Vigilância global prevenção e controlo das doenças respiratórias crónicas uma abordagem integradora

Vigilância global prevenção e controlo das doenças respiratórias crónicas uma...

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Fonte: referência 15.

0–5.0 Não existem dados estandardizados disponíveis baixos e médios rendimentos (59). Nos países ou nas regiões onde foram implementados planos de gestão da asma, os índices de hospitalização baixaram (58, 60). A asma costuma ser grave no caso dos desfavorecidos e das minorias (61).

A asma prejudica o rendimento laboral e escolar, bem como a vida social (62). Em termos físicos, a qualidade de vida é limitada por sintomas brônquicos, enquanto que a vida social também é afectada pela co-morbilidade da rinite (63). Em 2005, nalguns países da União Europeia a asma continuava a exercer um efeito determinante na vida social e na actividade física dos doentes, bem como na vida laboral e escolar (Figura 7).

Figura 6 Mapa-mundo da proporção da população com acesso a fármacos essenciais

OMS Acesso a Fármacos Essenciais

Fonte: referência 15.

81–95%>95%Não existem dados estandardizados disponíveis

Figura 7 Efeitos da asma nos doentes, União Europeia, 2005

% doentes

Todos os países França Alemanha

Espanha Suécia Reino Unido

Fonte: referência 64.

Sair com Actividades Férias Oportunidades Frequentar uma amigos físicas de emprego escola ou universidade

A asma infantil é responsável por muitos dias de absentismo escolar, e pode privar as crianças afectadas de interacção social e sucesso escolar, sobretudo no caso de populações com falta de acesso a cuidados de saúde (65) e minorias (6). Os programas educativos para a autogestão da asma, em crianças e adolescentes, reduzem o absentismo escolar e o número de dias com actividade reduzida (67).

O peso da asma avaliado em termos de anos de vida ajustados à defi ciência (DALYs), em 22º lugar a nível mundial, é semelhante ao de outras doenças crónicas, nomeadamente à diabetes ou à doença de Alzheimer (Tabela 6).

Tabela 6 Anos de vida adaptados (DALYs) a doenças com maior peso, no mundo

Nº de

Ordem

Doença Número de

Encargos económicos

O custo económico da asma é considerável, tanto em termos de custos médicos directos (designadamente internamentos e o custo de medicamentos) como indirectos (nomeadamente o tempo de trabalho perdido e a morte prematura) (15, 69, 70). Os custos da asma são elevados no caso da asma grave ou não-controlada (71). Muitas crianças com asma não-diagnosticada faltam à escola e necessitam de recorrer a serviços de urgência, se bem que as crianças já diagnosticadas com asma façam mais uso dos cuidados de saúde (72). As crianças com baixo estatuto socioeconómico têm maior probabilidade de necessitar de aceder aos cuidados de saúde, devido à asma (73). No países de baixos e médios rendimentos, a asma infantil tem efeitos adversos signifi cativos nas actividades diárias das crianças, na escolarização, na vida familiar e na situação fi nanceira da família (74).

Os benefícios para a saúde dos programas de controlo da asma estão a conduzir nitidamente a uma diminuição marcante dos índices de mortalidade e das hospitalizações, nos países de altos rendimentos (Figura 8), nos países de baixos e médios rendimentos e nas zonas desfavorecidas (60, 75, 76). Num estudo envolvendo 3748 crianças de grupos minoritários com baixos rendimentos, a viver nos Estados Unidos, uma programa educativo teve como resultado uma diminuição de 35% nos índices globais de hospitalização, uma diminuição de 27% no recurso a serviços de urgência devido à asma e uma diminuição de 19% das consultas externas (76). No entanto, na Finlândia, o programa de controlo da asma não teve qualquer efeito sobre a prevalência da doença, que continua em expansão. O número de pessoas com asma aumentou, apesar de a mortalidade e a morbilidade terem diminuído signifi - cativamente.

Figura 8 Benefícios para a saúde do programa de controlo da asma na Finlândia, 1981-1995

Reembolso devido a asma Dias de hospitalização Índice de mortalidade

Ano

1981 1983 1985 1987 1989 1991 1993 1995 Índices de Asma(base 100 em 1981)

Fonte: referência 58.

Co-morbilidades

Os elos de ligação entre a rinite e a asma são importantes. Estudos epidemiológicos têm demonstrado consistentemente que a asma e a rinite costumam coexistir nos mesmos doentes. Em estudos epidemiológicos, mais de 70% das pessoas com asma têm rinite concomitante (7-79). No entanto, apenas 15 a 40% dos doentes com rinite sofrem de asma clinicamente demonstrável. Os doentes com rinite persistente severa têm asma com mais frequência do que aqueles com rinite intermitente (80). A rinite alérgica e não-alérgica está associada à asma. Apesar de existirem diferenças entre a rinite e a asma, as vias respiratórias superiores e inferiores podem ser consideradas como uma entidade única, infl uenciada por um processo infl amatório comum, provavelmente em processo de evolução, que pode ser apoiado e ampliado por mecanismos interligados (51).

A prevalência de rinite tem sido avaliada em vários estudos epidemiológicos de grandes dimensões. Segundo o European Community Respiratory Health Survey (ECRHS), a prevalência de rinite é de cerca de 35% na Europa e na Ásia Austral (34). Segundo o Study of Asthma and Allergy in Childhood (ISAAC – Estudo de Asma e Alergia na Infância), a prevalência de rinite alérgica varia entre valores muito reduzidos e 50% dos adolescentes (81), com uma média acima dos 30% (13). O estudo ISAAC foi efectuado na década de 90. Segundo estudos mais recentes, a prevalência de rinite alérgica aumentou, sobretudo em países com baixa prevalência (82-90). Num estudo recente envolvendo a população geral da Europa, a prevalência de rinite alérgica rondava os 25% (35, 36). A prevalência de rinite alérgica está a aumentar nos países em vias de desenvolvimento. A prevalência de uma sensibilização IgE aos alergénios inalados, medida por IgE específi co para alergénios no soro ou em testes cutâneos, é superior a 40% da população na Austrália, Europa, Nova Zelândia e Estados Unidos da América (57, 91-93). Na sua maioria, os indivíduos sensibilizados, se bem que não todos, sofrem de rinite alérgica, de asma ou de ambas as doenças.

Ao desenvolvimento sequencial de manifestações de doenças alérgicas durante a primeira infância costuma dar-se a designação de “marcha alérgica” (94). Vários estudos epidemiológicos de coorte neonatal começaram já a elucidar a evolução das manifestações de doenças alérgicas e a identifi car as populações em risco de contracção da doença (95, 96). Estes estudos realçam os efeitos dos factores ambientais e da predisposição genética na marcha alérgica. Em muitos doentes, a alergia alimentar precede a alergia a alergénios inalados. Na marcha alérgica, a dermatite atópica e a asma estão relacionadas, se bem que a dermatite atópica não preceda necessariamente a asma, ao passo que a rinite alérgica é um factor de risco para a asma e pode preceder a asma (97-9).

Na maioria dos países de baixos e médios rendimentos, a prevalência do fumo de tabaco nos adultos com asma é de cerca de 25%. Quando comparados com os não-fumadores com asma, os fumadores activos apresentam sintomas de asma mais graves (100), um declínio acelerado da função pulmonar (101) e uma reacção reduzida à terapêutica corticosteróide (102). Deveriam ser envidados todos os esforços para incentivar os asmáticos a deixar de fumar (103).

6. Doença Pulmonar Obstrutiva Crónica

A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) afecta 210 milhões de pessoas.

A doença pulmonar obstrutiva crónica foi a quinta causa de morte em 2002 e prevê-se que seja a quarta causa de mortalidade em 2030 (104).

O fumo de tabaco constitui o principal factor de risco, mas a utilização, em ambientes fechados, de combustíveis fósseis para cozinhar e para aquecimento representa também riscos importantes.

É provável que as estratégias para reduzir a exposição aos principais factores de risco tenham impacto na morbilidade e mortalidade.

A doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC) é uma doença heterogénea com diversas apresentações clínicas. A anomalia básica em todos os doentes com DPOC é a limitação do fl uxo de ar. Assim, os especialistas da Global Initiative for Obstructive Lung Diseases (GOLD – Iniciativa Global para as Doenças Pulmonares Obstrutivas) defi niram a doença com base em critérios espiromé- tricos, através da utilização do volume expiratório forçado num segundo (FEV1 – Forced Expiratory Volume) e da sua relação com a capacidade vital forçada

(FVC – Forced Vital Capacity) (105), após broncodilatador. O principal critério para a DPOC é um coefi ciente FEV1/FVC <70%. Os termos bronquite crónica e enfi sema já não fazem parte da defi nição de DPOC (Tabela 5) (106, 107).

DoençaReferênciaDefi nição

Bronquite crónica108Defi nição clínicaTosse produtiva crónica durante 3 meses em 2 anos consecutivos, num doente ao qual foram excluídas outras causas de tosse produtiva crónica.

Enfi sema108Defi nição anatómicaDilatação permanente dos espaços aéreos distais ao bronquíolo terminal, acompanhada de destruição das respectivas paredes, sem fi brose evidente.

Doença pulmonar obstrutiva crónica (DPOC)

107, 109Defi nição funcionalEstado de doença evitável e tratável, caracterizado pela limitação do fl uxo de ar, que não é totalmente reversível. Regra geral, a limitação do fl uxo de ar é progressiva e está associada a uma reacção infl amatória anormal dos pulmões, como reacção aos agentes nocivos, nomeadamente o fumo do tabaco, os combustíveis de biomassa e os agentes ocupacionais. A limitação crónica do fl uxo de ar, característica da DPOC, é provocada por um misto de doença das pequenas vias aéreas (bronquiolite obstrutiva) e a destruição do parênquima pulmonar (enfi sema). A DPOC é uma doença multifactorial com efeitos extra-pulmonares.

Fonte: referência 110.

Tabela 7 Defi nições de bronquite crónica, enfi sema e doença pulmonar obstrutiva crónica

A subclassifi cação da asma em ligeira, moderada, grave e muito grave con- segue-se através da inclusão de vários níveis de FEV1 como percentagem de valor previsível (Tabela 8) (1). Verifi cou-se que existia uma correlação desta

Até 2001, existiam apenas 32 estudos de prevalência da DPOC, em comparação com centenas de estudos para a asma e milhares para o cancro ou doenças

cardiovasculares (114). Felizmente, estão a decorrer algumas iniciativas com o fi m de produzir novos dados. Algumas delas são apresentadas neste relatório.

Grau Características

I: LigeiraFEV1/FVC < 70% FEV1 ≥ 80% previsto

I: ModeradaFEV1/FVC < 70% 50% ≤ FEV1 < 80% previsto

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