Estudos Litoestratigráficos e Mapeamento de Porção Extremo Oeste da Bacia Potiguar, Tabuleiro do Norte – CE.

Estudos Litoestratigráficos e Mapeamento de Porção Extremo Oeste da Bacia...

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Elaborou-se um modelo digital do terreno a partir de imagens Aster DEM e software GIS para uma visualização tridimensional do mapa geológico elaborado (anexo I) pelo mapeamento na escala de 1:50.0 da Área V (Figura 3.31).

Figura 28 – Estereograma com atitudes dos planos de falha encontrados nos milonitos do embasamento no afloramento 48.

Figura 29 – Diagrama de roseta mostrando que a orientação preferencial das falhas encontradas nos milonitos do embasamento do afloramento 48 tem orientação preferencial NW-SE.

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Figura 3.30 – Diagrama de roseta com dados de lineamentos extraídos a partir de fotointerpretação e imagens de satélite Landsat7 TM em toda Área V. Foram identificadas 185 lineamentos estruturais na área.

Figura 3.31 – Modelo Digital do Terreno produzido a partir do mapa geológico confeccionado em campo e de imagens de satélite Aster DEM.

Capítulo IV -

Considerações Finais

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Considerações Finais

Este relatório finaliza as atividades desenvolvidas na disciplina de Campo I, onde, inicialmente, foi realizada uma etapa pré-campo, cujo foco foi a interpretação de fotografias aéreas e a confecção de mapas de localização, de zonas homólogas, de drenagens e de lineamento, bem como, a realização de viagens expositivas a fim de se fazer uma síntese sobre os litotipos aflorantes da bacia e suas características gerais. Posteriormente, foi realizada etapa de campo que possibilitou a obtenção de informações para a caracterização das fácies quanto à granulometria, estruturas sedimentares e, quando possível, a medição de parâmetros estruturais e sentido de paleocorrentes. Estes dados foram cruciais para a interpretação dos sistemas deposicionais. Finalmente, na etapa de pós-campo foi feito o relatório e confeccionado o mapa litológico da área.

Através da associação das fácies sedimentares foi possível caracterizar os sistemas deposicionais da área. O estudo das fácies foi baseado nas observações coletadas em campo, como aspectos composicionais, de coloração, texturais, paleocorrentes e coloração das rochas aflorantes, bem como da análise e descrição dos eventos diagenéticos ocorridos. Tal estudo permitiu tecer para a área mapeada uma série de considerações relatadas a seguir.

A área em estudo é caracterizada pela presença de rochas das Formações Açu e

Jandaíra, capeadas por coberturas sedimentares quaternárias representadas por depósitos aluvionares antigos que recobrem, principalmente, rochas da Formação Açu e sedimentos lateríticos (derivados da Formação Jandaíra). Mais jovens que estes, foram individualizados os sedimentos aluvionares cuja ocorrência está relacionada com o preenchimento de canais, tendo como principais os córregos Belém e Lagoinha. Outro correlato depósito contemporâneo a este, é o lacustre recente, ocorrendo basicamente preenchendo a Lagoa do Tapuio, que está instalada em zonas de falhamentos que marcam o contato entre as rochas sedimentares da Bacia Potiguar e as rochas do embasamento cristalino.

A partir da identificação das rochas sedimentares e sedimentos da região foram realizadas as descrições faciológicas que possibilitaram a individualização de seis unidades litofaciológicas denominadas de fácies: A,B,C,D,E e F.

Para a Formação Açu foram identificadas quatro fácies: A e B, como sendo rochas que foram depositadas por um sistema fluvial meandrante (arenito arcosiano

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Capítulo IV - Considerações Finais Página 41 conglomerático) e entrelaçado (arenito argiloso com estratificações cruzadas acanaladas); e C e D, onde pode-se inferir um sistema deposicional do tipo estuarino como sendo responsável pela deposição dos litotipos (arenito calcífero e folhelhos e siltitos argilosos, respectivamente).

No tocante a Formação Jandaíra, foi convencionada uma única fácies (E), representada por pacotes de calcissiltitos (com biolcastos) e calcilutitos com estilólitos e sigmóides de maré, por vezes sofendo dolomitização. Ambos constituindo depósitos de planície de maré.

No que diz respeito aos depósitos quartenários, a fácies F trata-se de depósitos quaternários recentes constituídos por depósitos aluvionares antigos, compostos essencialmente por sedimentos silicilásticos variando de argila à areia média; depósitos lacustres recentes, com sedimentos que variam de argila à areia grossa; depósitos aluvinares recentes, formados principalmente por sedimentos argilo-arenosos de composição siliciclástica; depósitos de canga (crosta laterítica).

O arcabouço estrutural da Bacia Potiguar compreende o desenvolvimento de falhas distensivas impostas sobre planos de fraqueza das zonas de cisalhamento brasilianas. Exibe configuração em semi-graben basculados, de orientação aproximadamente NE-SW, na porção central, e mais meridionalmente sistemas de falhas com orientação NW-SE. Os lineamentos analisados mostraram majoritária ocorrência nas direções NE-SW e, secundariamente, direções NW-SE. Deste modo, é possível inferir que os planos de ruptura identificados estão intimamente controlados pelo sistema de falhas do graben da bacia. Esta tectônica regional controlou ainda o sentido das paleocorrentes que, na área de estudo, convergiam todas para direção NE-SW, indo de encontro ao depocentro da Bacia Potiguar.

Capítulo V –

Referências Bibliográficas

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