • Motta • Bioquímica

Figura 10.8 Operação do complexo ácido graxo sintase. Biossíntese de butiril-ACP a partir de acetil−ACP e malonil−ACP.

CHC SCoA OOC CH C SCoA

Acetil-CoAO Malonil-CoA

Transacilase Transacilase

Sintase

HSCoA HSACP HSCoA

CHC S Cys OOC CH C SACPO

Malonil-ACP32

CO2 3-Cetoacil-ACP-sintase

CHC CH C SACP32

Acetoacetil-ACP

3-Cetoacil-ACP-redutase H + NADPH+

CHC CH C SACPO

Crotonil-ACP 3-Hidroxiacil-ACP-desidratase

CHC C C SACP3

Hidroxibutiril-ACP

3-Enoil-ACP-redutase H + NADPH+

CHCH CH C SACP3O

2 Butiril-ACP

CH CH(CH ) C SACP3O

21 32 Palmitoil-ACP

Palmitoil-tioesterase HSACP

H O2

CH CH(CH ) C O3O

(+ 6 ciclos)

Sintase

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