Vigilância global prevenção e controlo das doenças respiratórias crónicas uma abordagem integradora

Vigilância global prevenção e controlo das doenças respiratórias crónicas uma...

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Deveria alertar-se a opinião pública para as doenças respiratórias crónicas

TABELA 1 (CONTINUAÇÃO)

As barreiras económicas e genéricas incluem a pobreza, falta de instrução, iliteracia, infra-estruturas defi cientes e falta de condições sanitárias.

As barreiras culturais incluem a multiplicidade de línguas, bem como as crenças religiosas e culturais.

As barreiras ambientais incluem o fumo do tabaco e outros poluentes em locais fechados, a poluição exterior, a exposição ocupacional e a nutrição. Nos países de baixos e médios rendimentos é habitual uma nutrição defi ciente, enquanto que a obesidade e o excesso de peso estão a aumentar em países de altos rendimentos e nas zonas urbanas dos países de baixos e médios rendimentos (16).

A disponibilidade e acessibilidade a fármacos e aparelhos costumam ser defi cientes. Em muitos países, continua a verifi car-se pouca acessibilidade a fármacos (17, 18), apesar da Iniciativa de Bamako, lançada há mais de quinze anos (19). Existe também falta de recursos para o diagnóstico das doenças respiratórias crónicas em países de baixos e médios rendimentos.

O potencial da medicina tradicional poderá estar a ser subestimado. Em muitos países, as medicinas alternativas e complementares são utilizadas com frequência. Em países de baixos e médios rendimentos, a medicina tradicional é extremamente importante e, frequentemente, a única terapia disponível (20). O tratamento com remédios tradicionais costuma ser o primeiro passo no tratamento de doenças, devido às crenças dos doentes e aos tabus, à inacessibilidade dos cuidados de saúde e ao custo elevado dos fármacos. Em muitos casos, a medicina tradicional e a medicina moderna têm trabalhado a par. Dado o elevado custo dos fármacos, a utilização de medicina tradicional apropriada foi promovida pela 55ª Assembleia da OMS. Infelizmente, não foram ainda efectuados ensaios controlados de grandes dimensões sobre a efi cácia dos remédios tradicionais no tratamento das doenças respiratórias crónicas.

Existem grandes diferenças nos sistemas de saúde. Essas diferenças verifi cam-se até nos países de altos rendimentos e são nitidamente mais marcantes entre os países de baixos e médios rendimentos (Caixas 2 e 3).

Em cenários de baixos rendimentos, é necessário pôr em prática as provas. Nos países de baixos e médios rendimentos, o fosso entre as provas e a prática, resulta em tratamentos pouco efi cazes (21). É necessário adequar as linhas de orientação a formatos adaptados especifi camente aos contextos e aos utilizadores (nomeadamente algoritmos, linhas de orientação e guias de desktop) (2, 23).

A formação de profi ssionais de saúde costuma ser problemática. Na maioria dos países de baixos rendimentos existe falta de pessoal especializado e, além disso, a rotatividade dos recursos humanos difi culta grandemente a formação (21).

Uma visão para o futuro: reduzir a mortalidade e aumentar a qualidade de vida

Os progressos recentes em saúde pública têm ajudado as pessoas em várias partes do mundo a ter uma vida mais longa e saudável. A utilização dos conhecimentos existentes tem levado a enormes melhorias na expectativa e na qualidade de vida das pessoas de meia-idade e dos idosos.

Em Preventing chronic diseases: a vital investment (1), sugere-se uma meta global para a prevenção de doenças crónicas, de modo a gerar as acções sustentáveis necessárias à redução do fardo da doença. O objectivo desta meta consiste na redução anual adicional de 2% nas taxas de mortalidade devidas a doenças crónicas, durante a década até 2015.

Os indicadores para a medição do êxito desta meta consistem no número de mortes evitadas, devidas a doenças crónicas, e no número de anos de vida saudável alcançados. Na sua maioria, as mortes evitadas devido a doenças crónicas específi cas teriam lugar em países de baixos e médios rendimentos. Calcula-se que as doenças cardiovasculares e o cancro sejam as doenças em relação às quais seriam evitadas mais mortes.

Caixa 3 Principais desvantagens na organização de serviços de cuidados de saúde em países de baixos rendimentos

Inacessibilidade dos serviços de prestação de cuidados de saúde (distância, falta de instalações ou instalações sem pessoal adequado).

Disparidades no estabelecimento e disponibilidade dos serviços de prestação de cuidados de saúde. Má qualidade ou falta de apoio técnico. Falta de pessoal especializado e inexistência de equivalência da formação entre os diversos países. Falta de permanência do pessoal especializado no mesmo local.. Fonte: adaptado da referência 13.

Caixa 2 Grupos distintos de pessoas com estatutos diferentes de cuidados de saúde, em países de baixos rendimentos

A heterogeneidade dos estilos de vida requer variedade na promoção da saúde, prevenção da doença e estratégias de controlo. Em países de baixos rendimentos, os grupos especiais que requerem atenção incluem:

Pessoas a viver em zonas urbanas, com altos rendimentos e um estilo de vida estável e sedentário, nomeadamente:

detentores de rendimentos elevados, capazes de custear exames de diagnóstico e tratamentos dispendiosos; funcionários públicos que são reembolsados por exames de diagnóstico e tratamentos; trabalhadores do sector industrial, agrícola ou de serviços que são reembolsados por exames de diagnóstico e tratamentos.

Desempregados ou pessoas pobres ou com poucos recursos fi nanceiros a viver em zonas urbanas, e pessoas de baixos rendimentos a viver em zonas suburbanas ou periurbanas.

Pessoas pobres a viver em zonas rurais. Fonte: adaptado da referência 13.

Respiratórias Crónicas (Global Alliance Against Chronic Respiratory Diseases – GARD)

A Global Alliance Against Chronic Respiratory Diseases (GARD) reúne organizações nacionais e internacionais, instituições e agências no combate às doenças respiratórias crónicas.

O objectivo da GARD consiste em reduzir o impacto global das doenças respiratórias crónicas. A GARD confere ênfase às necessidades dos países de baixos e médios rendimentos.

A 53ª Assembleia da OMS reconheceu o enorme sofrimento humano provocado pelas doenças crónicas. Assim, solicitou ao Director-Geral da OMS que concedesse prioridade à prevenção e controlo das doenças respiratórias crónicas, dando especial ênfase aos países de baixos e médios rendimentos e a outras populações desfavorecidas. Em colaboração com a comunidade internacional, a tarefa consistia em coordenar uma parceria global e alianças para a mobilização de recursos, defesa, criação de capacidades e pesquisa colaborativa (resolução WHA53.17, Maio 2000, subscrita por todos os Estados-membros da OMS). De modo a desenvolver uma abordagem abrangente à vigilância, diagnóstico, prevenção e controlo das doenças respiratórias crónicas, a OMS organizou quatro reuniões consultivas:

Estratégia da OMS para a prevenção e controlo das doenças respiratórias crónicas, Genebra 1-13 Janeiro 2001 (24).

Implementação da estratégia da OMS para a prevenção e controlo das doenças respiratórias crónicas, Montpellier, 1-12 Fevereiro 2002 (25).

Prevenção e controlo das doenças respiratórias crónicas em países africanos de baixos e médios rendimentos, Montpellier, 27-28 Julho 2002, e Paris, 10 Junho 2003 (26).

Prevenção e controlo das doenças respiratórias crónicas em cada país, com vista a uma aliança global contra as doenças respiratórias crónicas, Genebra 17-19 Junho 2004 (27).

Estas reuniões resultaram na formação da Global Alliance Against Chronic Respiratory Diseases (GARD) (28).

A Global Alliance Against Chronic Respiratory Diseases (GARD) é uma aliança voluntária de organizações nacionais e internacionais, instituições e agências que trabalham com o objectivo comum de melhorar a saúde pulmonar a nível global.

A visão da GARD: um mundo onde todos respirem livremente.

A meta da GARD: reduzir o impacto global das doenças respiratórias crónicas.

O objectivo da GARD: dar início a uma abordagem integrada ao combate às doenças respiratórias crónicas. Isto implica:

desenvolver um padrão para a obtenção de dados relevantes sobre factores de risco em doenças respiratórias crónicas; incentivar os países a implementar políticas de promoção da saúde e de prevenção das doenças respiratórias crónicas; recomendar estratégias economicamente viáveis para a gestão das doenças respiratórias crónicas.

Vantagem da GARD: providenciar uma rede, através da qual todas as entidades cooperantes podem combinar os seus pontos fortes, atingindo assim resultados que nenhum parceiro isoladamente conseguiria alcançar; melhorar a coordenação entre os programas existentes, governamentais e não-governamentais, de modo a evitar a duplicação de esforços e o desperdício de recursos.

A abordagem da GARD: promover uma abordagem integrada que tira partido das sinergias estratégias, sobre prevenção e controlo, entre as doenças respiratórias crónicas e outras doenças crónicas; ter especialmente em atenção as necessidades dos países de baixos e médios rendimentos e as populações vulneráveis, incentivando iniciativas específi cas de cada país, adaptadas às necessidades locais.

A ênfase dada às necessidades dos países de baixos e médios rendimentos é apropriada, já que, na maioria dos casos, as doenças respiratórias crónicas ocorrem nesses países, representando as doenças contagiosas (incluindo VIH/ /SIDA) um peso acrescido à morbilidade resultante das doenças respiratórias crónicas.

As epidemias de doenças crónicas levam décadas a instalar-se. As doenças crónicas costumam ter início na infância.

Dada a sua evolução lenta e natureza crónica, as doenças crónicas proporcionam oportunidades de prevenção.

Várias doenças crónicas diferentes podem ocorrer no mesmo doente (por exemplo, doenças respiratórias crónicas, doença cardiovascular e cancro).

O tratamento das doenças crónicas exige uma abordagem sistemática e de longo prazo.

O tratamento dos doentes com doenças crónicas deveria ser uma parte integrante das actividades dos serviços de saúde, em simultâneo com o tratamento de doentes com doenças agudas e infecciosas.

Doenças Classifi cação Internacional de Doenças

(ICD-10)

Asma J44ª-46

BronquiectasiaA15-16b, J44, J47, Q32-3

Doença pulmonar obstrutiva crónica, incluindo doença pulmonar obstrutiva crónica, bronquite e enfi sema

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