Vigilância global prevenção e controlo das doenças respiratórias crónicas uma abordagem integradora

Vigilância global prevenção e controlo das doenças respiratórias crónicas uma...

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Dessas pessoas, mais de 500 milhões vivem em países de baixos ou médios rendimentos ou pertencem a populações desfavorecidas.

As doenças respiratórias crónicas são responsáveis por quatro milhões de mortes anualmente.

Tendo por base o DALY, calcula-se que, em 2006, o peso das doenças respiratórias crónicas representasse 4% do peso global e 63% do peso das doenças crónicas.

A prevalência das doenças respiratórias crónicas evitáveis está a aumentar, sobretudo entre as crianças e os idosos.

O impacto das doenças respiratórias crónicas evitáveis tem efeitos adversos graves na qualidade de vida e na defi ciência dos indivíduos afectados.

Muitos factores de risco das doenças respiratórias crónicas evitáveis foram já identifi cados, tendo sido criadas medidas preventivas efi cazes.

Está provado que planos de gestão efi cazes reduzem a morbilidade e mortalidade causadas pelas doenças respiratórias crónicas.

Os planos de prevenção e gestão das doenças respiratórias crónicas são fragmentados e necessitam de ser coordenados.

De um modo geral, a saúde do mundo está a melhorar. Existem menos pessoas a morrer de doenças infecciosas e, em muitos casos, as pessoas vivem o sufi ciente para desenvolverem doenças crónicas (1).

As doenças respiratórias crónicas e as doenças crónicas das vias respiratórias e de outras estruturas dos pulmões representam uma vasta gama de doenças graves. As principais doenças respiratórias crónicas evitáveis incluem a asma e as alergias respiratórias, a doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC), doenças pulmonares ocupacionais, síndrome de apneia do sono e hipertensão pulmonar. Constituem um grave problema de saúde pública em todos os países do mundo, sobretudo naqueles com baixos e médios rendimentos e no caso das populações desfavorecidas.

Centenas de milhões de pessoas de todas as idades, em todos os países do mundo, são afectadas por doenças respiratórias crónicas evitáveis. Dessas pessoas, mais de 50% vivem em países de baixos ou médios rendimentos ou pertencem a populações desfavorecidas. A prevalência de doenças respiratórias crónicas evitáveis está a aumentar em todo o mundo, sobretudo entre as crianças e os idosos.

O impacto das doenças respiratórias crónicas evitáveis tem efeitos adversos graves na qualidade de vida e na defi ciência dos indivíduos afectados. As

doenças respiratórias crónicas evitáveis provocam morte prematura. Além disso, a nível económico, têm efeitos adversos graves, se bem que menosprezados, nas famílias, comunidades e sociedade em geral.

Estão já identifi cados muitos factores de risco das doenças respiratórias crónicas evitáveis:

Fumo de tabaco e outras formas de poluição em espaços fechados, sobretudo em países de baixos e médios rendimentos.

Alergénios. Agentes ocupacionais.

Doenças, nomeadamente a schistosomíase ou a doença falciforme.

Viver a elevada altitude.

A prevenção destes factores de risco terá um impacto signifi cativo na morbilidade e mortalidade. Existem medidas preventivas efi cazes. No entanto, as doenças respiratórias crónicas evitáveis e os seus factores de risco não são alvo de atenção sufi ciente por parte dos profi ssionais de saúde, dos governos e dos doentes e suas famílias, bem como dos media (Tabela 1). As doenças respiratórias crónicas evitáveis são subvalorizadas e insufi cientemente diagnosticadas, tratadas e evitadas.

Barreiras que aumentam o peso das doenças respiratórias crónicas

Está provado que diversas barreiras reduzem a disponibilidade, acessibilidade económica, divulgação e efi cácia de uma gestão optimizada das doenças respiratórias crónicas (13-15):

Países de baixos e médios rendimentosPaíses de altos rendimentos

Prioridade insufi ciente

Em muitos países de baixos ou médios rendimentos, os sistemas de cuidados de saúde concentram as suas atenções nas doenças contagiosas e nas lesões. As infra-estruturas para o diagnóstico e tratamento das doenças respiratórias crónicas ou não existem ou não são consideradas prioritárias nos planos de saúde pública.

Em termos de gestão de saúde pública, as doenças respiratórias crónicas geralmente são independentes das doenças contagiosas, existindo estruturas para combater os dois tipos de doenças. Existem alguns programas nacionais bem-sucedidos de combate às doenças respiratórias crónicas. No entanto, não são abrangentes (por exemplo, existem programas para lidar com a asma ou a DPOC), são fragmentados, precisam de ser expandidos e integrados num plano de acção único, e requerem maior coordenação. Além disso, as doenças respiratórias crónicas raramente fi guram nos planos de saúde pública.

Em termos de factores de risco das doenças respiratórias crónicas, os dados sobre o seu peso e vigilância são raros ou não se encontram disponíveis na maioria dos países. Assim, nos serviços de saúde e na sociedade, não existe consciência do verdadeiro peso das doenças respiratórias crónicas.

Os dados sobre os factores de risco das doenças respiratórias crónicas, o seu peso e a vigilância são fragmentados e costumam estar incompletos.

No caso das doenças respiratórias crónicas e da promoção da saúde em relação às doenças respiratórias crónicas, as estratégias para a prevenção são inexistentes ou rudimentares.

A sensibilização para as doenças respiratórias crónicas é francamente insufi ciente.

Tabela 1 Barreiras que aumentam o peso das doenças respiratórias crónicas

Países de baixos e médios rendimentosPaíses de altos rendimentos

Prevenção insufi ciente

A exposição aos factores de risco das doenças respiratórias crónicas, incluindo poluição atmosférica em zonas fechadas, utilização de combustíveis sólidos e consumo de tabaco, é elevada.

A prevenção e a promoção da saúde no caso das doenças respiratórias crónicas é francamente insufi ciente. Apesar de muitos dos factores de risco que criam predisposição para as doenças respiratórias crónicas serem evitáveis, as linhas de orientação e a legislação continuam a ser inadequadas em todo o mundo. A Convenção-Quadro para o Controlo do Tabaco tornou-se uma lei internacional, mas muitos países ainda não a ratifi caram. A 20 de Junho de 2007, dos 193 Estados-Membros da OMS, 148 países ratifi caram a Convenção.

Os sistemas de vigilância e os serviços de diagnóstico para as doenças respiratórias crónicas de origem laboral estão pouco desenvolvidos, e o verdadeiro peso da doença pulmonar ocupacional é praticamente desconhecido.

A asma está subdiagnosticada. Regra geral, existe um melhor controlo do que no caso de outras doenças respiratórias crónicas, mas muitos doentes não estão bem controlados.

A asma está quase sempre subdiagnosticada e subtratada (sobretudo no caso das crianças), provocando altos níveis de morbilidade e uma mortalidade signifi cativa.

A DPOC costuma estar subdiagnosticada e subtratada, e é geralmente induzida pelo fumo de tabaco.

Controlo desadequado

O peso de DPCO é muito elevado, sobretudo na Região do Pacífi co Ocidental.

A DPCO não é considerada uma doença sistémica. Não é avaliada como fazendo parte da vigilância às doenças sistémicas crónicas (que costumam incluir doenças cardiovasculares, cancro e doenças metabólicas).

A gestão de certas doenças, nomeadamente asma e DPOC, costuma centrar-se no tratamento de episódios agudos de exacerbações, e não no tratamento da doença crónica e na prevenção desses episódios agudos de exacerbações.

As doenças respiratórias crónicas de origem laboral deveriam ser mais bem identifi cadas, diagnosticadas e prevenidas.

Nalguns países, outros factores de risco adicionais, nomeadamente a altitude, parasitoses e anemia falciforme provocam formas específi cas de doenças respiratórias crónicas.

Nalguns países, poderá haver outras doenças respiratórias crónicas associadas à altitude.

Na maioria dos países, não estão disponíveis os testes de diagnóstico (por exemplo, espirometria) que são necessários para o diagnóstico e avaliação da gravidade das doenças respiratórias crónicas, o que provoca uma avaliação errada e o subdiagnóstico das doenças respiratórias crónicas.

É possível efectuar testes de função pulmonar nas consultas da especialidade e, em certos países, também a nível dos cuidados primários.

Os fármacos essenciais para o tratamento das doenças respiratórias crónicas não estão disponíveis ou são incomportáveis para a maioria da população dos países em desenvolvimento.

Os fármacos costumam estar disponíveis, mas nem todos podem comportar o seu custo.

É necessário fortalecer os programas de formação de profi ssionais de saúde nos cuidados e gestão dos doentes com doenças respiratórias crónicas.

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