Vigilância global prevenção e controlo das doenças respiratórias crónicas uma abordagem integradora

Vigilância global prevenção e controlo das doenças respiratórias crónicas uma...

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J40-4

Rinossinusite crónica J32-3 Pneumonite de hipersensibilidadeJ66-67

Tabela 2 Doenças respiratórias crónicas comuns

As doenças respiratórias crónicas são um grupo de doenças crónicas que afectam as vias respiratórias e as outras estruturas dos pulmões. As doenças crónicas mais vulgares estão listadas na Tabela 2, tal como constam da ICD-10 (International Classifi cation of Diseases – Classifi cação Internacional de Doenças). Os sintomas mais comuns do tracto respiratório encontram-se igualmente listados na ICD-10 (Tabela 3).

Centenas de milhões de pessoas em todo o mundo sofrem de doenças respiratórias crónicas evitáveis. É provável que as estimativas de prevalência apresentadas na Tabela 4 sejam conservadoras. Este relatório concentra-se nas seguintes doenças respiratórias crónicas evitáveis e nos seus factores de risco:

Doenças Classifi cação Internacional de Doenças

(ICD-10)

Cancro do pulmão e neoplasias dos órgãos respiratórios e intratorácicos C30-39

Fibrose pulmonarB90, J69, J70, J84, P27 Doenças crónicas da pleura C38, C45, D38, J92 Pneumoconiose J60-65 Eosinofi lia pulmonarJ82

Doença cardíaca pulmonar e doenças da circulação pulmonar, incluindo embolia pulmonar, hipertensão pulmonar e cor pulmonale

RiniteJ30-31, J45ª Sarcoidosis D86

Síndrome da apneia do sonoG47Os códigos enunciados não pertencem apenas à doença listada. Todos os códigos que mencionam as doenças específi cas foram incluídos. Em doentes com tuberculose. Fonte: referência 29.

TABLE 2 (CONTINUED)

Sintomas respiratórios Classifi cação Internacional de Doenças

(ICD-10)

Hemorragia das vias respiratórias

EpistaxisHemoptise R04

Tosse R05

Anomalias da respiração

Dispneia Estridor Sibilos/pieira Hiperventilação Espirro

R06 R06.0 R06.1 R06.2 R06.4 R06.7

Odinofagia e dor torácicaR07

Outros sinais e sintomas envolvendo os sistemas circulatório e respiratório

Asfi xia Pleurisia Paragem respiratória (falência cardiorrespiratória) Expectoração anormal

R09.0 R09.1 R09.2

R09.3 Fonte: referência 29.

Tabela 3 Sintomas e sinais que envolvem o sistema respiratório

Asma e alergias respiratórias. Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC). Doenças pulmonares ocupacionais. Síndrome da apneia do sono. Hipertensão pulmonar.

Doença respiratória crónica Ano da estimativa Prevalência Referência

Asma 2004 300 milhões 15 Doença pulmonar obstrutiva crónica2000210 milhões30-32 Rinite alérgica 1996-2006 400 milhões 3-37 Outras doenças respiratórias2006>50 milhões38-4 Síndrome da apneia do sono1986-2002>100 milhões45-48

Tabela 4 Estimativas da prevalência de doenças respiratórias crónicas evitáveis

Homens Mulheres

Tabela 5 Proporção de doentes com sintomas respiratórios, a partir dos cinco anos de idade, que frequentaram unidades de cuidados de saúde primários por algum motivo

Os sintomas respiratórios estão entre as principais causas de consultas nos centros de cuidados de saúde primários. Foram efectuados estudos em nove países, em 76 unidades de cuidados de saúde primários, entre os quais 54 (71,1%) envolvendo médicos e 2 (28,9%) apenas enfermeiros. O número de unidades de cuidados de saúde primários, envolvendo 29 399 doentes respiratórios, revelou que a proporção de doentes com sintomas respiratórios, a partir dos cinco anos de idade, que frequentavam centros de cuidados de saúde primários varia entre 8,4% e 37,0% (Tabela 5).

5. Asma

MENSAGENS-CHAVE 300 milhões de pessoas de todas as idades, em todo o mundo, sofrem de asma. A prevalência de asma aumentou após a mudança para um estilo de vida moderno e urbano. Globalmente, 250 0 pessoas morrem de asma anualmente. As mortes devidas à asma estão relacionadas com a falta de tratamento adequado. O tratamento da asma não está ao alcance de todas as pessoas com asma.

A asma é uma doença infl amatória crónica das vias respiratórias, geralmente associada a uma hiper-reactividade das vias aéreas e a uma obstrução variável do fl uxo de ar, que habitualmente é reversível espontaneamente ou mediante tratamento (50). A sensibilização aos alergénios constitui um factor de risco importante para a asma. A asma costuma estar associada à rinite, uma infl amação da mucosa nasal (51).

Prevalência

A asma tanto afecta as crianças como os adultos. Recorrendo a uma estimativa conservadora, calcula-se que 300 milhões de pessoas de todas as idades e etnias sofram de asma. Dois grandes estudos multinacionais avaliaram a prevalência de asma em todo o mundo: o European Community Respiratory Health Survey (ECRHS – Estudo sobre a Saúde Respiratória da Comunidade Europeia) em adultos (52) e o International Study of Asthma and Allergies in Childhood (ISAAC – Estudo Internacional sobre Asma e Alergias na Infância) em crianças (3). O mapa-mundo da prevalência de asma (Figura 4) baseia-se nestes dois estudos (15).

Figura 4 Mapa-mundo da prevalência de asma clínica

Proporção de população (%)

Fonte: referência 15.

As tendências na prevalência da asma variam entre os diversos países. Nos últimos 40 anos, a prevalência de asma aumentou em todos os países, em paralelo com a de alergias. A asma continua a aumentar a nível mundial, à medida que as comunidades se urbanizam e adoptam estilos de vida modernos (13, 53, 54). Com o aumento previsto da proporção de população mundial a viver em zonas urbanas, nas próximas duas décadas haverá provavelmente um incremento substancial no número de pessoas com asma em todo o mundo. Calcula-se que, em 2025, poderá haver mais 100 milhões de pessoas com asma (15). No entanto, a prevalência de asma e alergias poderá diminuir nas crianças, em alguns países com uma prevalência elevada da doença, e o aumento da epidemia de asma poderá chegar ao fi m em certos países (5-57).

Mortalidade

Calcula-se que a asma seja responsável por cerca de 250 0 mortes anualmente. Existem grandes diferenças entre os países, e o ritmo de óbitos provocados pela asma não é proporcional à prevalência (Figura 5). A mortalidade parece ser elevada em países onde o acesso a fármacos essenciais é reduzido.

Muitas das mortes são evitáveis, já que resultam de tratamento médico optimizado, a longo prazo, e da demora na obtenção de auxílio durante o ataque fi nal. Em muitas zonas do mundo, as pessoas com asma não têm acesso a medicamentos básicos contra a asma nem a cuidados de saúde (15) (Figura 6). Os países com os índices de mortalidade mais elevados são aqueles em que não existe terapêutica de controlo. Em muitos países, as mortes resultantes da asma diminuíram recentemente, devido a uma melhor gestão da asma (58).

Morbilidade

A hospitalização de doentes com asma constitui outro parâmetro da gravidade da asma, mas é impossível obter dados na maioria dos países de

Figura 5 Mapa-mundo de índices de casos fatais de asma: mortes por asma por 100 0 doentes com asma na faixa etária 5-34 anos

Países a sombreado de acordo com o índice de casos fatais (por 100 0 pessoas com asma)

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