Vias de administração de medicamentos - Via Oral

Vias de administração de medicamentos - Via Oral

Via oral:

Caracterizada pela ingestão pela boca. Esta via é considerada a mais conveniente para administrar-se um medicamento, devido ao fato de que a deglutição é um ato natural, realizado todos os dias nas refeições.

Os medicamentos administrados por via oral são engolidos da mesma forma que os alimentos, para que as substâncias neles presentes, à semelhança do que acontece com os nutrientes, passem para o tubo digestivo e sejam absorvidas através da mucosa gástrica e, sobretudo, do intestino, de modo a chegarem à circulação sanguínea e serem distribuídos pelo organismo até alcançarem o sector onde têm de cumprir a sua missão. Como esta forma de administração apresenta inúmeras vantagens, devido à sua simplicidade e ao fato de não necessitar de qualquer equipamento ou assistência especiais, é a mais utilizada nos tratamentos ambulatórios em que a terapêutica depende do próprio paciente ou das pessoas que cuidam dele.

Dado que as características da mucosa digestiva permitem a adequada absorção de inúmeras substâncias, a maioria dos medicamentos disponíveis pode ser administrada por via oral, visto que se pode administrar por esta via as formas farmacêuticas sólidas (cápsulas, comprimidos, pastilhas, pílulas) e as líquidas (soluções, essências, xaropes).

As medicações para administração oral são disponíveis em muitas formas: comprimidos, comprimidos de cobertura entérica, cápsulas, xaropes, elixires, óleos, líquidos, suspensões, pós e grânulos.( Enfermagem Básica, Ed Reedel, 1999 )

Como alguns medicamentos tomados por via oral podem tornar-se irritantes para o estômago ou serem desativados pelo suco gástrico, os que evidenciam estas características são protegidos por um revestimento especial, denominado revestimento entérico , que não é alterado durante a sua passagem pelo estômago, chegando completo ao intestino, onde se desintegra e liberta o seu conteúdo. Este revestimento apenas é eficaz se estiver intacto no momento da sua ingestão.

A absorção começa na boca e no estômago, mas efetua-se principalmente no intestino delgado. Para chegar à grande circulação, o fármaco primeiro tem de atravessar a parede intestinal e depois o fígado. A parede intestinal e o fígado alteram quimicamente (metabolizam) muitos fármacos, diminuindo a quantidade absorvida.

Alguns fármacos administrados por via oral irritam o trato gastrointestinal e podem danificar o revestimento do estômago e do intestino delgado, favorecendo assim o desenvolvimento de úlceras, como, por exemplo, a aspirina e muitos outros anti-inflamatórios não esteróides. A absorção de certos fármacos no trato gastrointestinal pode ser limitada ou irregular, ou podem destruir-se no estômago devido ao meio ácido e aos enzimas digestivos. Apesar destas limitações, a via oral usa-se mais que as outras vias de administração de fármacos. As outras vias reservam-se geralmente para os casos em que um indivíduo não possa ingerir nada por via oral ou quando um fármaco tem de ser administrado com rapidez, em dose muito precisa, ou quando se trata de um fármaco cuja absorção é limitada e irregular.

Está contra-indicada em pacientes em condições inadequadas como vômitos, síndrome de má absorção e inconsciência.

A absorção de substâncias pelo TGI é em sua maior parte explicável em termos de simples difusão de formas lipossolúveis não ionizadas. Mas ocorre também transporte ativo de certas substâncias, como glicídios, íons inorgânicos e orgânicos, etc. O epitélio é pouco ou nada permeável às formas ionizadas das drogas.

4- Via Oral

4.1- Vantagens

- Conveniência

- Economia

- Segurança

- Menor tendência de ocorrerem reações alérgicas

4.2- Limitações da Via Oral

- Tende a haver um retardo na absorção da droga (média de 30 a 60 minutos)

- Inativação metabólica ou formação de complexos

- Espectro de reações adversas: do início ao fim do trato gastro-intestinal

TÉCNICA

Os medicamentos administrados por via oral devem ser introduzidos na boca e engolidos, para que possam passar para o tubo digestivo. Como estes medicamentos devem ser tomados numa posição vertical, caso o paciente esteja deitado deve-se sentar ou, no mínimo, manter-se direito durante alguns momentos. Embora a deglutição das formas líquidas não seja complicada, deve-se tomar as formas sólidas com um pouco de líquido. Todavia, deve-se ter em conta que, apesar de alguns medicamentos poderem ser tomados com sumos ou leite, deve-se sempre assegurar em cada caso específico que o produto utilizado não perde efeito com o mesmo - neste caso, apenas se deve utilizar água.

Caso a pessoa tenha dificuldade em engolir uma forma sólida, como acontece com muitos idosos, deve-se colocar o medicamento na parte posterior da língua, com o intuito de se estimular melhor o reflexo de deglutição. Embora se possa facilitar a administração de uma forma sólida ao proceder-se à trituração do produto, é um recurso que não pode ser feito em todos os casos, já que apenas se pode triturar os comprimidos não protegidos e as cápsulas que não sejam constituídas com um revestimento entérico (moles), não se devendo abrir as drageias com protecção entérica (duras), porque o seu conteúdo deve chegar intacto ao intestino delgado.

Como os bebês mais novos costumam ter dificuldade em engolir medicamentos sólidos, costuma-se recorrer a produtos líquidos, como xaropes. Quando se administra um produto líquido, deve-se verter o produto para um recipiente graduado ou uma colher doseadora, de modo a comprovar-se que a dose é a correcta, colocando-a ao nível dos olhos. Caso exista líquido em excesso, este deve ser deitado fora, sem nunca se devolver o medicamento ao frasco.

Em caso de lactentes, pode-se facilitar a administração através da utilização de uma seringa descartável. Neste caso, deve-se igualmente precisar a dose, ao aspirar-se a quantidade oportuna da embalagem e comprová-la ao nível dos olhos, deitando-se fora o restante. Depois de se tirar a agulha, deve-se colocar a extremidade da seringa na boca, introduzindo-a entre o lábio e a zona dos dentes molares, de modo a se instilar lentamente o produto. Deve-se igualmente manter a cabeça do bebé levantada, de modo a evitar a passagem do medicamento líquido para as vias respiratórias e o consequente quadro de aspiração pulmonar.

Caminhos dos fármacos:

Depois da ingestão, o fármaco passa pelo sistema gastrointestinal. A maioria das drogas, é feita para serem ativas dentro do estômago, porém existem as que são manipuladas para desintegrar-se na alcalinidade do intestino delgado.

As drogas são absorvidas e deste modo podem atravessar uma série de barreiras fisiólogicas.

Desvantagens:

Irritação gástrica

Interação com alimentos

Necessidade da boa vontade do paciente

Vantagens:

É um meio barato

Auto-ingestão

Indolor

Possibilidade de reversão da administração

Exemplo: Dipirona Gotas

cada 1 ml contém: dipirona 0,50 g.

Via Bucal e sublingual:

Via bucal é uma via de administração aplicada no interior das bochechas. Não é quase utilizada, salvo para administração de efeitos locais.

Bucal e/ou Sublingual - Administra-se o medicamento na cavidade oral para obter um efeito sistêmico ou local.

- Principalmente para obtenção de efeitos locais

- Em alguns casos para evitar inativação pelo suco gástrico

- Cavidade oral: fino epitélio rico em vasos proporcionando absorção adequada e superficial

- Formas farmacêuticas como soluções aquosas ou oleosas, colutórios, pastilhas podem ser administrados por esta via

- Riscos: absorção sistêmica de drogas que se destinam a produção de efeitos locais e sensibilização do paciente

VIA BUCAL/SUB-LINGUAL - VANTAGENS

(mucosa oral e sub-lingual)

  • Fácil acesso e aplicação

  • Circulação sistêmica

  • Latência curta

  • Emergência

Formas farmacêuticas: comprimidos, pastilhas, soluções, aerossois, etc...

VIA BUCAL/SUB-LINGUAL - DESVANTAGENS

  • Pacientes inconscientes

  • Irritação da mucosa

  • Dificuldade em pediatria

Via bucal:

Absorção moderada;

Local: entre a bochecha e as

gengivas;

Orientação: não engolir a medicaçao.

Deixar dissolver lentamente na boca

Via sublingual:

Rápida absorção;

Absorção: vasos sanguíneos do dorso da

língua;

Não sofre metabolismo de 1ª passagem;

Evita a inativação pelo suco gástrico;

Orientação: não engolir a medicaçao ;

Exemplos: Isordil (Nitrato);

Desvantagens: pouca disponibilidade

Farmacêutica.

Via Sublingual

Alguns medicamentos são colocados debaixo da língua para serem absorvidos diretamente pelos pequenos vasos sangüíneos ali situados. A via sublingual é especialmente boa para a nitroglicerina, que é utilizada no alívio da angina (dor no peito), porque a absorção é rápida e o medicamento ingressa diretamente na circulação geral, sem passar através da parede intestinal e pelo fígado. Mas a maioria dos medicamentos não pode ser administrada por essa via, porque a absorção é, em geral, incompleta e errática.

ISORDIL®

Dinitrato de isossorbida

sublingual 2,5 mg - caixa c/ 30 comp. de cor amarela. sublingual 5 mg - caixa 30 comp. de cor rosa. oral 5 mg - caixa c/ 30 comp. de cor rosa. oral 10 mg - caixa c/ 30 comp. de cor branca. AP 40 mg (Ação Prolongada) - caixa c/ 30 cáps.

Via Intracanal:

Via de uso odontológico exclusivo para obtenção de efeito local de fármacos junto ao canal radicular e zona pulpar. Apesar dos dentes estarem incluídos na cavidade oral, considera-se a via intracanal como parenteral pelo fato do fármaco estar sendo administrado em área pulpar, não mais considerada como pertencente ao trato digestivo. A cavidade pulpar recebe irrigação de vasos sanguíneos e linfáticos possuindo também terminações nervosas. Dependendo do estado da doença dentária, tamanho molecular do fármaco e extensão da preparação biomecânica, os medicamentos podem alcançar a corrente sanguínea ( CASTRO & COSTA,1999 ).

Medicação intracanal anti-séptica (tricresol formalina, formocresol, paramonocloro-

fenol canforado) é colocada na câmara pulpar e o dente é provisoriamente selado.

O hidróxido de cálcio é a medicação intracanal mundialmente mais empregada, pois agrega o maior número de propriedades desejáveis. (Estrela, 2004; Barreto et al., 2005; Siqueira Júnior et al., 2001; Camargo et al., 2003) Quando em contato direto com o tecido conjuntivo organizado, como polpa ou ligamento periodontal, o hidróxido de cálcio estimula a neoformação de dentina e cemento respectivamente.( Lopes e Siqueira, 2004).

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